1. TÜRKİYE MUHASEBE STANDARTLARINA VE VERGİ USUL KANUNU
1.4. Vergi Usul Kanununa Göre Stokların Değerlemesi
1.4.2. Vergi Usul Kanununda Stok Değerleme Ölçüleri
1.4.2.2. Emsal Bedel Ölçüsü
E porque é, de vassalos o exercício, Que os membros tem regidos da cabeça, Não quererás, pois tens de Rei o ofício, Que ninguém a seu Rei desobedeça; Mas as mercês e o grande benefício, Que ora acha em ti, promete que conheça Em tudo aquilo que ele e os seus puderem, Enquanto os rios para o mar correrem.84
A função histórica do Estado Absoluto condiz na unificação do poder político e da sociedade, com o término dos privilégios das ordens já referenciadas no Estado estamental, resquícios da era medieval. Passou-se, nesse momento, a existir uma coesão nacional, em que a concentração dos poderes do Estado, na pessoa do monarca, soberano, foi representada, segundo Anderson de MENEZES: “a conjunção das
82 BRUNNER, Otto. Neue Wege der Verfassung and Sozialgeschichte. Gotinga, 1968. Tradução italiana
Per uma nuova storia constituzionale e sociale. Milão: [s. n.], 1970, p. 204.
83 MIRANDA, Jorge, op. cit., p. 42.
84 CAMÕES, Luís Vaz de. Os lusíadas. Jornal de Poesia. Canto II, n. 84. Disponível em:
opiniões e das vontades para fins comuns, pela coexistência pacífica e coletiva, pela independência e engrandecimento das nações e pela segurança universal”.85
Nelson SALDANHA também contribui para a caracterização desse período, traçando o conceito de monarquia:
A etimologia aponta para a imagem de uma unidade, ligada à de
arquia, termo mais leve do que cracia. A idéia de unidade, na noção de monarquia, sempre indicou individualidade, e daí dizer Jellinek que a monarquia “é o Estado dirigido por uma vontade física”. Geralmente se alinharam, como características do governo monárquico, as seguintes: vitaliciedade, hereditariedade e irresponsabilidade (esta última, um conceito técnico que depende do regime vigente). Os adeptos da monarquia, que começam, aliás, a rarear, aludem ao fato de que o monarca é um homem preparado desde cedo para o mando, ao qual chega por processos naturais, sem depender de acordos nem partidos.86
Contudo, atenta-se ao fato de que embora o poder esteja centrado na figura do monarca, o termo “absoluto” não reflete com precisão a real relação entre a sociedade e o Estado da época, visto que este não pode existir à margem do Direito. Nem o governante, por conseguinte, mostra-se desvinculado às normas jurídicas – “leis fundamentais” que se falam à época - que o titulam como tal.
Bem versa CAMÕES quando destaca que o poder é um ofício que deve ser exercido pelo monarca. Mesmo declarado absoluto e considerado um direito de propriedade do governante, isso não significa que seja ilimitado, pois como propriedade sempre se enquadra na lei. “Os soberanos foram menos absolutos do que se imagina: dependiam da própria legislação, por eles mantida ou criada; eram instrumentos da tradição, curvavam-se diante das resistências legítimas, que derivavam de leis e costumes.”87
O sentido próprio só pode ser o de Estado absoluto como aquele em que se opera a máxima concentração do poder no rei (sozinho ou com os seus ministros) e em que, portanto: 1) a vontade do rei (mas sob formas determinadas) é lei; 2) as regras jurídicas definidoras do poder são exíguas, vagas, parcelares e quase todas não reduzidas a escrito. Assim se explicam tanto os exageros dos teóricos do absolutismo (que sustentam que os únicos deveres do príncipe para com os súditos
85 MENEZES, Anderson de, op. cit., p. 118.
86 SALDANHA, Nelson. Pequeno dicionário da teoria do direito e filosofia política. Porto Alegre:
Fabris, 1987, p. 185.
ou para com o Estado são deveres morais, embora gravíssimos) como os dos monarcómacos (que chegam a defender o tiranicídio).88
Referente à relação do Estado com o particular à época, cabe ressaltar o seu desdobramento em dois entes bem característicos. O primeiro é o Estado propriamente dito, representativo do poder político e soberano. O segundo ente, de direito privado, desprovido de soberania, é o Fisco, cuja função é estabelecer relações jurídicas com os particulares. Estes, por conseguinte, só podem reivindicar seus direitos subjetivos contra aquele.
A evolução do absolutismo, caracterizado pela unificação nacional e concentração do poder soberano nas mãos do rei, apresentava dois períodos distintos. No primeiro, até o século XVII, havia uma confusão do Estado com a pessoa do monarca. Não existia ainda a concepção de personalidade jurídica do Estado, o qual era considerado apenas como uma extensão dos poderes conferidos ao rei, fundamentada no chamado “direito divino”. O rei exercia autoridade balizada na religião, pois se dizia ser escolhido por Deus e governava graças à entidade divina.
“Em tal fase da vida humana, imperaram realmente reis absolutos, com poderes ilimitados, cuja linha de conduta era dada como paradigma Luis XIV, simbolizando a monarquia, em sua unipersonalidade exagerada, na célebre frase l’État c’est moi [...]”89 Num segundo momento, a fundamentação do poder soberano passou de um pressuposto religioso para uma explicação racional, dentro de um novo ambiente iluminista. O Estado passou a ser considerado uma associação para a consecução do interesse público, devendo o rei ter plena liberdade nos meios para alcançá-lo. Foi o chamado “despotismo esclarecido” ou, em outro prisma, o “Estado polícia”.90
Na história moderna, usou-se a expressão “despotismo esclarecido” para designar o poder absoluto de monarcas que, contudo, orientaram em sentido progressista seus governos, como foram os casos clássicos de Frederico II da Prússia, Catarina II da Rússia, José II da Áustria e outros. Montesquieu, em meados do século dezoito, incluiu o despotismo entre os tipos fundamentais de governo (junto à república e à monarquia), como sendo aquele que se baseia no medo, e onde o poder é exercido sans loi et sans règle.91
88 MIRANDA, Jorge, op. cit., p. 42. 89 MENEZES, Anderson de, op. cit., p. 119.
90 Para DALLARI, essa denominação dá-se em razão de sua finalidade limitada à preservação da
segurança dos indivíduos, vigilante da ordem social, principalmente nos casos de ameaça externa ou de grave perturbação. (DALLARI, Dalmo de A., op. cit., p. 104).
Quanto ao termo polícia, são importantes as considerações de BOBBIO, MATTEUCCI e PASQUINO:
Não é difícil descobrir no termo grego politeia e no latino tardo- medieval politia a origem etimológica da moderna “polícia”. Mas, tanto no pensamento grego clássico como na sua aceitação por influência da Escolástica (politia ordinata), o termo conserva uma significação global e finalística, distante tanto da compreensão contemporânea e da do século passado [...], quanto do conteúdo que lhe foi atribuído a partir do Humanismo, na acepção peculiar de Estado de polícia. Se, na verdade, politeia significava para Aristóteles o ordenamento abrangente da polis – em resumo, a sua constituição – e se, para Santo Tomás, a politia ordinata era aquele ordenamento global da vida terrena em que se conseguia superar o dualismo próprio do antigo mundo cristão entre a esfera religiosa e a mundana, para uma e outra concepção o termo não designava o Governo, mas, quando muito, a forma de Governo, possuindo, por isso, um significado descritivo, estático [...] Foi nos Estados da Renascença, na Itália, mas principalmente na França, no Ducado de Borgonha, que o conceito de polícia adquiriu uma imediata importância operativa, como um instrumento preciso nas mãos do príncipe para a consecução dos seus fins políticos ou para o cumprimento dos seus deveres de Estado, o que é a mesma coisa.92
Na realidade, foi na França que o termo polícia adquiriu rapidamente significado técnico, dentro de uma concepção de atividade pública do Estado, em razão da antecipação de diversas condições estruturais. A solidez da soberania do monarca, bem como a sua posição de defesa contra as demais forças políticas que queriam conservar ou retomar os antigos privilégios, fizeram como que polícia, entendida de início como o complexo de atividades de Governo, fosse se sujeitando “a delimitações jurídicas cada vez mais precisas e cristalizasse progressivamente numa série de intervenções prefixadas em assuntos já definidos, redutíveis, por sua natureza, à segurança e a tranqüilidade dos súditos (e do príncipe)”93
No período entre os séculos XVI e XVIII, não só havia monarquias no Ocidente, como também apareciam algumas repúblicas, como a Holanda e algumas cidades da Suíça e do norte da Itália. Todavia, eram consideradas repúblicas aristocráticas, com algumas pequenas exceções, que se aproximavam mais do modelo da Antiguidade do que das repúblicas democráticas que surgiriam com as Revoluções Americana e Francesa.
92 BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G., op. cit., p. 410. 93 Id., loc. cit.
Para o Direito, a partir do séc. XVIII, a lei, como fonte, prevalece sobre o costume, o que proporciona movimentos de codificação de direitos e deveres, bem como consolida a função pública do Estado. O Estado também começa a intervir em setores da sociedade até então ignorados, como cultura, economia e assistência social.
Com a evolução do comércio, incrementou-se o capitalismo e o fortalecimento da burguesia como classe social dinâmica e esclarecida da sociedade. A dicotomia entre o poder econômico da burguesia e a ausência de sua participação nas decisões políticas do Estado promoveu forte descontentamento e resistência ao absolutismo. Campo fértil para movimentos revolucionários na Europa.