Alertados pela necessidade de desenvolvimento e de fomento ao consumo, vários países estão se lançando no estudo dessas indústrias. O Reino Unido, o segundo a atentar para a importância delas, trabalha no levantamento das Indústrias Criativas e seu potencial e adota, formalmente, as denominações “Economia Criativa” e “Indústrias Criativas”, como se depreende do relatório acerca do segundo mapeamento das Indústrias Criativas, elaborado pelo British Council: “In 2006, the UK government formally adopted the term ‘creative economy’ to capture this sense of the wider contribution of the creative industries to economic and social life”.1
O relatório da UNCTAD 2010 explica que existem quatro modelos diferentes que se denominam Indústrias Criativas, não havendo, entretanto, um ou outro modelo certo ou errado, e sim uma diferença de enfoques que a própria Conferência das Nações Unidas tenta unificar, como veremos mais adiante.
Tais enfoques diferem entre si, em primeiro plano, pelo fato de refletirem a posição das entidades às quais aproveitam. Cada uma delas dará mais importância a determinadas atividades, por óbvio, que lhes são vitais, assim, esses modelos refletem os interesses daqueles que os criaram, sejam governos ou entidades privadas.
Os modelos em pauta são o modelo do governo do Reino Unido, elaborado pelo Department for Culture Media and Sport - DCMS, o modelo dos textos simbólicos elaborado por setores mais ligados à cultura, o modelo dos círculos concêntricos, muito ligado à produção cultural com enfoque na preservação da diversidade cultural, e o da Organização Mundial da Propriedade Intelectual – OMPI, este ligado, por óbvio, à produção de conteúdo protegido, que passamos a descrever:
-UK DCMS model. This model derives from the impetus in the late 1990s in the United Kingdom to reposition the British economy as an economy driven
1
BRITISH COUNCIL. op. cit., p.19. Tradução livre: (Em 2006, o governo britânico aprovou formalmente o termo 'economia criativa' para capturar este sentido de maior contribuição das indústrias criativas para a vida económica e social.)
by creativity and innovation in a globally competitive world. “Creative industries” are defined as those requiring creativity, skill and talent, with potential for wealth and job creation through the exploitation of their intellectual property (DCMS, 2001). Virtually all of the 13 industries included in the DCMS classification could be seen as “cultural” in the terms defined earlier; however, the Government of the United Kingdom has preferred to use the term “creative” industries to describe this grouping, apparently to sidestep possible high-culture connotations of the word “cultural”.
-Symbolic texts model. This model is typical of the approach to the cultural industries arising from the critical-cultural-studies tradition as it exists in Europe and especially the United Kingdom (Hesmondhalgh, 2002). This approach sees the “high” or “serious” arts as the province of the social and political establishment and therefore focuses attention instead on popular culture. The processes by which the culture of a society is formed and transmitted are portrayed in this model via the industrial production, dissemination and consumption of symbolic texts or messages, which are conveyed by means of various media such as film, broadcasting and the press.
-Concentric circles model. This model is based on the proposition that it is the cultural value of cultural goods that gives these industries their most distinguishing characteristic. Thus the more pronounced the cultural content of a particular good or service, the stronger is the claim for inclusion of the industry producing it (Throsby, 2001). The model asserts that creative ideas originate in the core creative arts in the form of sound, text and image and that these ideas and influences diffuse outwards through a series of layers or “concentric circles”, with the proportion of cultural to commercial content decreasing as one moves further outwards from the centre. This model has been the basis for classifying the creative industries in Europe in the recent study prepared for the European Commission (KEA European Affairs, 2006). -WIPO copyright model. This model is based on industries involved directly or indirectly in the creation, manufacture, production, broadcast and distribution of copyrighted works (World Intellectual Property Organization, 2003). The focus is thus on intellectual property as the embodiment of the creativity that has gone into the making of the goods and services included in the classification. A distinction is made between industries that actually produce the intellectual property and those that are necessary to convey the goods and services to the consumer. A further group of “partial” copyright industries comprises those where intellectual property is only a minor part of their operation.2 (grifos no original)
2
UNITED NATIONS – UNCTAD, 2010, op. cit., p. 6. Tradução livre; “Modelo do Reino Unido-DCMS. Este modelo deriva do impulso no final dos anos 1990, no Reino Unido, para reposicionar a economia britânica como economia impulsionada pela criatividade e inovação em um mundo globalmente competitivo. "Indústrias Criativas" são definidas como aquelas que exigem habilidade, criatividade e talento, com um potencial de riqueza e criação de emprego mediante a exploração de propriedade intelectual (DCMS, 2001). Praticamente todas as 13 indústrias incluídas na classificação do DCMS poderiam ser vistas como "culturais", nos termos definidos anteriormente, no entanto, o Governo do Reino Unido prefere usar a expresão "indústrias criativas" para descrever este grupo, aparentemente para contornar possíveis conotações da alta cultura da palavra "cultural". - Modelo dos textos
simbólicos. Este modelo é típico da abordagem para as indústrias culturais decorrentes da tradição
de estudos crítico-culturais, tal como existe na Europa e especialmente no Reino Unido (HESMONDHALGH, 2002). Esta abordagem vê a "alta cultura" ou "cultura séria" como a província do estabelecimento social e político e, portanto, centra sua atenção na cultura popular. Os processos pelos quais a cultura de uma sociedade é formada e transmitida são retratados neste modelo mediante a produção industrial, difusão e consumo de textos simbólicos ou mensagens, que são transmitidas por meio de várias mídias, como cinema, radiodifusão e da imprensa. – Modelo dos
círculos concêntricos. Este modelo baseia-se na tese de que é o valor cultural dos bens culturais que
dá a essas indústrias a sua característica mais marcante. Assim, quanto mais pronunciado o conteúdo cultural de um determinado bem ou serviço, mais forte é a reivindicação para a inclusão dela na produção indústrial (THROSBY, 2001). O modelo afirma que ideias criativas têm origem no
Cada modelos tem uma lista de atividades que, segundo sua concepção conceitual, compõem as Indústrias Criativas. Apresenta atividades em comum, mas diferem entre si em conteúdo e em método, conforme se observa da tabela3:
Modelo do Reino Unido
Modelo dos Textos simbólicos
Modelo dos circos concêntricos OMPI Modelo do copyright Publicidade Arquitetura Mercado da artee antiguidades Artesanato Design Moda Cinema evídeo Música Espectáculos Editoras Software A televisãoe o rádio Vídeose jogos de computador Coração das indústriasculturais Publicidade Filme Internet Música Editoras A televisãoeo rádio Vídeoe jogos de computador Periféricos das indústriasculturais Arte criativa
Atividades limite das indústriasculturais Electrónica de consumo Moda Software Sport
Coração das artescriativas
Literatura Música Espectáculos As artes visuais
Outronúcleo das indústriasculturais
Filmes
Museusebibliotecas
Indústriasculturais ampla
Serviços dePatrimónio Editoras
Gravação desom A televisãoe o rádio
Vídeoe jogos de computador
Indústriasrelacionadas
Publicidade Arquitetura Design Moda
Coração das indústrias de Copyright Publicidade Sociedades de gestão coletiva Cinema evídeo Música Espectáculos Editoras Software A televisão e o rádio Arte visuale artegráfica
Indústrias Interdependente de Copyright Material degravação em branco Electrónica de consumo Instrumentosmusicais Livro Fotocopiadoras, equipamentofotográfico Setores parciais de direitos autorais Arquitetura Vestuário,calçado Design Moda Artigos domésticos Brinquedos núcleo das artes criativas sob a forma de som, texto e imagem, e que essas ideias e influências difundem para o exterior por de uma série de camadas ou "círculos concêntricos", onde a proporção da diversidade cultural diminiu para o conteúdo comercial à medida que se move para fora, mais longe do centro. Este modelo é a base para a classificação das indústrias criativas na Europa, no recente estudo elaborado para a Comissão Europeia (KEA European Affairs, 2006). - Modelo dos direitos autorais - OMPI. Este modelo é baseado em indústrias ligadas direta ou indiretamente à criação, fabricação, produção, transmissão e distribuição de obras com direitos autorais (WORLD INTELLECTUAL PROPERTY ORGANIZATION, 2003). O foco é, portanto, na propriedade intelectual como a personificação da criatividade que tem ido para a confecção dos produtos e serviços incluídos na classificação. É feita uma distinção entre os setores que realmente produzem a propriedade intelectual e aqueles que são necessários para levar os produtos e serviços para o consumidor. Outro grupo de indústrias de Direitos Autorais compreende aqueles em que a Propriedade Intelectual é apenas uma pequena parte de sua operação.”
3
Podemos concluir que o primeiro deles não faz qualquer distinção entre suas atividades elencando-as todas juntas sem distinção. O segundo as dispõe em uma porção central, uma periférica e uma limítrofe e o terceiro modelo as divide em duas porções centrais, uma porção ampla e uma relacionada, sendo que o último deles reparte suas atividades entre centrais, interdependentes e parcialmente relacionadas.
A UNCTAD, na tentativa de um consenso, entende que as Indústrias Criativas são compostas de um amplo espectro de atividades criativas, desde as tradicionalmente conhecidas como arte, até atividades que envolvem muita tecnologia. Assim, para a Conferência:
‘Creative industries’ can be defined as the cycles of creation, production and distribution of goods and services that use creativity and intellectual capital as primary inputs. They comprise a set of knowledge-based activities that produce tangible goods and intangible intellectual or artistic services with creative content, economic value and market objectives.4
Esse é o conceito que prevalece e que, desde 2008, é utilizado pela ONU, ficando clara, portanto, a diferença entre Indústria Cultural e Indústria Criativa, sendo a primeira um conteúdo da segunda. Analisemos seus produtos.