• Sonuç bulunamadı

Finansal riskin yönetimi (devamı) Piyasa riski (devamı)

O termo sotaque representa o estilo, a forma e as expressões predominantes nos grupos de bumba-meu-boi do Maranhão, ou seja, a sua maneira de ser, o que marca especificamente as afinidades e diferenças no tocante à concepção, organização e formas de apresentação dessa manifestação folclórica observadas nas variações de seus elementos básicos: ritmo, bailado, instrumentos, toadas, indumentárias, etc.

A classificação dos sotaques do bumba-meu-boi maranhense se faz pela origem regional/cidade e/ou instrumentos característicos, baseando-se nas especificidades de ritmo, indumentária, instrumentos, passos e evolução da dança (círculo, semicírculo, ou fileiras simétricas).

Os sotaques até agora registrados são: zabumba ou Guimarães, ilha ou matraca, baixada ou Pindaré, orquestra, e, Cururupu ou de costa de mão. Esta classificação dos sotaques está disseminada na cidade, também é adotada pela imprensa e é a mesma usada pelos intelectuais, portanto é uma classificação e categorização partilhada por seus analistas locais.

Segundo Azevedo Neto (1983, p. 16, grifo do autor), o conceito empregado para definir o termo sotaque não é satisfatório, uma vez que se restringe a apenas os cinco sotaques elencados acima. O autor define sotaque para além dessa classificação já estabelecida, pois, para ele, possui uma dimensão mais restrita, sendo, portanto, o estilo individual de cada conjunto. Sendo assim, ele enfatiza que:

Partindo da idéia de que as características do ritmo, do guarda-roupa e dos instrumentos utilizados é que determinam, quando absolutamente iguais, o agrupamento de bois num mesmo sotaque, então se há de concluir que cada conjunto é um sotaque, de uma vez que não existem bois exatamente iguais. (AZEVEDO NETO, 1983, p. 16).

Azevedo Neto (1983) propõe então a divisão do bumba-meu-boi do Maranhão em grupos, subgrupos e, finalmente, em sotaques. Grupo é denominado como a primeira e maior influência – caracterizado nos instrumentos utilizados, na batida básica, na idéia central do guarda-roupa e no bailado; subgrupo são as diferentes formas derivadas desses grupos, cada qual com pequenas ou grandes alterações dentro daquele conjunto de características,

obedecendo às influências de sua região de origem, ou seja, é o estilo regional; e sotaque é o estágio em que algumas das características principais (grupos) ou secundárias (subgrupos) foram alteradas, ou devido a certas imposições econômicas, ou simplesmente pela noção estética do dono do boi.

Em cada subgrupo são colocadas as brincadeiras ou um conjunto que ele considera sem variações significativas, portanto cada brincadeira teria seu próprio sotaque. Por esta classificação, por exemplo, o Boi de Maracanã seria do grupo indígena, subgrupo da ilha, sotaque de Maracanã, neste sentido, o número de sotaque para este autor não se esgota, enquanto surgirem novos grupos que tragam variações na forma de tocar (AZEVEDO NETO, 1997). Para os outros autores, assistência das festas e brincantes, o Boi de Maracanã, seria classificado no sotaque de Matraca.

Os outros autores citam as descrições de Azevedo Neto (1983) dos elementos de composição das brincadeiras, o que dá reconhecimento à sua pesquisa como fonte fidedigna de dados. No entanto, preferem seguir a classificação que agrupa as diferenças entre os bois, nos cinco sotaques acima, privilegiando explicar a origem decorrente da miscigenação entre o negro, o índio e o branco. Azevedo Neto, porém, ameniza a classificação racial afirmando que, em todos os grupos, há elementos das três raças, que sua intenção é de ressaltar qual delas é predominante em cada um deles.

Seguindo a classificação dos grupos de bumba-bois nos cinco sotaques (posicionamentos), faremos um breve comentário sobre cada um deles.

O sotaque de matraca é próprio dos bois da Ilha de São Luís, por isso também é chamado de sotaque da Ilha. Os bois desse sotaque constituem verdadeiros “batalhões” de pessoas. É marcado pelas batidas frenéticas das matracas24– seu principal instrumento ao lado

dos pandeirões. Trazem na indumentária penas de pavão ou avestruz, usadas nos chapéus e nas roupas de alguns brincantes (índias, caboclos de pena). A dança do boi de matraca se caracteriza pelos pés fincados no chão, arrastados num compasso lento, que mesmo os pulos e volteios do caboclo real afiguram-se contidos. Parece um enraizamento, sempre compenetrado, até porque, no geral, os expectadores que se integram à brincadeira tocam as matracas e não querem perder o ritmo. Organizam-se formando um círculo que se desloca em sentido único durante toda a apresentação.

O sotaque de zabumba é marcado pela presença africana. Originário da cidade de Guimarães – é considerado como o mais antigo, sem, entretanto, ser enfatizado como gênese 

24 Instrumento confeccionado com dois pedaços de madeira rústica ou trabalhada, batidos diretamente um no

dos outros sotaques. Utiliza na sua percussão as zabumbas, tambores de fogo, tambores onça, tamborinhos e maracás. O destaque nas indumentárias está no esplendoroso chapéu de fitas em forma de cogumelos (alguns desses chapéus possuem cerca de duzentas fitas de aproximadamente um metro e meio de comprimento).

Os brincantes dançam formando um semicírculo na maior parte da apresentação. O ritmo é um dos mais acelerados, sendo comparado ao samba por Azevedo Neto (1983). No geral, o sotaque de zabumba reúne uma assistência pequena, mas não deixa de constar na programação, em horários muito variados, sendo, entretanto menos frequente do que outros bois.

O sotaque de pandeirões, que também recebe o nome de sotaque da Baixada ou de Pindaré, é característico da região oeste da Baixada maranhense. Apresenta matracas e pandeiros menores que os bois da Ilha, resultando num toque mais leve e dolente. Nas palavras de Azevedo Neto (1983, p. 36):

Enquanto os bois da Ilha estalam e espicaçam as matracas num estado de excitação, os bois da Baixada batem uma contra a outra quase num ato de amor. Não as provocam, solicitam. Não lhes impõem, pedem. Nos bois da Baixada, as matracas tocam como se estivessem adormecidas e são suaves e mansas como um estender de mãos solitárias. E o batuque que delas vem é tímido como o sorriso depois do chorar.

Quanto à indumentária é caracterizado pelo uso de peitoral e saiotes bordados e, na cabeça, enormes chapéus enfeitados de penas e numerosas fitas coloridas. Apresenta também a presença marcante dos Cazumbás25.

O sotaque de orquestra é marcado por um ritmo suave e alegre, produzido por um conjunto de instrumentos sonoros: saxofone, clarinete, trompete, tarol, banjo, etc. Para apoio rítmico também são utilizados pequenos maracás. A indumentária se caracteriza pelo uso de chapéus (com ou sem fitas) e peitorais quase sempre de veludo, bordados feitos em miçangas, canutilhos e paetês.

Quanto à dança, os bois de orquestra se apresentam formando duas filas que, de acordo com as coreografias que serão executadas, se desfazem para sucessivas meias voltas, o que caracteriza denotativamente as danças brancas.

O sotaque de costa-de-mão é próprio de Cururupu (cidade situada ao norte do Maranhão). O ritmo é marcado por tambor-onça, maracá, e pequenos pandeiros cobertos de couro, que, presos ao pescoço através de um cordão, são batidos com as costas dos dedos,



produzindo um som macio e aveludado. A indumentária é composta, em geral, por colete e calção bordados, meiões e chapéus enfeitados de fitas.

Contudo, percebemos que, independente do sotaque praticado, os brincantes são, em grande parte, integrantes da comunidade onde está sediado o grupo de bumba-boi. Cada grupo tem um mestre, um coordenador do trabalho e, de certa forma, um guardião do rito e das informações necessárias para manter viva a tradição da brincadeira. Essa função de responsável pelo grupo está historicamente relacionada com dois elementos principais: o domínio do saber próprio dos ritos e etapas da festa e a manutenção financeira da brincadeira. Muitas vezes o líder do grupo de bumba-meu-boi é seu cantador, que compõe grande parte das toadas, canta e, na encenação do auto, também comandada por ele, representa o amo do boi. Essa função de dono do boi traz uma tendência à centralização do poder, na qual as decisões e o comando são prerrogativas de uma única pessoa. Não raro, a sede do boi é a casa de seu dono.

Nessa pesquisa, abordamos o termo sotaque para nos referir aos posicionamentos existentes num mesmo campo discursivo. Assim, o bumba-meu-boi da Maioba é um dos principais representantes do posicionamento matraca.

Benzer Belgeler