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2.2. Sanat Eğitimi

2.2.7. Görsel Sanatlar Dersinde Öğretim Yöntem ve Teknikleri

Certamente os textos de Paula Ribeiro não teriam o mesmo efeito criador sobre gerações posteriores de intelectuais maranhenses e de outras regiões se não estivesse disponível a um público leitor, de maneira relativamente fácil. Da mesma maneira, pode-se afirmar que não poderia haver melhor espaço institucional que o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB para serem divulgadas tais obras no Brasil. Essa instituição se constituiu como o mais sólido meio de divulgação e discussão de temas historiográficos sobre a nascente nação brasileira, na primeira metade do século XIX. Isso não ocorreu por acaso, pois, a partir da chegada da corte portuguesa ao Brasil em 1808, de acordo com o já indicado neste trabalho, surgiram investimentos na arte, ciência, cultura, entre outros ramos, visto que a Corte queria viver num espaço semelhante ao europeu.

À medida que as elites nacionais ganhavam força política e caminhavam para a independência, surgira, simultaneamente, a necessidade de se ter uma história própria, ainda que não completamente desvinculada de Portugal. Em 1838, um grupo de homens provindos da elite econômica e política do Império fundou o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, resumido por Sérgio Campos Gonçalves da seguinte maneira: “a partir da Regência e durante o Segundo Reinado, os membros do IHGB criaram um projeto historiográfico em que o sentido da experiência de tempo se orientou pela intenção de afirmar o Estado monárquico brasileiro como espelho da civilização”.445

Começava-se a escrever uma história para o Brasil, e a melhor forma que encontraram naquele momento foi a continuidade ao passado colonial, orientada pela tradição vigente de progresso iluminista, de uma narrativa linear e progressiva. Para Karvat, o Instituto fundiu elementos distintos para estabelecer uma história brasileira, “uma história que não questionava o passado, mas, acima de tudo, apontava as possibilidades para o devir”.446 Os objetivos eram claros e convenientes aos interesses daqueles grupos, que sentiam a necessidade de dar sentido à nova nação. Tratava-se de um grande projeto que foi, pelo menos

445

GONÇALVES, Sérgio Campos. A escrita da História do Brasil: o Pensamento Civilizador no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. In: 4º Seminário Nacional de História da Historiografia. Tempo presente & usos do passado, 2010, Mariana, MG. Universidade Federal de Ouro Preto, 2010. v. 1. p. 1-12, p. 1.

446

KARVAT, Erivan Cassiano. A historiografia como discurso fundador: reflexões em torno de um Programma Histórico. Revista de História Regional, v. 10, p. 47-70, 2005, p. 68.

em parte, alcançado447, e isso mostra a importância do IHGB naquele momento para o Brasil. Era um espaço de intelectuais, um dos locus mais importante para discussões sobre a nação, a cultura brasileira, a literatura, entre outros assuntos relacionados. Dada a importância da instituição, é difícil imaginar que os homens de letras ou ciências não acompanhassem as ações da entidade durante o século de sua fundação e até o posterior.

Ainda que nem todos concordassem com tudo que vinha do IHGB, é inegável sua hegemonia no país, especialmente no que se refere aos temas relacionados à história, geografia, literatura, entre outros. Com base numa visão iluminista do mundo, especialmente o de vertente católica portuguesa,448 a entidade pensava no desenvolvimento do Brasil tendo como referência a indústria, que teria por suporte os recursos naturais da nação. Ao mesmo tempo buscava conhecer o passado em busca de significados para a nação. Essa proposta visava a dar singularidade ao desenvolvimento brasileiro, bem como de sua própria história, sem perder de vista os vínculos com a Europa, porque, na concepção daqueles intelectuais do Instituto, não poderia haver uma “grande história” só com negros e índios. A presença portuguesa era fundamental para vincular o país ao velho continente.

Para Sousa, o projeto de construção da Nação não foi desvinculado da necessidade de pensar o novo e isso significava “a construção do Brasil por uma cor local e com referências próprias”.449 Não se poderia fazer uma história brasileira sem conhecer intimamente seu território, sua cultura, suas especificidades, visto que somente com isso se poderia transformá- la em uma grande nação, com base no modelo metropolitano. Nesse sentido, de acordo com Manoel Luís Salgado Guimarães, 73% das publicações do IHGB estavam relacionadas a três problemáticas: os indígenas, as viagens de exploração científicas e a história regional.450 Com isso, reforça-se a ideia de que, mesmo com o anseio de refletir a Europa, a instituição compreendia que era fundamental um olhar interno para descobrir um novo Brasil. E entendê-lo melhor seria uma boa maneira de encontrar suas especificidades e torná-lo uma importante nação.

A grande empreitada que se predispôs a enfrentar mostra a importância do Instituto para os intelectuais brasileiros. Ainda que Sousa relativize a importância desse órgão,

447

GUIMARÃES, Lucia Maria Paschoal. A presença do Instituto Histórico... p. 93.

448

GUIMARÃES, Manoel Luís Salgado. Nação e civilização nos trópicos: O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o projeto de uma História Nacional. Rio de Janeiro, Estudos Históricos 1(1) 1988, P.5-27, p. 14.

449

SOUSA, Francisco Gouveia de. Proclamação e revolta: recepções da República pelos sócios do IHGB e a

vida da cidade (1880-1900). Tese de Doutorado, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro,

Departamento de História, 2012, p. 12.

450

especialmente no aspecto político,451 não se pode negar que era uma das mais importantes agremiações de estudiosos da nação. Assim como o Brasil se espelhou em iniciativas da França, Inglaterra e Alemanha, para a fundação da entidade em seu território, a que se instalou no Rio de Janeiro serviu de modelo para as filiais regionais. Ainda que na prática poucos institutos tenham efetivamente funcionado, no sentido de criar uma discussão acerca dos problemas locais, alguns se sobressaíram no intuito de dar relevo nacional à sua região.

De acordo com Ana Ládia da Conceição Silva,452 o pioneiro dos Institutos regionais foi o Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco, fundado em 1862. Entre os seus propósitos, estava o de dar significado e importância às decadentes elites pernambucanas, então superadas por novos grupos em outras regiões, especialmente no Sudeste. Ainda de acordo com a autora, o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo – IHGSP teve o objetivo de colocar a região na história nacional. Para isso, reinventou uma narrativa histórica brasileira com o protagonismo dos bandeirantes.

Na Bahia, conforme Aldo José Morais Silva,453 o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia – IGHB, fundado em 1894, portanto, na mesma época do de São Paulo, assumiu posição importante no cenário intelectual baiano, mesmo depois do surgimento da Universidade na região. O Instituto se debruçou, entre outros temas, sobre os problemas da raça: “a exemplo das demais regiões brasileiras, a questão racial vinha sendo abordada na Bahia desde os tempos do Império”.454 Sem dúvida, essa seria uma das principais pautas dos intelectuais baianos, especialmente nas primeiras décadas de existência da entidade.

No Maranhão, a situação foi diferente. Praticamente não há estudos sobre a temática, de modo que se encontrou apenas uma dissertação que trata da Academia Maranhense de Letras – AML e do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM. Mesmo diante da falta de informações, é possível aferir algumas conjecturas sobre a entidade maranhense. Parece que a Academia de Letras alcançou mais prestígio, interna e externamente, que o Instituto Histórico. Num tempo de grande crescimento agrícola no Maranhão, no século XIX, houve o envio de muitos dos filhos da elite local para estudar na Europa e, como resultado, “as produções literárias passaram a ser a pedra de toque da atividade intelectual”.455

451

SOUSA, Francisco Gouveia de. Proclamação e revolta...p. 20.

452

SILVA, Ana Ládia da Conceição. Falas da decadência, moralidade e ordem: a “História do Maranhão” de Mário Martins Meireles. Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo – USP, 2008, p. 39.

453

SILVA, Aldo José Morais. Instituto Geográfico e Histórico da Bahia: origem e estratégias de consolidação institucional (1894-1930). Tese de Doutorado em história. Universidade Federal da Bahia, 2007, p. 25.

454

SILVA, Aldo José Morais. Instituto Geográfico e Histórico da Bahia... 2007, p. 162.

455

De acordo com Silva,456 a AML foi fundada ainda em 1908, com o propósito de conservar as tradições literárias locais, bem como manter uma troca de ideias no país e até no exterior. Entre seus membros fundadores, há pessoas de diferentes áreas do conhecimento, a exemplo de historiadores, geógrafos, médicos e juristas. Depois de um tempo de sucesso, a instituição começou e entrar numa fase de encolhimento, no que se refere à sua importância intelectual. Para Ana Carolina Neves Castro457, o modernismo pode ter sido o principal responsável pelo enfraquecimento de instituições como a Academia de Letras, não apenas no Maranhão, mas em todo o país. A própria Academia brasileira teria passado por esse processo. Como base nisso, considerando a contestação de todas as tradições, as Academias se tornaram alvo do movimento e, nesse contexto, a instituição maranhense perdeu parte de sua importância. Ainda assim, continuou a exercer alguma influência em âmbito local, proveniente de publicações, discussões, organização de eventos, concentrados praticamente em São Luís. Entre as contribuições da AML, pode-se, mesmo de forma indireta, mencionar a própria fundação do IHGM, pois alguns de seus sócios fundadores também participaram do alicerce do Instituto, no ano de 1925, mas com a atuação da primeira diretoria no ano seguinte. Sua finalidade, nesse sentido, como já esperado, seria equivalente à da Academia, que tinha entre seus objetivos o intuito de dar continuidade à divulgação de uma imagem positiva do estado e de seu povo, especialmente dos intelectuais.

Tal como na AML, o grupo fundador do IHGM foi composto por pessoas de diferentes áreas do conhecimento, entre os quais, além de historiadores e geógrafos, jornalistas, sociólogos, médicos, advogados, professores. Considerando que até 1940 não havia escola superior no Maranhão,458 muitos desses intelectuais eram autodidatas, pois era preciso sair do estado ou do Brasil para se alcançar a formação superior, o que se configurava num procedimento caro e dificultoso. Muitas vezes, mesmo os que tinham condições financeiras para a realização não o faziam, dadas as dificuldades de outra natureza.

De acordo com Leopoldo Vaz,459 as primeiras produções sobre a pré-história maranhense foram feitas por integrantes do IHGM. Estariam seguindo as diretrizes do regimento da instituição que afirma ser o Instituto “uma associação científica para o Estudo

456

SILVA, Ana Ládia da Conceição. Falas da decadência, moralidade e ordem... 2008, p. 61.

457

CASTRO, Ana Caroline Neres. Academia Maranhense de Letras: um século inventando tradições (1908- 2008). Outros Tempos, v. 5, p. 59-75, 2008, p. 72.

458

REVISTA do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Ano I, n. 1, 1926, p. 66.

459

VAZ, Leopoldo. Carta ao IHGM. São Luís, 7 fev. 2012. Disponível em: http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2012/02/07/carta-ao-ihgm/. Acesso em 05 mai. 2013.

da história, da geografia, da etnografia, da arqueologia”.460 Contudo, apesar do impulso inicial, a entidade jamais ganhou vitalidade no que se refere à elaboração de um projeto cultural, social ou político para o Maranhão. Desde o início, houve problemas financeiros para manter a entidade. Num primeiro momento, contou-se com ajuda governamental, mas depois o auxílio foi retirado, e isso teria dificultado seu funcionamento.

Como resultado direto das dificuldades financeiras, apenas nos anos 1940, o Instituto conseguiu uma sede própria e entre a primeira e a segunda publicação houve um intervalo de 22 anos.461 Isso mostra que não houve densidade suficiente para a elaboração de projetos intelectuais próprios, pois mesmo depois do segundo número da Revista, a entidade não se distinguiu em termos de produção historiográfica. No fim, praticamente permaneceu relegada a uma mera filial do IHGB do Rio de Janeiro. Como consequência, as obras mais importantes do Maranhão, em termos historiográficos, não foram vinculadas à instituição, mesmo com a participação de um ou outro autor no IHGM.

Mesmo que essa discussão não faça parte do cerne deste trabalho, é importante destacar o fato de o IHGB ser, naquela época, um dos principais locus de fala sobre o Brasil, e praticamente não ter tido concorrentes durante muito tempo. Então, a maior parte dos intelectuais brasileiros estava direta ou indiretamente vinculada a este lugar social de fala sobre a nação e também sobre suas regiões. Os intelectuais maranhenses aqui analisados - Parsondas de Carvalho, Carlota Carvalho e Dunshee de Abranches - certamente estavam atentos aos debates e leituras veiculados no Instituto. Mesmo concentrados nas questões regionais, em seus estudos não poderiam estar completamente fora de visões comuns com outros intelectuais. Os vínculos entre seus trabalhos e sua forma de abordagem com a produção ribeiriana, publicada no IHGB, mostra uma ligação entre a instituição carioca e os intelectuais maranhenses.

Benzer Belgeler