1. GİRİŞ
1.1. Araştırmanın Amacı ve Önemi
O MEM foi constituído em Portugal em 1966 (Serra, 2004) e baseia-se na pedagogia natural de aprendizagem de Célestin Freinet, iniciada em 1920 (Gomes, 2011). Na verdade, afirma-se como um modelo pedagógico que concebe a escola como um quadro que assegura o desenvolvimento global do indivíduo, assente na defesa de valores, na democracia, equidade, solidariedade e cooperação dentro da sala de aula (Ibidem).
Esclarecendo o conceito de modelo, segundo Niza (1998), é algo edificado para guiar a ação, mas alvo de transformação para acompanhar os contextos e as ideias. Desta forma, relaciona-se com todo o auxílio prestado às crianças para aprender determinados conhecimentos e competências (Grave-Resendes & Soares, 2002). Quer isto dizer que o MEM se identifica como "um modelo de cooperação educativa nas escolas" (Niza, 2013, p. 142).
Exerce-se uma pedagogia de cooperação, visto que os docentes e as crianças, em conjunto, definem os projetos e atividades a desenvolver de acordo com as competências curriculares, sem descurar os seus interesses e saberes (Gomes, 2011). Além disso, esta forma de trabalhar garante que a heterogeneidade no grupo, incluindo as NEE existentes, sejam uma riqueza, permitindo o sucesso e implicação de todos (Niza, 2000). Em paralelo, o MEM tem como objetivo a qualidade na educação, o envolvimento e o prazer das crianças na própria aprendizagem, transversal a uma organização democrática (Grave-Resendes & Soares, 2002).
Subjacente à sua organização, o MEM desenvolve uma diferenciação no espaço, organizado em áreas de trabalho e acesso rápido aos materiais, uma diferenciação de
tarefas e responsabilidades e, ainda, uma diversificação de materiais de apoio e instrumentos de pilotagem (Ibidem). Neste âmbito, salienta-se, então, que abarca um plano individual de trabalho para cada criança, embora o docente acompanhe o seu trabalho (Gomes, 2011). Do mesmo modo, no MEM subsiste o Conselho de Cooperação, onde é decidido e planificado, através de uma decisão democrática, o trabalho da semana, do mês e do ano (Ibidem). É, assim, determinado um horário que define o tempo para cada momento: o da realização dos projetos escolhidos; o dedicado ao estudo autónomo dentro da sala de aula; o reservado às comunicações em grande grupo; o da Assembleia de Turma, que possibilita os momentos de avaliação e autoavaliação do grupo (Ibidem). Dada a importância do Tempo de Estudo Autónomo (TEA) e dos instrumentos de pilotagem, mais concretamente o mapa das presenças, o quadro das tarefas, o mapa do tempo e o calendário dos aniversários, no presente relatório, apresentar-se-á a sua descrição com mais pormenor.
Assim sendo, o TEA abrange, pelo menos, uma hora na planificação diária e permite o exercício de competências e capacidades curriculares, ao mesmo tempo que o docente auxilia as crianças que evidenciam dificuldade, sem os desagregar do trabalho que está a ser praticado (Grave-Resendes & Soares, 2002). Do ponto de vista de Assunção (2011), este tempo é o melhor instrumento para demonstrar a diferenciação pedagógica, pois as crianças tornam-se responsáveis pelo seu processo de ensino-aprendizagem. Niza (2000) é da mesma opinião de Assunção, referindo que é "o momento mais relevante de diferenciação do ensino que se desenvolve paralelamente ao mais relevante momento de diferenciação das aprendizagens" (p. 44).
No que diz respeito aos instrumentos de pilotagem, Grave-Resendes e Soares (2002) salientam que "regulam a organização cooperada do trabalho e das relações humanas da turma" (p. 47).
Clarificando a noção de mapa de presenças, assume-se que "serve para o aluno marcar com um sinal convencional a sua presença, na quadrícula onde o seu nome se cruza com a coluna do dia respetivo do mês e da semana" (Niza, 2013, p. 153). Como tal, é preenchido diariamente, onde cada criança é responsável por assinalar a sua presença, permitindo-lhe reconhecer o seu próprio nome e desenvolver o raciocínio lógico- matemático. O calendário que se encontra no mapa das presenças permite, também, que crianças relacionem "o dia do mês com o dia da semana e com o ano” e “tomem consciência de que há elementos que mudam todos os dias enquanto outros se mantêm mais tempo" (Grave-Resendes & Soares, 2002, p. 51).
No que concerne ao quadro de tarefas, este representa um quadro de ajuda à rotina das crianças (Niza, 2013), o qual organiza as atividades de manutenção da sala e algumas tarefas a realizar pelas crianças, possibilitando que cada uma se torne responsável e desempenhe múltiplas funções (Grave-Resendes & Soares, 2002). Deste modo, é completado semanalmente e apresenta uma tabela de dupla entrada (Ibidem), sendo que na coluna do lado esquerdo encontram-se as tarefas a desempenhar anexado a imagens alusivas, e na coluna do lado direito encontram-se os nomes das crianças encarregadas por estas.
O mapa do tempo permite que as crianças consigam, olhando para o exterior através das janelas, identificar o estado do tempo. Numa fase seguinte, é pedido para o representar numa folha e, seguidamente, colar no respetivo dia. Além disso, declara-se que se encontra associado ao quadro das tarefas, visto que este é que define as crianças responsáveis pela tarefa de assinalar o mapa do tempo.
O calendário dos aniversários assinala as datas de aniversário das crianças do grupo e possibilita, ainda, que cada uma represente a sua idade, desenvolvendo competências no domínio da Matemática e da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita.
Para terminar, o MEM acentua e desenvolve respostas educativas tendo em consideração a diversidade das crianças do mesmo grupo (Niza, 2000) e permite que todos aprendam e ensinem (Niza, 2013), num processo de trabalho cooperativo que impulsiona o desenvolvimento moral e cívico, o espírito de iniciativa, a responsabilidade partilhada pela aprendizagem num ambiente democrático (Gomes, 2011). Niza (2013) confirma esta ideia e constata que a "organização e gestão participada dos conteúdos, dos meios didáticos, dos tempos e dos espaços é, por isso, o cerne da pedagogia da Escola Moderna, desde o planeamento da ação até à sua retroação reguladora", cujos procedimentos de avaliação desencadeiam-se "em cooperação formativa e reguladora" (p. 146).