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Örnek Bina Cephe ve Çatı Yüzeylerinin Karşılaştırılması

4. BÖLÜM

5.4. Örnek Bina Cephe ve Çatı Yüzeylerinin Karşılaştırılması

"Por meio de um jogo de palavras heideggeriano, poder-se ia dizer que a disposição é exposição. Justamente porque o corpo está (em graus diversos) exposto, posto em cheque, em perigo no mundo, confrontado ao risco da emoção, da ferida, do sofrimento, por vezes da morte, portanto obrigado e levar o mundo a sério (e nada mais sério do que a emoção, que atinge o âmago dos dispositivos orgânicos), ele está apto a adquirir disposições que constituem elas mesmas abertura ao mundo, isto é, as próprias estruturas do mundo social de que constituem a forma incorporada. A relação com o mundo é uma relação de presença no mundo, de estar no mundo, no sentido de pertencer ao mundo, de ser possuído por ele, na qual nem o agente nem o objeto são colocados como tais. [...] Aprendemos pelo corpo." (BOURDIEU, 2001, p. 171-172).

Observação sistemática: da observação participante à observação da participação Na sua essência, o método etnográfico de coleta de dados é viver entre aqueles que são, efetivamente, os "dados", ou seja, é tentar aprender as regras que os sujeitos aplicam no cotidiano de suas vidas, dentro e fora das organizações, e interagir com eles com uma frequência e período de tempo suficientes para compreender como e porque eles constroem seu mundo social, de forma a poder converter, ao final do trabalho de investigação, as leituras e interpretações em explicações capazes de serem comunicadas a outras pessoas ou mesmo aos próprios sujeitos que foram investigados (CAVEDON, 2003; DENZIN e LINCOLN, 2000; TEDLOCK, 2000; VIEIRA e PEREIRA, 2005). Mas a etnografia é mais do que uma coleção de mecanismos para coletar e escrever sobre os dados que se revelam para o pesquisador, é um método de observação dos componentes da estrutura social e dos processos através dos quais interagem. Todos os mecanismos aqui descritos devem ser complementados e adequadamente subsidiados por conceitos de teoria social, particularmente no domínio dos significados e da ação, pois são eles que dão "textura" aos processos sociais registrados a partir do trabalho de campo. A teoria social fornece, portanto, os fundamentos necessários para que uma análise etnográfica, de natureza essencialmente interpretativa, possa ser conduzida.

No caso da etnografia em organizações, a teoria é a ferramenta utilizada para atenuar os efeitos dos preconceitos e predisposições culturais que trazemos conosco quando estudamos organizações que existem no mesmo espaço cultural global no qual habitamos, uma vez que a condição de neutralidade absoluta seria incompatível com os pressupostos

epistemológicos do paradigma interpretativista/socioconstrucionista que ampara a etnografia. Assim, não é suficiente para a prática da etnografia ser um simples participante ou observador, no sentido mais rudimentar do termo, coletando e organizando materiais adequadamente, mas ter em vista, sobretudo, que o trabalho de pesquisa precisa também ser desenvolvido a partir de um conceito consciente de cultura e de suas influências tanto sobre o objeto como sobre o sujeito objetificante.

Nessa perspectiva, os processos sociais não podem ser capturados, empiricamente falando, através de deduções hipotéticas, covarianças e graus de liberdade... Pelo contrário, para entendê-los é necessário se colocar no interior do mundo daqueles que o produzem efetivamente, construindo, assim, uma interpretação sobre as construções que outras pessoas fazem daquilo que interessa a elas e a seus semelhantes: nuances e individualidades são tão importantes nesse esforço quanto o comportamento frequente e os padrões de regularidade, as variáveis que são normalmente selecionadas pelos pesquisadores para análise.

A entrevista narrativa e as histórias de vida

Como técnica de coleta de dados, a entrevista narrativa é considerada uma forma de entrevista não-estruturada, de profundidade, mas, porém, com algumas características específicas. Segundo Jovchelovitch e Matin (2002), por trás do conceito da entrevista narrativa existe uma crítica do esquema convencional "pergunta-resposta" presente na maioria dos tipos de entrevistas conhecidos. O esquema de narração substitui o esquema pergunta- resposta, onde existe uma forte influência do entrevistador, seja na seleção dos temas e tópicos que serão tratados, seja no sequenciamento ou na verbalização das perguntas ao utilizar sua própria linguagem. A entrevista narrativa, por definição, evita uma pré- estruturação da entrevista, insistindo numa "postura de expectador/ouvinte" de forma a garantir um resultado menos "imposto", onde a influência do entrevistador seja a menor possível. Para tal, a entrevista narrativa emprega um tipo específico de comunicação cotidiana - contar e escutar histórias - permitindo que a perspectiva do entrevistado se revele de forma mais natural e espontânea, utilizando sua própria linguagem para narrar os acontecimentos que foram relevantes para ele.

Jovchelovitch e Matin (2002) sugerem um roteiro simplificado para realizar entrevistas narrativas composto de seis passos:

1. Preparação: exploração do campo e formulação de tópicos iniciais fazendo uso exclusivamente da própria linguagem do entrevistado.

2. Início: começar gravando os depoimentos e apresentar os tópicos iniciais. 3. A narração central: não fazer perguntas diretas, apenas encorajamento não-

verbal.

4. Fase de questionamento: utilizar apenas questões imanentes, isto é, questões que examinem temas, tópicos e relatos de acontecimentos que surgem durante a narração trazidos pelo informante.

5. Fala conclusiva: interromper a gravação e continuar a conversação informal. 6. Elaborar um protocolo para registrar as memórias da fala conclusiva.

Dada a sua natureza autêntica e espontânea, a técnica de entrevista narrativa parece bastante adequada para os objetivos pretendidos neste trabalho, em especial para revelar as características constitutivas do habitus dos participantes da confraria.

Todas as entrevistas realizadas foram transcritas e revisadas contra o material original em audio para assegurar não apenas a veracidade dos textos transcritos, mas, principalmente, para revisitar os depoimentos e capturar elementos subjetivos subjacentes aos discursos.

Os tópicos iniciais que serviram como preparação para a realização das entrevistas estão disponíveis nos Anexos deste trabalho .

A pesquisa documental e a utilização de registros visuais

A pesquisa documental é realizada através do exame de materiais que ainda não receberam um tratamento analítico ou que ainda podem ser reexaminados para permitir uma interpretação nova ou complementar. Esse tipo de pesquisa facilita o estudo de objetos aos quais não é possível ter acesso físico, além de ser uma fonte “não-reativa” e especialmente indicada para investigações em longos períodos de tempo. Segundo Gil (1999), os documentos podem ser agrupados em duas categorias para fins de pesquisa social. De um lado, os documentos de primeira mão, assim chamados por não terem sido submetidos a qualquer tratamento analítico, tais como documentos oficiais, reportagens de jornal, cartas, contratos, diários, filmes, fotografias, gravações etc. Do outro lado, existem os documentos que Gil (1999) classifica como de segunda mão por já terem sido, de alguma forma,

analisados. Nessa categoria, incluem-se os relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas etc.

A coleta de dados através de fotografias é um técnica muito comum em pesquisas etnográficas, e foi frequentemente utilizado por Bourdieu nas suas pesquisas desde os seus primeiros estudos na Argélia e nos arredores de Béarn, sua região de origem. No meu trabalho, a fotografia também terá papel importante, seja através de fotografias coletadas como documentos de primeira mão (registros visuais encontrados em publicações internas, biografias, ou simplesmente produzidas por outras pessoas durante eventos internos da empresa), seja através de fotografias feitas pelas "minhas próprias mãos". Neste último caso, existe, seguramente, uma enorme carga de significados envolvida: trata-se da situação típica onde o "olhar" do pesquisador está fortemente presente nos objetos que foram selecionados e na forma como foram fotografados, ou, parafraseando uma expressão de Wacquant (2004b, p.399), quando se faz uso da "sabedoria do olho etnográfico" ("the wisdom of the ethnographic eye").

Neste trabalho, todos esse elementos serão utilizados como uma importante fonte de informações sobre a história da empresa e eventos marcantes que aconteceram na sua trajetória no Brasil e no exterior, sobre a dinâmica dos negócios, estratégias, processos gerenciais, normas e valores institucionais, além de evidências sobre fatos relevantes que tenham ocorrido na empresa ao longo do período que será investigado.

Benzer Belgeler