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Enflasyon muhasebesine ilişkin olarak açıklanması gereken hususlar:

Um signo é uma chave. Como diz Pearce, um signo é alguma coisa que representa algo para alguém. Os signos que representam todas as palavras da nossa língua, por exemplo, são uma chave para se alcançar a inteligibilidade do mundo, de si e do Outro. O trabalho de

falar do mundo e de criar realidades é tarefa que se faz com o uso de signos; eles vão servir de mediação (irão ser intermediários, vão servir de meios) para conferir sentido à vida.

Os sentidos que as pessoas dão a suas vidas são extraídos do reservatório de experiência da sua cultura. Dentro de toda criação, há um concerto de asas e de eixos: há a memória das culturas em seu caminho de raízes e há o que rompe com o cimento do instituído e que voa lúcido, portal do sonho. Há os traços que são comuns a todos do grupo social a que pertencemos e há os sulcos de diferenciação, os vetores que fazem nossa singularidade.

Quando se tenta, atualmente pensar em termos da dimensão espiritual, temos de ver com que idéia de sujeito estamos trabalhando. Tradicionalmente, o pensamento cartesiano, que ainda é hegemônico em nosso tempo, em ciência, acentuou o dualismo corpo e alma, que resultou por caracterizar, em grande medida, as representações sobre o humano dentro da cultura ocidental moderna.

Anteriormente, a antiga tradição médico-filosófica utilizara a expressão físico-moral, para referir-se ao que hoje se chama “doença mental”. A adoção do termo físico-moral tentava fazer uma ponte para articular os dois planos (corpo e mente), que se pensava constitutivos da pessoa.

Em seu estudo publicado, Duarte (apud MINAYO; ALVES, 1994), no livro Saúde e Doença, um olhar antropológico, lembra que no século XX, os estudos da doença mental, com o apogeu do modelo biomédico, alguns termos da aflição psicossocial (psychosocial distress) derivaram para um sociologismo e para um psicologismo.

A categoria inglesa de mind tentou uma extensão semântica que derivou no somático; mas como observa Setha Low (LOW, 1985, p.189), vê-se que os estudos etnográficos do fenômeno nervoso, em diversas partes do mundo, não encontram essa dicotomia mente-corpo e a exclusão da idéia de alma ou de espírito, nas populações estudadas. Muito pelo contrário, como atenta Pigeaud (1981), há uma relação íntima entre esses vários aspectos, repleta de fluxos e de conexões, na visão das populações estudadas, de que a idéia de doença dos nervos, no modelo biomédico tenta abarcar.

Na Antropologia Médica, teve-se a percepção, porém, de ultrapassar, em certo sentido, o que ela mesma veio a nomear de reducionismo biomédico. É que, ao estudar a manifestação de perturbações nos nervos, como se chegava a dizer na literatura especializada da medicina, descobria-se que havia a necessidade de comportar o antigo espiritual (a alma) e o novo da esfera psíquica. A tentativa, todavia, era reconhecer o tecido cultural da experiência humana e ancorar-se em um sentido mais perto do que as classes populares davam às suas “doenças nervosas”.

Foi justamente a propósito dos ´nervos`, enquanto código de expressão privilegiado das perturbações das classes populares brasileiras, que me pareceu necessário reavivar a velha locução físico-moral aplicada às perturbações. Efetivamente, a qualidade ´físico-moral` evoca a necessária e entranhada imbricação, correlação entre o nível físico, corporal da experiência humana e tudo aquilo que, de outra parte, se lhe opõe – e se nomeia de forma tão díspar entre as culturas humanas (como na nossa tradição, o antigo ´espirìtual` e o recente ´psíquico`) (DUARTE apud MINAYO; ALVES, 1994, p. 83-88).

Vê-se, na observação de Duarte, que o fenômeno dos nervos, pensado como modo cultural de reconhecer perturbações físico-morais, é indicado como uma espécie de tentativa de superar reducionismos das visões acadêmicas, na tentativa de chegar mais perto do que os grupos culturais estudados pensam quando se referem a aflições ditas nervosas. Prossigamos com Duarte:

O retorno a uma categoria tradicional teria neste caso, a vantagem heurística fundamental de relativizar, não endossar a priori as representações modernas – que sustentam nosso senso comum acadêmico. Seria, neste caso, mais propícia a encaminhar o reconhecimento das condições fundamentalmente simbólicas, culturais, da experiência humana. Os próprios conceitos de ´doença mental` e de ´distúrbio psicossocial` seriam, assim, casos culturalmente específicos do conjunto mais amplo das ´perturbações físico-morais`, por expressarem modos de sentido próprios de nossa cultura (o grifo é nosso). (DUARTE apud MINAYO; ALVES, 1994, p.84).

Vê-se, como os estudos da própria Antropologia Médica, no Brasil, ressaltam o modo como a nossa cultura percebe e sente o referido “dualismo” – de um modo mais amplo (observe que a cultura brasileira das classes populares, que são, em geral, as estudadas). Nossa idéia é a de que, indo um pouco mais além nessa hipótese, percebemos que as classes populares não assumem, de modo tão radical, a dicotomia corpo-mente, nem alijam a idéia de alma ou de espírito de sua visão de si como pessoa.

Admitindo a ação concomitante da esfera social e reconhecendo a dinâmica propriamente psicológica, deveremos, porém, agora anotar que também a idéia de moral, na locução físico-moral seria uma tentativa de reduzir (para fazer comportar) algo que, a nosso ver, reporta-se ao que vamos de chamar de ‘dimensão espiritual’. Essa dimensão significa que estamos a demandar outro modo de tomar o sujeito das práticas de saúde e de doença: um sujeito que é Espírito, possui um soma e, ainda, um modelo organizador biológico, ou perispírito, segundo a referência espiritista. Detenhamos-nos um pouco nessa reflexão.