BÖLÜM 1. YORUMBİLİM VE YORUMBİLİMİN GELİŞİMİ
1.1. Retorik Yöntemden Fenomenolojik Yaklaşıma Giden Süreç
1.1.6. Felsefi Yorumbilim ve Kültürlerarası Yorumbilim
As diferenças entre as PME e destas em relação às grandes, que impedem homogeneizações, já manifestas em áreas como financiamento (LEMOS, 2003), desenvolvimento de políticas de inovação (LA ROVERE, 2001), também impedem homogeneizações na elaboração de programas em SST e em Ergonomia (CHAMPOUX & BRUN, 2001), tendo JUNG (1999), BRADSHAW et al (2001) e TORP & MOEN (2006) argumentado em seus trabalhos que as diferenças demandam atividades desenvolvidas de acordo com o tamanho da empresa, as características e necessidades de cada local de trabalho, processos operados e riscos previamente identificados, sendo pertinente retomar a questão de JOHANSSON & JOHANSSON (1992) sobre até onde as propostas de ação nas empresas ajustam-se aos seus constrangimentos e facilidades, uma vez que podem ser agentes impeditivos a cultura conservadora, o modelo de gerenciamento, os poucos recursos financeiros, a falta de profissionais qualificados, a falta de informação, não podendo se determinar uma dificuldade específica para todas as empresas. Tal premissa sobre as diferenças entre as PME demandarem ações ajustadas aos constrangimentos das mesmas é sustentada por este trabalho.
Na PE-1, o conservadorismo e a pouca disponibilidade de recursos, além do modelo de gerenciamento identificado e o acesso à informação, difere-se do modelo participativo e maior disponibilidade de recursos encontrados na PE-2 e na MDE, sendo que o argumento de WILSON (2000) de que “a adoção de ações ergonômicas relaciona-se ao ambiente socio-econômico e político no qual propõe-se intervenção”, sustenta a idéia de diferentes abordagens e caminhos para implementar a saúde, segurança e Ergonomia nestes ambientes. O desenvolvimento de uma estrutura susceptível de adaptar-se eficazmente a mudanças e constrangimentos não pode ser reduzido a um modelo único e universal, idéia proferida por VALOT (2001) e compartilhada por este trabalho. Diversos autores (SOARES, 1998; LEMOS, 2003, CARVALHO, 1998) ressaltam que o grande problema que motiva as dificuldades enfrentadas pelas empresas menores, tanto em termos de acesso a recursos financeiros, cumprimento das leis, estratégias organizacionais, é que as mesmas não foram construídas direcionadas para as peculiaridades deste ambiente, tendo sido construídas com referencial nas grandes organizações. Na PE-2 e na MDE, a realização informal e a condução perceptiva de programas de adequação do trabalho incluindo as estações de trabalho e os artefatos, mesmo não havendo grandes problemas de ordem financeira, tampouco desconhecimento da importância da transformação do trabalho como fonte de
equacionamento dos problemas de SST nas empresas, faz reforçar a crença em uma dificuldade, oriunda da própria disciplina, em inserir-se nas empresas de menor porte. A criação e divulgação de instrumentos voltados para a PME, tais como o Diagnostic Court da ANACT e a LVE, esta última versão do Ergonomics Check Points evidenciam que, não só em nosso país mas em outras partes do mundo, a demanda por ações Ergonômicas voltadas para as PME é uma realidade, refletindo, presumivelmente, a dificuldade em utilizar os métodos da Abordagem Clássica e da AET nas empresas menores, seja pelo alto custo de tais ações ou pela não-conciliação com a demanda e limitação destas. A AET, que possui mais ferramentas adaptáveis à PME do que técnicas vinculadas à Abordagem Clássica, já que modelos sociológicos e organizacionais nos ajudam a entender as dinâmicas das necessidades e mudanças do trabalho e como elas fragilizam o operador, não se limitando mais somente a um posto de trabalho – idéia sustentada por VALOT (2001) – é cara e requer grande investimento de tempo e às vezes de competências internas, o que nem sempre existe nas PME.
Considerando as abordagens propostas por cada um dos instrumentos de análise direcionados principalmente às PME citados acima, a LVE deve ser vista com certa ressalva, pois a aplicação prática da mesma neste trabalho permitiu constatar a limitada abordagem dos problemas, sendo interessante como ferramenta de primeira análise, mas não como único recurso de análise das situações de trabalho, pois há pouco foco nas outras questões que não as físicas se compararmos a ferramenta com a AET, esta última recomendada pela NR-17 como instrumento de avaliação do local de trabalho. Não há na LVE, instrumento tão próximo da abordagem clássica da Ergonomia, espaço para uma visão que não técnica dos problemas já que não permite a análise das relações e da situação de trabalho, pois não há meios, no momento de aplicação da lista, para diálogo com os trabalhadores, o que permitiria coletar dados sobre a percepção que os mesmos guardam do processo de trabalho, confrontando essa visão com a dos líderes, em termos de demanda para a mudança. A participação dos trabalhadores no processo de reconstrução do ambiente de trabalho encontra-se desfavorecida pelo checklist. Conforme coloca VALOT (2001), é necessário dispor de modelos explicativos e preventivos que permitam estruturar a intervenção sobre as situações que necessitam de mudança. A intervenção não pode mais ser limitada unicamente ao posto de trabalho do operador porque os fatores que contribuem para qualificar a complexidade, os constrangimentos são cada vez mais numerosos e distantes deste posto de trabalho. Seria portanto válido complementar a LVE posteriormente com métodos próprios da abordagem situada, tais como a negociação de constrangimentos e Análise Ergonômica do Trabalho, argumento já defendido por MENEGON et al (2002) sobre
o uso de checklists. Ainda, como ressalva à LVE, há os custos de algumas das mudanças apontadas mediante sua aplicação – principalmente no tocante a mudança de maquinários e ferramentas –, que muitas vezes não podem ser cobertos pelas empresas de menor porte em um momento que não a reestruturação da empresa ou após a mesma atingir uma certa estabilidade e estar apta a crescer. Apesar das contrariedades, a LVE tem sua utilidade expressa pela possibilidade de contribuir para a resolução de alguns – ou de muitos – problemas no tocante aos dispositivos técnicos e em segurança (argumento levantado no capítulo 2), através de criatividade e de um investimento relativamente baixo, a exemplo da instalação de grades de segurança nas máquinas da PE-1 proposta na primeira fase deste trabalho, após aplicação da LVE nesta empresa. Embora na PE-2 e MDE a demanda vá além da aplicação da LVE, uma vez que a busca por melhorias já é feita, na PE-1, o trabalho de conscientização dos líderes quanto aos riscos inerentes é uma das demandas e tornaria mais fácil integrar neste ambiente uma nova consciência sobre a importância da Ergonomia, sendo neste a LVE importante contribuinte para apontar inicialmente o que pode ser melhorado. O custo praticamente nulo da aplicação desta lista, uma vez que é facilmente aplicável pelos próprios funcionários responsáveis por gerenciar saúde e segurança, também asseguram ser este um método interessante quando não há meios de aplicação da AET.
Ferramentas tais como o Diagnost Court, que faz um diagnóstico das demandas da empresa, guiando a ação para áreas prioritárias, auxiliam para que as ações não se desenvolvam de maneira arbitrária e que não haja seleção equivocada dos problemas a resolver. A vantagem de métodos tais como o Diagnostic Court para abordar empresas de menor porte é que além de sua completude, por permitir essa negociação com os trabalhadores, é um instrumento que foca na real demanda da empresa, fugindo da reestruturação exclusivamente física e construindo novas relações, a partir do diagnóstico das situações aonde se pode intervir. O Diagnostic Court e metodologias centradas na demanda da empresa também conseguem conciliar-se com outra dificuldade muito evidenciada em estudos gerenciais e em qualquer outro programa desenvolvido para PME, que é a dificuldade de homogeneização, graças aos diferentes motivos que levam a empresa a se manter pequena ou aos diversos setores ao qual pertence, havendo também que considerar o acesso a tecnologias, à informação e disponibilidade de recursos financeiros.
O Diagnostic Court é um método que, segundo os artigos pesquisados (DELTOR & THON, 1992), encontra seu momento de inserção na empresa quando esta apresenta certo crescimento, no momento em que ela recria. De fato, tanto a PE-2 quanto a MDE apontaram o momento de crescimento da empresa, quando aumenta o numero de
funcionários, como o momento em que começaram a pensar em melhorias na qualidade de vida no trabalho, confirmando assim que este é um momento propício para esta “recriação” também em termos de atenção à saúde e segurança.