GÊNERO
Ao lado que questões como preconceito racial ou classe social têm sido continuamente marginalizadas ou abordados somente como tópicos nos teen dramas e a diversidade sexual tem sido crescentemente tematizada em tais seriados, uma das questões sociais mais ambíguas apresentadas refere-se a papéis de gênero e direitos da mulher. Enquanto existe a possibilidade de escolher por apresentar personagens de minorias de orientação sexual ou étnicas, e dentro disso, como abordar estes pontos, não há a opção de não apresentar personagens de ambos os sexos, e questões relativas a gênero naturalmente aparecem em espaços como família, e relações de afetividade, que são centrais nestes seriados. No entanto, a abordagem que é dada a dinâmica entre gêneros e possíveis questionamentos que estas produzem é muito mais variável.
Isto porque na década de 1990, quando os teen dramas se estabelecem, as mudanças culturais provocadas pela revolução de costumes ocorrida especialmente nas décadas de 1960 e 1970 já estão bastante estabelecidas, ressignificando a posição social e a identidade da mulher. De fato, das garotas representadas nos seriados analisados não é esperado que tivessem um papel social secundário em relação aos meninos. Elas de forma geral têm ambições profissionais e pessoais e frequentemente utilizam-se de uma retórica feminista. Entretanto, quando se trata das relações entre os gêneros e das identidades masculinas e femininas, algumas destas séries apresentam posições bastante conservadoras.
Os anos 1990 também foram um momento de forte backlash188 em relação ao
feminismo e isso se reflete de uma forma ou outra nos seriados desta época, compondo uma das causas desta ambiguidade. Na segunda década do século XXI, embora o feminismo viva um momento de efervescência em diversos âmbitos da sociedade,
188 Reação contrária, no caso conservadora, que visa diminuir ou minar os ganhos políticos do
politicamente esta é ainda uma posição extremamente regulada pela cultura midiática. Assim, embora um programa como Glee possa ter uma política abertamente pró-direitos LGBT, o mesmo não ocorre em relação ao feminismo, que é quase completamente apagado mesmo quando a narrativa aborda temáticas pertinentes aos direitos femininos. Tal despolitização, porém não significa que tais seriados não possam questionar ideologias dominantes, apresentando posicionamentos capazes de pressionar contra- hegemonicamente o status quo.
Embora estes seriados, conforme mencionado, tenham um público preferencialmente feminino, não é este fator que matiza a abordagem das séries analisadas sobre o tema, mas sim o protagonismo predominantemente feminino. PLL e BTVS, ambas protagonizadas por mulheres, têm como uma de suas temáticas principais a opressão e a violência exercida contra a garota adolescente. Apesar de tais problemas aparecerem de uma forma ou outra em todos os demais seriados, a abordagem dada é muito mais individualizada e não problematizada. Nestes dois programas em específico, diferentes instituições, indivíduos e circunstâncias – explícitas ou metafóricas – mostram o alcance e a profundidade das diferentes formas de violência de gênero e as repercussões que elas podem ter na individualidade.
Nesta seção evitarei deter-me em algumas questões frequentemente abordadas quando se tematiza gênero em teen dramas (como a reprodução do padrão de beleza dominante e de uma ideologia de consumo), não por considerar tais questões superadas, mas para evitar incorrer em argumentos paradoxais. Isto é, assume-se que a cultura midiática, especialmente a voltada para os jovens, promove determinado padrão estético, assim como o consumismo desproblematizado. Portanto estes elementos mostram-se presentes, em todos os seriados analisados aqui189. No entanto, observo que sua constante
problematização tende a desconsiderar qualquer indicação anti-hegemônica que tais seriados possam acenar individualmente em termos gênero.
Entre os muitos mistérios e dramas que circundam a trama de PLL, a identidade de -A é o principal e o mais perene190. Porém, mais do que o mote para a trama de
suspense, -A é o resultado de um conjunto de problemas, e representa negligências e
189 Glee é exceção, a ser o único a trazer alguns protagonistas que não estão necessariamente dentro dos
padrões estéticos ocidentais dominantes.
190 Ao longo de cinco temporadas e meia, -A teve diversos ajudantes, incontáveis suspeitos e duas
verdadeiras identidades: Mona Vanderwaal (nas duas primeiras temporadas) e Charlotte DiLaurentis/Cece Drake (nas temporadas 3, 4, 5 e 6A), também culpadas pelos crimes que dão início à série, o sumiço de Alison DiLaurentis e sua suposta morte.
injustiças sistemáticas. Uma das funções de -A na narrativa é trazer à tona as falhas de sociedade, família e instituições representantes de ordem social e segurança. Através das ações de -A também são reveladas hipocrisia e abusos sociais sobre a figura da garota adolescente. Isto porque este vilão anônimo e onipresente se aproveita não somente do descaso, mas de uma cultura regrada em cima do sexismo e da vitimização da condição feminina. Indo ainda além, a onipresença de -A pode também ser lida como uma metáfora dos constantes monitoramento e pressão ao quais garotas e mulheres estão sujeitas.
Em BTVS, ao contrário de um grande vilão, mesmo que multifacetado, são vários os monstros que incorporam as diversas formas, literais ou metafóricas, institucionais e culturais de violência contra as mulheres. Vilões que Buffy, com seu corpo franzino e ar despreocupado, destrói a cada episódio, representando cada um algum tipo de masculinidade obsessiva e criando assim um “catálogo caricatural de machistas pomposos” (ESQUENAZI, 2011, p. 164). No entanto, boa parte de tais monstros não são demônios mas sim humanos, ou criados a partir da humanidade. Desde vilões episódicos como o robô Ted, que quer estabelecer uma rigidez patriarcal para Buffy e Joyce, à Warren Mears, líder do “trio de nerds” da 6ª temporada, cuja obsessão por controlar as mulheres vai sendo apresentada gradualmente, transformando-o de vilão cômico para um dos mais marcantes vilões sexistas do programa. E, finalmente, o ex-padre e assassino em série, que corporifica os poderes do Primeiro Mal (mal essencial e elementar), Caleb, é o personagem mais abertamente misógino de toda série191. Sua derrota, portanto, é
demonstrativo da mensagem que sugere o empoderamento de todas as mulheres do final do seriado.
O grande contraste entre as duas séries está no fato de que Buffy transforma aquilo que a desempodera – seu corpo que foi marcado e destinado a ser “a caça-vampiros” e a suposta fragilidade feminina – numa fonte de poder, reiterando sempre sua escolha de lutar por mais alto que lhe custe, e vai literalmente vencendo um a um os vilões. Já as garotas de PLL têm em -A a epítome de tudo que continuamente as desempodera: o seriado mostra uma pletora de personagens vulneráveis e como eles lidam com esta constante inconstância. Alison, como personagem e através de sua trajetória na narrativa, é em si denunciante desta vulnerabilidade especialmente relativa às mulheres jovens e das questões culturais que problematizam sua identidade no seriado.
191 A visão de Caleb sobre as mulheres em Dirty Girls (Em livre tradução “Garotas Sujas”, 7x18, Drew
Goddard): “Você nasceu suja. Nasceu sem alma, com aquela bocarra aberta que quer sugar um homem até os ossos. Me dá vontade de vomitar, só de pensar.”
Alison é o personagem mais ambíguo em um seriado cheio de ambiguidades. Um protótipo de “mulher fatal”, ao mesmo tempo fascina e desperta medo naqueles que a conhecem. Durante quatro temporadas Alison é uma memória: sabemos dela através de conversas, lembranças, diários, vídeos, pistas, anotações e especialmente flashbacks – nenhum deles necessariamente confiável, pois são sempre são apresentados sob o viés de algum outro personagem192. Todos esses fragmentos memoriais mostram uma garota
maldosa, obcecada por segredos, esforçando-se ao máximo para dominar as pessoas a seu redor, causar inveja nas outras garotas e despertar desejo dos homens. Mas também é uma personagem obviamente acuada e desconfiada em relação aos outros a sua volta, objetificada e hiperssexualizada, ameaçada física e psicologicamente por diversas pessoas e com problemas domésticos. O contexto da história mostra como para a comunidade de Rosewood seu desaparecimento e suposto assassinato foram tratados como tragédias (como a perda de uma jovem aparentemente inocente), embora, para muitos que a conheciam, ela procurou ou mesmo mereceu tal fim. Esta culpabilização de Alison por tudo que lhe aconteceu, e aconteceu com outros a reu redor, também fica mais clara com seu retorno a Rosewood com vida, a partir da 5ª temporada. A Alison que retorna à cidade é um rascunho daquela à qual temos acesso através das lembranças e flashbacks. Ela ainda tenta usar seu charme para manipular as pessoas, assim como para exigir que as amigas sigam-na. No entanto, devido a todas as mudanças e descobertas ocorridos nos dois anos e meio em que esteve desaparecida, sua posição fica ainda mais frágil. Boa parte do tempo em que temos acesso à perspectiva e aos processos emocionais de Alison, o que se vê é uma garota de extrema fragilidade emocional tentando contornar uma situação aparentemente inescapável.
Um fator característico da serialidade por conta do tempo de duração e formato narrativo específico de PLL, narrado através de flashbacks, ajuda a compor esta imagem de fragilidade de Alison. A atriz Sasha Pieterse, intérprete de Alison, realmente é uma adolescente193, contrastando com suas colegas de elenco que já no começo da série tinham
todas mais de 20 anos. A aparência mais juvenil, uma minoria entre os atores do teen
drama, é ainda mais pronunciada pela escolha do vestuário da personagem, claramente
192 É possível ter outra perspectiva da história através dos flashbacks, compilados entre as temporadas 1-
4A disponível em https://www.youtube.com/watch?v=RNsVe4-YWaM, acessado em 19/01/2016.
193 A atriz nasceu em 1996, quando da gravação do episódio piloto da série ela tinha apenas 12 anos. No
restante dos flashbacks ela tem entre 13 e 17 anos, enquanto Alison tem 15. Entre a quinta e sexta temporadas, quando Alison deixa os flashbacks para voltar ativamente à narrativa, ela tem 18 anos, a mesma idade da personagem.
maduro demais para sua idade. Ou seja, Alison aparenta uma criança tentando fingir-se de adulta.
Embora em PLL quase todos os personagens sejam inerentemente ambíguos, as atitudes de Alison parecem ter um julgamento maior. Assim, ela precisou redimir-se na
narrativa, não apenas perante as amigas, mas também perante o público, sendo isolada, presa e maltratada na cadeia. Seu julgamento e condenação são apresentados como uma metáfora para as consequências de seu “mau comportamento” – de tanto mentir e manipular as pessoas, ninguém mais acredita nela194. A intrincada trama que envolve
Alison expõe estes dois lados, seu mau-caratismo e sua vitimação. No entanto, a narrativa não se mostra muito propensa a perdoar automaticamente seus erros, insistindo para que ela passe por um processo de humilhação e regeneração, para então transformar-se em uma “pessoa melhor”.
Enquanto a narrativa assume a perspectiva adolescente das quatro protagonistas, que constantemente se mostram imaturas na avaliação daqueles a sua volta, o ressentimento que Alison provoca é compreensível. Se a avaliação dos pares é central na vida dos adolescentes (o que discutiremos no capítulo 5), faz sentido que alguém que abuse deste poder, quaisquer que sejam suas motivações pessoais, seja absolutamente vilanizado. A relação entre o restante da comunidade e Alison é mais crítica deste estado de permanente vitimização das adolescentes. Enquanto Alison consegue manter a fachada de inocência e conformidade com as regras sociais impostas, ela é “celebrada” como ideal de adolescência. Porém, no momento em que por autopreservação suas atitudes ameaçam expor o lado obscuro deste delicado equilíbrio social, ela não somente se transforma em um perigo social como também é marginalizada. Alison representa o extremo de situações as quais as outras meninas também sofrem.
Alison é um dos pontos de intersecção entre as duas –A. Porém não o único, ambas as personagens que encarnam o vilão anônimo se entrecruzam em um sanatório para doentes mentais195. Abro aqui uma digressão para problematizar a ligação de ambas as -
A com doenças psiquiátricas. A suposta doença de Mona é apresentada de forma muito vaga, relacionando-a com um desempoderamento possivelmente causado pelo bullying que a garota sofria – o que pode estabelecer Alison como merecedora dos tormentos que
194 -A incrimina Alison do suposto assassinato de Mona e, na realidade, -A havia raptado Mona. Quando a
verdade sobre -A é exposta para a polícia, Alison é libertada.
195 O Sanatório Radley é um dos cenários mais sombrios da trama, com uma aparência de abandono e
passou e remete diretamente a uma culpabilização da garota adolescente. Mona, porém, mesmo após teoricamente “curada”, continua frequentemente atormentando as quatro protagonistas196. Em relação a Charlotte, tal questão toma outras dimensões,
primeiramente pois há muita ambiguidade envolvendo seu encarceramento e sua trajetória no hospital197. Até o ataque e desaparecimento de Alison, Charlotte – uma
mulher transexual – podia ser interpretada como vítima de uma série de mal-entendidos e de um sistema e sociedade perversos, uma vez que desde a infância foi destituída de qualquer autonomia sobre sua vida e corpo. A partir do momento em que assume a identidade de -A, Charlotte passa de vítima a algoz. É evidente que em algum momento Charlotte tornou-se numa pessoa perigosa, porém, se isto era um componente nato conforme pensava seu pai, ou se foi efeito dos inúmeros abusos médicos, familiares e sociais pelos quais passou, esta não é apenas uma incógnita neste ponto da trama, mas uma questão subjetiva – no capítulo 4 abordaremos esta questão familiar e suas ligações com os problemas apresentados no seriado.
Uma segunda problemática envolve a transexualidade da personagem e sua associação aos motivos que a levaram a atormentar as cinco adolescentes. Logo após a revelação da identidade e história de -A, no final da temporada 6A (6x10, Game Over,
Charles), muitas críticas foram feitas à decisão de colocar o grande vilão como uma
pessoa transexual, devido à já grande vulnerabilidade social além da baixa representação desta parcela da população na mídia. Conforme o texto do episódio já indicava e Marlene King, foi rápida em confirmar, o vilão na verdade era Kenneth que, por rejeitar a filha Charlotte, possibilitando que ela passasse por todos os abusos que sofreu e se transformasse em -A. Somente a partir do desenrolar da trama poderemos ver se o seriado toma uma posição definitiva sobre tal tema. Porém, devido à ligação de PLL com a comunidade LGBT, parece improvável que a versão de seu pai seja validada e Charlotte seja retratada como uma vilã diabólica que sempre teve inveja da irmã e por isso perseguiu a ela e a suas amigas. Mas sim como mais uma vítima da opressão de gênero, a que o programa sempre retorna. Em seu relato, Charlotte deixa claro que via “–A” como um
196 Afora os poucos meses que passa no hospital, Mona não sofre outras sanções por seus crimes que
incluem, além das chantagens, atropelar Hanna, ameaçar Alison e contribuir para seu desaparecimento, e envolvimento na morte de Bethany. No decorrer do seriado, Mona mostra-se um dos mais dúbios personagens de uma trama habitada por diversos personagens dúbios.
197 Para seu pai Kenneth DiLaurentis, o filho representava um perigo para sua irmã, portanto, precisava ser
afastado, para Charlotte, o pai agiu por preconceito em relação a sua transexualidade, e seu problema nunca foram os diagnósticos médicos, porém o estigma.
jogo e as meninas como bonecas, um jogo com o qual ela não conseguia parar, o que refoça uma ideia de empoderamento a qual voltaremos a abordar no capítulo 5198.
Como se percebe, nos dois programas o problema permeia diversas instâncias da sociedade e se reflete em família, escola etc. Buffy deve seguir ordens da estrutura arcaica e patriarcal do Conselho de Observadores, instituição responsável por recrutar e instruir a caçadora na luta contra o mal. O Conselho, britânico e extremamente tradicional, choca- se com o mundo moderno em constante transformação da juventude americana. Com exceção de Giles – que apesar de certo desdém e incompreensão pela cultura jovem, compreende e ama Buffy – todas as outras apresentações do Conselho são empedernidas, paternalistas, autoritárias e, por fim, inúteis. Desde os feiticeiros pré-históricos responsáveis por criarem a linhagem da caçadora até os chefes de Giles – que em suas poucas aparições expressam o lado mais opressor de tal instituição – o Conselho e as forças mágicas que lhes deram origem representam uma maneira de controle do feminino e da juventude, colocando a incumbência de “proteger a humanidade” a uma pessoa (no caso sempre uma mulher jovem), moldando e controlando seus poderes e instintos. Crescentemente em atrito com as regras “mais antigas do que a civilização” da entidade, para evoluir e tornar-se adulta, Buffy desliga-se do Conselho ao final da 3ª temporada, num episódio que coincide com sua formatura colegial199.
Paralelamente, em PLL outra instituição ajuda a representar o alcance e a permeabilidade da opressão de gênero. A polícia de Rosewood, além de incompetente, corrupta e intimidante, é o símbolo de alguns dos principais problemas daquela comunidade, a condenação social da garota adolescente. Quase todos os policiais do sexo masculino relevantes à trama tiveram relações impróprias, e em alguns casos ilegais, com as personagens adolescentes200. Além disso, os policiais em Rosewood perseguem e
ameaçam de forma contumaz as adolescentes. O Detetive Wilden, um dos principais encarregados por investigar a suposta morte de Alison, além de corrupto, passa boa parte do seu tempo em uma cruzada contra as quatro protagonistas. Mesmo sabendo que Aria,
198 No entanto, os crimes de Charlotte – seja qual for a leitura que se faça de seus transtornos – não são
poucos. Como –A, ela incriminou sua irmã por assassinato (devido ao qual Alison passou meses na cadeia) e articulou para que ela fosse intimidada através de espancamentos na prisão. Ela também quase matou diversos personagens, executou perigosos ataques à propriedade, matou o detetive Wilden e manteve Mona, Aria, Spencer, Hanna e Emily sob cativeiro e tortura psicológica durante semanas. Ela afirma para Alison que não pretendia matar nenhuma das garotas e sempre tomou cuidado para que todas saíssem ilesas de seus “jogos”.
199 3x21-3x22, Graduation Day, parte 1 e 2, Joss Whedon.
200 Darren Wilden, já policial a esta época, teve um caso com Alison, então com 15 anos, no verão anterior
a seu desaparecimento. Garrett Reynolds namorava secretamente Jenna Marshall. Gabriel Holbrook envolve-se com Alison quando ela reaparece em Rosewood, na 5ª temporada.
Spencer, Emily e Hanna não estão envolvidas na suposta morte da amiga201, ele parece
ter uma sádica satisfação em perseguir e expô-las, como, por exemplo, ao forçar Emily a revelar publicamente os verdadeiros sentimentos que nutria por Alison, numa tentativa de incriminar a garota. Apesar disto, Wilden jamais é oficialmente punido por seus crimes ou conduta imprópria202. Ele chantageia e ameaça as garotas até ser morto ao final da 3ª
temporada.
Figura 26: As garotas de PLL sofrem tortura nas mãos de –A
Fonte: Captura de tela gerada pela autora (2016).
Figura 27: Helpless: privada de seus poderes, passa por diversos perigos.
201 Afinal conforme se descobre no decorrer do seriado ele aceitou suborno de Jessica DiLaurentis para
encobrir o envolvimento de Charlotte/Cece na suposta morte de Alison.
202 Ele é brevemente afastado por interrogar menores sem a presença de um responsável, por pressão da
Fonte: Captura de tela gerada pela autora (2016).
Holbrook é o único membro da polícia a ser oficialmente punido por sua conduta irregular em relação às adolescentes, sendo afastado pela corregedoria por se envolver com Alison, que estava então sob investigação policial. Até ser exposto seu envolvimento com ela, Holbrook era representado como um policial bom e comprometido, ao contrário de seus colegas. Quando as garotas descobrem seu envolvimento com Alison – que neste ponto acreditam ser -A – Hanna procura desculpas para ele, dizendo às amigas que se ele está ajudando Alison é porque ela deve tê-lo manipulado. Porém, em um dos raros momentos em que a narrativa endereça e acusa diretamente uma das questões mais profundas que permeiam a história, a relação problemática entre homens mais velhos e garotas adolescentes repercutindo numa cultura que normaliza situações de abuso, Hanna acaba mudando de ideia sobre o policial. E quando ele a persegue, indignado por ter sido afastado do cargo e culpando a ela e a Alison pelo que aconteceu, Hanna defende-se e responde a suas insinuações: “Você não pode se fingir de vítima. Você é o policial adulto, ela é só uma menina!”203.
O Conselho de Observadores e a polícia, ambas organizações que deveriam