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Finlandiya'da Kooperatifçiliğin Doğuşu Ve Gelişimi

1. KOOPERATİFÇİLİK

1.6 Dünyada Kooperatifçilik Hareketinin Tarihçesi

1.6.9 Finlandiya'da Kooperatifçiliğin Doğuşu Ve Gelişimi

Pode-se conceituar a interpretação como o processo lógico que procura estabelecer a vontade contida na norma jurídica105. Denominando-se Hermenêutica a ciência que cuida da interpretação da lei.

A preocupação com a interpretação da lei penal sempre esteve presente na preocupação dos aplicadores do direito; na época de Beccaria, pelo fato de que ocorria parcialidade e arbítrio dos julgadores; hoje essa preocupação não está de todo afastada, principalmente quando estamos diante de legislações cujo conteúdo contém muitas expressões abertas ou vagas.

A interpretação pode ser classificada, quanto ao sujeito, em autêntica, quando está inserida na própria legislação, sendo, portanto, obrigatória;

jurisprudencial (ou judicial), quando tem por base a orientação que juízes e tribunais

têm dado sobre determinada norma, mas não tem força vinculativa; e, por fim,

doutrinária, quando constituída pela opinião de doutrinadores e cientistas do direito.

Pode ainda ser classificada, quanto ao meio empregado, em:

gramatical, quando procura o sentido das palavras usadas no texto legislativo; lógica, quando se busca a vontade da lei; e teleológica, quando se baseia na

apuração do valor e finalidade usada pelo legislador.

Outro critério de classificação dá-se quanto aos resultados e pode ser:

declarativa, quando não se amplia ou restringe o termo empregado no texto da

norma, apenas se discute o seu significado; restritiva, quando a redução do alcance do termo empregado no texto se faz preciso para se compreender a vontade do legislador; e, em contrapartida, extensiva, quando a ampliação do alcance do termo empregado no texto se faz preciso para se compreender a vontade do legislador.

Por fim, há quem se refira também à interpretação analógica para a busca da vontade da norma por meio da semelhança com outras fórmulas já empregadas pelo legislador, o que difere da analogia, que é a auto-integração de um fato não regulado.

Aliada à interpretação da norma vigente, faz-se necessário abordar algumas regras dispostas tanto na Constituição quanto no Código Penal a propósito da aplicação da lei penal no tempo.

A eficácia da lei penal no tempo obedece à regra geral do tempus regit actum, prevista no art. 5, inciso XXXIX da Constituição Federal, a qual dispõe que, ninguém poderá ser punido por lei que não esteja vigente no momento da conduta criminosa, harmonizando-se assim, com o princípio da legalidade.

Existem algumas exceções a essa regra: a primeira delas é a da extra- atividade106 (retroatividade e ultra-atividade) da lei penal mais benéfica, ou seja, havendo conflito temporal entre duas ou mais normas, a que for mais favorável para

o réu deverá prevalecer. Em outras palavras, isso significa que a lei mais benéfica poderá ser aplicada a fatos anteriores a sua vigência e a fatos posteriores mesmo depois de ter sido revogada.

Outra exceção é a da ultra-atividade das normas penais excepcionais ou temporárias. Prevista no art. 3º do Código Penal, dispõe que, mesmo depois de revogada, a lei penal temporária poderá ser aplicada. Trata-se de fenômeno que se assimila ao chamado "efeito repristinatório" da lei, Esse efeito é em regra vedado, salvo disposição expressa em contrário, nos termos do art. 2º, parágrafo 3º da Lei de Introdução ao Código Civil.

Por norma temporária entende-se aquela que no próprio texto apresenta um prazo de duração. Já a norma excepcional é aquela criada em virtude de uma situação de emergência, como a guerra ou a calamidade pública. Essas normas se mantêm vigentes enquanto permanecer a emergência que as motivou.

Quando do surgimento de conflitos de leis penais no que se refere a sua aplicação no tempo, especialmente diante da comum inflação legislativa, alguns princípios devem ser seguidos:

O princípio da anterioridade ou irretroatividade da lei penal foi incorporado pelo ordenamento jurídico nacional, quer no art. 5º, XXXVI107 da

107 "Art. 5º (...)

(...)

XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;"

Constituição Federal de 1988, quer no art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil108, quer no art. 1º do Código Penal, cujo teor, em suma, estabelece que não há crime ou pena sem lei anterior que o defina, dispondo como regra geral a irretroatividade da lei penal.

O art. 5º, inciso XL da Constituição Federal estabelece que a lei não retroagirá salvo para beneficiar o réu, disposição essa contida nas Constituições Federais de 1934; 1937; 1946 e 1967, bem como na Emenda Constitucional de 1969.

Constava também no art. 3º do Código Penal de 1890; artigo 3º da Consolidação das Leis Penais de 1932; e figura no artigo 2º do Código Penal vigente.

Pelo princípio da anterioridade da lei penal está configurada a regra da irretroatividade da lei penal, do que derivam os seguintes princípios:

Abolitio Criminis - quando uma nova lei deixa de considerar crime fato

até então punido pela norma penal. Nesse caso, a retroatividade se impõe, atingindo inclusive o réu condenado que esteja cumprindo pena. A previsão legal está no art. 5º, inciso XL da Constituição Federal e, art. 2º, “caput”, do Código Penal.

108 Art. 6 da Lei de Introdução ao Código Civil - "a Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada."

Lex gravior – quando a lei posterior cria um tipo penal mais grave

(novatio legis incriminadora) ou então quando modifica o tipo penal já existente para uma situação pior (novatio legis in pejus). Em ambos os casos a lei mais grave não pode retroagir, segundo a vedação consignada no art. 5º, incisos XXXIX e XL da Constituição Federal, e art. 1º do Código Penal.

Lex mitior – quando uma nova lei, embora não descriminalize uma

conduta punível, favorece de alguma forma o agente, tais como circunstâncias atenuantes ou novas causas de extinção da punibilidade. Por ser mais benéfica retroage, conforme art. 5º, inciso XL da Constituição Federal e art. 2º, parágrafo único, do Código Penal.

Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal já decidiu que essa garantia constitucional se "aplica a toda e qualquer lei infraconstitucional, sem qualquer distinção entre lei de direito público e lei de direito privado, ou entre lei de ordem pública e lei dispositiva"109.

As normas de direito ambiental, por serem de ordem pública, têm aplicação imediata, ou seja, aplicam-se tanto aos fatos ocorridos sob sua vigência, como também às conseqüências e aos efeitos dos fatos ocorridos sob a égide da lei anterior.

109 STF - Pleno:RTJ 143/724, maioria. No mesmo sentido, STF, ADIn 493, rel. Min. Moreira Alves, RTJ 143/274; e RE 198291-8 e 199021-0, rel. Min. Celso de Mello, DJU14.03.1997.

Nesse caso, ao se analisar o tipo penal ambiental que trata da obediência à norma legislativa, tem-se que a lei nova terá aplicabilidade imediata, observadas preliminarmente as regras do Direito Civil e Direito Administrativo, como no caso de uma licença ambiental, em que o agente deverá aguardar a renovação do ato administrativo autorizando, por exemplo, a instalação de nova maquinária antes de operar.