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Enformatik Edinim Olarak Fotoğraf Đmgesinin Dolaşımı

1.3. Kriz Döneminde Đmgenin Yeniden Yapılanması

2.1.3. Enformatik Edinim Olarak Fotoğraf Đmgesinin Dolaşımı

Aparentemente a organização territorial, para os técnicos do INCRA e da EMATER, não era problema, pois a motivação para participar dos projetos produtivos poderia superar qualquer obstáculo. O que os mesmos não estavam dando conta é que havia complexidade na ocupação dos povoados, aumentando os desafios para a implementação do plano preliminar, iniciando pela localização das áreas de plantio que não obedeciam aos limites que seriam impostos pelos lotes.

Outro obstáculo seria em relação às distâncias não só entre os povoados, mas entre as áreas de produção e os povoados, outro empecilho estava em diminuir as disparidades entre as diferentes estruturas apresentadas de tal ponto que não privilegiasse uma associação em detrimento de outra e estabelecesse uma estratégia de acompanhamento das ações que fossem obedecendo ao plano preliminar de forma que todos os assentados tivessem acesso às estruturas montadas para o beneficiamento da produção.

Para se verificarem os rumos das articulações institucionais e seus desdobramentos, será necessário iniciar fazendo um breve levantamento das condições encontradas e as intenções dos programas que seriam estabelecidos para se reverter o quadro da pobreza rural. Segundo Sampaio (1979, p. 26):

A análise dos programas sempre se inicia pelo levantamento das suas intenções, representada pela enunciação de objetivos, pela programação de recursos e pelo relacionamento das estratégias de implementação previstas. O elenco de intenções assim definido

reflete, no mais das vezes, um diagnóstico que os formuladores da política fizeram previamente, referente à situação econômica e social da área de atuação prevista para o programa. Esse diagnóstico pode, então, ser aproveitado como objeto de investigação [...]

Acredita-se que esse plano preliminar realizado pelo INCRA foi relevante para que a gestão do território obedecesse de fato a uma desvinculação com as práticas anteriores ao assentamento.

Analisar se as ações implementadas deram conta de responder positivamente aos anseios dos planos se torna crucial para a compreensão de todo o processo, conforme aponta Sampaio (1979, p. 27):

A nível de resultados quais tem sido os grupos realmente beneficiados, quais as estratégias realmente seguidas, quais os efeitos das políticas sobre a estrutura de posse da terra, sobre as relações de trabalho, sobre o uso da terra, tudo isso convergido para uma apreciação global, em termos diretos e indiretos, atuais e potenciais, sobre o emprego rural e, finalmente, sobre a renda das populações pobres.

Estas preocupações estão presentes, atualmente, nos textos de Barone (2008, p. 47), significando que as estratégias e orientações de qualquer programa necessitam de um acompanhamento e avaliação permanente e os questionamentos propostos devem nortear o desenvolvimento e o acompanhamento de qualquer projeto:

Assim, uma pergunta pode se feita: quais disposições criadas nos assentamentos são capazes de possibilitar às pessoas tomarem às rédeas e suas próprias vidas em suas próprias mãos, garantindo sua subsistência e ampliando suas alternativas de participação e organização social?A gestão que os assentados imprimem ao território dos assentamentos, nos aspectos das organização social, sua mobilização e instituições políticas, e sua participação econômica, podem redundar em mais ou menos liberdade para essas famílias? Liberdade de escolha, de ação e opinião: liberdades que comportam dimensões objetivas e subjetivas, práticas e representações sociais acerca da liberdade.

Mesmo temporalmente distante, esse diálogo aumenta a preocupação com os caminhos traçados e os caminhos seguidos, com as articulações estabelecidas entre as instituições, os assentados, o Sindicato dos Trabalhadores

Rurais de Itapecuru Mirim e a Igreja, bem como as desarticulações provenientes de possíveis desvios de finalidades.

Diante do exposto, para iniciar uma reflexão sobre a infra-estrutura e os desafios institucionais, foi necessário tomar ciência da infra-estrutura que constava no ato da criação, começando pelas vias de ligação dos povoados localizados às margens das rodovias federais aos povoados no interior do assentamento em péssimo estado de conservação, ocasionando no período de chuvas freqüentes o comprometimento do escoamento da produção; havia rede elétrica apenas em alguns povoados como Entroncamento e Oiteiro e não atendia todas as residências; o abastecimento de água era feito através de poços tubulares e cacimbas sem revestimentos e não havia nenhuma estrutura de armazenamento de água.

Em relação à parte social no setor educacional, havia apenas 3 escolas com o nível de ensino fundamental até o atual 5º ano, pois, como aponta Lopes (2006, p. 87), a educação no campo nunca foi prioridade do Estado comprometendo assim o desenvolvimento intelectual:

Isto significa que grande parte das escolas rurais é atendida por profissionais que nunca tiveram uma formação específica para trabalhar com a realidade do espaço rural. Entre os que possuem alguma qualificação, foram obtidos em cursos superiores e de magistério que quando refletem questões relacionadas ao espaço rural, acabam por reproduzir preconceitos e abordagens pejorativas. Infelizmente, apesar de um programa de qualificação de professores e do avanço da educação no campo através do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), ainda continua um quadro de analfabetismo que entrava o desenvolvimento social.

No tocante à saúde, não havia posto de saúde, sendo que qualquer atendimento médico do mais simples ao que exigia maiores cuidados teria que ser feito na sede do município de Itapecuru Mirim.

No que tange à habitação, as moradias na sua maioria eram de taipa, cobertas de palha. O quesito condições sanitárias era praticamente inexistente, sendo a proximidade das casas o destino final dos dejetos, e a água consumida não tinha nenhum tipo de tratamento. Em relação à alimentação, o quadro que se apresentava era de desnutrição infantil com a nutrição basicamente proveniente da agricultura de subsistência aliada a alguns produtos comercializados no próprio local

como café, frutas e legumes, segundo a agente de saúde do povoado Entroncamento.

No que diz respeito ao processo produtivo, segundo o técnico agrícola do Município de Itapecuru Mirim, havia o predomínio da roça no toco com a produção em pequenas escalas de arroz, milho, feijão, mandioca, banana, cana-de-açúcar e citrus.

Para Silva (2008, p. 181), o grande desafio diante da estrutura encontrada nos assentamentos era promover uma discussão e colocar em prática a concepção atual de segurança alimentar:

A concepção, pois, de segurança alimentar em debate na atualidade, traduz-se na garantia, a todas as pessoas, de acesso contínuo e regular a alimentos em quantidade e qualidade suficientes para proporcionar uma vida ativa e saudável, sem prejuízo da satisfação de outras necessidades, respeitando-se os hábitos culturais de cada povo e sem comprometer a condição de vida de gerações futuras. Na visão tanto dos trabalhadores rurais, como do Sindicato e da Igreja, a possibilidade de manifestar, através das organizações associativas, a sua opinião sobre os produtos e o tamanho das áreas a serem cultivadas sem ter que pagar um foro por isso e saber que esta sobra poderia incrementar a sua renda já era um bom começo para se reverter o quadro nutricional que se apontava no plano preliminar realizado pelo INCRA.

Neste contexto, no plano preliminar, foram realizadas algumas proposições que se julgavam necessárias naquele momento para atender as prioridades.

Em relação às estradas, houve a recuperação de 29,3 km de estradas alimentadora e a construção de 45 km de estradas de acesso aos lotes contemplando o povoado Tingidor, Cachoeira, Oiteiro, Jaibara, Felipa e São José. No que tange ao abastecimento de água, houve a construção de 16 poços artesianos contemplando 349 famílias dos povoados envolvidos e a construção de 5 barragens para abastecimento de uso animal e para irrigar culturas hortifrutigranjeiras além de propor a extensão da rede elétrica pelos povoados de Oiteiro, Jaibara, Picos, São José e Filipa.

No tocante à parte social, houve a previsão na construção de postos de saúde, orientação para uma abordagem da realidade sociocultural nas escolas a serem construídas nos povoados e construção de casas com privadas higiênicas.

No aspecto administrativo do assentamento, haveria um sistema de administração do projeto com acompanhamento, controle, avaliação e prazos de execução dos projetos além de estimular a criação de associações comunitárias para assumirem a gestão dos projetos sociais e econômicos, pois também estava prevista a implantação de três casas de forno de farinha e um alambique.

No tocante à exploração agrícola (ANEXO F), foram pensados quatro modelos de exploração com seleção de culturas tradicionais e de conhecimento dos agricultores da região com uma preocupação em analisar a capacidade do uso do solo para as práticas agrícolas determinando para cada família beneficiada um lote para exploração da agricultura de culturas alimentares (arroz, milho, feijão e mandioca) e área destinada para os projetos comunitários com o objetivo de produzir culturas que deveriam inserir o trabalhador no mercado local e regional tendo o município de Itapecuru como o mercado local e o município de São Luís distante 96 km do povoado Entroncamento, que faz parte do assentamento de mesmo nome, o mercado regional para escoamento da produção.

Cada lote teria em torno de 30 hectares considerando que cada família utilizaria 3 ha por ano e em 5 anos utilizaria 15 ha, levando em consideração o Código Florestal. Apesar de o plano apresentar toda uma discussão para o estabelecimento de uma reserva para o assentamento, na realidade cada povoado aleatoriamente decidiu onde seria a área de reserva que não seria uma, mas uma por povoado.

Como se pode observar, teoricamente, o plano elaborado obedeceu não só às características culturais dos assentados como propôs, dentro do possível, melhorias na estrutura que dinamizasse o território. Essas medidas levariam a impactos positivos no processo produtivo no âmbito do assentamento bem como a nível municipal.

Entretanto na realidade as práticas para a criação dos assentamentos não obedeciam a um planejamento que vislumbrasse a priori uma relação equitativa na utilização dos recursos e na capacidade do assentamento:

Mas é certo que, quando a área foi desapropriada, ela já contava com oito povoados, entendeu, na realidade a gente trabalhava assim para a criação do assentamento não se fazia nenhum estudo, existiam tantos povoados, o projeto era criado dentro da área desapropriada uns com 02 povoados outros com 03 povoados e, no caso do Entroncamento, é porque existiu 8 povoados (Entrevista com economista do INCRA, realizada em janeiro de 2008).

Os planos preliminares eram realizados após a desapropriação e não havia um questionamento sobre a possibilidade de aumentar ou diminuir o recorte diante de um número ideal de povoados para a criação de um assentamento e a lógica dos planos era da visibilidade a estrutura de apoio à produção.

No entanto Leite (2004, p. 147) chama atenção que:

A lógica econômica que fundamenta as estratégias de reprodução familiar não passa exclusivamente pela ótica produtiva. Como vimos, as famílias assentadas lançam mão de uma série de recursos que envolvem atividades produtivas serviços, dentro e fora do lote, resultando em mecanismo de reprodução familiar nem sempre presos a dimensão econômico produtiva (agrícola ou não), que pesam substancialmente sobre as estratégias adotadas [...]

Neves (1996 apud LEITE, 2004) aponta que qualquer que seja o investimento, que leve o trabalhador a fazer análises comparativas e verificar que suas condições atuais em relação à anterior à criação do assentamento possibilitam não só ganhos econômicos, mas qualidade de vida, já justifica os investimentos nos assentamentos rurais.

Diante do exposto, mesmo que no início das reflexões o principal objetivo com a criação dos assentamentos fosse assegurar o incentivo à produção familiar, também estavam em jogo as relações sociais que seriam construídas e a possibilidade de servir como modelo de organização comunitária e de práticas que privilegiassem o respeito às tradições culturais em conjunto com o processo produtivo proposto poderiam contribuir significativamente para a minimização do quadro de pobreza rural na região.

Como o Assentamento Entroncamento foi um dos primeiros criado com o PNRA, estava lançado o desafio para os trabalhadores rurais, agora assentados, para o INCRA, para os órgãos estaduais de assistência técnica e para a Prefeitura Municipal de Itapecuru Mirim.

Para os agricultores os desafios estavam ligados a uma adaptação à lógica de inserção no mercado, participar de decisões em conjunto com agricultores dos demais povoados que interferissem diretamente no cotidiano das pessoas, nas discussões sobre a implantação das agroindústrias, do modelo de gestão das organizações associativas e de interlocuções que seriam realizadas tanto com o governo federal quanto estadual e municipal.

Dentro dessa análise, Leite (2004, p. 112) fez a seguinte observação: Com a criação dos assentamentos um novo contexto e uma nova dinâmica se colocam, com o surgimento de novas formas organizativas, que podem ter maiores ou menores continuidades com o processo anterior de luta pela terra. Novas demandas se abrem, que agora se voltam para as negociações com os agentes de governo sobre a organização interna e para obtenção de crédito e infra-estrutura. As lideranças que participam do processo de conquista da terra podem ou não se consolidar no novo contexto e as formas organizativas tendem a se reestruturar. Algumas lideranças se mantêm, outras sucumbem ao novo cotidiano, há processos de desfiliação sindical, lideranças que se desligam dos movimentos aos quais eram anteriormente vinculadas, novas surgem, entre outras mudanças.

É nesse contexto que ocorreram todos os processos de articulação para tentar se reverter o quadro de pobreza rural, buscando-se um novo padrão tecnológico para o processo produtivo e construir novas relações sociais que fortalecessem as organizações associativas. Pensar os desdobramentos do Plano de Exploração estruturado numa concepção de articulação entre as instituições é o que vai ser discutido em seguida.