III. Finansal Sistemin Taşıdığı Risklerin Gelişimi
III.3. Faiz Riski
Segundo Halliday e Matthiessen (2014, p. 88), em todas as línguas, a oração pode ter um caráter de mensagem ou de informação. A forma como a oração é organizada contribui para o fluxo do discurso. De acordo com Fuzer e Cabral (2014, p. 127), o sistema de Tema é responsável “pela organização dos significados experienciais e interpessoais em um todo coerente”. Nesse sistema, a oração é vista como mensagem, a qual se realiza pela estrutura temática. Para Halliday, esse é o nível de organização através do qual a oração é estruturada para ter um efeito eficaz em determinado contexto (EGGINS, 2004, p. 298).
Conforme o arcabouço teórico da LSF, há dois sistemas paralelos de análise os quais envolvem a organização da mensagem: o sistema da Estrutura da Informação, o qual se
relaciona com o nível do conteúdo, ou seja, informação dada ou informação nova; e o sistema da Estrutura Temática, o qual envolve as funções do nível da oração, ou seja, Tema e Rema (FUZER; CABRAL, 2014, p. 128).
Em relação à Estrutura da Informação, Dado é o componente de conhecimento compartilhado entre os interlocutores, relaciona-se ao que é previsível ou recuperável pelo contexto. Por outro lado, o N o v o é o componente da Estrutura da Informação que é desconhecido, imprevisível ou não recuperável para o ouvinte. Para que um texto seja coeso e coerente, Fuzer e Cabral (2014, p. 130) mencionam que é preciso manter um equilíbrio entre essas informações a fim de que o ouvinte possa “acompanhar a linha de raciocínio que conduz o texto, recuperando o que já foi dito, sempre relacionando ao que ainda não é conhecido pelo leitor”.
Na Estrutura Temática, o Tema é “o que o falante escolhe como ponto de partida de seu enunciado” (FUZER; CABRAL, 2014, p. 130). Para Gouveia (2009, p. 38), ele é o “elemento numa configuração estrutural particular, que, tomado como um todo, organiza a oração como mensagem”. Eggins (2004, p. 299) menciona que o Tema contém informações familiares, já mencionadas no texto, ou compreensíveis a partir do contexto. Além disso, segundo Fuzer e Cabral (2014, p. 131), o Tema pode ter a função de ligar orações que estão sendo criadas às orações que vieram antes delas no texto; revelar o assunto; ou, ainda, estabelecer um contexto para a compreensão do que virá a seguir. De acordo com Fuzer e Cabral (2014):
O Tema pode ser um grupo nominal (que indica o participante da oração), um grupo adverbial ou um grupo preposicionado (que pode indicar circunstância). Assim, a regra geral é: Tema é tudo o que aparece em posição inicial na oração, até o final do primeiro elemento experiencial (participante, processo ou circunstância) (FUZER; CABRAL, 2014, p. 132).
Por outro lado, o Rema é o restante da mensagem e engloba as ideias que estão sendo veiculadas pelo Tema. Esses elementos da Estrutura Temática (Tema-Rema) são orientados pelo falante, enquanto os componentes da Estrutura da Informação (Dado-Novo) são orientados pelo ouvinte, “mas ambas as estruturas são selecionadas pelo falante na elaboração do texto” (FUZER; CABRAL, 2014, p. 131). Exemplificando:
TEMA REMA
Todos contribuíram para o alcance da meta? Todos os pontos do contrato foram cumpridos?
As três metafunções da linguagem podem estar em posição temática na oração. Se o primeiro elemento da oração for um Participante, um Processo ou uma Circunstância, expressando, assim, um significado ideacional (ou representacional), o Tema será denominado Tema Tópico. Por outro lado, se o Tema apresentar um elemento interpessoal, chamar-se-á Tema Interpessoal. Finalmente, se a função do Tema for ligar orações, será denominado Tema Textual (FUZER; CABRAL, 2014, p. 137). Para facilitar a compreensão, apresentam-se os seguintes exemplos:
TEMA REMA
TEXTUAL INTERPESSOAL TÓPICO
Se não, quais foram?
Como sua célula colaborou com o contrato da sala?
O Tema Tópico é o primeiro elemento da oração que apresenta significado representacional, podendo ser um Participante, um Processo ou uma Circunstância no sistema de Transitividade (FUZER; CABRAL, 2014, p. 137).
Por outro lado, quando a oração manifesta um elemento interpessoal, o Tema é chamado de Tema Interpessoal. Esse tipo de Tema pode se manifestar através de “Elemento QU, sinalizando que uma resposta é solicitada por parte do locutor” (FUZER; CABRAL, 2014, p. 138). O quadro a seguir apresenta exemplos desses elementos:
Quadro 13 – Tema Interpessoal com a presença de “Elemento QU”
Tema interpessoal Tema tópico Rema
Por que o céu é azul?
Qual livro prefere?
Como os desabrigados reagiram diante da decisão?
Que horas são?
O Tema Interpessoal pode, também, ser expresso através de Vocativo:
Quadro 14 – Tema Interpessoal com a presença de vocativo
Tema interpessoal Tema tópico Rema
Brasil, nós queremos o hexa em 2014.
Professora, a ponta do lápis quebrou.
Mãeee, você pode trazer a toalha?
Fonte: Adaptado de Fuzer e Cabral (2014, p. 138).
Ou, ainda, através de Adjunto modal, “realizado por um advérbio de comentário, avaliação ou atitude em relação à mensagem” (FUZER; CABRAL, 2014, p. 138):
Quadro 15 – Tema Interpessoal com a presença de adjunto modal
Tema interpessoal Tema tópico Rema
Infelizmente, nossa Seleção perdeu na Copa da África do Sul.
Talvez o hexa venha em 2014.
Fonte: Adaptado de Fuzer e Cabral (2014, p. 138).
Por fim, o Tema Textual refere-se ao Tema cuja função é ligar orações. Ele costuma aparecer na primeira parte do Tema, antes do Tema Interpessoal, através dos seguintes recursos: conjunções, sequenciadores e continuativos (FUZER; CABRAL, 2014, p. 139). O Quadro 16 apresenta alguns exemplos:
Quadro 16 - Tema interpessoal com a presença de conjunções, sequenciadores e continuativos
Conjunções
Você tem que ser espetacular
mas [você] sem fazer da obra um espetáculo.
Tema tópico Rema Tema textual Tema tópico Rema Sequenciadores
Além disso, rumores dão conta de que ele não tem um bom relacionamento com o treinador do time, Vagner Mancini.
Tema textual Tema tópico
Rema
Continuativos
Bem, colegas, [eu] preciso ir embora.
Tema textual
Tema
interpessoal Tema tópico Rema
A organização temática das orações nos revelará como os interactantes envolvidos na interação escrita, no nosso caso, professores e alunos em contexto de uso da metodologia da aprendizagem cooperativa, relacionam as informações e as orações para organizar sua mensagem e quais são seus propósitos e atitudes.
Gouveia (2009, p. 40) destaca que, na perspectiva da LSF, a oração é a unidade principal de processamento da gramática e é caracterizada por ser, ao mesmo tempo, uma representação, uma troca e uma mensagem. Assim, ela sempre será o resultado da ligação entre os três sistemas. Por isso, considerou-se importante realizar um estudo do gênero Processamento de grupo a partir da análise dos significados ideacional, interpessoal e textual propostos no escopo teórico da LSF. Desse modo, foi possível perceber de que forma as professoras e os alunos envolvidos nesta pesquisa codificam suas vivências e experiências em contexto de uso da metodologia da aprendizagem cooperativa. Além disso, pode-se verificar como a linguagem foi utilizada para expressar significados relacionados à interação escrita entre docentes e discentes nesse ambiente de ensino e de aprendizagem. Por fim, por meio dessas categorias de análise, conseguiu-se detalhar as configurações estruturais pelas quais professores e alunos organizam a mensagem que transitem uns aos outros.
3 A APRENDIZAGEM COOPERATIVA