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BULGULAR VE YORUM

5.2 ÖNERİLER

a) Quem transmite: Emissor e produtor são dois elementos distintos para Nord (2005). Conforme a autora, o emissor é a pessoa ou instituição que usa o texto para uma determinada finalidade e/ou para produzir um certo efeito; o produtor é o autor do texto que pode seguir instruções do emissor, além de adequar o texto às normas e regras da cultura à qual este será submetido; em muitos casos, emissor e produtor são a mesma pessoa. O importante a saber sobre o emissor são os fatos que

podem informar sobre sua intenção comunicativa e as características que podem influenciar a mensagem e sua estrutura.

b) Para quem: Segundo Nord (2005), o receptor é o mais importante fator na análise. Certamente, o receptor de uma tradução é diferente do receptor do texto- fonte, e, nesse caso, o tradutor deve buscar no texto-fonte elementos que são pensados para o receptor do texto-fonte e descobrir um modo de traduzi-lo ou adaptá-lo para o texto-alvo. O conhecimento sobre a idade, o sexo, a origem e a bagagem sociocultural dos receptores-alvo é de grande importância na determinação de como será a tradução, que poderá acrescentar detalhes ou omitir itens pressupostos no texto-fonte, mas que não correspondam à bagagem do receptor-alvo.

c) Com qual intenção: A questão da lealdade em Nord (2005, p. 53) é tão forte que ela procura distinguir termos que poderiam ser confundidos: intenção, função e efeito: “a fim de verificar a dimensão da intenção é necessário saber qual função o emissor pretende que o texto cumpra e qual efeito ele pretende produzir no receptor ao transmitir o texto”17. O tradutor não pode trair a intenção do autor, logo, se a intenção deve ser preservada, é necessário que se mude a função e/ou o efeito. A intenção é de particular importância para o tradutor, pois ela o ajuda a determinar a estrutura do texto em relação ao conteúdo e à forma.

d) Por qual meio (suporte): “Meio” é o veículo que transmite a mensagem. O meio de transmissão afeta não apenas as condições de recepção, porém, ainda mais particularmente, aquelas de produção, além de fornecer pistas sobre a intenção do emissor e o motivo da comunicação. O conhecimento do “meio” orienta o tradutor quanto à idade do receptor, seu status e identidade e o guia em relação às escolhas da estrutura do texto, tais como o tamanho das frases, a utilização de elementos não verbais, o nível de explicação e, finalmente, o nível de expectativa do receptor no que diz respeito à função do texto.

e) Quando: Toda língua está sujeita a mudanças constantes em seu uso e normas, assim, o fator tempo/época se constituiu como um importante sinal do desenvolvimento linguístico representado no texto. O conhecimento desse fator pode lançar alguma luz sobre a comunicação entre o emissor e o público-alvo e,

17

“In order to ascertain the dimension of intention we have to ask what function the sender intends the text to fulfil, and what effect on the receiver s/he wants to achieve by transmitting the text”. (NORD, 2005, p. 53)

assim, proporcionar uma pista para se entender a intenção do emissor. Além disso, se pensarmos na situação de uso dos dêiticos, sua compreensão só se dará de forma ótima, uma vez que o receptor conheça a época da produção do texto.

f) Onde: A dimensão de espaço refere-se não apenas ao local de produção do texto, mas também ao local de recepção. O domínio dessa informação torna-se decisivo quando existem vários locais onde a mesma língua é falada, porém com variações. O lugar de produção do texto fornece pistas sobre a variante linguística usada no texto-fonte e, caso uma das variantes possíveis seja a língua-alvo, o local de recepção do texto determina a variedade que o tradutor deverá usar em sua tradução. Além do aspecto linguístico, é importante considerar os aspectos sociais, culturais e políticos, pois a leitura pode ocorrer de forma diferenciada quando se tem conhecimento destes ou não. Também os elementos dêiticos só serão bem interpretados sabendo-se a área de produção do texto.

g) Por quê: De acordo com Nord (2005), a dimensão do “motivo” se aplica não só à razão pela qual o texto foi produzido, como também, e muito importante, à ocasião para a qual o texto foi feito. Compreender bem essa distinção implica escolher, corretamente, o tipo textual ou usar um suporte em detrimento de outro para divulgá- lo. O tradutor, ao comparar a motivação da produção do texto-fonte com a razão da produção do texto-alvo, pode avaliar o impacto que essas diferenças têm em suas escolhas tradutórias. Enquanto o motivo da produção do texto-fonte pode ser encontrado no ambiente do autor, a motivação para a produção do texto de chegada deve ser inferida a partir do que é sabido sobre a situação de tradução, ou seja, sobre o iniciador e o encargo tradutório.

h) Com qual função?: A tradução é uma comunicação intercultural, em que tanto o texto de partida quanto o texto de chegada pertencem a sistemas culturais distintos e, por isso, suas funções devem ser analisadas separadamente, levando-se em consideração, sobretudo, a situação de recepção de cada um dos textos. A noção de função textual significa a função comunicativa ou a combinação de funções comunicativas que um texto apresenta nas situações específicas de produção e recepção (a função comunicativa não fornece apenas a característica constitutiva fundamental do texto, mas também determina as estratégias da produção textual). Conhecer a função do texto-fonte implica a responsabilidade de o tradutor manter-se fiel às intenções do autor. Nesses termos, a função é o produto da configuração específica do papel do autor, sua intenção, o público-alvo e suas expectativas, o

suporte, o lugar, o momento e o motivo; se uma certa configuração se apresenta com frequência, ela pode constituir um gênero. De acordo com Nord (2005, p. 78): “[...] a noção de função textual está relacionada com o aspecto situacional da comunicação enquanto a noção de gênero refere-se ao aspecto estrutural do texto- em-função.”18

A tradução vista como oferta de informação pode desempenhar, na teoria de Nord (2005), duas funções: a) documental (ou, segundo Venuti, 2002, estrangeirizante): esse tipo de tradução visa a fornecer, em uma nova situação comunicativa (cultura-alvo), uma exemplificação de como, na cultura de partida, é estruturado um determinado gênero textual, documentando a estrutura e as características da linguagem que esse gênero assume na cultura de origem (por exemplo, o modo como se estrutura uma bula de remédio, um receituário ou uma receita de culinária). Em outras palavras, o leitor do texto de chegada terá ideia de como tal gênero é organizado na cultura de partida; e b) instrumental (ou domesticadora, para Venuti, 2002): essa forma de tradução visa à produção, na língua-alvo, de um instrumento que permita uma nova ação interativa entre o autor da cultura-fonte e o público da cultura-alvo, tendo como matéria-prima o texto-fonte. Em outras palavras, o tradutor deverá proporcionar ao leitor de chegada um texto o mais equivalente possível ao texto de partida, transmitindo a mensagem do autor do texto-fonte diretamente para o destinatário do texto-alvo, utilizando-se de recursos do novo código linguístico para reproduzir as ideias e sutilezas depreendidas do texto-fonte (NORD, 2008, 2005).

Na tradução documental, certas características do texto-fonte podem ser preservadas no texto-alvo, estando o destinatário ciente de que se trata de uma situação de comunicação que não corresponde à sua. Como tradução documental, podemos elencar a tradução palavra por palavra (ou interlinear), que focaliza os aspectos morfológicos, lexicais ou sintáticos do texto-fonte, a tradução literal, que intenta reproduzir o texto original, fazendo uso da adaptação da sintaxe, das estruturas e do léxico adaptados às normas da língua-alvo; a tradução filológica, que aparece como uma tradução literária, porém com acréscimos de explicações sobre a cultura-fonte ou particularidades da língua-fonte por meio de notas de rodapé ou glossário; e, finalmente, a tradução exotizante, que tenta preservar o

18“[...] the notion of text function is related to the situational aspect of communication, whereas the

contexto situacional de um texto de ficção para criar a sensação de “estrangeiridade” ou distância cultural para os leitores da cultura-alvo, conservando, então, a cor local do texto-fonte. Assinalamos que uma das principais características da tradução documental é a mudança de função entre o texto-fonte e o texto-alvo.

A tradução instrumental, diferentemente da documental, pode conservar a mesma função textual do texto-fonte no texto-alvo, e, nesse caso, tem-se uma tradução equifuncional – receitas culinárias, manual de instrução, textos técnicos, informações sobre produtos. Também, como tradução instrumental, classificam-se aquelas cuja função do texto original não pode ser inteiramente preservada no texto- alvo ou quando há dificuldade em se manter o mesmo grau hierárquico das funções por motivos culturais ou de distanciamento temporal entre os textos-fonte e alvo, sendo, no entanto, compatível com a intenção do emissor. Este é o caso das adaptações: essas traduções são denominadas heterofuncionais; a tradução homóloga busca reproduzir o efeito do texto original no novo contexto da cultura- alvo – é o exemplo da poesia, dos ditos populares, das metáforas, que funcionam, muitas vezes, em um esquema de compensação. Também, diferentemente da tradução documental, na tradução instrumental, o leitor pode não se dar conta de que está lendo uma tradução, pois, de maneira geral, a forma do texto se adapta às normas e convenções da cultura-alvo, no que diz respeito ao tipo textual, ao gênero, ao registro e ao teor.

Benzer Belgeler