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1. BÖLÜM

2.3. Etkinlik Ölçme Yöntemleri

A segunda parte do capítulo que trata das mudanças curriculares versa sobre as alterações provocadas na residência em medicina. A primeira grande mudança é aquela trazida pelo parágrafo único do artigo 5º da Lei nº 12.871 de 2013, a qual afirma que até 31 de dezembro de 2018 os programas de residência médica deverão ofertar, anualmente, vagas equivalentes ao número de egressos dos cursos de graduação em medicina no curso superior.

Como se vê, esta alteração importa na universalidade da residência médica, fazendo com que o Estado assuma um papel destinado a coordenação dos médicos especialistas, antes atribuído as associações privadas.512

Essa mudança trouxe polêmicas entre as entidades médicas e o Estado. No Fórum de Integração do Médico Jovem do Conselho Federal de Medicina, realizado em abril de 2015, questionou-se, perante o representante do Conselho Nacional de Residência Médica, o caos que teria sido gerado pela medida, pois nenhum hospital brasileiro terá residentes de primeiro ano, que levaria prejuízo à população513.

Além do mais, o Conselho Federal de Medicina (CFM) tem alegado ainda que as mudanças na residência médica caracterizariam uma interferência indevida, obrigando o profissional a se especializar em determinada área contra a sua vontade. Também sustenta que a ausência de profissionais no SUS não seria resolvida com a formação de generalistas, mas com a melhoria das condições de trabalho dos médicos perante o sistema público de saúde514.

512 PINTO, H. et. al. O Programa Mais Médicos e o fortalecimento da Atenção Básica. Revista Divulgação em

saúde para debate. Rio de Janeiro, n. 51, ou. 2014, p. 113.

513 ACADEMIA MÉDICA. Como fica a Residência Médica nos próximos 4 anos? Disponível em:

<http://academiamedica.com.br/como-fica-a-residencia-medica-nos-proximos-4-anos/>. Acesso em: 21 nov. 2015.

514 GOVERNO quer mudar residência médica: especialistas discordam. Febrasgo, 29 abr. 2013. Disponível em:

Do ponto de vista formal, não há nenhuma inconstitucionalidade deste ato da União Federal. Como demonstrado no tópico anterior, é de competência da União legislar sobre as diretrizes e bases da educação e organizar o sistema federal de ensino.

Todavia, do ponto de vista curricular, a ampliação de vagas na residência equivalente ao número de egressos nos cursos de graduação em medicina deverá ser vista com parcimônia. Ora, isso significa que para cada médico formado haverá automaticamente uma vaga disponível para cursar a residência médica.

Com efeito, é público e notório que as residências médicas, nos termos do artigo 2º da Lei nº. 6932 e da Resolução CNRM nº 4 de 2007 realizam um processo de seleção para que os seus candidatos possam ocupar essas vagas. Da mesma maneira, é de conhecimento geral o rigor destes processos seletivos onde, dentre uma série de candidatos, apenas alguns são aprovados.

Contudo, diante da regra estabelecida pelo artigo 5º da Lei nº. 12.871 de 2013 há efetivamente que se questionar qual será a qualificação dos candidatos que irão ingressar nas residências médicas. Como dito acima, o Estado deverá buscar, nos termos do artigo 174 da Constituição promover incentivos, fiscalização e planejamento para ampliar a quantidade de profissionais no país, com o objetivo de garantir a saúde para a população.

Entretanto, muito embora a liberdade no exercício das profissões e a livre iniciativa não possam constituir obstáculo a esta tarefa, o Estado não poderá colocar em risco a qualificação da profissão médica em si, sob pena de violação ao artigo 5º, inciso XIII da Constituição e, consequentemente, ao princípio da legalidade (artigo 5º, inciso II da Constituição).

Não existem ainda dados efetivos sobre eventuais prejuízos em relação à residência médica, é verdade, mas diante das considerações acima, é importante um maior debate entre o Estado e as entidades médicas para fins de adequação do artigo 5º da Lei nº. 12.871, se for o caso.

Ultrapassadas essas considerações, é preciso apontar que nem todos os programas de residência serão considerados para o cumprimento desta meta. O artigo 6º deixa claro que as modalidades a serem consideradas deverão ser as de: i) Programas de Residência em Medicina Geral de Família e Comunidade; e ii) Programas de Residência Médica de acesso direto, nas seguintes especialidades: a) genética médica; b) medicina do tráfego; c) medicina do trabalho; d) medicina esportiva; e) medicina física e reabilitação; f) medicina legal; g) medicina nuclear; h) patologia; e i) radioterapia.

O Programa de Residência em Medicina Geral de Família e Comunidade terá duração mínima de 2 (dois) anos e deverá contemplar especificidades do Sistema Único de Saúde, como as atuações na área de: a) urgência e emergência; b) atenção domiciliar; c) saúde mental; d) educação popular em saúde; e) saúde coletiva; e f) clínica geral integral em todos os ciclos de vida.

Quando alcançada a meta até 31 de dezembro de 2018, e os programas de residência médica ofertarem, anualmente, vagas equivalentes ao número de egressos dos cursos de graduação em medicina, o primeiro ano do Programa de Residência em Medicina Geral de Família e Comunidade será obrigatório para o ingresso nos seguintes programas de residência médica: i) medicina interna (clínica médica); ii) pediatria; iii) ginecologia e obstetrícia; iv) cirurgia geral; v) psiquiatria; e vi) medicina preventiva e social.

Como se vê, a idéia é a preparação do profissional especializado para cuidar da maioria das necessidades de saúde das pessoas e dos grupos em seu contexto de vida, além de desenvolver a competência para atuar dentro do sistema público de saúde.515

Cumpre salientar que as atividades de residência médica também serão realizadas sob acompanhamento acadêmico e técnico, e que serão submetidas ainda à auditoria nos processos avaliativos do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES).

Ademais, poderá haver complementação financeira a ser estabelecida e custeada pelos Ministérios da Saúde e da Educação para as bolsas de residência em Medicina Geral de Família e Comunidade. Será realizada também, nos mesmos moldes dos cursos de medicina, uma avaliação específica anual das residências, a cada 2 (dois) anos, pelo CNRM, a qual será implementada também pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), no âmbito do sistema federal de ensino.

Por derradeiro, o artigo 35 afirma que as entidades ou as associações médicas que, até a data de publicação da Lei nº 12.871, ofertarem cursos de especialização não caracterizados como residência médica, encaminharão as relações de registros de títulos de especialistas para o Ministério da Saúde.

Benzer Belgeler