II. BÖLÜM
4. Mehmet âkir ve Hilye-i A5ere-i Mübe55eresi
4.5. A ere-i Mübe ere’nin Devam ile Hz Hasan ve Hz Hüseyin Hilyelerinin
Os resultados desta pesquisa indicaram que as políticas públicas, a exemplo dos Recursos do Programa Bolsa Família por 1000 habitantes e Recursos do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil por 1000 habitantes ao serem alocados em municípios com IDH<0,697 representam uma diminuição na taxa de trabalho infantil. Já os recursos desses programas ao serem investidos em municípios com IDH>=0,697 não apresentam efeito na taxa de trabalho infantil.
O que de fato traz uma série de reflexões acerca das políticas públicas no Brasil, que vem vivenciando modificações quanto aos direitos dos seus cidadãos, a ampliação e a diversificação dos programas sociais trouxeram resultados expressivos para a população caracterizada por indicadores de vulnerabilidade. Ocorreu no país uma intensa mobilização
política para a construção de políticas públicas que expressassem o desenvolvimento social, a exemplo do PBF e do PETI. Os programas sociais, apresentam-se como importante mecanismo para a redução da miséria, que pode possibilitar uma melhoria da qualidade de vida das populações (BRASIL, 2011 b).
Nesta direção, pesquisa realizada por Campello e Neri (2013) que objetivam fazer uma trajetória histórica dos últimos 10 anos do PBF, concluiu que por meio dos mais diversos indicadores, que os objetivos do programa Bolsa Família foram alcançados e, na maioria dos casos, superados, possibilitando que as camadas mais vulneráveis da sociedade brasileira tenham melhoras expressivas em suas condições de vida e em suas perspectivas de futuro. Fato este que foi constatado na presente pesquisa, na medida em que as alocações de recursos do PBF nos munícipios mais vulneráveis ocasionaram uma diminuição na taxa de trabalho infantil.
Pesquisa realizada por Ferro, Kassouf e Levinson (2010) sobre os efeitos do Bolsa Escola na frequência à escola e na participação infanto-juvenil no mercado de trabalho mostram efetividade, tanto no primeiro como no segundo indicador. Os autores concluem que o programa incrementa a taxa de matrícula escolar das crianças entre 8 e 15 anos em 2,7, e reduz a participação destas crianças no mercado de trabalho em 3,2.
Acrescenta-se que a principal política pública do governo federal na perspectiva de enfrentamento e erradicação do trabalho infantil é o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI). Atualmente, está presente em mais de 3,5 mil municípios de todo o país e atende a mais de 800 mil crianças e adolescentes (REPÓRTER BRASIL, 2011).
A avaliação geral que é feita é a de que o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil teve um forte impacto na diminuição do trabalho (REPÓTER BRASIL, 2010), o que foi comprovado em nossa pesquisa na medida em que a alocação de recursos do PETI em municípios mais vulneráveis ocasiona uma diminuição na taxa de trabalho infantil, mas no atual contexto apresenta fortes limitações e precisa ser atualizado para eliminar as novas formas de trabalho.
Os programas de transferências condicionadas (PTCs), ou programas “com corresponsabilidade” têm se destacado como os principais processos da inovação no âmbito da política social latino-americana nos últimos quinze anos. Estes programas vêm se mostrando capazes de dar cobertura às populações historicamente excluídas de qualquer
benefício de proteção social, articulando diversas ações intersetoriais, particularmente no que diz respeito à educação, saúde e nutrição, com vistas a reduzir a pobreza a partir de uma visão multidimensional (CAMPELLO; NERI, 2013).
Eles têm sido também inovadores por apresentar um modelo de gestão diferente que adota mecanismos técnicos de seleção das famílias participantes, o que significa uma ruptura em relação aos mecanismos clientelistas tradicionais da política social latino-americana, contribuindo também para a modernização da política social mediante inovações tecnológicas, tais como a introdução dos cadastros de beneficiários e sistemas de gestão informatizados (CAMPELLO; NERI, 2013).
Apesar dos avanços nas políticas de distribuição de renda frente ao trabalho infantil, a literatura destaca que o Brasil possui altos índices históricos de concentração de renda e de desigualdade social e que no atual ciclo de crescimento econômico ainda não eliminou as desigualdades entre as diversas regiões e setores econômicos. A distribuição de renda ocorre em ritmo lento, o próprio impacto da integração dos programas PETI e Bolsa Família no trabalho infantil é limitado por problemas de articulação entre setores e esferas de governo e permanece a exclusão ou a inserção precária dos membros adultos das famílias mais pobres no mercado de trabalho (BRASIL, 2011a).
No modelo desta pesquisa outras variáveis mostraram explicar o trabalho infantil, entre elas IDH municipal, anos de estudos aos 18 anos, analfabetismo em 15 anos ou mais, empregados sem carteira com 18 anos e Índice de Gini.
O trabalho infantil é uma importante questão global associada com a pobreza, falta de educação, desigualdade de oportunidades entre homens e mulheres, e uma gama de riscos à saúde (CAMPELLO; NERI, 2013).
Assim, a pobreza continua sendo um dos principais problemas do Brasil. De uma forma geral, ela está relacionada a situações de carência e de vulnerabilidade. Atualmente ela é tratada por um conjunto de políticas e intervenções governamentais, dentre as quais se destacam o Programa Bolsa Família, Segurança Alimentar e Nutricional, o Sistema Único de Assistência Social – SUAS (BRASIL, 2014).
Podemos considerar como enfoque multidimensional da pobreza as pessoas em condição de insegurança alimentar e nutricional, baixa escolaridade, pouca qualificação profissional, fragilidade de inserção no mundo do trabalho, acesso precário à água, energia elétrica, saúde e
moradia. A pobreza também pode ser uma categoria política, na medida em que se traduz pela carência de direitos, de oportunidades, de informações e de possibilidades, situação que envolve os trabalhadores infantis.
Na avaliação dos programas de transferência de renda, os efeitos sobre o desempenho escolar e inserção no mundo do trabalho de crianças e adolescentes têm papel central. Isto porque foram concebidos com vistas a combater a chamada “armadilha da pobreza”.
A oferta de um conjunto de transferências diretas de renda à população em situação de pobreza, principalmente o Programa Bolsa Família, ajudou na diminuição da taxa de indigência e de pobreza ao longo dos últimos anos (BRASIL, 2011b).
Segundo Muniz (2012) a educação é analisada por alguns autores como sendo dentre os determinantes sociais o principal responsável pela redução da prevalência e incidência do trabalho infantil, associada a questões como o acesso, a relevância, a qualidade e o custo da escola/educação.
O autor mencionado anteriormente acredita que a dificuldade de acesso, a pouca relevância (falta de perspectivas futuras, tanto dos pais como das crianças dos benefícios oriundos de uma maior escolaridade), a baixa qualidade do sistema educacional (falta de profissionais preparados, segurança, merenda, infraestrutura e material didático), e o alto custo da educação são fatores que elevam a incidência do trabalho infantil, principalmente nos países em desenvolvimento, onde não existem escolas para todas as crianças, e em particular no meio rural, onde o problema do trabalho infantil e a precariedade do sistema educacional são mais acentuados.
Com relação a variável anos de estudos aos 18 anos, as taxas de frequência à escola ou creche mostram melhora na efetivação o do direito à educação para a população com até 17 anos. Resultado de um esforço conjunto da União, Estados e Municípios, constatou-se um crescimento constante nas taxas de frequência, em todas as faixas etárias. Destaca-se o crescimento na faixa de 4 a 5 anos, de 55,1% em 2001 para 78,2% em 2011, e a universalização do ensino fundamental, com 98,3% das crianças com 6 a 14 anos frequentando a escola (BRASIL, 2013b).
De fato, a inserção de crianças e adolescentes nas escolas é um critério importante para sua inserção social e retirada do trabalho infantil, entretanto o Censo de IBGE (2010) aponta que
escola. Problemática que está sendo atribuída, atualmente, à integração do PETI ao Programa Bolsa Família, visto que a inclusão na escola é uma condicionalidade do Programa para o benefício no Programa Bolsa Família (BRASIL, 2011b).
O que precisa ser feito, com eficácia e efetividade, é centralizar o enfrentamento do trabalho infantil na educação de qualidade, que assegure a todas as crianças e adolescentes o direito de aprender. Que seja ampliada progressivamente a oferta de escola em tempo integral, combinando com a ampliação do tempo educativo como estratégia para evitar a repetência e o abandono da escola, na maioria das vezes causados pela inserção precoce no trabalho, e ainda pela combinação do trabalho com afazeres domésticos (OLIVEIRA, 2014).
Prioridade deve ser dada à implementação de medidas para garantir a todas as crianças e adolescentes do campo, onde há maior incidência de trabalho infantil, escola de qualidade que tenha um projeto político-pedagógico que atenda as suas especificidades e potencialidades. É preciso assegurar, também, a prestação de serviços sócioeducativos que respondam à realidade do campo (OLIVEIRA, 2014).
Em relação a variável “empregados sem carteira com 18 anos”, Brasil (2013b) acrescenta que houve melhoria qualitativa das novas oportunidades de trabalho criadas. O percentual de trabalhadores do setor privado com carteira assinada se elevou no período, passando de 32% do total da população ocupada em 2001 para 42% em 2011 e o percentual de trabalhadores sem carteira caiu, de 24% para 20%. Esta maior formalização é importante porque garante a um número maior de trabalhadores com renda mensal não inferior ao salário mínimo e mais proteção em casos de perda do emprego, acidente de trabalho, gravidez, doença e incapacidade, o que pode ocasionar um decréscimo nas taxas de trabalho infantil.
Com relação à desigualdade de renda representada na pesquisa pelo Índice de Gini, constatou- se que está relacionada ao trabalho infantil. O índice de Gini vem caindo de forma significativa ao longo dos anos 2000, passando de 0,553 para 0,500 entre 2001 e 2011. Esses resultados positivos são complementados por diversas conquistas no campo da redução da pobreza, do mercado de trabalho, da educação, da saúde e do acesso a bens e serviços (BRASIL, 2013b).
A este respeito pesquisa realizada por Brasil (2011), demonstra que a redução da desigualdade e da ocorrência do trabalho infantil estão associadas. Entretanto, a vinculação entre ambas não
pode ser considerada automática, na medida em que se verifica uma inflexão mais acentuada na primeira, indicando um aprofundamento de uma tendência de longo prazo.
O enfrentamento e a erradicação do trabalho infantil não são assumidos efetivamente como prioridade pela sociedade, nem pelo poder público. Um sinal desse fato é que o Sistema de Garantias de Direitos de Crianças e Adolescentes é pouco capacitado para lidar com essas questões. Esse conjunto de fatores se reflete no fato de que a articulação entre os diversos programas e planos referentes à área da infância e da adolescência permanece insatisfatório, implicando em graves prejuízos (BRASIL, 2011a).
Fala-se, então, da promoção de políticas públicas de combate ao trabalho infantil, nas suas múltiplas facetas, isto é, na província da educação, da saúde, da assistência social, do trabalho, da cultura, do esporte e do lazer, dentre outras. Ergue-se, pois, o papel do sistema de Justiça, em especial do Ministério Público, diante deste mister promocional, em direção ao preenchimento do conteúdo material do direito fundamental ao não trabalho (MEDEIRO NETO; MARQUES, 2013).