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A. Gün Batarken (1920)’den Kan ve İman (1922)’a Aşktaki Yanlışın Telafisi Olarak

1. Gün Batarken’de Dikotomilerle Millî Kimlik

Os atores envolvidos no TER não constituem grupos homogeneizados, principalmente levando em consideração as particularidades de cada propriedade envolvida

na pesquisa. Identificamos os seguintes grupos: proprietários rurais, familiares, comunidade, organizações governamentais e não-governamentais.

O grupo dos gestores dos empreendimentos turísticos é constituído por três categorias. A primeira é constituída por tradicionais proprietários rurais envolvidos com as atividades agropecuárias que, juntamente com seus familiares, ou pessoas da própria comunidade, administram e recepcionam os turistas, com variações conforme a realidade da propriedade. É o caso do Camping Remanso.

“Sou nativo de Araponga, nascido e criado, tem uns trinta e oito anos que moro aqui, mas nasci uns seis quilômetros mais para baixo. Depois que casei, morei uns dois anos perto do grupo [escolar], depois vim parar aqui. Nunca mudei de região. São oito filhos todos criados aqui. Todo mundo mora no que é meu, graças a Deus. A gente tem uma família unida, trabalhadeira, graças a Deus. Nóis lutemos e compremos aqui. Nóis entremos aqui como empregado, fazendo favor para os outros, certo? Deus abençoou e compramos esse pedacinho. Hoje eu tenho a minha família toda colocada aí, certo? Hoje eu tenho área pra minha família e os de fora trabalhar. Aqui tem todo dia, dezesseis, dezessete companheiros da família, quando aperta, o cara vem um ou dois dias, que só o pasto eu gasto trezentos homens de foice, é muito, quando eu vou apanhar o café, a minha safra aqui é de três a quatro meses, é cento e quarenta mil pés [....].” (Entrevistado A)

A segunda categoria de proprietários é formada por pessoas que no passado tinham contato com o meio rural, mas buscam uma nova atividade econômica ao mesmo tempo em que fogem do cotidiano estressante do meio urbano. Enquadram-se aqui os exemplos da Pousada Serra D’água e da Fazenda do Brigadeiro.

“Sou de Viçosa, conheci aqui [esse lugar] já na década de setenta eu vinha aqui para freqüentar as cachoeiras, e então eu já conhecia a região.” (Entrevistado C) “Eu comprei a propriedade e entendi que para eu ficar aqui, a pousada era necessária; porque, pra montar uma fazenda, trabalhar com fazenda, não era minha praia, então eu não sabia se ia me adaptar muito bem. Com a pousada você tem uma relação social maior, o parque já tinha feito o inventário turístico da região, eu já tinha visto que havia uma possibilidade de ter a pousada. Sabia que o parque ia sair, sabia que o asfalto ia chegar, então, usando as informações que eu tinha e as previsões que tinha, eu optei por montar uma pousada.” (Entrevistado C)

Na terceira categoria ressaltamos os proprietários rurais residentes em centros urbanos, que adquiriram propriedades rurais para iniciar seus empreendimentos no turismo,

envolvendo-se com atividades de lazer em suas terras. Enquadra-se aqui o Camping Vale da Lua.

“É uma idéia antiga, há muito tempo eu queria mexer com isso. Conheci o lugar, vi que o potencial lá é enorme, comprei o terreno e vi o terreno, resolvi investir. Mas bem na verdade o local está bem no início. O turismo em Araponga tem potencial e está começando e está faltando uma série de coisas básicas pra poder a gente explorar efetivamente [...].” (Entrevistado B)

Neste grupo de gestores, dois proprietários vivem do turismo (entrevistados B e C), um da produção do café (entrevistado A) e um último (entrevistado D), da pesquisa em sua propriedade. Mas todos os entrevistados se consideram proprietários rurais e são, em sua maioria, residentes na área rural. Aí abriram suas propriedades ou investimentos para visitação e hospedagem sem um planejamento prévio e mesmo sem um entendimento aprofundado do que vem a ser turismo no espaço rural.

Quanto à participação da família, isso ocorre mais significativamente no Camping Remanso, exercendo um papel fundamental nas relações da propriedade com o turismo.

“Tanto eu quanto dois filhos já têm curso de turismo, inclusive eu tenho duas filhas, tenho quatro noras, elas todas são cozinheiras, certo? Se apertou, todo mundo vem. Quem mais ajuda é quem mora mais perto da estrada, se apertar eles vêm. Agora quem mais ajuda é o pessoal da família mesmo, nóis não paga ninguém de fora não.” (Entrevistado A)

Na Pousada Serra D’água a família já teve um papel mais significativo quando o empreendimento estava no início de seu funcionamento. Hoje, porém, as atividades são desempenhadas por outros atores.

“Eu comecei com minha mulher e com a tia dela até aqui e depois tive que agregar mais funcionários. Já tinha gente que nasceu aqui, mas eu trabalho com uma equipe pequenininha, enxuta, uma coisa meio assim cidadezinha, procurando manter o mesmo pessoal sempre, mas é pequena, enxuta, é um pouco familiar com pouco funcionário, o pessoal é mais daqui mesmo, pegando sempre o pessoal daqui; quem veio de fora foi eu, minha mulher e a tia.” (Entrevistado C)

Ocorre também exemplo de propriedades onde a família nunca participou do empreendimento.

“A família não participa, porque a gente não mora aqui, então, é essa característica de propriedade rural, de turismo rural. É quando a família geralmente mora no local né? Mas a gente não.” (Entrevistado B)

O terceiro grupo é o da comunidade. Seu envolvimento com o TER ocorre ainda de forma pouco significativa, sendo praticamente inexpressivo entre as propriedades que realizam algum tipo de turismo. Existe uma falta de articulação entre as comunidades locais e os empreendimentos turísticos, o que inviabiliza um planejamento integrado dos envolvidos. Apenas um entrevistado afirmou que há um pequeno envolvimento com a comunidade no sentido de lá estar comprando os seus produtos.

“A gente trabalha com o pessoal da vizinhança, eles usam meu terreno de café, uso o carro de boi de um; se eu preciso de mais um cavalo eu uso o cavalo do outro e eu compro o ovo caipira de um, eu compro o leite de outro; eu procuro não produzir nada. A idéia inicial era de se ter uma auto-suficiência, mas eu percebi que é melhor o caminho inverso: eu não produzir nada [...] as produções vou comprando dos vizinhos, com isso vou tendo um relacionamento muito interessante com eles.” (Entrevistado C)

Em todas as propriedades (exceto o Camping Remanso) ocorre a presença de empregados, estes se caracterizam como sendo moradores da comunidade local, e que trabalham nas fazendas prestando serviços ou mesmo morando dentro do empreendimento turístico, geralmente sem garantias trabalhistas.

Estes moradores exercem funções significativas no desenvolvimento das tarefas do dia-a-dia das propriedades turísticas, exigindo pouca qualificação profissional tais como: caseiros, cozinheiras, faxineiras, peões e outros.

No Camping Remanso e na Pousada Serra D’água verificamos que alguns funcionários ou familiares do proprietário realizaram cursos técnicos para guias em trilhas. Geralmente são cursos de curta duração oferecidos por instituições governamentais e realizados na sede do município.

“Eu tenho dois guias que fizeram cursos no SENAR [Serviço Nacional de Aprendizagem Rural], e na realidade é curso de condutor, a gente chama de guia, porque se eu falar de condutor vão achar que tão no ônibus, certo, porque na verdade eles inventam tanto nome, e é o nome que fica mais fácil para gente. Na verdade, o guia é o cara que traz o turista. Eles são os que conhecem perfeitamente as trilhas, são capazes de até, se precisar, jogar alguém nas costas; eles são capazes de trazer se a pessoa tiver algum problema.” (Entrevistado C)

“Tanto eu, quanto dois filhos já têm curso de turismo, [...] Se precisar de um guia, ele [um dos filhos] ajuda (...) eu acho bom levar a turma lá em cima [no Pico do Boné], pegar uma turma mais estranha que depende da gente; você toma mais conhecimentos, vai abrindo campo, vai abrindo espaço pro outro, tá certo? Vai batendo papo, tomando conhecimento, tal e tal, aquilo traz outro.” (Entrevistado A) “Esse curso é de guia de turismo, ele foi dado pela UFV em Araponga mesmo. É interessante o modo deles ensinar a gente. Eles deram uma orientação boa. Já faz uns dois, três anos que eu fiz o primeiro. O outro [curso] deve estar com um ano e pouco. Eu sempre faço lá e eles até mandam o certificado para mim. Teve até uma professora [...] então ela que deu um curso aí pra nós de três dias [...] depois foi outro professor lá de Viçosa que deu o curso pra nóis. [...] Pro turista é bom, o guia é que tem que ensinar, ele tem que sair preparado para atuar, pois ele [o turista] pode se machucar e de qualquer problema você é responsável por ele. Não é só levar e pegar o cobre dele não uai. Num to certo?” (Entrevistado A)

Também como atores envolvidos no TER das propriedades estudadas identificamos as organizações governamentais e não-governamentais. Este grupo é representado principalmente por instituições de ensino superior, por órgãos governamentais, pelos gestores do PESB e pelas ONG’s.

De maneira geral, o que observamos é que a atuação desses órgãos quando ocorre, se faz de maneira simples e discreta, necessitando de uma ação mais constante e atuante onde o movimento turístico ocorre.

Alguns proprietários reclamaram da falta de apoio e incentivo no desenvolvimento do turismo em suas propriedades; este fato contribui para o desenvolvimento tímido e acanhado do município. Esta falta de apoio é ressentida tanto em relação às instituições de ensino quanto à prefeitura local, conforme demonstram o depoimento a seguir:

“Não, por enquanto não, a gente não tem ajuda de nada da prefeitura.” (Entrevistado A)

“Não, não tem! É aquilo que eu te falei. A comunidade do entorno do parque já assimilou bem mais o turismo do que o poder público. O poder público sabe, ainda tá ali meio na dúvida. Não tem interesse, o turismo não é uma criação de emprego.” (Entrevistado C)

Esse mesmo entrevistado questiona a pequena participação da UFV, principal instituição de pesquisa da região e uma das idealizadoras do PESB.

“[...] nós temos hoje é uma universidade que não é interessante para a região, nem a função dela é interessante pra região [...] não é, por exemplo, Carangola que tem uma pequena faculdade, vou chamar assim, que tem uma participação muito mais

efetiva do que todo o conjunto de biologia, de floresta, mais que a universidade de Viçosa, e isso faz parte da nossa região, faz parte da nossa estagnação e da nossa insipiência, vamos falar assim. Não estou cobrando, estou comentando, o comentário veio da universidade e então de qualquer forma estou comentando.” (Entrevistado C)

Em relação à participação e ao envolvimento dos gestores do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, ele não corresponde efetivamente às necessidades que as propriedades pesquisadas esperavam. Para alguns proprietários falta por parte do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF), um maior controle do parque.

“Em termos de participação ou contato com a administração do parque é nenhuma. O parque não dá nenhuma assistência ao pessoal do entorno. Não tem incentivo [...].” (Entrevistado A)

“Olha, a gente tem uma relação informal com o parque. Existe uma parceria informal do camping com o parque, é informal porque não tem nada no papel e o próprio parque ali está desorganizado; na verdade o parque só existe nas limitações [área fronteiriça do Parque]. Então, a gerência pediu para que a gente fizesse controle ali, só que não funciona porque tem várias entradas e nem todo mundo vai passar pelo camping. Mesmo ali no Boné, a idéia seria concentrar a entrada daquela parte do parque no camping, para se ter um controle de quem entra e de quem sai do parque, só que mesmo ali, você tem várias entradas tá. O próprio parque se ele não se organizar nesse sentido, não tem como né?” (Entrevistado B)

“[...] não que eu não tenho acesso ao IEF, eu tenho uma relação plena como IEF, que é o gestor do parque, mas eu não tenho acesso assim a como vai ser o parque amanhã. Eles inaugurarão o parque agora.” (Entrevistado C)

Existe por parte de alguns proprietários uma certa expectativa com a inauguração do parque. Para os proprietários, principalmente dos camping, essa abertura a nosso ver, provocará um maior fluxo de turista, o que ampliaria o número de acampados em suas propriedades, uma vez que não é permitido acampar dentro do PESB.

O município de Araponga faz parte do denominado Circuito Serras de Minas. Esse circuito turístico foi criado pela Secretaria de Estado do Turismo de Minas Gerais na década de 90 com a finalidade de estimular e desenvolver o turismo regional em todo o Estado, mas o referido Circuito ainda não alcançou seus intuitos conforme afirma um proprietário que também é o seu atual presidente.

“ Circuito Turístico Serra de Minas ele tem hoje onze municípios das microrregiões de Ubá, Ponte Nova e Viçosa, na realidade o poder público e as prefeituras já

começam a contribuir, já começam a participar; alguns municípios estão fazendo leis específicas, mas a gente tá numa fase de tentar nesses dois próximos anos, que é o período do meu mandato, colocar também a iniciativa privada também junto porque o circuito é uma ONG. ONG é um terceiro setor, mas no caso específico, ela tem a participação do poder público e da iniciativa privada. Não pode ficar só no setor público, é um processo longo, a gente tá um pouco à frente da média ou da grande maioria dos outros circuitos em termo de organização, é por causa da dificuldade mesmo: o presidente mora em Araponga, a vice-presidente mora em Guaraciaba, o secretário mora em outra cidade, a gestora em Viçosa, então tem toda essa coisa. O circuito é uma tentativa do Estado de fugir um pouco da responsabilidade dele de assumir sozinho a questão do turismo e ao mesmo tempo deixar a coisa um pouco mais conceituada com a coisa sendo feita a partir do regional.” (Entrevistado C)

Segundo o entrevistado acima, existem alguns projetos e planos de apoio ao turismo local, como é o caso da própria existência do Circuito Serras de Minas. No entanto, não verificamos a existência real desses projetos, e se eles existem, não têm atingido seus objetivos, nem são acolhidos pelos proprietários rurais, que são os principais atores diretamente envolvidos no desenvolvimento e também na consolidação da atividade turística.