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Erdemde Tam’lık Meselesi

KANT’IN ERDEM ÖĞRETİSİ

4. BÖLÜM

4.2. ERDEMİN OLANAĞININ SINIRLARI

4.2.1. Erdemde Tam’lık Meselesi

Essa categoria identificada no campo diz respeito a motivos para saída do narcotráfico apresentadas pelos entrevistados. Com base nos relatos, levantamos 3 subcategorias que retratam elementos motivacionais para a saída do narcotráfico, dentre os quais: Motivo relação familiar; Motivo medo de ser preso / reconhecido pelos policiais; Motivo sentir-se enganado.

5.2.7.1 Motivo relação familiar

Todos os quatro entrevistados apontam a família como motivo de saída do tráfico. André, Paulo, Carla ao se tornarem mãe e pais; João por sua mãe.

André saiu do tráfico aos 18 anos, ao se tornar pai. Destaca que não quer que seu filho tenha a mesma trajetória que ele: “Eu não quero ver ele do mesmo jeito que eu. O que eu não quero pra mim eu não quero pra ele também não.” Paulo também aponta como motivo de saída do tráfico tentar ser um exemplo positivo para o filho: “por isso que eu saí do crime, porque eu quero passar um espelho bom pro meu filho”. Ao tomar essa decisão, entrou em um curso profissionalizante com bolsa – “Era pra tentar um trabalho porque chegou um belo dia que eu falei não, não quero viver na porra dessa vida do tráfico.” Contudo, ao receber o primeiro pagamento utilizou tudo em drogas – “Devido eu usar essa porra dessa droga e me destruí de novo”. Contou com o apoio da tia para ser internado em uma clínica e conseguiu se afastar do tráfico e do uso de crack. Carla credita ao seu filho não apenas o motivo de ter saído do tráfico, da drogadição e das ruas, mas o fato de estar hoje viva ou não estar presa. “Eu acho que se ele não tivesse vindo na minha vida, cara, eu não estaria mais viva ou então estaria presa pegando sei lá quantos anos de cadeia porque eu era muito... Ele veio pra me centrar mesmo.” Carla largou o tráfico ao engravidar e, com o apoio de advogado que lhe ofereceu emprego conseguiu sair das ruas. “Consegui sair da rua, consegui ter meu filho dentro de uma casa e consegui seguir minha vida sem precisar disso. Então não foi uma coisa que eu pensei, a partir do momento que ele [o advogado] chegou lá e disse você vai ser contratada pronto eu nem retornei pra rua.” No entanto, ao perder a guarda do filho, retornou à rua e passou a usar drogas. “Depois retornei também, quando eu perdi [a guarda de] meu filho [...], retornei pior ainda de quando eu não tinha ele”. Foi a

depressão de perder a guarda do filho que a fez voltar para as ruas. Ela não voltou a traficar e se tornou usuária de crack, justamente quando o crack chegava em Brasília, substituindo o tráfico de merla. Carla passou oito meses nessa situação, até começar a lutar para recuperar a guarda de seu filho. “Só dependia de mim reverter a situação [...] Porque, como ele era bebezinho, pra ele ser adotado ia ser num piscar de olhos.”

Carla demorou aproximadamente 2 anos para recuperar o filho. “quando eu falo que o conselho tutelar vem pra pegar seu filho é numa rapidez enorme, quando é pra você restituir a guarda, meu Deus do céu. Demorei quase dois anos pra conseguir fazer com que o Arthur viesse morar comigo de novo, mesmo provando que eu estava trabalhando, exame toxicológico pra constatar que eu não estava mais usando drogas, eu fiz, mostrava pra juíza e nada. Foram quase dois anos.” A entrevistada lamenta que pela burocracia estatal tenha perdido a infância de seu filho – “eu perdi quase toda a primeira infância do meu filho, por questão de coisas burocráticas que poderiam ser agilizadas em menos de oito meses”. Atualmente, mesmo quando passa por momentos de dificuldade e desemprego, a vinculação com o filho a impede de retomar o tráfico. “Quando eu me vejo na situação de não ta trabalhando aí eu falo, mas, caralho velho, eu não vou voltar pro trafico mais! Não, eu não vou.”

O adolescente João se afastou do tráfico por sua mãe. “Eu parei mesmo por que a minha mãe xaropa [reclama, briga] direto. Aí eu não gosto de ver ela indignada não, aí eu parei quietei.” Em especial, João não quer expor a mãe e a casa dela à ação policial: “Ela fica brigando. Ela fica com medo dos cana invadir lá em casa, porque os cana quando invadi eles quebra tudo, estraga a casa todinha, aí ela fica grilada [preocupada]”. No entanto, quando perguntado se conhece alguma pessoa que abandonou o tráfico, afirma que não e “A pessoa nunca para de traficar. Assim, tem nego que se botar na cabeça que vai parar para. Mas tem uns ali que fala que vai para e do mesmo jeito continua traficando porque não dá conta de ficar sem dinheiro.” Diz, contudo, que ele, quando está sem dinheiro, evita sair na rua e fica tranquilo.

5.2.7.2 Motivo medo de ser preso / reconhecido pelos policiais

Três entrevistados também apontam como motivo de saída do tráfico o medo de ser preso e ou de ser reconhecido pelos policiais, tornando-se sempre alvo de abordagem policial. Como afirma o adolescente João, “Agora eu quietei. Tô de boa mesmo. Mexer com isso é doido é. Só fica se aparrando com os cana [passar a ser reconhecido pelos policiais]. Fica queimado né [com imagem negativa, marcado como

traficante]. Onde os cana [os policiais] me ver, aí já quer dar bacu [revista policial]. É paia [ruim]. Aí eu dei uma quietada.”

Carla diminuiu seu envolvimento com o tráfico ao completar dezoito ano e, por já ter “entendimento sobre leis”, sabia que se fosse pega pelos policiais seria presa e não iria mais para o sistema socioeducativo. “Eu já sabia que a partir daquele momento se eu fosse pega, minha pena não seria bem menor [...] Aí eu comecei a ficar com medo e já comecei a diminuir. Até que chegou um tempo que eu não tava mais dependendo do tráfico pra sobreviver, fazia meus bicos em algum lugar: limpava carro, comecei a vigiar carro.” Já André, ao ser detido como usuário e humilhado pela polícia, também passou a temer ser preso.

Contudo, esse afastamento do tráfico não necessariamente é simples. Como já abordamos, passar a ser conhecido no tráfico pode significar uma permanente situação de risco à vida. Por esse motivo, o indivíduo consegue se afastar do tráfico, pois não pode circular na sua cidade sem o uso de armas. Como já apontamos, por meio da fala de Rodrigo, “a pessoa já se vê numa situação onde já não consegue mais andar de boa, andar desarmado porque tem muita gente querendo matar e já não pode mais trabalhar.” Dessa forma é sempre mais difícil sair do tráfico do que entrar. Especialmente após ser preso, o que dificultaria ainda mais o acesso ao emprego formal. “Pra sair é mais difícil do que entrar. Às vezes não tem oportunidade e a última que tinha acaba quando vai preso. Aí, as poucas que tinha já não tem mais.”, afirma Rodrigo.

5.2.7.3 Motivo sentir-se enganado

O adolescente Paulo é o único dos entrevistados que apresenta também como motivo de saída do tráfico a percepção de que era enganado, que outros enriqueciam a sua custa enquanto os adolescentes continuavam sem dinheiro. “Por isso que eu parei de ser burro. Porque aí eu vou enricar os outros, eles tudo de carro, eu de pé.”