5. BULGULAR VE YORUM
5.5. Eserin Türkçe Öğretim Ġlke, Yöntem ve Teknikleri Açısından Durumu ve
5.5.3. Türkçe Derslerinde Kullanılabilecek Teknik ve Taktikler
5.5.3.7. Anlamlandırarak, Kodlayarak Öğrenme Teknikleri
Art. 4o-A A alienação antecipada para preservação de valor de bens sob
constrição será decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou por solicitação da parte interessada, mediante petição autônoma, que será autuada em apartado e cujos autos terão tramitação em separado em relação ao processo principal.
§ 1o O requerimento de alienação deverá conter a relação de todos os de-
mais bens, com a descrição e a especificação de cada um deles, e informa- ções sobre quem os detém e local onde se encontram.
§ 2o O juiz determinará a avaliação dos bens, nos autos apartados, e inti- mará o Ministério Público.
§ 3o Feita a avaliação e dirimidas eventuais divergências sobre o respectivo laudo, o juiz, por sentença, homologará o valor atribuído aos bens e deter- minará sejam alienados em leilão ou pregão, preferencialmente eletrônico, por valor não inferior a 75% (setenta e cinco por cento) da avaliação. § 4o Realizado o leilão, a quantia apurada será depositada em conta judicial remunerada, adotando-se a seguinte disciplina:
I - nos processos de competência da Justiça Federal e da Justiça do Distrito Federal:
a) os depósitos serão efetuados na Caixa Econômica Federal ou em institu- ição financeira pública, mediante documento adequado para essa finalida- de;
b) os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal ou por ou- tra instituição financeira pública para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no prazo de 24 (vinte e qua- tro) horas; e
300 OLIVEIRA, Eugênio Pacelli de. Curso de processo penal. 17. ed. revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Atlas, 2013, p. 319;
c) os valores devolvidos pela Caixa Econômica Federal ou por instituição fi- nanceira pública serão debitados à Conta Única do Tesouro Nacional, em subconta de restituição;
II - nos processos de competência da Justiça dos Estados:
a) os depósitos serão efetuados em instituição financeira designada em lei, preferencialmente pública, de cada Estado ou, na sua ausência, em institui- ção financeira pública da União;
b) os depósitos serão repassados para a conta única de cada Estado, na forma da respectiva legislação.
§ 5o Mediante ordem da autoridade judicial, o valor do depósito, após o trânsito em julgado da sentença proferida na ação penal, será:
I - em caso de sentença condenatória, nos processos de competência da Justiça Federal e da Justiça do Distrito Federal, incorporado definitivamente ao patrimônio da União, e, nos processos de competência da Justiça Esta- dual, incorporado ao patrimônio do Estado respectivo;
II - em caso de sentença absolutória extintiva de punibilidade, colocado à disposição do réu pela instituição financeira, acrescido da remuneração da conta judicial.
§ 6o A instituição financeira depositária manterá controle dos valores depo- sitados ou devolvidos.
§ 7o Serão deduzidos da quantia apurada no leilão todos os tributos e mul-
tas incidentes sobre o bem alienado, sem prejuízo de iniciativas que, no âmbito da competência de cada ente da Federação, venham a desonerar bens sob constrição judicial daqueles ônus.
§ 8o Feito o depósito a que se refere o § 4o deste artigo, os autos da alie-
nação serão apensados aos do processo principal.
§ 9o Terão apenas efeito devolutivo os recursos interpostos contra as deci- sões proferidas no curso do procedimento previsto neste artigo.
§ 10. Sobrevindo o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, o juiz decretará, em favor, conforme o caso, da União ou do Estado:
I - a perda dos valores depositados na conta remunerada e da fiança; II - a perda dos bens não alienados antecipadamente e daqueles aos quais não foi dada destinação prévia; e
III - a perda dos bens não reclamados no prazo de 90 (noventa) dias após o trânsito em julgado da sentença condenatória, ressalvado o direito de lesa- do ou terceiro de boa-fé.
§ 11. Os bens a que se referem os incisos II e III do § 10 deste artigo serão adjudicados ou levados a leilão, depositando-se o saldo na conta única do respectivo ente.
§ 12. O juiz determinará ao registro público competente que emita docu- mento de habilitação à circulação e utilização dos bens colocados sob o uso e custódia das entidades a que se refere o caput deste artigo.
§ 13. Os recursos decorrentes da alienação antecipada de bens, direitos e valores oriundos do crime de tráfico ilícito de drogas e que tenham sido ob- jeto de dissimulação e ocultação nos termos desta Lei permanecem subme- tidos à disciplina definida em lei específica.
Conforme o salientado, vimos que a alienação antecipada consiste na ven-
da301 dos bens do acusado de lavagem por meio de leilão público, depositando-se
seu resultado em conta remunerada aos cuidados da Justiça, liberando-se ao acu- sado em caso de absolvição, ou declarando-se o perdimento ou confisco, quando prolatada sentença penal condenatória.
301 Grifamos o termo, pois em se tratando de medida de desfazimento dos bens do acusado, como meio de proteção, não se admitirá em momento algum a cessão gratuita dos bens, razão pela qual o valor, acaso o acusado seja absolvido, deverá ser ressarcido, acrescido de juros e mora;
Com base no caput do artigo 4o-A da Lei de Lavagem, vislumbra-se pela sua exegese que a alienação antecipada será precedida de requerimento escrito, autua- do em apartado ao feito principal, tramitando de maneira independente deste. A legi- timidade é do Ministério Público, ou da “parte interessada”, como preconiza a reda- ção do artigo. Mas qual será a parte interessada? Entendemos que cabe a terceiro afetado por medida constritiva, ou seja, o terceiro cujo bem estava no nome, ao o- fendido que requereu a decretação da medida assecuratória e ao próprio acusado. Esposa-se o entendimento de que o acusado poderá requerer a alienação antecipa- da dos bens visando a preservação de seu patrimônio, verificando-se a hipótese de depreciação ou deterioração. Neste caso, a alienação antecipada servirá de medida protetiva ao próprio acusado. Explicam GUSTAVO HENRIQUE BADARÓ E PIER-
PAOLO CRUZ BOTTINI302 neste ínterim que:
Os longos anos de tramitação do processo, que normalmente se estenderá por períodos mais extensos pela natural complexidade da causa, fará com que, quando a sentença transitar em julgado, o valor do bem seja muito pe- queno. [...] Já se estiver alienado antecipadamente, o valor estará preserva- do, tendo sido depositado em instituição financeira, e acrescido de remune- ração da conta judicial.
FAUSTO MARTIN DE SANCTIS303 complementa nesse sentido apontando que:
Tal medida deve ser tomada com cautela, porquanto impõe-se avaliar o me- lhor momento para a sua realização, mediante constatação judicial (pesso- almente ou por informações devidamente certificadas nos autos), não se podendo descuidar do interesse do acusado. Este, certamente, preferirá re- ceber, em sendo absolvido, os valores decorrentes do leilão judicial ao tér- mino de seu processo criminal, que pode levar anos, ao invés de obter o bem em estágio terminal.
Outrossim, a lei ainda prevê a hipótese da alienação antecipada ser decre- tada de ofício. Neste caso em específico, entendemos haver incongruência na medi- da pois se o Magistrado mesmo apresentar a proposta de alienação antecipada, cer- tamente já se formará um juízo prévio da necessidade, de maneira que independen- temente do que se alegue em contrário, dificilmente se modificará o livre convenci- mento do magistrado à respeito da alienação antecipada. Por tais razões, infirme-se que seria necessário que o Magistrado se mantenha equidistante, se limitando a a- tuar quando provocado.
302 BADARÓ, Gustavo Henrique; BOTINI, Pierpaolo Cruz. Lavagem de dinheiro: aspectos penais e processuais penais. Co- mentários à lei 9.613/98 com as alterações da Lei 12.683/12. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 329;
303 SANCTIS, Fausto Martin de. Crime organizado e lavagem de dinheiro: destinação de bens apreendidos, delação premiada e responsabilidade social. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 81;
Quanto ao momento de requerimento e decretação, de maneira difusa à Lei n. 11.343/06, a Lei de Lavagem de Capitais não estabelece um determinado mo- mento em que a alienação antecipada poderá ser requerida e decretada, apenas deixando a certeza de que será posterior à efetivação da medida assecuratória, pelo que se extraí da lógica e da exegese de seus dispositivos. Seria melhor, ao nosso ver, se houvesse a previsão legal, como ocorre no artigo 62, §4o, da Lei n. 11.343/06, em que: “Após a instauração da competente ação penal [...]”, contudo, a
aplicação da medida segue apenas a lógica, sendo que caberá no curso do proces- so àquelas medidas assecuratórias cabíveis apenas no processo, como a especiali- zação da hipoteca, podendo ser decretada em sede de inquérito policial apenas quando a medida assecuratória puder ser decretada no âmbito do inquérito policial. No entanto, pactuamos do entendimento esposado por GUSTAVO HENRIQUE BA-
DARÓ e PIERPAOLO CRUZ BOTTINI304, quando escrevem que:
Via de regra, não se deve admitir uma medida tão gravosa e irreversível, antes sequer de haver denúncia oferecida. Se não há nem mesmo justa causa para a ação penal – se houvesse, certamente já haveria denúncia – como admitir que possam ser alienados antecipadamente, os bens dos in- vestigados? Mais do que isso, no caso do sequestro e do arresto subsidiá- rio, se tais medidas forem tomadas no curso do inquérito, sua eficácia esta- rá temporalmente limitada, e cessará caso a denúncia não seja oferecida: em 60 dias, no caso do sequestro (art. 131, I, do CPP), e, em 15 dias, no caso do arresto subsidiário (art. 136 do CPP). Por tudo isso, não é de se admitir a alienação antecipada no curso do inquérito.
Por esse motivo é que se adverte para a utilização moderada do instituto, pois o arbítrio, neste caso, pode incorrer em prejuízo ao acusado, que deverá ser reparado pelo Poder Público, uma vez que não se verifica a justa causa sequer para a instauração de ação penal.
Em sequência, o §1o, do artigo 4o-A, define o conteúdo necessário do reque- rimento de alienação antecipada, impondo que “O requerimento de alienação deverá conter a relação de todos os demais bens, com a descrição e a especificação de ca- da um deles, e informações sobre quem os detém e local onde se encontram”.
Aqui, verificamos uma impropriedade na redação, pois somente devem ser identificados os bens que serão objetos da alienação antecipada. Por vezes, nem todos os bens constritos serão objetos de alienação, mas como indicado pelo §1o,
304 BADARÓ, Gustavo Henrique; BOTINI, Pierpaolo Cruz. Lavagem de dinheiro: aspectos penais e processuais penais. Co- mentários à lei 9.613/98 com as alterações da Lei 12.683/12. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 330;
do artigo 4o da Lei n. 9.613/98, somente os bens passíveis de deterioração ou de- preciação, além daqueles quais recaem a alegação de difícil manutenção, deverão ser individualizados, não havendo a necessidade de, se não requerida a alienação de determinado bem, que este seja individualizado.
Feita esta observação, esclareça-se que essa individualização dos bens se faz necessária para que não ocorram equívocos no tocante ao objeto da alienação antecipada. Não basta a indicação genérica ou de referência ao auto de busca e a- preensão, sequestro, etc. Deverá indicar, com detalhes, todas as características e nuances, como nos veículos, por exemplo, deverá conter a marca do fabricante, modelo, ano de fabricação e de modelo, placas, cor, chassis, numeração do motor, além do local onde está apreendido, ou, em caso de depósito a identificação e ende- reço do depositário; no caso de bens imóveis, deverá conter o endereço completo, número de matrícula, o cartório onde está registrada, a identificação do proprietário, etc.
Após o requerimento de alienação, o §2o determina que seja realizada a avaliação dos bens, intimando-se o Ministério Público. Verificamos neste parágrafo, outra impropriedade do legislador, pois deve ser intimada também a parte interessa- da, ou ainda, o próprio acusado, dando-lhe a oportunidade de se insurgir contra a alienação antecipada ou contra a avaliação dos bens formulada, acaso seja interes- sado.
Estamos falando aqui de devido processo legal, do qual coloca como corolá- rio o contraditório e a amplitude de defesa, não havendo de se cogitar que o proce- dimento de alienação corra inaudita altera pars, sob pena de se macular direito fun- damental do acusado de manifestar-se sobre questão que envolva seus bens, sua propriedade.
Tal medida ainda torna mais absurda a questão, quando se verifica, como dito anteriormente, que o requerimento pode ser realizado por iniciativa do próprio acusado. Neste caso, em específico, após realizada a avaliação dos bens, não se dará vistas ao próprio acusado? Evidentemente que deve ser concedida a oportuni- dade de manifestar-se, pois sendo esta hipótese considerada como uma medida protetiva, seria ilógico não se conceder a oportunidade à defesa da manifestação
prévia.
Por certo, poderá haver divergência no valor dos bens neste caso, devendo a parte que fizer a alegação demonstrar sua irresignação contra o valor, modo de avaliação, quantidade, qualidade, etc. Devendo estas questões serem dirimidas nes- te momento do procedimento, antes de se determinar a alienação dos bens. Neste caso, poderá ser determinado nova avaliação ou a correção da avaliação realizada, de acordo com a necessidade verificada no caso em concreto.
Feito isso, como preconiza o §3o, do artigo 4o-A, após realizada a avaliação dos bens e dirimidas as questões atinentes ao respectivo laudo, o juiz prolatará sen- tença, homologando o valor atribuído aos bens e determinará que estes bens sejam alienados em leilão ou pregão, preferencialmente eletrônico, por valor não inferior a 75% (setenta e cinco por cento) da avaliação. Com relação à esta disposição, apre- senta a regra da Lei de Lavagem de Capitais um limiar distinto da regra geral, onde se admite a venda em leilão por valor não inferior a 80% (oitenta por cento) do valor de avaliação (artigo 144-A, §2o, do Código de Processo Penal). Em se tratando de norma mais benéfica, entendemos que neste caso, deverá ser observada a regra geral, pois dependendo do valor do bem (como nos casos de bem de luxo) a dife- rença de 5% (cinco por cento) pode implicar em uma grande soma de valores.
O §4o, do artigo 4o-A, esclarece a destinação dos valores arrecadados no leilão, que divergirá de acordo com a competência do processo de Lavagem de Ca- pitais.
Nos casos onde a competência incidir sobre a Justiça Federal e da Justiça do Distrito Federal, o valor será depositado obrigatoriamente na Caixa Econômica Federal (inciso I), que em 24 (vinte e quatro) horas deverá repassar os valores para a Conta Única do Tesouro Nacional305, independentemente de qualquer formalidade. Desta Conta Única do Tesouro Nacional também será debitado os valores em caso e levantamento pelo acusado. Nos casos onde a competência será da Justiça Esta- dual, os depósitos serão realizados em instituição financeira, preferencialmente pú-
305 A Conta Única do Tesouro Nacional, segundo o Manual do Sistema Integrado de Atuação Financeira – SIAFI, é uma conta mantida no Banco Central do Brasil utilizada para registrar a movimentação dos recursos financeiros de responsabilidade dos Órgãos e Entidades da Administração Pública e das pessoas jurídicas de direito provado que façam uso do SIAFI por meio de termo de cooperação técnica firmado com a Secretaria do Tesouro Nacional. Esta conta fôra instituída para reduzir a pressão sobre a caixa do Tesouro Nacional e agilizar os processos de transferência e descentralização financeira, além d agilizar os pagamentos a terceiros. Fonte: <http://manualsiafi.tesouro.fazenda.gov.br/020000/020300/020305>. Acessado em 15.07.2013;
blica, prevista em lei para tal finalidade, em cada Estado, sendo que, na inexistência, serão depositados em instituição financeira pública vinculada à União, sendo o valor depositado repassado às contas mantidas por cada Estado para esta finalidade. A- ponte-se, outrossim, que a teor do §6º, do artigo 4º-A, a instituição financeira deposi- tária deverá manter o controle dos valores depositados e devolvidos.
Com relação aos efeitos da sentença penal transitada em julgado, os depó- sitos realizados serão, nos casos de sentença penal condenatória, incorporados ao patrimônio do Estado ou da União. Difusamente do previsto no Parágrafo Único do artigo 133 do Código de Processo Penal, alterado pela Lei n. 12.694/12, a Lei de La- vagem de Capitais nada abarca sobre a hipótese de direito do ofendido, apenas pre- vendo que os valores depositados serão incorporados aos patrimônios públicos. Me- rece crítica neste sentido o dispositivo, pois não se pode elidir ou suprimir o direito do ofendido, quer seja da lavagem de capitais, quer seja da infração antecedente, ou ainda do terceiro interessado, real possuidor ou aquele que, de boa-fé, teve seu di- reito de propriedade atingido pelas medidas assecuratórias. Neste caso, por se tratar de mais benéfica, deve ser aplicada a regra geral do Código de Processo Penal, pa- ra qual: “Do dinheiro apurado, será recolhido ao Tesouro Nacional, o que não cou- ber ao lesado ou a terceiro de boa-fé” (grifo nosso). Nesta hipótese, como se viu e
como se vê, deve, antes do Estado, ser assegurado o Direito do ofendido ou de ter- ceiro lesado, interpretando-se a regra por aquela que melhor se adéqua ao cumpri- mento do princípio do devido processo legal.
Doravante, absolvido o acusado, ou extinta sua punibilidade, os valores ar- recadados serão colocados à sua disposição, acrescidos da remuneração da conta judicial. Desta questão, surgem duas indagações das quais repercutem diretamente sobre o direito de indenização. A primeira, diz respeito ao valor arrecadado com o bem. Como visto anteriormente, o bem poderá ser vendido por leilão ou pregão, por até 75% (setenta e cinco por cento) do valor da avaliação, Neste caso, absolvido, o acusado teria direito à integralidade do valor do bem, além da remuneração da conta judicial?
Neste primeiro caso, entendemos que sim, pois o acusado fôra absolvido da imputação que lhe era dirigida, sendo que seu status de inocente convolou-se da presunção de inocência para a realidade. Assim, seus bens deveriam retornar ao
status quo ante, ao que se não houvesse a alienação antecipada de seus bens, re-
ceberia a integralidades destes. Todavia, se vendido o bem em leilão por 75% (se- tenta e cinco por cento) do valor auferido na avaliação judicial, em determinados ca- sos, em especial nos casos de bens de luxo, os 25% (vinte e cinco por cento) pode- riam implicar em grande soma de dinheiro, da qual nem sempre a remuneração da conta judicial poderia suprir306.
Exemplificamos no caso da hipoteca legal incidida sobre uma embarcação de luxo no valor aproximado de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais). Os 25% (vinte e cinco por cento) faltantes corresponderiam à soma exata de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), valor considerável, do qual o rendimento da con- ta judicial não atingiria em muitos dos casos, se considerarmos a taxa de juros da poupança, ou mesmo que se queira considerar outra maneira de remuneração mais onerosa, como a Tabela Price.
Portanto, neste caso, entendemos que plenamente passível de indenização por danos materiais ao acusado que fôra absolvido307 em relação ao valor do bem alienado e restituído.
Outra questão repercute de maneira direta sobre a alienação antecipada de bens de valor sentimental ao acusado. Neste caso, alienado o bem, e, posteriormen- te, absolvido o acusado e transitada em julgado a sentença, teria direito este à inde- nização?
Da mesma maneira, entendemos que seria passível de indenização, pois como no primeiro caso, a absolvição deveria tornar os bens ao status quo ante. Co- mo o bem foi alienado, torna-se impossível sua restituição. Se havia um valor senti- mental, este deve ser ressarcido pelo Estado quando absolvido o acusado. Exempli- ficando, pondere-se que em determinado processo de lavagem de capitais foi decre-
306 Conforme preceitua o artigo 37 da Constituição da República: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...] § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.”;
307 Há entendimento jurisprudencial onde a absolvição por falta de provas (artigo 386, VII, do Código de Processo Penal) não gera direito à indenização por danos porque não fôra comprovada a ilicitude da medida. A este teor: CIVIL. DANOS MATERI- AIS E MORAIS. INDENIZAÇÃO. ABSOLVIÇÃO CRIMINAL POR INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. RESPONSABILIDADE ESTA- TAL. INCABIMENTO. - Incabível o pagamento de indenização a quem é processado criminalmente e, posteriormente, absol- vido por insuficiência de provas, se não restar comprovada ilicitude na ação penal. - Apelação improvida (TRF 5ª Região – Relator Desembargador Marcelo Navarro – Apelação civil n. 2005.81.00.000116-2 – DJ. 02.10.2007 - Página: 579 - Nº: 190 - Ano: 2007);
tada busca e apreensão de joias de família, e alegada sua deterioração, sejam alie- nadas antecipadamente. Absolvido o acusado, estas joias não mais seriam restituí-