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GÜNCEL DURUM ANALİZİ

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B. GÜNCEL DURUM ANALİZİ

Os dados foram analisados com base no referencial de Bardin (2008), empregando-se a técnica da análise de conteúdo temática, tendo em vista a análise dos “significados” pronunciados pelos entrevistados da pesquisa no que se refere à cirurgia segura. A análise de conteúdo proposta por Bardin (2008) se configura como

[...] um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (BARDIN, 2008, p.44).

O aspecto individual e atual da linguagem, a prática da língua realizada por emissores identificáveis – a fala –, é o objeto da análise de conteúdo. Esta, por trabalhar com a fala e com as significações, possibilita conhecer o que está por trás das palavras e sobre as quais se debruça. Ou seja, é uma busca de outras realidades mediante as mensagens emitidas (BARDIN, 2008) e se propõe a apreender tanto uma realidade visível quanto uma invisível, que pode ser percebida apenas nas “entrelinhas” do texto (CAVALCANTE; CALIXTO; PINHEIRO, 2014).

A escolha da análise de conteúdo neste estudo pode ser elucidada pela necessidade de superar as incertezas dos pressupostos, pela necessidade de enriquecer a leitura por meio da compreensão das significações e pela necessidade de desvelar as relações que se estabelecem além das falas propriamente ditas (CAVALCANTE, CALIXTO, PINHEIRO, 2014). Em termos de aplicação prática, esse método permite:

[...] o acesso a diversos conteúdos, explícitos ou não, presentes em um texto, sejam eles expressos na axiologia subjacente ao texto analisado; implicação do contexto político nos discursos; exploração da moralidade de dada época; análise das representações sociais sobre determinado objeto; inconsciente coletivo em determinado tema; repertório semântico ou sintático de determinado grupo social ou profissional; análise da comunicação cotidiana, seja ela verbal ou escrita, entre outros (OLIVEIRA, 2008, p.570).

Contudo, a variedade de conceitos e finalidades da análise de conteúdo tem tornado o método pouco claro e permitido sua utilização sem os cuidados metodológicos necessários para uma boa prática, tendendo a desenvolvê-la como uma técnica intuitiva e não sistematizada. Assim, para assegurar o valor científico é necessário que os procedimentos utilizados na análise de conteúdo atendam a algumas regras precisas (OLIVEIRA, 2008). Nesse sentido, foram

Segurança da assistência no perioperatório: integração de uma complexa rede intra-hospitalar 50

adotadas as fases da análise de conteúdo que, segundo Bardin (2008), se organizam em torno de três pólos cronológicos: primeira fase – pré-análise; segunda fase – exploração do material ou codificação; terceira fase - tratamento dos resultados, inferência e interpretação.

Primeira fase – pré-análise: nesta fase, os materiais, entrevistas e diário de campo

foram organizados no sentido de sistematizar as ideias iniciais. Foi realizada a transcrição das entrevistas e conferência das mesmas, confrontando as entrevistas transcritas à gravação do áudio das entrevistas, corrigindo palavras e pontuação. Após esse processo, foram separados em pastas os áudios, as entrevistas e os diários de campo, retirando da transcrição todo nome que pudesse identificar algum profissional da instituição. Esse material somado aos registros das observações no diário de campo constituiu o corpus de análise desta pesquisa. Foi feita, então, a leitura flutuante deste corpus, deixando-se impregnar pelos relatos. Nessa etapa também foram retomados os objetivos e pressupostos iniciais desta pesquisa.

Segunda fase – exploração do material: foi feita a leitura exaustiva das entrevistas e

realizadas operações de codificação e categorização. A codificação foi o processo sistemático de transformar e agrupar os dados brutos dos documentos em unidades de registros (unidade de significação) e unidades de contexto (unidade de compreensão para codificar a unidade de registro). Esses são os elementos que compõem a mensagem, ou seja, são palavras e/ou frases que representaram determinadas partes das falas dos entrevistados e que permitiram uma descrição das propriedades pertinentes aos conteúdos. Isso viabilizou a definição dos temas, dado que se adotou a análise temática, ou seja, cada tema foi composto por um conjunto de unidade de registro. Assim, a análise temática consistiu em descobrir os núcleos de sentido que compõem a mensagem, que tiveram aderência ao objetivo analítico estudado (BARDIN, 2008).

A categorização consistiu na classificação e agrupamento dos temas em razão das características comuns para permitir a organização das mensagens. Vários são os critérios de categorização mencionados por Bardin (2008). Neste estudo, optou-se pela análise temática.

Foram seguidas quatro regras importantes relatadas por Bardin (2008), a saber: (1) os dados foram classificados homogeneamente, mantendo o cuidado de não se misturar temas aparentemente semelhantes; (2) o texto foi exaustivamente decomposto, esgotando suas informações; (3) um mesmo elemento foi classificado sempre na mesma categoria; e (4) os dados retirados das entrevistas foram alinhados ao conteúdo teórico da pesquisa e aos objetivos.

Terceira fase – tratamentos dos resultados, inferência e interpretação: os dados

brutos foram tratados de maneira a serem significativos e válidos. Assim, foram realizadas inferências e interpretação dos dados de acordo com os objetivos e descobertas inesperadas e à

luz da literatura. Foram utilizados, dentre outros, alguns dos conceitos da teoria do ator-rede de Bruno Latour e do pensamento complexo de Edgar Morin devido à complementariedade entre elas para aprofundar a compreensão do fenômeno estudado a partir dos achados da pesquisa sem, no entanto, esgotar estes referenciais teóricos. As observações registradas no diário de campo também foram utilizadas nesse processo como forma de enriquecimento da análise.

Ressalta-se, ainda, que o contexto da mensagem é fundamental na análise de conteúdo, não só ele, mas o contexto exterior a este, em que condições de produção foi evocada aquela mensagem, ou seja, quem é que fala a quem e em que circunstâncias (BARDIN, 2008). Nesse sentido, requer uma pré-compreensão do ser, suas manifestações, suas interações com o contexto, e requer um olhar meticuloso do investigador (CAVALCANTE; CALIXTO; PINHEIRO, 2014). Assim, a vivência que se teve no campo de pesquisa foi importante para a aproximação com a realidade do fazer “a assistência cirúrgica” no cenário de estudo, ou seja, possibilitou interpretar as entrevistas de forma contextualizada contribuindo para a análise e evidenciando a importância da observação.

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