2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.1. Kavramsal Çerçeve
2.1.4. Fen Öğretimi ve Yapılandırmacı Öğrenme Yaklaşımı
A investigação-ação requer uma participação ativa para possibilitar a obtenção de conhecimento e, naturalmente, a resolução de problemas (Baldissera, 2001). Por tal motivo, torna-se relevante que o docente empregue ferramentas e estratégias adequadas que possibilitem a recolha de dados relacionada com o contexto em análise (Bogdan & Biklen, 1994). Morgado (2000) propõe, então, que o instrumento de recolha de dados seja um recurso lógico e coeso, de modo que seja assegurado que todos os dados compilados sejam suficientes para alcançar os objetivos pretendidos. Deste modo, considerando a dinâmica da investigação-ação, são referidas, de seguida, as técnicas e instrumentos metodológicos de recolha de dados usados no decurso da intervenção pedagógica.
2.1.1.1. Observação participante
A observação surge naturalmente, contudo poderá emergir de forma deliberada e sistemática, estando relacionada com a precisão do contexto (Sousa, 2005). Por esta razão, a observação sistemática é uma competência que se aprende (Graue & Walsh, 2003).
Numa abordagem mais conceitual, a observação caracteriza-se por “seleccionar informação pertinente, através dos órgãos sensoriais e com recurso à teoria e à metodologia científica, a fim de poder descrever, interpretar e agir sobre a realidade em questão” (Carmo & Ferreira, 1998, p. 97). Com efeito, a observação implica prática e o contacto direto com os acontecimentos (Máximo-Esteves, 2008), para possibilitar que, deste modo, o investigador perceba melhor a situação em estudo (Stake, 2009). Sousa (2005) vai ao encontro das conceções supracitadas e acrescenta que a “observação em educação destina-se essencialmente a pesquisar problemas, a procurar respostas para questões que se levantem e a ajudar na compreensão do processo pedagógico” (p. 109).
Assim, no decorrer da práxis, utilizou-se a observação participante, no sentido que tudo foi observado através do interior, permitindo experienciar com as crianças tudo o que ocorreu e, ainda, obter dados da sua vida quotidiana e uma maior perceção dos seus pensamentos e motivações. Fino (2008) corrobora esta afirmação e realça que a observação participante é “o que o observador apreende, vivendo com as pessoas e partilhando as suas actividades” (p. 4).
2.1.1.2. Entrevista
A entrevista é uma das técnicas mais usadas na investigação em educação (Máximo-Esteves, 2008). Aclarando a definição de entrevista, Carmo e Ferreira (1998) salientam que é a recolha sistemática de dados para responder a um determinado problema. Às suas características acrescenta-se que, segundo Máximo-Esteves (2008), são propositadas e orientadas e permitem que se possa conhecer diversas opiniões.
Desta forma, salienta-se que as entrevistas realizadas às crianças e às docentes cooperantes foram não estruturadas, ou seja, eram múltiplas conversas cordiais, visando uma intervenção recíproca. Para Fino (2008), a entrevista não estruturada resulta de
conversas casuais no terreno, nas quais “os nativos revelam os seus pontos de vista pessoais sobre a sua vida ou sobre eles próprios” (pp. 4-5).
2.1.1.3. Análise documental
“Recolher dados através do estudo de documentos segue a mesma linha de pensamento que observar ou entrevistar. É preciso termos a mente organizada e, no entanto, aberta a pistas inesperadas” (Stake, 2009, p. 84). Assim sendo, na investigação- ação, torna-se indispensável a análise de documentos para a recolha de informações relevantes acerca das características da instituição, das crianças e do seu contexto familiar, sempre relacionadas com os problemas levantados.
Logo, esta técnica pode refletir-se na análise dos artefactos das crianças e de outros documentos de carácter formal como, a título de exemplo, do Projeto Educativo de Escola (PEE), do Plano Anual de Turma (PAT) e do Projeto Curricular de Grupo (PCG). É de destacar que a análise dos artefactos das crianças, ou seja, os seus produtos individuais, assumem grande importância quando o foco da investigação encontra-se na aprendizagem das crianças (Máximo-Esteves, 2008). Neste âmbito, Graue e Walsh (2003) acrescentam que a análise dos artefactos fornece algum entendimento para compreender melhor os factos da vida das crianças que se encontram omitidos.
2.1.1.4. Triangulação
Para um projeto deste género, todos os dados recolhidos necessitam de uma análise que, posteriormente, permitem responder à questão formulada. Importa salientar que a análise implica a síntese dos dados e dos aspetos considerados essenciais (Bogdan & Biklen, 1994).
Para Sousa (2005), o método de análise de dados depende dos objetivos, da pesquisa e do investigador, e permite, numa primeira fase, desvendar se as técnicas utilizadas foram as mais corretas e se a recolha de dados é suficiente. Contudo, afirma- se, ainda, que a interpretação dos dados referentes à questão-problema não é definitiva, nem generalizável, mas é importante para o aumento do conhecimento e entendimento do trabalho do investigador, promovendo a partilha das suas descobertas (Máximo-Esteves, 2008).
Nesta perspetiva, para validar os resultados obtidos recorre-se à triangulação (Stake, 2009). De acordo com Sousa (2005), a triangulação é uma “metodologia de investigação em que se observa o mesmo fenómeno de três (ou mais) pontos diferentes, por diferentes observadores e com diferentes instrumentos” (pp. 172-173). Note-se que o seu objetivo é analisar os dados de distintas origens, estudar e comparar (Ibidem). Por conseguinte, Graue e Walsh (2003) sublinham que observar “de muitos ângulos e muitas maneiras diferentes fornece-nos uma descrição mais completa da parte do mundo social que está a ser investigada” (p. 128).
2.1.1.5. Diários
A investigação-ação permite o aperfeiçoamento profissional e a construção de conhecimento, sendo que a utilização do diário torna-se um meio para atingir o tal conhecimento (Máximo-Esteves, 2008). Para Zabalza (1994), os diários são documentos pessoais do docente, fruto da reflexão das suas aulas, cujo objetivo é melhorar a sua prática. Brazão (2007) chama ainda a atenção para o facto de o diário ser um instrumento de formação dos docentes, contribuindo para o seu desenvolvimento profissional e pessoal. Neste sentido, o diário constitui uma das principais fontes de recolha de dados descritiva, no qual se apresenta detalhadamente o que aconteceu, evidenciando os problemas constatados, os sentimentos, as emoções e as reações (Máximo-Esteves, 2008).
2.1.1.6. Registos fotográficos
Os docentes, no seu quotidiano profissional, “usam naturalmente a fotografia como auxiliar e conteúdo de aprendizagem” (Máximo-Esteves, 2008, p. 91), dado que este tipo de instrumento permite recordar e analisar dados que poderiam ser negligenciados, caso não se possuísse registo fotográfico (Bogdan & Biklen, 1994). Importa mencionar, também, que os registos fotográficos podem deter o propósito de exibir, demonstrar e ilustrar momentos decorridos durante a realização de uma atividade específica (Máximo-Esteves, 2008).
2.1.2. Validade da investigação
Os investigadores produzem conhecimento, empregam-nos na vida real e, depois, verificam a sua validade (Kvale, 1996, citado por Máximo-Esteves, 2008). Nesta linha, refere-se que, nas últimas duas décadas, a validade se transformou num conceito com muitos significados (Máximo-Esteves, 2008), tratando-se, claramente, de um processo exigente (Sousa, 2005). Segundo Kvale (1996), a validade da investigação adquire um papel primordial localizando-se “nos conceitos de verdade e conhecimento, em que as investigações se fundamentam” (citado por Máximo-Esteves, 2008, p. 113). Por seu lado, Lincoln e Guba (1985) substituem o conceito de validade por veracidade, o qual se refere ao controlo de procedimentos que levam à credibilidade e corroboração do conhecimento originado (citados por Máximo-Esteves, 2008).
Prevalecente à multiplicidade de conceitos fica a certeza que validar um estudo não é investigar o resultado, mas, sim, todo o processo desenvolvido (Máximo-Esteves, 2008). Por isso, “decorre do exercício reflexivo (auto e hetero) permanente, em torno da questão: “Que posso eu fazer para que o meu estudo seja visto pelos outros como uma obra com qualidade?”” (Ibidem, p. 121).