3. MATERYAL VE METOT
3.2. Metot
3.2.1. Çeşitli çalı gruplarıyla gürültü ölçümünün yapılması
Os eixos de atendimento individual e atendimento coletivo, segundo Ferrari et. al. (2010), são desenvolvidos por meio de dois métodos: (a) mediação, utilizado como dispositivo para alcançar a resolução dos conflitos entre as partes envolvidas; e (b) orientação sociojurídica, que se define pela ampliação de acesso às informações, bens e serviços essenciais ao gozo e exercício dos direitos humanos e fundamentais. No caso do eixo individual, tanto para o método de mediação quanto de orientação, o programa realiza os atendimentos relacionados às questões interpessoais que a principio não envolvem muitas partes, sendo de caráter mais familiar ou entre vizinhos ou instituições – neste caso os atendimentos são realizados exclusivamente dentro do espaço físico do Centro de Prevenção à Criminalidade 87. Já no caso coletivo, os atendimentos envolvem aspectos de convivência mais comunitária, que a princípio pertencem a mais membros da comunidade, abarcando menos as relações familiares e de vizinhança e, normalmente, têm a ver com questões relacionadas à organização jurídica de associações comunitárias e grupos culturais e aos direitos básicos como: acesso à moradia/habitação, saúde, educação, entre outros.
86 Resta dizer que, no Capítulo 3, abordaremos a percepção dos atendidos pelo programa sobre a atuação destes
profissionais e sobre as suas percepções de direitos.
87 Existem pequenas exceções para a não realização dos atendimentos dentro dos Centros. Segundo Nunes et. al.
(2009), tratam-se de limites de circulação dentro das comunidades demarcados pelas disputas das gangues e do tráfico de drogas e armas de algumas regiões, impedindo o “cruzamento” dos familiares e das próprias pessoas envolvidas com a gangue da “área x” ou “área y”; nestes casos os atendimentos deste eixo são realizados em locais indicados pelas próprias comunidades, como uma Associação, Igreja, entre outros.
Segundo Nunes et. al. (2009) a promoção da autonomia, da emancipação e do empoderamento da população são conceitos-chave 88, apresentados pela metodologia do Programa Mediação de Conflitos. Passamos adiante a observar tais pontos na descrição mais detalhada, primeiro da organização dos seus eixos de atuação (individual e coletivo) e, em seguida, dos métodos adotados (orientação e mediação), buscando perceber suas dimensões e formas de tratamento/intervenção.
2.2.3.1. Eixo atendimento individual
A porta de entrada da população ao Centro de Prevenção à Criminalidade pelo eixo de atendimento individual ocorre, a princípio, segundo Nunes et. al. (2009), por meio do agendamento prévio – salvo os casos de “urgência” que envolvem ameaças de morte ou outras violências, que recorrentemente são “levados” aos profissionais do programa de forma imediata sem marcação/agendamento anterior. Portanto, com exceção destes casos excepcionais, a população é atendida por uma dupla de profissionais, conforme data e horário pré-fixado. Os atendimentos são realizados em salas específicas em cada Centro. Normalmente, essas salas possuem uma mesa redonda ou de escritório e algumas cadeiras não
88 O termo autônomo é concebido pelo Programa Mediação de Conflitos com a seguinte conotação: capacidade
de fazer escolhas próprias, de formular objetivos pessoais respaldados em convicções e de definir estratégias mais adequadas para atingi-los. Em termos restritos, o limite da autonomia equivaleria à capacidade de ação e de intervenção da pessoa ou do grupo sobre as condições de sua forma de vida (Gustin apud Nunes et. al., 2009). Já a ideia de emancipação é concebida pelo Programa Mediação de Conflitos como a capacidade de permanente reavaliação das estruturas sociais, políticas, culturais e econômicas do seu entorno, com o propósito de ampliação das condições jurídico-democráticas de sua comunidade e de aprofundamento da organização e do associativismo com o objetivo de efetivação das condições políticas pelas mudanças essenciais na vida dessa sociedade, para a sua inclusão efetiva no contexto social mais abrangente (Gustin apud Nunes et. al., 2009). Empoderamento é utilizado pelo Programa Mediação de Conflitos como processo definidor pelo qual pessoas, organizações e comunidades adquirem controle sobre questões de seus interesses, tratando da conquista plena dos direitos de cidadania. Perpassa noções de democracia, direitos humanos e participação, envolvendo o agir implicado no processo de reflexão sobre determinada ação. Visa a tomada de consciência em diferentes planos – econômico, político e cultural – que conformam a realidade incidindo sobre o indivíduo (Baquero apud Nunes et. al., 2009).
fixadas. Existem em cada Centro salas de espera ou longarinas, de modo que a população que aguarda os atendimentos possa esperar sua vez89.
No primeiro atendimento, segundo Ferrari et. al. (2010), a dupla de profissionais realiza o primeiro acolhimento da pessoa (ou pessoas), buscando escutar a demanda e apresentar o serviço que poderá ser prestado pelo programa. Em seguida, conforme disposto no Organograma 01, alguns procedimentos são adotados pela equipe de profissionais do programa: em primeiro lugar é realizada a escuta da demanda, conforme descrito abaixo – “escuta do caso” – e, em seguida, o organograma apresenta três possibilidades de atendimentos: (i) atendimento de orientação; (ii) investigação mais aprofundada do caso – se a equipe tem dúvidas sobre a possibilidade de mediação, marca-se um novo atendimento com a pessoa para “investigar” 90melhor o caso; e (iii) se a própria equipe “entende” que possa ser
realizada a mediação 91.
Contudo, ao analisar as etapas de atendimento adotadas pelo programa é possível, a princípio, localizar duas formas de resolução da questão pela intervenção da equipe/programa: (i) a orientação segue um fluxo mais direto – informa a população sobre seus direitos, facilita o contato com a rede parceira necessária e monitora a situação junto à parte reclamante; já (ii) a mediação segue um fluxo mais amplo – evidenciam dois caminhos, se a parte aceita ou não o tratamento da questão apresentada ao programa pela “via da mediação”. O organograma parece colocar a equipe como central na decisão sobre o entendimento das partes. Este fluxo apresenta uma dinâmica de trabalho mais voltada à “tomada de decisão” sobre o procedimento a ser adotado a partir do entendimento do programa/equipe de profissionais do
89 Detalhamos a maneira como a população chega ao Centro de Prevenção à Criminalidade em busca de
atendimento pelo Programa Mediação de Conflitos, apresentamos alguns detalhes relacionados à espera e ao atendimento das pessoas na prática verificada do Centro da Pedreira Prado Lopes.
90 Para Ferrari et. al. (2010), a investigação é realizada para ampliar, compreender, aprofundar e identificar
elementos acerca do conteúdo apresentando pelos atendidos pelo programa, que permitam à equipe obter uma visão sistêmica sobre a demanda.
91 Embora sejam essas as etapas adotadas pelos registros oficiais do programa, foi com base na fala dos
entrevistados (usuários que acessaram o programa), que pudemos verificar esses passos adotados, tal ponto será aprofundado no Capítulo 3.
que propriamente às escolhas da população sobre o serviço. Parece centralizar as decisões sobre os atendimentos realizados na equipe, conforme demonstra organograma, podemos com isso, perceber que a cultura não influencia somente a população atendida, mas também a própria equipe; levando-nos a refletir – quando analisamos se o caso será de orientação ou de mediação – que o crescimento por orientação e sua procura, pode estar aumento mais pelo enquadramento das demandas, pela equipe, como sendo orientação e não mediação.
Podemos perceber, também, que o programa estabelece uma “rotina” para o atendimento ao público; apresentando semelhanças aos rituais encontrados nas esferas formais de resolução de conflitos.
Organograma 1 – Fluxograma de atendimento do Eixo individual do Programa Mediação de Conflitos
Chegada da demanda ao Programa
Escuta do caso
Apresentação do Programa Mediação de Conflitos e outras formas de resolução de conflitos
Breve apresentação do Centro de Prevenção à Criminalidade
Se a equipe tem dúvidas sobre a possibilidade de mediação marca um
retorno com a primeira parte para investigar melhor o caso
Se a equipe entende ser possível a mediação
Discussão do caso em equipe e eventuais contatos com a rede parceira
Monitoramento do caso dentro do prazo de 1 (um) mês, após o último atendimento ; • Discussão do caso em equipe • Definição da dupla de referência
Atende a primeira parte novamente
Primeira parte aceita participar do processo
Primeira parte não aceita participar do processo Orientação Retorno do atendido (quantos forem necessários) para orientação e possíveis encaminhamentos Discussão do caso
Fonte: Relatórios do Programa Mediação de Conflitos. Diretoria do Núcleo de Resolução Pacífica de Conflitos – CPEC/SEDS.
Mesmo que o ordenamento jurídico brasileiro tenha sofrido influências significativas dos Estados Unidos, existem diferenças nestes modelos. A cultura jurídica no Brasil ao contrário do caso norte-americano, organiza os modelos judiciais delegando ao órgão estatal a responsabilidade decisória sobre os conflitos e os anseios da população. Conforme Amorin (2008), no sistema norte-americano a garantia do due process of law é plenamente individual e disponível para o cidadão, diferentemente do caso brasileiro, onde a garantia do devido processo legal da justiça civil é menos disponível para o cidadão e indisponível na justiça criminal, uma vez que o processo judicial criminal no Brasil não é apenas público e sim estatal, sendo o Estado o responsável direto pela plena tutela das partes envolvidas, elemento caracterizado pela influência da “função tutelar”, mencionado anteriormente, elemento central no caso das instituições brasileiras (Borges, 2003).
2.2.3.2. Eixo atendimento coletivo
Para este eixo não encontramos referências de organogramas e/ou fluxos. A referência sobre a sua atuação o trata de maneira similar ao atendimento individual, variando somente pelo “objeto” da intervenção/ação, sendo coletivo. Basta dizer que a população que é atendida pelo Programa Mediação de Conflitos pela via do eixo de atendimento coletivo o acessa por outras diversas formas, seja por uma liderança comunitária, grupo cultural ou associações locais. Segundo Ferrari et. al. (2010) como se trata de um atendimento que intervém em demandas que têm mais relação com a própria organização social da região e com o acesso dos moradores aos direitos sociais, especialmente questões relacionadas à infraestrutura urbana, estes são realizados variando de acordo com a situação/contexto. Outro aspecto identificado trata da relação deste eixo com as associações e grupos sociais locais, estes
últimos desenvolvem parcerias com o programa na realização de ações/atividades mais coletivas que são desenvolvidas nas comunidades.