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2. KURAMSAL BİLGİLER VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.1. Kuramsal Bilgiler

2.1.2. Erken Çocukluk Eğitim Yaklaşımlarına Göre Eğitim Ortamları

Sartre acredita que muitos autores confundiram signos com imagens e consideraram até mesmo a possibilidade de se falar sobre ‗imagens verbais‘, o que seria confuso e só teria sentido para a pessoa que o pensasse. Palavras não são imagens. Ouvir ou ver estes signos é diferente de ter a presença de um fenômeno físico enquanto imagem. O que a consciência do signo e a consciência da imagem possuem de comum é que visam um objeto através de outro, mas cada uma à sua maneira. O analogon funciona na consciência do signo para preencher o lugar de outro objeto e, assim, a consciência do signo pode muito bem ficar vazia. As palavras dirigem a consciência sobre certos objetos que permanecem ausentes. Por sua vez, na consciência da imagem, a consciência assume uma espécie de plenitude por ser ao mesmo tempo este nada e imagem. É desta maneira que esta ―distinção conserva todo seu alcance quando se trata da imagem mental e da linguagem interior‖ (SARTRE, 1996, p. 116).

Quando contemplamos um cavalo de carne e osso, ou quando produzimos uma imagem mental do cavalo, essa imagem será um signo para nossos pensamentos. Resta saber se as palavras não seriam suficientes para explicar esse signo. Diante da imagem mental, estamos

57 na presença do cavalo. Porém, é como uma procuração que constitui de uma só vez a presença deste cavalo como imagem e sua ausência em ‗carne e osso‟ que consideramos uma espécie de nada. Segundo Sartre, essa teoria da imagem signo, se considerarmos a imagem do cavalo mental como uma imagem reduzida que possui relação externa com o cavalo de ‗carne e osso‟, pode nos induzir à ilusão da imanência. Contudo, se admitimos que a relação entre o cavalo e sua imagem é uma relação interna, esta passa a ser uma espécie de possessão, pois ―através do analogon é o próprio cavalo que aparece à consciência‖ (ibidem). Esta presença da imagem nos permite tornar presente um objeto ausente. Portanto, a imagem não é um signo indisciplinado, apenas possui uma liberdade imensa, bem diferente do papel representativo do signo que comumente é atribuído à imagem na vida psíquica. A função de analogon na imagem mental e o signo verbal na consciência da palavra não possuem nada de semelhante e isso nos impede de identificar a consciência da palavra com a imagem. Sequer podemos falar de uma linguagem interior, ou de imagens verbais; palavras não são imagens e se pensamos nas letras que as compõem, as palavras deixam de desempenhar o papel de signo.

Numa imagem mental não lemos e, muitas vezes, quando a linguagem interior vem acompanhada de imagens auditivas ou visuais, estas ―teriam como missão presentificar as páginas de um livro ou a fisionomia global de uma palavra, de uma frase, etc.‖ (SARTRE, 1996, p. 117). Para explicar melhor, Sartre observa que a linguagem prolonga nosso pensamento. Quando falamos, tomamos conhecimento preciso do que pensamos. Isso faz com que um saber vago assuma a forma de proposição clara e nítida ao se transformar em palavras. Assim, cada momento da linguagem (interior e exterior) nos ensina alguma coisa porque torna nossos pensamentos mais definidos. Por sua vez, Sartre afirma que ―a imagem mental não nos ensina nada: é o princípio de quase-observação. Não se poderia admitir que de algum modo uma imagem dê precisão a nosso saber, pois é justamente o saber quem a constitui. Portanto, se a linguagem nos ensina alguma coisa, só pode ser por sua exterioridade‖ (ibidem).

Sartre afirma que podemos ler as frases de nosso pensamento, pois as frases e os sons possuem uma precisão e um mecanismo que independe de nossa consciência, o que não acontece com uma frase enquanto imagem, que se modifica com o saber. Sem essa resistência dada pela linguagem, o saber permanece indiferenciado. Assim, ―uma frase enquanto imagem nunca é uma frase completa, porque não é um fenômeno observável; e, reciprocamente, uma frase da linguagem dita ‗interior‘ não poderia ser uma imagem: um signo conserva sempre uma certa exterioridade‖ (ibidem). A imagem (mental ou não) é consciência plena e não faz parte de uma consciência mais vasta enquanto que a consciência do signo é vazia, cuja exterioridade não tem

58 analogon afetivo. A intencionalidade da significação não recai sobre o signo, mas através dele, visa outro objeto e estes se ligam por meio de uma relação externa. As palavras não são necessárias para a formação da consciência do signo, as quais podem, inclusive, desaparecer. Contudo, uma palavra associada a uma imagem, torna esta mais precisa e resistente, pois forma as articulações do saber que saem da indistinção primeira e busca através do analogon uma pluralidade de qualidades indiferenciadas. A tendência verbal que toda imagem possui se deve ao fato de que o saber se exprime por meio de palavras e depois a palavra se integra ao analogon quando se dá à consciência imaginante numa síntese do objeto transcendente. Se pensamos na lua, por exemplo, o fazemos porque produzimos a consciência imaginante da lua. A palavra cola- se à imagem, mas isso não quer dizer que funcione como analogon, porque mantém sua função de signo. A palavra é um representante, mas não da palavra real, lida ou entendida e sim da imagem que significa. Ao que se refere à palavra da linguagem interior, podemos dizer que ―não é uma imagem, é um objeto físico funcionando como signo. Aparecerá, portanto, como representante de uma qualidade da coisa‖ (SARTRE, 1996, p. 118).

Ao produzir uma consciência imaginante de um objeto, a palavra pode muito bem manifestar qualidades reais que nos permitem caracterizar e identificar tal objeto. Nesse caso, a palavra confere à imagem essa exterioridade e representa o núcleo central do analogon, como já podíamos prever a partir das análises sobre o papel que as palavras desempenham na leitura dos romances. Segundo Sartre, seria um estudo completo definir as relações entre a função de signo e função de representante que a palavra passa a ter. Portanto, se o sistema total da consciência imaginante e de seus objetos é o que chamamos de imagem, a palavra está dentro desse sistema e não se junta à imagem exteriormente.

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