1.2. PARA POLİTİKASI KURALI
2.1.1. Enflasyon Hedeflemesi Stratejisi Öncesi Deneyimler
Das bases físico-acústicas da fala, especialmente a proposição da teoria acústica de produção da fala (Fant, 1970), destacando a atividade das estruturas glóticas, subglóticas e supraglóticas, , identifica-se a possibilidade de associação à concepção do modelo fonético da qualidade vocal, proposto por Laver (1980). Tal modelo teórico propõe uma abordagem que considera a complexa e dinâmica relação de combinações de ajustes laríngeos e supralaríngeos da fala.
Assim, considera-se qualidade vocal como a ação conjunta da laringe e do trato vocal supralaríngeo, emergindo da combinação dos ajustes de longo termo, que ocorrem de modo recorrente na fala do indivíduo (Laver, 1980) e que definem uma característica individual do falante (Kent, 1993; Abercombrie, 1967)
A partir do referido modelo teórico, desenvolveu-se um protocolo de análise denominado VPAS (Voice Profile Analysis Scheme) (Laver et al, 1981; Laver, 1980; Laver, 2000; Laver e Mackenzie-Beck, 2007).
O roteiro VPAS-PB, utilizado neste estudo, foi desenvolvido a partir do julgamento técnico de habilidade perceptivo-auditiva de juízes (treinados no uso do referido instrumento) em julgar as vozes enquanto combinações de ajustes complementares. Adaptado para o PB por Camargo e Madureira (2008), parte de conhecimentos atuais da fisiologia do aparelho fonador para uma descrição detalhada de combinações de ajustes complementares, de natureza fonatória (laringe) e articulatória (trato vocal).
Tal instrumento de análise perceptivo-auditiva apresenta um diferencial no que diz respeito ao trabalho fonoaudiológico, uma vez que o
sistema de referência da variedade de modalidades analíticas permite a investigação de manobras e ajustes decorrentes de tentativas de produção de fala ou até mesmo de compensações para casos da clínica fonoaudiológica, nos quais vários estudos identificaram (Cukier et al., 2004; Gregio, 2006; Oliveira 2011; Fernandes, 2011; Lima-Silva, 2012; Queiroz, 2012) compensações da situação fisiológica limitante de produção vocal, como nos casos de patologias que envolvem DA (Nuss, 2010).
O modelo fonético de avaliação da qualidade vocal fundamenta-se em análises articulatórias, fisiológicas, acústicas e auditivas (Camargo et al., 2004) e considera a qualidade vocal como resultado de fatores intrínsecos - referente às características da anatomia do aparelho fonador do próprio falante - e extrínsecos - que consistem em ajustes musculares de longo termo do aparelho fonador (Laver, 1980, 2000; Camargo, 2001).
Tais ajustes extrínsecos, denominados settings (e referidos no PB como ajustes), denotam a unidade analítica do modelo fonético: trata-se de mobilizações recorrentes do trato vocal, que ocorrem em consequência de um ou mais ajustes musculares de longa duração (Abercrombie, 1967; Laver, 1978, 1981, 2000), sendo assim um traço recorrente na posição do trato vocal, resultante de um ajuste muscular de longa duração.
Assim, essas características podem também trazer inferências sobre as características físicas, psicológicas, sociais e de expressividade do falante (Camargo, 2008).
A descrição da dinâmica vocal por meio do VPAS-PB permite realizarmos o julgamento perceptivo dos parâmetros de evolução da frequência, da intensidade e da duração (variabilidade e extensão de pitch, loudness, pausa e taxa de elocução).
A unidade de referência proposta pelo modelo teórico que fundamenta tal análise, o ajuste, que corresponde à postura fonoarticulatória intermediária, realizada entre os extremos de tensão e relaxamento, permite avaliação e compreensão dos ajustes durante a produção vocal e a qualidade vocal gerada, sem que tal configuração de determinado ajuste, denote uma condição de “normalidade ou patologia” fonoarticulatória. Por isso, o enfoque do ajuste neutro não remete à comparação ou referência a um padrão de
normalidade, nem mesmo como uma situação de normalidade ou de repouso do aparelho fonador, mas uma condição de referência para as análises de qualidade vocal (Camargo et al., 2003; Camargo & Madureira, 2008), e, revela a influência dos níveis orgânico e fonético detectada ao longo de variações momentâneas relacionadas aos segmentos, característica esta que passa a ser tomada como relevante para descrição dos processos de aquisição de linguagem em crianças (Pessoa et al., 2010; Pessoa et al., 2011, Pessoa et al., 2012).
O enfoque da variabilidade de padrões contidos na fala e das complexas interações entre mecanismos de percepção e de produção são considerados a partir do modelo dinâmico da fala (Boothroyd, 1986; Fujimura & Hirano, 1995; Lindblom, 1990; Barbosa, 2006; Barbosa, 2007; Barbosa, 2009; Xu, 2011; Hirst, 2011; Fourcin & Abberton, 2008).
A partir da variedade de ajustes possíveis e previsíveis permite-nos perceber minuciosas combinações resultantes de compensações, fato este justificável e correlacionado pela esfera acústica, que se fundamenta no funcionamento interdependente das estruturas do trato vocal laríngeo e supralaríngeo (Cukier, 2006; Gregio et al., 2006) a partir de conhecimentos da fisiologia de produção da fala.
Assim, destaca-se o refinamento da ação do trato vocal à fonação e das variadas compensações que podem ocasionar devido à sua plasticidade.
Identifica-se, no grupo dos ajustes laríngeos, os tipos simples de ajustes denominados modal, falsete, cochicho e vocal fry, crepitância, e os ajustes laríngeos compostos, identificados na composição de dois ou mais ajustes fonatórios simples.
Em relação aos elementos do trato vocal (elementos supralaríngeos) caracterizam-se: lábios (arredondados/protraídos, estirados, labiodentalização, extensão diminuída e extensão aumentada); mandíbula (fechada, aberta, protraída, extensão diminuída e extensão aumentada); ponta de língua (avançada, recuada); corpo de língua (avançado, recuado, elevado, abaixado, extensão diminuída e extensão aumentada); ajustes faríngeos (constrição e expansão); ajustes velofaríngeos (escape nasal audível, nasal, denasal), e altura de laringe (elevada e abaixada). Os ajustes de tensão muscular geral
podem ser classificados pela tensão do trato vocal (hiperfunção ou hipofunção) e tensão laríngea (hiperfunção e hipofunção) (Camargo & Madureira, 2008).
Os elementos de dinâmica vocal são considerados em relação ao pitch (médio, extensão e variabilidade), ao loudness (médio, extensão e variabilidade), em relação ao tempo no que diz respeito à continuidade, à taxa de elocução e elementos de suporte respiratório (Camargo, 2002).
A técnica de aplicação do VPAS-PB é realizada em etapas. Primeiramente o avaliador estabelece a distinção entre ajuste neutro e não neutro, conhecido como primeira passada. Na segunda etapa de análise, conhecida como a segunda passada, o avaliador atribui graus.
Com relação aos graus de manifestação de cada ajuste, o roteiro apresenta a divisão de seis graus de escala no qual os três primeiros graus seriam referência à situação de ajustes plausíveis e previstos no contexto fonético e os demais à situação patológica ou extremo paralinguístico de expressão da emoção. Desta maneira, o grau 1 designa uma pequena diferença em relação ao ajuste neutro, o grau 2, leve diferença em relação ao ajuste neutro e, o grau 3, moderada diferença em relação ao ajuste neutro. Da situação patológica ou extremo paralinguístico de expressão da emoção, o grau 4 mostra notável diferença em relação ao ajuste neutro, o grau 5 severa diferença em relação ao ajuste neutro, e, o grau 6 extrema diferença em relação ao ajuste neutro.
Ajustes que ocorram em menor frequência em relação aos demais podem ser registrados com a inscrição de “i”, significando que tal ajuste apresenta-se de maneira intermitente (Laver, 2000).
Os julgamentos perceptivo-auditivos por meio do Roteiro VPAS-PB tem sido discutidos em relação à fundamentação e aplicabilidade do roteiro, apontando, em ordem decrescente, consenso para os grupos de ajustes supralaríngeos transversais, longitudinais, velofaríngeos e fonatórios. Assim, a validade de aplicação do roteiro de descrição fonética da qualidade vocal vem sendo reforçada a partir do estudo de Camargo & Madureira (2008).
Do ponto de vista acústico, a qualidade vocal e a dinâmica vocal têm sido exploradas em nosso grupo por meio da combinação de um grupo de medidas acústicas (Hammaberg & Gauffin, 1995; Barbosa, 2009; Camargo &
Madureira, 2009; Rusilo et al., 2011). A extração de medidas acústicas de longo termo por meio do script ExpressionEvaluator (Barbosa, 2009) gera dados de medidas de mediana de frequência fundamental (f0), semi-amplitude entre quartis de f0, quantil 99,5% de f0, assimetria de f0, média de primeira derivada de f0, desvio padrão de primeira derivada de f0, assimetria de primeira derivada de f0, assimetria de intensidade, média de declínio espectral, desvio padrão de declínio espectral, assimetria de declínio espectral, e, desvio padrão de ELT (espectro de longo termo) - LTAS. Tais medidas são extraídas de trechos de fala, não sendo necessária a etiquetagem de segmentos. Desta maneira, esta modalidade de análise não demanda amostra de fala padronizada e é aplicada à análise de correlatos acústicos de ajustes de qualidade e dinâmica vocal.
As correlações perceptivo-auditivas (por meio do Roteiro VPAS-PB) e acústicas (por meio do script ExpressionEvaluator), pautadas em modelos dinâmicos e procedimentos metodológicos de Fonética Experimental, permitem a abordagem da produção da fala em contextos de falantes com e sem alteração de fala. Tais instrumentos, que abordam a fala espontânea, permitem discorrermos sobre a produção sem que caracterize uma dicotomia entre normal e patológico. Metodologicamente, as situações experimentais controladas são, indiscutivelmente necessárias e, tal controle experimental sistemático, pode ser indispensável em nossa busca para compreender os mecanismos subjacentes à fala. No entanto, com o advento dos estudos prosódicos, especialmente os de expressividade, tais procedimentos podem comprometer e dificultar o reconhecimento de fatores que contribuem para descrição e entendimento de elementos particulares à natureza da fala humana (Xu, 2010).
Neste campo, outra possibilidade de enfoque, e de composição de corpus por parte de fonoaudiólogos reside em registros de trechos de sessões de terapia ou contextos escolares, profissionais, dentre outros que que não os de laboratório. Assim, a fonoaudiologia tem interpelado as Ciências Fonéticas e traz enriquecedores dados que mostram a utilização da fonética para contexto clínicos.
medidas acústicas (Barbosa, 2006, 2007, 2009) referentes à frequência fundamental (f0), primeira derivada de f0, intensidade, declínio espectral e espectro de longo termo (Camargo & Madureira, 2010; Pessoa et al., 2010, Pessoa et al., 2010; Rusilo et al., 2011; Pessoa et al., 2012; Lima-Bonfim, 2012; Camargo et al., 2012; Queiroz, 2012).
B. A fala em crianças usuárias de IC: indicadores de desfechos