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Preceitua o artigo 78, parágrafo 2º, do ADCT que, se a primeira dessas prestações anuais não for liquidada até o final do exercício a que se refere, terá o credor do precatório “poder liberatório” para o pagamento de tributos junto à mesma entidade devedora.

Noutras palavras, o não-pagamento pela Fazenda Pública da primeira das dez parcelas, dentro do prazo constitucionalmente previsto, faz caducar o direito do parcelamento, passando a ser devedora do montante integral da dívida constante no precatório.

Desse modo, o credor do precatório que ao mesmo tempo for contribuinte de imposto a ser recolhido junto à mesma entidade devedora poderá, a partir do “poder liberatório” desses títulos, liquidar seus débitos, por meio da compensação tributária, uma vez que esse “poder” mais se assemelha à compensação, que é uma das formas de extinção de obrigações tributárias.

José Otávio de Vianna Vaz139 faz coro a esse posicionamento, concluindo que,

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tendo em vista, entretanto, que o “poder liberatório” é efeito, faz-se necessário verificar com qual dos mencionados institutos (causas) ele se identifica, para se adotar, por analogia, o melhor regime jurídico para a sua aplicação.

Como já se afirmou, o “poder liberatório”, como conseqüência, equipara-se a todas as formas de extinção de obrigações aqui enumeradas. Tendo em vista, no entanto, que se trata de direito oponível à Fazenda, a este deve ser dado tratamento semelhante às formas de extinção das obrigações tributárias constantes no CTN.

Não poderia, assim, ser assemelhado ao “pagamento”, porque neste há a transferência de numerário do sujeito passivo (devedor tributário-credor do precatório) para o sujeito ativo (credor tributário-devedor do precatório), consistindo em uma prestação de “dar dinheiro”, o que não ocorre; pelo mesmo motivo, não se pode equipará-lo à “dação em pagamento em bens imóveis”, à “conversão do depósito em renda”, ao “pagamento antecipado ou a sua homologação” e à “consignação em pagamento”, pois todas essas formas de extinção envolvem, de certa forma, uma obrigação de “dar”, seja em dinheiro, seja em imóveis; a “transação”, em geral, envolve acordo, o que não ocorre no caso do “poder liberatório”, por ser este um direito potestativo do credor da Fazenda; a “remissão” exige ato unilateral do credor, o que também não ocorre no caso; “a prescrição e a decadência” necessitam, para sua ocorrência, de lapso de tempo pré-definido e inércia do titular, para o exercício do direito ou da ação, requisitos inexistentes no caso em questão; a “decisão administrativa irreformável” e a “decisão judicial passada em julgado”, às quais se refere a lei, são formas de reconhecimento do direito material invocado pela parte, que pode ser qualquer uma das hipóteses já mencionadas. Resta, portanto, a compensação.

E conclui Vianna Vaz140:

Por óbvio, o “poder liberatório” do valor do precatório somente ocorre quando não há seu pagamento. Assim, o “poder liberatório” dos precatórios mais se assemelha à compensação, que se dá pela extinção das dívidas até o montante em que se compensarem, quando duas pessoas forem, ao mesmo

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tempo, credora e devedora uma da outra. Verifica-se, destarte, não ter aplicação, no caso, o caput do art. 100, uma vez que não se trata de “pagamento”, mas de espécie de compensação de dívida.

Reforçando o entendimento do “poder liberatório” como forma de compensação, aduz Sacha Calmon Navarro Coelho141:

Agora não há como protelar e nem o Judiciário deve compartilhar com tal propósito, o que nos cabe é ofertar à expressão “poder liberatório” o mesmo significado da “solutio” dos romanos, isto é, como todo fato jurídico que tenha efeito de extinguir a obrigação. Na verdade, o vocábulo pagamento deve ser entendido no sentido jurídico mais amplo, ou seja, não está ele necessariamente ligado a uma instrumentalização, pois, tanto se paga em dinheiro, moeda corrente, através de outros títulos, inclusive no tradicional abate de contas, tão comum no Direito Comercial, de onde surge a expressão compensação, isso porque, nesta modalidade de instrumento, o que se busca é contrabalançar as contas, ou seja, créditos havidos por causa de um dos títulos, isso porque se a pessoa é ao mesmo tempo devedor e credor, ajustam- se as contas, de tal forma que uma paga a outra.

A evolução do instituto, por meio dessa norma inovadora que conferiu o “poder liberatório” aos precatórios, possibilitou aos credores duas alternativas para quitar seus débitos fiscais junto à mesma entidade devedora, quais sejam: o primeiro seria por meio do instituto da compensação tributária, que é uma das formas de extinção do débito tributário; o segundo decorre da execução fiscal movida em face do titular do precatório, pois esse credor poderia nomear o precatório como forma de garantir a execução fiscal e, caso fosse vencido na execução, o precatório seria revertido em renda a favor da Fazenda Pública devedora do título garantidor142.

141 COELHO, Sacha Calmon Navarro.

Os precatórios, a solução. Disponível em <www.sacha.adv.br/admin/arq_opiniao/7a9e5de95f737b31cb6dfe05b616e644.pdf>.

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Cada uma das possibilidades acima discriminadas apresenta particularidades, além de serem regidas por legislação própria e distintas. Interessa-nos a análise da primeira forma de utilização dos precatórios, ou seja, convém estudar a previsão do “poder liberatório” como sendo uma forma de “compensação” que extingue as obrigações tributárias.

7.2.3. A auto-aplicabilidade do artigo 78 do Ato das Disposições

Benzer Belgeler