4. EXPERIMENTAL
4.5 Experimental Procedure
Em torno do mesmo objetivo (descrição das formas de aferição da presença do aluno na modalidade semipresencial), foi investigado também a respeito da percepção ou aferição da presença entre os pares na disciplina, ou seja, sobre a percepção da presença dos colegas por parte dos alunos, e como se dá essa percepção. A questão era do tipo
Capítulo 6. A presença sob o ponto de vista do aluno da UAB / DEaD/ IFCE 97 aberta (pergunta no 22) e indagava também sobre como o aluno tinha essa percepção:
“Você percebe quando um colega não está presente na disciplina, ou na atividade? Como?”. A grande maioria dos respondentes afirmou perceber quando um colega não está presente na disciplina ou na atividade: 123 alunos (92%) responderam “sim”. Cinco alunos responderam que às vezes percebem; e apenas três alunos afirmaram não perceber a ausência dos colegas a distância (Figura 39).
Figura 39 – Percepção do aluno quanto à presença dos colegas (pergunta 22) Fonte: elaborado pela autora
A pergunta pedia que explicassem como tinham essa percepção. Dentre as várias respostas, a Figura 40 destaca as categorias que mais foram mencionadas.
Figura 40 – Percepção do aluno quanto à presença dos colegas (pergunta 22) Fonte: elaborado pela autora
Capítulo 6. A presença sob o ponto de vista do aluno da UAB / DEaD/ IFCE 98 Um grande número de respondentes (81 alunos) afirmou perceber quando o colega não está presente na disciplina através de sua não participação nos fóruns7, ou mesmo
pela natureza e conteúdo das suas postagens. “(A57) Sim! Pelo fórum, pois da pra saber quando o colega não esta por dentro da aula e posta coisa sem sentido e não posta nada”. Quatorze alunos afirmaram ter essa percepção a partir da observação nas atividades, ou seja, da não participação dos colegas nas atividades, sem necessariamente ser o fórum.
Dezesseis afirmaram que percebem que algum colega não está presente ao observar os acessos dos mesmos ao AVA. Alguns (5) citaram que observam através do espaço “participantes” (Figura 41), que informa os últimos acessos no curso: “(A111) Quando um colega não está na disciplina é mais fácil perceber porque no ambiente tem o espaço ‘participantes’. Se um colega não estiver lá então ele não está na disciplina”. Outros (4) afirmaram atentar para o espaço “usuários online” (Figura 42), que evidencia os colegas que estão logados no Moodle naquele exato momento.
Figura 41 – Moodle - Espaço “Participantes” Fonte: DEaD/IFCE
7 Com uma visita simples nas atividades das disciplinas da UAB/DEaD/IFCE, percebe-se que as
duas ferramentas mais exploradas pelos professores formadores no planejamento de suas atividades, independente do curso, são a tarefa e o fórum. Fica aqui o questionamento de se tal resultado não é, na verdade, apenas um reflexo disso.
Capítulo 6. A presença sob o ponto de vista do aluno da UAB / DEaD/ IFCE 99
Figura 42 – Moodle - Espaço “Usuários online” Fonte: DEaD/IFCE
Treze alunos explicaram que percebem que um colega não está presente quando estes faltam a encontros presenciais, como este menciona: “(A42) Quando ele não está interagindo nos fórum, a partir dai sentimos sua falta, principalmente quando ele costuma faltar aula presencial, ai o caso é sério!”.
Um total de 12 alunos mencionou a falta de interação como elemento que demons- trava ausência por parte dos colegas.
Dois alunos afirmaram que a dimensão da turma é o motivo pelo qual percebem: o fato de a turma ser pequena facilita essa percepção. “Sempre percebo, porque a nossa turma é pequena, então é bem fácil sentir a falta dos colegas”. Embora apenas dois alunos tenham mencionado esse motivo, julgou-se importante destacá-lo por ser uma das categorias de base, relacionadas ao quesito diálogo (Figura 6): dimensão do grupo em aprendizado (relação quantitativa aluno/professor). Conforme Moore e Kearsley(2011), a dimensão do grupo influencia no sentido de, quanto menor a turma, maior o diálogo, portanto menor a distância transacional aluno-professor e aluno-aluno8.
Um fator ambiental importante que afeta o diálogo é a existência de um grupo de aprendizado e sua dimensão. É provável que haverá mais diálogo entre um instrutor e um determinado aluno do que entre um instrutor e um determinado aluno de um grupo de alunos. (MOORE; KEARSLEY, 2011, p. 241)
Capítulo 6. A presença sob o ponto de vista do aluno da UAB / DEaD/ IFCE 100 Essa proporção (entre professor tutor e número de alunos) é regulamentada e preestabelecida para os cursos semipresenciais da UAB:
A proporção de tutores para alunos será organizada de acordo com as especificações contidas no Oficio Circular 16/2012 - DED/CAPES sendo de 1 (um) tutor para cada grupo de 15 (quinze) alunos a partir do segundo ano do curso e para o primeiro ano será de 1 (um) tutor para cada grupo de 25 (vinte e cinco) alunos, respeitando assim o Oficio Circular 20/2011 - DED/CAPES de 15/12/2011. (TELES; ALCÂNTARA; SILVA,2012,
p. 38)
Quatro alunos afirmaram que percebem que algum colega não está presente quando o professor tutor chama atenção para isso: “Sim, pois quando isso acontece o professor a distancia chama atenção nos foruns e presencialmente”.
Dentre as respostas, destaque-se também três alunos que não só afirmaram perceber quando o colega não está presente, como tomam a atitude de “resgatar” esse colega, ou buscam contato com o mesmo a fim de reverter a situação:
(A14) Lógico que observamos, pois quando isso acontece, nós procuramos logo entrar em contato com este colega pra ver o que está acontecendo que ele não está interagindo conosco. É só ver os foruns e outras ferramentas do ambiente.
(A99) O fórum é quem mais acusa quando temos colegas desmotivados em alguma disciplina com a falta de postagem de alguém, e pode ter certeza que as dificuldades são tantas que todos já pensaram em desistir e precisamos de um combustível com injeção de ânimo e é nessa hora que a turma unida se faz necessário.
Mais uma vez, percebemos aqui a presença social no processo de aprendizagem: a pertença ao grupo como um elemento-chave para a aprendizagem e para a construção colaborativa do conhecimento.