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Fotovoltaik Panellerin Binaların Çatı Yüzeylerinde Uygulanması

4. BÖLÜM

4.1.2. Fotovoltaik Panellerin Binaların Çatı Yüzeylerinde Uygulanması

"A mensuração dos fatos sociais depende da categorização do mundo social. As atividades sociais devem ser distinguidas antes que qualquer frequência ou percentual possa ser atribuído a qualquer distinção. É necessário ter uma noção das distinções qualitativas entre categorias sociais, antes que se possa medir quantas pessoas pertencem a uma ou outra categoria. Se alguém quer saber a distribuição de cores num jardim de flores, deve primeiramente identificar o conjunto de cores que existem no

jardim; somente depois disso pode-se começar a contar as flores de determinada cor. O mesmo é verdade para os fatos sociais." (BAUER, GASKELL e ALLUM, 2002 , p. 27-28).

O emprego de métodos quantitativos para descrever e explicar fenômenos sempre esteve muito presente no campo da pesquisa social. Estudos quantitativos geralmente procuram seguir com rigor um plano previamente estabelecido, baseado em hipóteses claramente indicadas, onde se procura, em geral, investigar evidências de relações causais e a possibilidade de generalização. Nas últimas décadas, no entanto, a pesquisa qualitativa, surgida inicialmente nos campos da antropologia e da sociologia, tem ganhado muito espaço em áreas como a psicologia, a educação e no campo de estudo das organizações.

Ainda que os métodos quantitativos de pesquisa possam ser definidos a partir de um paradigma funcionalista, positivista ou normativo, a pesquisa qualitativa, por sua vez, abrange uma variedade de modelos, procedimentos, paradigmas epistemológicos e instâncias ontológicas que dificilmente podem ser classificados sob o mesmo "guarda-chuva" conceitual. Portanto, a pesquisa qualitativa é extremamente diversificada e rica em seus fundamentos e procedimentos, não podendo ser adequadamente definida apenas em oposição aos procedimentos quantitativos. Ela é mais abrangente do que essa oposição permitiria supor .

Segundo Vieira (2004), os métodos qualitativos ainda continuam sendo alvo de muitas críticas, algumas delas, inclusive, procedentes. No entanto, alega que os problemas decorrem "não de limitações específicas dos métodos, mas sim de seu uso inadequado" (p. 14). A dicotomia entre pesquisa qualitativa e quantitativa restringe a capacidade de investigar fenômenos sociais com o rigor e a relevância necessários para apreendê-los em toda sua plenitude, considerando que se tratam de objetos de pesquisa, na sua essência, complexos e multifacetados (VIEIRA, 2004).

Denzin e Lincoln (2000) consideram a pesquisa qualitativa um campo de investigação em si mesmo, que intercepta diversas disciplinas, campos e assuntos, e envolve uma família complexa e interconectada de termos, conceitos e suposições. Apesar disso, afirmam que: "

"... é possível oferecer uma definição inicial, genérica: pesquisa qualitativa é uma atividade situada que localiza o observador no mundo. Ela consiste num conjunto de práticas materiais e interpretativas que tornam o mundo visível. Essas práticas transformam o mundo. Elas convertem o mundo numa série de representações, que incluem notas de campo, entrevistas, conversas, fotografias, gravações (...) Nesse nível, a pesquisa qualitativa envolve uma perspectiva interpretativista e naturalística do mundo. Isso significa que pesquisadores qualitativos estudam as coisas em seus cenários naturais, tentando fazer

com que os fenômenos ‘façam sentido’ ou interpretá-los em termos dos sentidos que as pessoas fazem deles.” (DENZIN e LINCOLN, 2000, p.3).

Miles e Huberman (1994) também identificam uma ênfase naturalística em grande parte das pesquisas qualitativas, e relacionam aquilo que, na opinião desses autores, seriam algumas das características centrais e recorrentes nas pesquisas ditas "naturalísticas" (p. 6-7):

i) A pesquisa qualitativa é conduzida através de um contato intenso e/ou prolongado com um "campo" ou situação de vida. Essas situações são tipicamente "banais" ou normais, reflexo da vida cotidiana de indivíduos, grupos, sociedades e organizações.

ii) O papel do pesquisador é obter uma visão holística (sistêmica, includente, integrada) do contexto que está sendo estudado: sua lógica, seus arranjos, suas regras implícitas e explícitas.

iii) O pesquisador procura capturar dados sobre as percepções dos atores locais "a partir de dentro", através de um processo bastante cuidadoso, de conhecimento empático (verstehen), e de isenção ou imersão nas preconcepções sobre os tópicos em discussão.

iv) Lendo através desses materiais, o pesquisador pode isolar certos temas e expressões que podem ser revisados com informantes, mas esses elementos devem ser mantidos nas suas formas originais ao longo do estudo.

v) Muitas interpretações sobre esses materiais são possíveis, mas algumas são mais atraentes por razões teóricas ou por questões de consistência interna. vi) Relativamente pouco instrumental padronizado é utilizado no começo. O

pesquisador é essencialmente o principal "instrumento de mensuração" no estudo. A maior parte das análises é feita com palavras. As palavras podem ser aglutinadas, reagrupadas, separadas em segmentos semióticos. Elas podem ser organizadas de forma a permitir que o pesquisador contraste, compare, analise e confira padrões a elas.

A pesquisa qualitativa, portanto, é essencialmente descritiva, não procura enumerar e/ou medir os eventos estudados, nem emprega instrumental estatístico na análise de dados. Seu foco de interesse é amplo, e parte de uma perspectiva distinta da adotada pelos métodos quantitativos, privilegiando a obtenção de dados descritivos mediante contato direto e interativo do pesquisador com o fenômeno investigado. Sua preocupação está direcionada para um nível de realidade que não pode ser quantificado, isto é, um universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, um espaço mais profundo de relações que não podem ser reduzidas à operacionalização de variáveis. Nestes casos, o pesquisador procura entender o fenômeno segundo o ângulo dos sujeitos envolvidos, para daí situar sua interpretação e extrair suas conclusões sobre o fenômeno investigado. Apesar de sua natureza mais subjetiva, a pesquisa qualitativa oferece maior flexibilidade ao pesquisador permitindo, ao longo do seu desenvolvimento, que se consiga adequar a fundamentação teórica ao estudo do fenômeno (VIEIRA, 2004).

O uso de métodos qualitativos e estratégias interpretativas exige que o objeto seja definido de forma clara, que as perguntas de pesquisa estejam devidamente fundamentadas em um referencial teórico sólido que conduza a conclusões válidas, que os conceitos, variáveis e procedimentos de campo sejam claramente definidos, e que a estratégia de coleta de dados seja adequada ao esforço necessário para analisá-lo. Para que se possa julgar a pertinência da análise realizada, é fundamental que o pesquisador apresente evidências empíricas capazes de suportar as conclusões que forem apontadas ao final do estudo. Sobre este assunto, Migueles (2003, p. 2) afirma que:

"... reconhecer que a objetividade é impossível não significa ceder acriticamente ao subjetivismo. Por outro lado, o esforço para evitar o subjetivismo não é e nem pode ser considerado como sinônimo de positivismo (BOURDIEU, 1999), sob o risco de declararmos impossíveis as ciências humanas e sociais. Como muito apropriadamente afirma Geertz (1989), reconhecer a impossibilidade da objetividade não significa ceder à intuição e à alquimia, mas desenvolver métodos interpretativos capazes de nos aproximar da realidade."

Neste trabalho, busca-se compreender a dinâmica do processo de surgimento e legitimação das confrarias em uma realidade empresarial pré-selecionada e as contradições que emergem quando esse fenômeno é confrontado com a lógica capitalista de uma empresa multinacional. A preocupação central é identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência do fenômeno, e validar algumas proposições levantadas na

problematização da pesquisa e subsidiadas pela fundamentação teórica que foi apresentada. Na pesquisa social, o interesse maior está em compreender como as pessoas espontaneamente se expressam e falam sobre aquilo que é verdadeiramente importante para elas, e como pensam sobre suas ações e as dos outros. Portanto, dada a natureza do objeto, o método qualitativo é a abordagem mais adequada para responder as questões de pesquisas enunciadas neste trabalho.

A escolha por métodos qualitativos coloca alguns desafios para o pesquisador e impõe certas premissas e princípios que precisam ser seguidos para garantir o rigor, a qualidade e a relevância dos resultados que serão produzidos. Em recente estudo bibliométrico sobre a produção brasileira no campo dos estudos organizacionais utilizando metodologia qualitativa, Godoi e Balsini (2004) identificaram uma grande dificuldade da maior parte dos métodos que foram adotados em delinearem-se diante da literatura. Em consonância com as críticas de Vieira (2004) sobre o uso inadequado dos métodos nas pesquisas qualitativas, Godoi e Balsini (2004) também afirmam que "a fragilidade da metodologia amorfa não deve ser confundida com a flexibilidade da metodologia emergente típica da investigação qualitativa" (p. 13).

Considerando a inevitável carga de subjetividade fortemente presente na essência da abordagem qualitativa, é somente através da clareza, da coerência e da riqueza de detalhamento dos procedimentos de investigação que seremos capazes de atribuir certa objetivação ao estudo e viabilizar uma possível replicação (GOULART e CARVALHO, 2005; VIEIRA, 2004). Por essa razão, o design da pesquisa qualitativa, entendido como "a concepção global do investimento, desde a idéia inicial a respeito da temática de interesse e elaboração de um projeto até a forma pela qual serão divulgados os resultados" (GOULART e CARVALHO, 2005, p.125) passa a ter um papel fundamental para o sucesso do empreendimento investigativo.

Benzer Belgeler