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2.7. Şarap ve Şarap Benzeri Diğer İçecekler

2.7.7. Gül-efsûn

Uma competência coletiva se expressa por meio das ações de um grupo de trabalho e por seus participantes,

“é o saber fazer operacional próprio a um grupo e que lhe permite atingir um desempenho fora do alcance de um único indivíduo ou superior à soma das habilidades individuais. Essas competências coletivas se concretizam no momento da ação individual dos participantes...”

(RETOUR, 2011, p. 48).

Os autores chegaram a este conceito a partir da análise dos conceitos apresentados por diferentes autores pesquisados, conforme apresentado no Quadro 3.

Quadro 3 - Definições da competência coletiva Autores Definições

De Montmollin (1984)

É possível observar a competência coletiva em uma equipe quando as informações são trocadas, as representações se uniformizam, o “saber fazer” se articula, os raciocínios e as estratégias são elaborados conjuntamente. Esta competência coletiva não elimina, obviamente, mas supõe competências individuais complementares.

Nordhaug (1996) As competências coletivas são “compostas pelos conhecimentos, pelas capacidades e pelo código genético de uma equipe.”

Wittorski (1997) Percurso coletivo e cooperativo de resolução de problemas pela análise crítica do trabalho.

Dejoux (1998) Conjunto de competências individuais dos participantes de um grupo, mais um

componente indefinível, que é próprio ao grupo e oriundo da sinergia e da dinâmica deste grupo.

Dubois e Retour (1999)

Capacidade de um coletivo de indivíduos de inventar, no trabalho, sua organização, que vai além de um simples desdobramento de um esquema de conjunto formalizado pelas regras organizacionais.

Pemartin (1999) Saber combinatório próprio de um grupo, o qual resulta da complementariedade e da criação de sinergia de competências individuais.

Dupuich-Rabasse (2000)

Uma combinatória de saberes diferenciados que são aplicados na ação, a fim de atingir um objetivo comum cujos atores apresentam representações mentais comuns e tendem a resolver conjuntamente os problemas.

Guilhon e Trépo (2000)

Conjunto de conhecimentos (aprendidos e formalizados) e de saberes (tácitos e

explícitos) envolvido em um processo de produção em ação em uma organização. A CC é composta pelos produtos da interação dos indivíduos de mesmo métier ou diferentes. As CC são o resultado do encontro entre a organização e o ambiente, por meio da interpretação que cria e define uma linguagem e um modo de coordenação das pessoas.

Amherdt et al (2000)

Conjunto dos saberes-agir que emergem de uma equipe de trabalho, combinando recursos endógenos e exógenos de cada um dos membros, criando novas competências oriundas de combinações sinérgicas de recursos.

Bataille (2001) Capacidade reconhecida a um coletivo de trabalho para enfrentar uma situação que não poderia ser assumida por nenhum dos membros individualmente.

Michaux (2003) Saberes e saberes fazer tácitos (compartilhados e complementares) ou ainda trocas informais sustentadas por solidariedades que participam da “capacidade repetida e reconhecida” de um coletivo para coordenar a fim de produzir um resultado comum ou construir soluções.

De acordo com Retour (2011) as competências coletivas possuem vários atributos que são o referencial comum, a linguagem compartilhada, a memória coletiva e o engajamento subjetivo.

O referencial comum refere-se às representações de referência que são patrimônio de todos os componentes da equipe e foi construído ao longo do desenvolvimento do trabalho e também com a apropriação dos conhecimentos e experiências de cada membro. É fruto de um trabalho de elaboração coletiva e não é resultado da soma dos referenciais individuais. Este referencial comum possibilita, por exemplo, que os objetivos sejam atingidos de forma eficaz e que os problemas sejam solucionados sem que haja necessidade dos membros justificarem e explicarem propostas de solução, (RETOUR, 2011).

Outro atributo dessa capacidade coletiva é a linguagem compartilhada ou “uma linguagem operativa comum” e refere-se à criação pelas equipes de trabalho de um vocabulário próprio que identifica o grupo e o torna diferente de outros grupos de trabalho. A linguagem comum facilita os diálogos na equipe; uma palavra já é suficiente para que o outro compreenda a ideia, e se ganha tempo, pois não há necessidade de explicações e comentários (LE BOTERF, 1998).

Para Retour (2011), a memória coletiva é o terceiro atributo, relacionada aos saberes que são construídos em conjunto pelos integrantes da equipe e àqueles que surgem a partir da interação entre os membros do grupo. Este saber fazer é implícito e diferente da soma dos saberes fazer individuais. A memória coletiva é útil para a realização de atividades coletivas e é apropriada pelos indivíduos.

A memória coletiva de julgamento é um conjunto de conhecimentos que foi gerado pelo confronto das memórias de julgamento individuais. Este confronto ocorreu nos momentos em que o grupo se defrontou com situações e problemas específicos que não foram resolvidos pelos indivíduos sozinhos. Assim, ocorreu uma comparação entre as diferentes propostas de encaminhamento e solução até que o grupo chegasse a uma interpretação comum que passou a fazer parte da memória coletiva de julgamento.

Finalmente, o último atributo refere-se ao engajamento subjetivo que, segundo Zarifian (2003), significa a responsabilidade e ação em situações e problemas no ambiente de trabalho por um indivíduo.

São várias as fontes de criação da competência coletiva nas organizações. Existem aspectos relacionados às pessoas que atuam nas equipes de trabalho e outros aspectos da própria organização. O capital das capacidades individuais é fundamental para prover a competência coletiva, ou seja, uma equipe de trabalho não atuará de forma competente se seus integrantes não forem competentes. As interações afetivas, as relações informais e a cooperação também são condições fundamentais para o desenvolvimento do potencial coletivo. As interações no cotidiano de trabalho e o diálogo possibilitam a formação de uma comunidade de trabalho no qual se desenvolve um “espaço de intersubjetividade”, (MICHAUX, 2003).

Por outro lado, outra fonte de fomento à competência coletiva refere-se às condições vinculadas às características organizacionais. São aquelas que se referem à iniciativa dos gestores para compor equipes ou coletivos de trabalho buscando aproximar pessoas com habilidades, conhecimentos, experiências e personalidade que tenham compatibilidade entre si.

Outro aspecto da organização é sua estrutura e as relações formais dela decorrentes. Finalmente, o estilo de gestão da organização - quanto ele permite a aprendizagem por meio do erro, quanto possibilita e interação cooperativa entre pessoas e entre equipes de trabalho, entre outros aspectos importantes. Todos esses fatores citados condicionam o surgimento da competência coletiva nas organizações, (RETOUR, 2011; MICHAUX, 2003).

A utilização do conceito de competência coletiva para a análise do desempenho dos catadores da Cooperativa Raio de Luz e da Cooperativa Reluz foi fundamental, considerando-se a natureza de tais organizações, nas quais a dimensão cooperativa e a da gestão coletiva são atributos identificadores desses empreendimentos (GAIGER, 2007). Esses mesmos atributos que facilitam o surgimento da competência coletiva. Dessa forma, as cooperativas teriam, pela sua própria natureza, as condições para o surgimento desse saber fazer coletivo.