2. KURAMSAL BİLGİLER VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.2. İlgili Araştırmalar
2.2.2. Fiziksel Ortam Konusunda Yurt Dışında Yapılmış İlgili Araştırmalar
Ainda analisando as características da imagem, Sartre considerou a relação que esta mantinha com os movimentos, mais precisamente se os movimentos de nosso corpo poderiam influenciar na constituição da imagem. Descobriu que algumas pessoas guardavam na memória a imagem de figuras que reproduziam com movimentos das mãos para esboçar a cópia dos contornos ou quando seguiam os traços com movimentos oculares. No entanto, no empenho de reproduzir um desenho, as pessoas não observavam detalhes, e sim a imagem como um todo, o que acabava deformando drasticamente o desenho. Sartre também constatou que algumas observações mnemotécnicas (como contar as linhas), registravam movimentos ou se reduziam a regras que tomavam estes movimentos, esboçados ou completamente realizados, como a base para a imagem quando a consciência imaginante dessa figura se formava. Sartre questionava: como estes movimentos poderiam ―servir de matéria para uma consciência imaginante que visa um objeto fornecido por percepções visuais?‖ (SARTRE, 1996, p.105).
54 Como não nos damos conta desses movimentos e da relação muscular com a qual mantém relações, Sartre usa o exemplo de uma figura que podemos olhar quando nosso indicador escreve algo no ar. Por exemplo, quando fazemos um 8 com o indicador,
(...) a consciência que apreende esse movimento tem estrutura imaginante e não perceptiva (normalmente, a apreensão não visual do movimento se dá sempre por uma consciência imaginante). Ou ainda, o ir e vir com o olhar, o movimento de vaivém com a cabeça, podem ser ocasiões para produção de consciências imaginantes: um movimento qualquer pode funcionar como suporte, como representante de um objeto irreal (MOUTINHO, 1995, p. 42).
Na verdade, essas curvas por onde nosso o indicador passa costumam ser descritas como uma espécie de rastro que não é dado por meio desta suposta posição concreta, porque a trajetória do dedo subsiste onde ele não está mais. Husserl descreveu intencionalidades particulares como um agora vivo e concreto que se dirige ao passado imediato para retê-lo e captá-lo como um futuro imediato. Ele as denomina como
(...) retenções e protensões. Essa retenção, que constitui por si só a continuidade do movimento, não é em si mesma uma imagem. É uma intenção vazia que se dirige à fase do movimento que acaba de desaparecer; em linguagem psicológica, diríamos que é um saber centrado na sensação visual presente e que faz esse agora aparecer como sendo também um depois de uma certa qualidade, um depois que não segue uma sensação qualquer, mas precisamente aquela sensação que acaba de desvanecer. A protensão, por sua vez, é uma espera, e essa espera produz a mesma sensação como sendo um antes (SARTRE, 1996, p.106. Apud, Husserl, Lições fenomenológicas sobre a consciência
interna do tempo).
Esperamos uma sensação visual a partir dessa posição definida por um movimento do indicador. Assim, a retenção e a protensão são os atos sintéticos sem os quais não formaríamos o sentido da impressão visual. Ademais, esse antes e esse depois não se dão como formas vazias e sim como relações concretas e individuais, correlativos de tais atos e sustentados pela sensação atual que precedem e dão seqüência a estes atos. A retenção e a protensão visam as impressões e são consideradas a título de simplificação. Como é consciência de alguma coisa, visa os objetos constituídos por meio dessas impressões, ou melhor, é a trajetória que se dá como o caminho que percorremos com o dedo. Essa trajetória apresenta-se como se fosse um rastro que teria o efeito produzido pela persistência de impressões sobre a retina.
Quanto à impressão concreta, como o movimento de nossos braços, este não pode indicar uma imagem e não se dá como tal, mas apenas como alguma intenção que é apreendida com um caráter de presença, mas continua sendo um saber degradado, cujo sentido e valor são extraídos de nossas intenções. Este alcance só é possível porque não recebemos ou esperamos apenas os elementos concretos das impressões. Nós prolongamos no futuro uma intenção que passa a ocupar o lugar de uma impressão que não a transforma em uma sensação visual, apenas lhe acrescenta um sentido visual que funciona como um analogon quando consideramos esta
55 impressão visual como passado. Este saber retencional que cresce apesar do fim do movimento é o que nos permite visar a maior parte da trajetória visual. A sensação é o que lhe confere determinada realidade. Depois, desaparecendo a última impressão, um saber imaginante permanece como um rastro que desaparece igualmente por falta de sustentação. Contudo, a consciência desse preenchimento é dada como uma retenção global. Assim, o saber torna-se contemporâneo do movimento e este explica o saber quando o antecede. Em outras palavras, se no início a forma se dá como vazia e indiferenciada, pouco a pouco, o saber da protenção muda- se em retenção e ―torna-se mais claro e preciso; ao mesmo tempo, visa uma impressão concreta que acaba de surgir” (SARTRE, 1940, p. 109). A protenção se converte em retenção numa relação de equivalência e depois se inverte. Nesta classificação de saber, a sensação presente termina por dar uma direção ao movimento, pois se transforma em passado quando o conjunto do fenômeno torna-se irreversível.
Quando queremos produzir a imagem de um oito nossa intenção primeira envolve um saber imaginante indiferenciado do ‗oito‟, e este saber sobre um anel aparece como uma intenção imaginante vazia. Uma ligação sintética entre esse saber vazio do instante precedente cede lugar a uma parte do ‗oito‟ e o que era um saber imaginante torna-se retenção (arquivamento) que estabelecemos como passado e embora este sentido não se prolongue por muito tempo, sobrevive. A partir de uma protenção de anel lança-se para o futuro, captando o movimento descrito, que basta para fazer do saber puro imaginante sobre o anel, passamos a considerá-lo como ―existindo irrealmente além de meu movimento real e aquém‖ (SARTRE, 1996, p. 111). Se tomarmos esse movimento como real é porque operamos um movimento ao longo de um oito enquanto imagem. Ao contrário, se visássemos o oito como uma forma estática por meio do movimento, visualizaríamos irrealmente apenas essa forma sobre a impressão do movimento real.
Assim, podemos concluir que o movimento ―pode desempenhar o papel de analogon para uma consciência imaginante. É que, quando o movimento é dado por outro sentido que não o da vista, a consciência que o apreende tem uma estrutura imaginante e não perceptiva‖ (SARTRE, 1996, p. 112). Essa substituição analógica se dá ou por sucessão de impressões de movimentos corporais que funcionam como analogon para uma sucessão de impressões visuais ou como uma série de movimentos corporais que funcionam como uma trajetória que o móvel descreve. Neste caso, a série de movimentos funciona como substituto analógico de uma forma visual. Como analogon, basta uma fase breve de movimento para representar o movimento inteiro (uma contração leve dos músculos, por exemplo).
56 Acerca da afetividade e do movimento (a impressão de movimentos que nos remetem a protenções e retenções) também podemos concluir que ambos servem como matéria ou suporte analógico para a consciência imaginante. Na verdade, ambos os casos são transcendentes e assumem o mesmo emprego. Contudo, o substituto afetivo nos dá a natureza do objeto de forma plena e inexprimível enquanto que o substituto nos movimentos é exterior e por isso, nos faz apreender a forma do objeto como qualidade diferenciada. O movimento situa e indica uma direção que nos permite exteriorizar o objeto como imagem. Esses dois tipos de analogon podem existir ao mesmo tempo como correlativos de um mesmo ato da consciência.
Para Sartre, muitas considerações que tentaram relacionar representações motoras e o trabalho do pensamento mostraram-se bastante confusas porque misturavam processos intelectuais e emocionais. Por exemplo, movimentos com a cabeça ou nos maxilares como forma de assentimento se mostraram como fenômenos confusos porque as pessoas não eram capazes de esclarecer se tinham ―consciências de atitude ou atitudes de consciência‖ (SARTRE, 1996, p. 115). Aquém desse estado de confusão ou que Sartre considerou como indiscernível encontra-se os ―saberes imaginantes vazios que já são quase imagens, apreensões simbólicas do movimento. Quando um desses saberes se fixa por um instante num desses movimentos, então nasce a consciência imaginante‖ (ibidem).