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Ao nos basearmos em Froehlich e Rodrigues (2000), entendemos como ameaça, os principais obstáculos encontrados para a realização do turismo no espaço rural e como oportunidades, as probabilidades para a efetivação do turismo.

Para os proprietários não existe ameaça significativa aos seus empreendimentos, porém, faltam oportunidades para o desenvolvimento das mesmas, conforme podemos observar em suas afirmações.

“O mais difícil de atrair os turistas é a estrada. Conforme o dia, conforme é a época, o cara até desanima a voltar. Inclusive você viu a estrada. A estrada não está boa. É o primeiro passo, inclusive, o trecho mais ruim tá daqui pra cima.” (Entrevistado A)

“Ameaças não têm nada assim, existe um pouco de dúvidas em relação às leis ambientais, porque essas leis são novas e foram até, eu posso dizer que foram mal feitas, porque ela não leva em conta particularidades da propriedade, então é a mesma lei que você aplica numa pessoa que tem mil e quinhentos hectares de terra, você aplica num cara que tem um hectare, então quer dizer que a lei tá mal Propriedades Rurais Outros Usos Finalidade Turística Agrícola Pesquisa Ecoturismo Camping Camping Remanso Fazenda Serra do Brigadeiro Pousada Serra D’água Camping Vale da Lua

formulada, tem que se adequar a realidade da propriedade, do tamanho, da característica própria do local. E, oportunidade, acho que eu já te falei, o terreno é bem situado em relação a estrutura natural, é então acho que seria isso mesmo.” (Entrevistado B)

“Ameaças, não tem nenhuma específica. Não existe nenhum tipo de pressão aqui. É, existe alguma chance do asfalto passar por aqui, talvez seja essa a maior ameaça, e ele teria que atravessar o parque, então teria que ser através de uma estrada-parque e aí já melhora um pouco, mas de qualquer forma, a ligação direta com a Rio-Bahia poderia ser um tipo de ameaça em termos de segurança. Aqui é um lugar muito seguro, não tem nada. Acho que ameaça não tem. Enquanto as oportunidades, a maior delas é o próprio parque está sendo inaugurado agora.” (Entrevistado C)

“A principal ameaça é o próprio turismo de massa, uma vez que não temos condições de receber o turista simplesmente para um passeio ou descanso, pois isso pode ser muito impactante para o local. Já as oportunidades é a disponibilidade de oferecermos uma área da mata atlântica praticamente intocável aos pesquisadores.” (Entrevistado D)

De maneira geral, o que se verifica é que os proprietários não vêem ameaças significativas às suas propriedades. Talvez por causa da abrangência da palavra ‘ameaça’ ou por falta de uma percepção mais acurada dos proprietários, ou mesmo por seus empreendimentos estarem apenas iniciando no ramo turístico.

Identificamos a existência de algumas ameaças a essas propriedades. A ameaça mais próxima é a dificuldade de acesso a esses locais, entretanto, também são observáveis: a falta de uma política local que incentive o desenvolvimento do turismo; a inexistência de uma infra-estrutura que estimule a vinda dos turistas; a falta de pessoal especializado e outros. Tudo isso pode resultar numa redução do fluxo turístico.

Em relação às oportunidades, comungamos as idéias de Moleta citado por Weissbach (2001) que apontam uma série de melhorias como: diversificação da renda; possibilidade de geração de empregos; o desenvolvimento local e outros. O mais importante no entanto, é o efeito multiplicador que o turismo pode gerar na região.

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Baseando-nos em Ruschmann, entendemos por atrativo turístico, o elemento ou

objeto capaz de atrair a atenção das pessoas de uma determinada localidade ou região. Uma questão importante na análise do TER de Araponga diz respeito aos atrativos que são oferecidos aos turistas e que foram identificados pelos proprietários como sendo as mais importantes em suas propriedades.

“O meu modo de atender, certo? Mostrar o que eu tenho aí, a minha natureza, os rios, as cachoeiras, qualquer um que chegar aqui, eu tenho o maior prazer em ir ali e mostrar, o que eu tenho é isso. Qualquer hora que chegar, eu dou uma informação boa pra ele. Eu atendo com o maior o prazer, certo? Então, eu dou uma informação boa pra ele.” (Entrevistado A)

“Minha acomodação é mais para camping. [...] O público para camping é um público assim, de poder aquisitivo mais restrito né? Então, o interessante é fazer quartos [...]. É a beleza natural. O camping só funciona nos sábados, domingos e feriados e não tem como funcionar mais do que isso não, e eu nem estou investindo em publicidade. Esse meu terreno aqui, é considerado pela maioria das pessoas que conhece o entorno do Parque do Brigadeiro, um dos melhores no conjunto, se não for o melhor.” (Entrevistado B)

“É o trekking, o alpinismo, a gente tem sete ou oito vias de alpinismo, mas vias de muita qualidade, tem vias de quatrocentos e cinqüenta metros, vias grandes de dificuldade maior ou menor. A gente tem passeios pelos rios, e dentro dos rios que é muito interessante, tem os lagos, tem as cachoeiras. É, a comida mineira típica, feita no fogão de pedra e à lenha bem artesanal, bem autêntica.” (Entrevistado C) “Nós temos a Laje do ouro que é uma trilha muito bonita que fica no final de uma trilha de uns sete quilômetros, você já vai caminhando pela trilha e vai apreciando a natureza, pode ter eventualmente um contato com a fauna, e lá no final a laje do ouro. Prosseguindo por mais uma hora já pode escalar o Pico do Soares. São dois mil hectares de propriedade dentro de Araponga, acho que tem alguma coisa em Divino e Carangola.” (Entrevistado D)

Percebemos nas falas dos proprietários que as atividades atrativas estão ligadas diretamente aos aspectos naturais de seus empreendimentos, destacando a beleza cênica do local. Observamos que o entrevistado C destacou a comida mineira típica como um forte atrativo.

No entanto, considerando que os atrativos constituem a base na qual se fundamenta qualquer plano de desenvolvimento turístico (devendo ser prioritariamente inventariados e avaliados em seu potencial real), não verificamos a existência, nas áreas pesquisadas, de planos para um desenvolvimento local.