BULGULAR VE YORUM
27. Denizlerin neden tuzlu olduğunu merak ederim
7.2.4. Enerji Dönüşümleri
A forma e o conteúdo do texto são fatores primordiais na análise intratextual e estão intimamente subordinados ao emissor do texto-fonte. Na perspectiva de Nord (2005, p. 88), quando o emissor produz um texto, ele o faz com um propósito comunicativo e, para ter sucesso na empreitada, precisa verificar quais elementos são adequados/convenientes para serem usados em sua produção, levando-se em conta quem é seu destinatário. Nesse sentido, os fatores intratextuais de relevância são:
a) O assunto: O assunto é a realidade extralinguística à qual o emissor se refere em sua mensagem e faz parte de um contexto cultural que não é universal e, por não ser universal, o tradutor deverá adaptar os possíveis elementos desconhecidos ou subentendidos ao conhecimento dos receptores do texto-alvo.
b) O quê / O conteúdo explícito ou subentendido: O conteúdo é expresso por meio da informação semântica das palavras, das frases, das informações gramaticais e mesmo do que não é verbalizado. Neste último caso, o autor leva em conta o conhecimento prévio do receptor, porém a comunicação só poderá ter sucesso se emissor e receptor compartilharem os mesmos pressupostos. No caso da tradução, como se trata de uma comunicação intercultural, pode ser que as informações subentendidas lançadas pelo autor estejam além da compreensão do receptor devido à diferença de bagagem sociocultural entre eles, o que nos leva a entender a função do tradutor, que, mais do que traduzir o texto para a língua-alvo, deve ajustar o texto ao nível do conhecimento prévio do receptor – essa atitude ratifica a necessidade da competência bicultural do tradutor. A conotação é uma grande preocupação na tradução, assim como algumas metáforas ou provérbios. c) Em que ordem: A composição do texto compreende as macroestruturas – ordem de unidade de informação (capítulos, parágrafos, notas de rodapé) – e as microestruturas (frases, palavras). A relevância da análise desses componentes para a análise textual da tradução orientada, segundo Nord (2005), justifica-se do seguinte modo: a) se um texto é composto de diferentes segmentos com distintas condições situacionais, cada segmento pode requerer diferentes estratégias de tradução de acordo com suas distintas funções; b) o início e o fim de um texto têm grande valor na interpretação e compreensão do mesmo e devem ser analisados cuidadosamente, a fim de entender como eles orientam o processo de recepção e influenciam o efeito do texto; c) para alguns tipos de texto, as convenções são culturais; desse modo, a análise da composição textual pode render importantes informações sobre o tipo textual e/ou sua função, e o narrador deverá saber respeitar as convenções de cada língua e adaptá-las à língua de destino; d) em textos complexos ou incoerentes, a análise das informações macro e microtextual pode ajudar a esclarecer sobre qual seria o assunto do texto ou sua informação mais relevante.
d) Utilizando quais elementos não verbais: Nesse caso, Nord (2005) inclui os elementos paralinguísticos que envolvem as comunicações escritas ou face a face (expressões faciais, gestos, fotos, ilustrações, tipo de impressão) e também os elementos suprassegmentais (contornos entoacionais, ritmo, pontuação, letras maiúsculas, itálicos...). Esses elementos desempenham um papel complementar ao
texto escrito e também são ditados pelas convenções culturais, devendo o tradutor ficar atento.
e) Com quais palavras: As características lexicais de um texto oferecem informações tanto no âmbito intra quanto no extratextual. Considerando o aspecto intratextual, o léxico está intimamente relacionado ao assunto e conteúdo abordados, pois, a depender do assunto em pauta, certos campos semânticos são mais recorrentes do que outros. Também é possível nos depararmos com alguns aspectos morfológicos, que requerem maior atenção e acuidade no processo tradutório devido à motivação de tais escolhas pelo autor do texto-fonte (o emprego de diminutivos, siglas...). No que diz respeito aos aspectos extratextuais, a expectativa criada em relação ao emissor e suas escolhas pode se confirmar ou não no texto, criando no leitor ou frustração ou um efeito proposital no texto. O tradutor deve ter a habilidade (e sensibilidade) para detectar se a utilização das palavras escolhidas pelo emissor é um uso ordinário e padronizado para o tipo textual em análise ou se ele se caracteriza como um estilo particular do autor ou de uso intencional para aquele texto ou conjunto de textos. Nesse caso, se o escopo da tradução indicar a manutenção do léxico, as escolhas individuais do tradutor devem estar subordinadas a esse propósito, e os itens lexicais devem ser preservados. Assim, Nord (2005, p. 126) o confirma: “A decisão de escolher um detalhe em detrimento de outro constitui uma importante pista da intenção do autor.”19 Também a função textual pode determinar as escolhas lexicais.
f) Com qual tipo de frase: As estruturas das frases podem seguir ou não as convenções referentes ao tipo textual, além de fornecerem informações sobre características do assunto (simples ou complexo), da composição textual e de aspectos suprassegmentais (velocidade, tensão). Nesse caso, os desvios podem ser utilizados com o intuito de produzir um efeito determinado, obrigando o tradutor, antes de traduzir as frases, a analisar qual tipo de desvio é usado e como ele funciona.
g) Em que tom: Em textos escritos, as características suprassegmentais se apresentam como, por exemplo, palavras escritas em itálico ou espaçadas ou em negrito, aspas, traços, parênteses, enfim, tudo o que for capaz de desempenhar a gestalt fonológica ou entoacional do texto, a fim de desambiguizá-lo e de revelar as
19“The decision to take one specific detail rather than an other constitutes an important clue to the
intenções do emissor. Parece haver, por parte dos leitores, a ativação de uma “imagem acústica do texto”, que sugere uma fonologia particular percebida quando existem desvios da forma padrão, insinuados pela escolha do léxico (há palavras que demandam um prolongamento silábico ou acentuam a frase: realmente, fantástico, terrível...), por determinadas estruturas sintáticas, marcas de pontuação e pré-conhecimento do leitor. No entanto, como cada leitor recebe a informação de uma determinada maneira, a imagem acústica suscitada pelo texto nem sempre é a mesma.
h) Com qual efeito: O efeito está intimamente relacionado às expectativas do receptor do texto, que compara as características intratextuais com suas expectativas extratextuais: a impressão que ele tem dessa comparação é o que se conhece por “efeito”, resultado de um processo comunicativo. Nord (2005) distingue três tipos de efeitos: a) intencional e não intencional; b) com distância cultural e sem distância cultural; e c) o efeito convencional e o efeito original. Entretanto, não se pode limitar o efeito simplesmente ao léxico ou ao que se fala, pois, muitas vezes, é a estrutura estilística escolhida pelo emissor que vai causar o efeito pretendido, ou seja, “[...] o efeito não é produzido apenas pelo que se diz, mas também pela forma como se diz”20 (Ibid. p. 152). O efeito do texto-alvo depende, largamente, do objetivo da tradução: tradução do tipo documental ou instrumental.