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cada uma das etapas do trabalho.

Sequência didática é um conjunto sistematizado de atividades ligadas entre si, planejadas para ensinar um conteúdo etapa por etapa. Essa proposta env

olve atividades de aprendizagem e avaliação, organizadas de

acordo com os objetivos que o professor quer alcançar. VOCÊ JÁ FEZ O

PLANEJAMENTO? QUASE PRONTO,ESTÁ MAS TENHO ALGUMAS DÚVIDAS. VOCÊ TEM ALGUMAS? EU SOU SÓ INCERTEZA! EU JÁ TERMINEI O MEU. VOU TRABALHAR COM CONTOS FANTÁSTICOS. DE QUE JEITO VAI TRABALHAR ESSE GÊNERO COM A TURMA? ESTOU PREPARANDO UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA.

O QUE

É ISSO?

Na Ponta do Lápis – ano V – nº 11

Diante desse cenário, surge um grande de- safio para a escola: definir quais conhecimen- tos acumulados no curso da história devem ser ensinados e de que forma.

Pensar o ensino da língua portuguesa, por exemplo, exige do educador o domínio da língua, de seus princípios de aprendizagem, e uma re- flexão minuciosa da realidade, para então orga- nizar e articular a seleção de temas e conteúdos que devem ser ensinados sistematicamente.

Para trabalhar com gêneros textuais é fun- damental elaborar uma sequência didática, um roteiro de ações. Esse procedimento per-

4.

Analisar as marcas do gênero

No decorrer das atividades é essencial a mediação do professor, para que os alunos consigam analisar e identificar os recursos utilizados pelos autores na escrita. Por exemplo: ler textos, identificar as marcas próprias do gênero (as expressões próprias,

os tempos verbais utilizados).

5.

Buscar informações sobre o tema Esta é uma atividade valiosa para dar consistência ao texto. É preciso conhecer o tema sobre o qual se escreve, qualquer que seja a situação comunicativa, pesquisando, entrevistando pessoas, coletando dados da cultura local. É preciso dominar o conteúdo (ter o que dizer) e a forma (ter como dizer), utilizando o gênero mais apropriado para a produção.

6.

Produzir um texto coletivo

Esta é uma etapa bastante desafiadora da sequência didática. O professor coordena a produção do texto coletivo, dando oportunidade para que os alunos troquem ideias, exponham seus conhecimentos, dúvidas. Neste papel, o professor incentiva a participação de todos, organiza as falas, faz intervenções, transforma o discurso oral num texto escrito.

7.

Escrever um texto individual

É hora de o professor mobilizar os alunos para a escrita individual. Para realizar essa atividade, é necessário retomar a situação de produção e relembrar as marcas próprias do gênero. Nessa produção final, o aluno deve pôr em prática

tudo o que foi aprendido ao longo da sequência didática.

8.

Fazer a revisão e o aprimoramento do texto Essa é uma tarefa árdua para professor e alunos. Exige ler, reler, identificar o que não está bem claro e os aspectos que devem ser melhorados no texto. Por isso, o professor precisa incentivar e auxiliar seus alunos a vencer esse desafio.

9.

Publicar os textos produzidos pelos alunos

Finalizado o trabalho, organize os textos para publicação. Escolha o portador mais adequado ao gênero. Por exemplo: para crônica, transforme os textos dos alunos em um livro ou coletânea; se você trabalhou com notícia, publique-as no jornal local, ou no jornal mural. Com a publicação pronta, prepare com cuidado o lançamento. Convide pais, professores, colegas da escola, pessoas da comunidade. Essa significativa conquista – de professor e alunos – merece celebração.

mite integrar as práticas sociais de lingua- gem – escrita, leitura e oralidade –, guiando as intervenções do professor.

Vamos refletir sobre as orientações metodológicas da sequência didática

A sequência didática tem como finalidade abordar aspectos envolvidos na produção de textos em um determinado gênero. Esse con- junto de atividades permite que os alunos do- minem as características próprias do gênero em estudo e tenham condições de escrever cada vez melhor.

Lápis – ano V – nº 11

O sítio da vovó Valdenice fica em São João de Iracema, num lugar muito bonito, e o melhor de tudo é que é pertinho da cidade. É para lá que eu vou nos finais de semana. No sábado passado, eu resolvi ir ao sítio à noite. Eu já tinha atravessado a porteira quando, de repente, a luz se apagou... mas pernas pra que te quero! Ao perceber que eu tinha medo de escuro, vovó caiu na risada e resolveu me contar sobre a sua infância, onde apenas uma lamparina e a lua brilhante iluminavam a singela casa de pau a pique onde morava com sua família. “O escuro não me amedrontava, só incomodava um pouco na hora de ir para a privada que ficava afastada da casa: eu tinha receio de cair no buraco.”

Eu nasci e fui criada na nossa pequena e sossegada São João de Iracema, mais precisamente onde o Judas perdeu as botas, na calorenta região noroeste do Estado de São Paulo. Antigamente, nossa cidade era conhecida como “Os Poços”, devido aos boiadeiros que aqui passavam para abastecerem-se de água e refrescarem-se do calor do ser- tão agreste.

Na vila, a criançada só cuidava de duas coisas: brincar e aprender. Eu nunca mais consegui me esquecer do dia em que a ranzinza da professora me colocou ajoelhada em cima dos grãos de milho e me deu dois tapas na orelha. Que du- reza era estudar naquela época!

Nas ruas de terra esburacadas eu me sentia livre e feliz. Divertia-me jogando terra em quem passava, depois caía na gargalhada. Como naqueles tempos todo mundo era amigo de todo mundo, as caras feias eram raras. Quando eu sentia o cheiro bom da comida feita por mamães no fogão a lenha, ia correndo para casa encher a barriga. Que delícia!

O tempo foi passando devagar, pois aqui até o vento so- pra lentamente... A vila foi virando cidade e as casas de pau a pique foram sendo derrubadas e substituídas pelas de ti- jolos. Os moradores faziam mutirão para ajudar. Em 1966, eu já estava com meus 12 anos, quando a cidade acordou dife- rente: para meu espanto e de toda a população a energia elétrica havia chegado! Foi um alvoroço, era o fim das lam- parinas! Mais do que depressa o meu pai Ezequiel fechou a barbearia e foi o primeiro morador da cidade a ir até Fernan- dópolis comprar um liquidificador e uma televisão. A casa dos meus pais tornou-se a novidade do momento e ficou movimentadíssima: toda hora os vizinhos queriam usar o liquidificador para bater sucos e assistir à televisão.

Da lamparina