fora)
Grupo B (famílias em que a mãe não trabalha
fora)
FAMÍLIA 1 A 1B
Conjugalidade Insatisfatória, sexualidade
comprometida, muita divergência
Conturbada, conflitos, histórico de separação Tempo de casados/ tempo de casados sem filhos 15 anos de casados 9 anos sem filhos
22 anos de casados 7 anos sem filhos
Realização pessoal da mulher
Frustração com o crescimento profissional Pouco realizada Lugar ocupado pelo filho na família
Primogênita e única filha. Lugar central na vida conjugal.
Segundo filho, “paciente identificado” da família, principal responsável pela reconciliação conjugal
Parentalidade Pai menos participativo, figura de maior autoridade; mãe próxima e mais flexível*
Pai mais participativo, mãe menos participativa. Educação pautada no diálogo
Modelo de família
Tradicional** Democrática
FAMÍLIA 2 A 2 B
Conjugalidade Insatisfatória, distancia afetiva Insatisfatória, distância afetiva
Tempo de casados/tempo de casados sem filhos
12 anos
3 anos sem filhos
13 anos
6 anos sem filhos
Realização pessoal da mulher
Frustração com o crescimento profissional.
Pouco realizada, sente a rotina cansativa e repetitiva
Lugar
ocupado pelo filho na família
Filha caçula Filho único, lugar central e de grande projeção narcísica dos pais
Parentalidade Mãe mais participativa, impõe autoridade, afetiva. Pai mais ausente, mais severo, com atitudes
compensatórias,
Mãe como figura materna e paterna. Pai sem autoridade. Pais
superprotetores.
Modelo de família
Tradicional Hierárquica
Conjugalidade Satisfatória Satisfatória Tempo de casados/tempo de casados sem filhos 9 anos de casados 3 anos sem filhos
8 anos de casados 1 ano sem filhos
Realização pessoal da mulher Realizada Realizada Lugar ocupado pelo filho na famíla
Filho único, lugar central, alto grau de investimento afetivo
Primogênita, muito investida de projeções narcísicas do casal
Parentalidade Mãe adequada, afetuosa. Pai muito participativo. Educação democrática.
Mãe superprotetora, flexível, muito afetuosa. Pai racional, figura de maior autoridade, menos participativo.
Modelo de família
Igualitário Predominantemente tradicional
_____________________________________
* Gostaríamos de pontuar que selecionamos as características mais preponderantes de cada família, com fins puramente didáticos.
** Os modelos de família tradicional, referem-se às famílias em que o homem não participa ou participa muito pouco das tarefas referentes à organização doméstica. Famílias consideradas hierárquicas, onde a tomada de decisões é prioritariamente de um dos cônjuges e por fim, democráticas, onde existe um equilíbrio maior entre a divisão de tarefas e tomada de decisões na família
A partir dos dados da entrevista com os casais, percebemos que dentro de nossa amostra o fator trabalho materno não configura um campo determinante para a satisfação conjugal e/ou realização pessoal da mulher. Entre os seis casais da pesquisa, quatro são considerados não plenamente realizados no casamento, entre estes dois fazem parte do grupo A e dois do grupo B.
A insatisfação conjugal parece estar diretamente relacionada à uma má distribuição das tarefas domésticas, desequilíbrio no nível de participação e comprometimento com os filhos. Outro fator implicado e que se mostrou relevante é a satisfação pessoal da mulher, na família 3 A e 3 B, onde se consideram plenamente realizadas, a relação conjugal também é satisfatória, o casal demonstra maior companheirismo nestas duas famílias. Não observamos relação entre o tempo de casados antes do primeiro filho e uma melhor parentalidade ou realização conjugal, embora dados da literatura apontem que um maior tempo de união pode favorecer o desenvolvimento da parentalidade (Gomes, 1998, Zanetti, 2011).
Outro aspecto observado é a relação entre realização pessoal da mulher com o lugar ocupado pelo filho. Percebemos que nas famílias onde a mãe não é considerada realizada (1 A, 2 A, 1, 2 B) os filhos parecem ocupar o lugar central de suas vidas, preenchendo o vazio da falta de realização pessoal. Apenas na família 1 B, onde a mãe não está plenamente realizada, o filho não detém este lugar de destaque, porém, Hugo parece ser o grande responsável pela união do casal após a separação de um ano.
A questão da autoridade de cada um dos pais demonstrou ter alguma relação com o trabalho da mulher, e mais ainda, sobre a divisão de tarefas e o modelo de família adotado. No grupo A, o pai parece ser a figura com maior autoridade, cujos filhos respeitam mais do que em relação a mãe. Apenas na família 3 A essa relação não está tão nítida. Já no grupo B não foi possível estabelecer relação entre o fato da mãe não trabalhar fora com a relação de autoridade, formando um todo heterogêneo. Na família 1 B, não parece haver diferença clara sobre quem ocupa o topo da hierarquia, já na família 2 B a mãe é a figura de maior
autoridade, enquanto a postura de autoridade do pai é praticamente nula. Na família 3 B, está bem demarcada a posição de maior autoridade do pai, reproduzindo mais claramente o modelo de família tradicional.
Sobre a participação na vida do filho, notamos que em cinco, das seis famílias quem participa mais é a mãe, com exceção da família 3 A. Em termos de relação afetiva a figura
feminina se sobressai, embora os pais sejam afetuosos, o são em menor medida se
comparados com a mãe, como acontece na família 1 A. Apenas na família 3 A parece existir um equilíbrio entre o pai e a mãe nesse sentido. Na família 2 B e 3 B o pai é pouco afetuoso e mais resguardado. Na família 1 B parece haver um equilíbrio, porém os pais são menos afetivos em relação aos outros pais entrevistados.
A partir desse apanhado geral sobre algumas categorias de análise que surgiram nas entrevistas, passamos agora para a análise comparativa entre os desenhos das crianças do Grupo A e do Grupo B.
O quadro a seguir enfatiza apenas os elementos de análise mais significativos, não comporta todos os critérios utilizados na análise individual, pois o intuito é facilitar a visualização comparativa e poder traçar uma linha de interpretação a partir dela.
UMA FAMÍLIA QUALQUER