• Sonuç bulunamadı

1. TÜRKİYE MUHASEBE STANDARTLARINA VE VERGİ USUL KANUNU

1.4. Vergi Usul Kanununa Göre Stokların Değerlemesi

1.4.1. Vergi Usul Kanununda Stok Maliyeti Unsurları

1.4.1.2. Üretilen Malların Maliyeti

1.4.1.2.5. Ambalajlı Olarak Piyasaya Arzedilmesi Zaruri Olan Mamullerde

Essa transição do sistema político segmentado, presente na Idade Moderna, em razão do feudalismo, para a formação das monarquias absolutistas, com a concentração do poder nas mãos do rei, tem por mola propulsora diversos acontecimentos de cunho sociopolítico. O primeiro, e talvez o mais salutar, foi a luta contra a Igreja, principalmente quanto às restrições impostas aos seus direitos e privilégios e a sua submissão à autoridade real. Já no século XV, a fé cristã já não era considerada pelos humanistas condição essencial para a formação de uma civilização organizada. Um dos principais documentos usados pelo papado para justificar sua pretensão ao poder monárquico sobre Roma, Itália e o Ocidente, a Doação de Constantino, por exemplo,

65 “A partir de cerca de 1100, além do poder de decretar e interpretar as leis divinas, e de imunidade em

relação às leis seculares (também conhecidas como privilégio do clero), a Igreja detinha muitos outros direitos, como o de nomear e promover suas próprias autoridades, julgar e punir seus próprios funcionários (e até mesmo os leigos, nos casos que envolviam assistência espiritual); dar asilo a fugitivos da justiça secular; invalidar os juramentos de vassalos aos seus senhores; e, para sustentar todos esses privilégios, imensas extensões de terra, um sistema tributário próprio e, em alguns lugares, o direito de extorquir dinheiro também. Além de serem quase sempre nobres os seus prelados mais altos, a Igreja, da mesma forma que outros senhores feudais, podia conceder e receber privilégios [...] Assim, a Igreja integrou-se ao sistema feudal numa relação de apoio mútuo.” (CREVELD, Martin Van, op. cit., p. 85).

66 A Umam Sanctam Ecclesiam, publicada por Bonifácio VIII, em 1302, foi o ponto culminante do poder

da Igreja no período medieval, no qual o poder secular deveria ser exercido sob o comando e a autorização do sacerdote (ad nutum et patientiam sacerdotis). À época, colocava-se a distinção entre a lei humana e a lei divina - o poder divino, aferido por critérios de legitimidade e usado para prática do bem comum, consistia como principal garantia das pessoas. Ademais, as reivindicações realizadas pelo alto clero eram bastante ousadas, como exemplo, o direito de ter o papa competência para julgar todos e não ser julgado por ninguém. (Cf. BETTENSON, H. Documents of the Christian Church. Oxford: Oxford University Press, 1967).

era objeto de discussão e análise desde o século X, até que Lorenzo VALLA, a partir de seus conhecimentos, especialmente em latim, denunciou a falsidade de seu conteúdo, retratando a corrupção da Igreja e propondo que suas terras fossem rapidamente secularizadas e suas funções restritas à espera espiritual.67

Gradualmente a Igreja foi perdendo a sua independência financeira, bem como suas propriedades, que não eram poucas, em função da forte carga tributária imposta pelos reis. Outros direitos do clero, como a possibilidade de recorrer ao papa contra o sistema jurídico estabelecido no reino, a possibilidade de a Inquisição processar hereges (França) e a elaboração e execução de testamentos (Inglaterra), deixaram de existir ou passaram para as mãos do monarca. Por conseguinte, algumas autoridades eclesiásticas, na Inglaterra e em outros lugares como Portugal e Espanha, passaram a depender dos funcionários do rei para executar suas decisões de sua jurisdição.

Um momento de decisão ainda mais importante no triunfo dos monarcas sobre a Igreja foi a Reforma. Desde o início, um dos motivos pelo qual Lutero recebeu muito mais apoio do que os reformadores anteriores foi a sua insistência em que o movimento que liderava não tinha nuances revolucionárias; ele achava que não se devia permitir que a religião invadisse os domínios do poder secular.68

A partir desse momento, o protestantismo disseminou-se rapidamente, levando seus adeptos a renunciar à obediência ao papa e também dissolveram os centros espirituais da Igreja (mosteiros), com o confisco de grande parte das propriedades eclesiásticas. Esse foi um forte golpe contra a Igreja, com aumento da receita real e também com a transformação de seus diversos membros, como padres e servidores a mando do rei (cuja função era cuidar da alma do povo) e suas instituições, meros órgãos do governo.

Estava sedimentado, graças às linhas mestras do humanismo, um novo papel da religião, não mais como instrumento sancionador da qual dependia o governo para a sua organização, mas sim como forma de manter o povo em seu lugar. Idéia de MAQUIAVEL, que atribui o segredo da estabilidade política não aos preceitos religiosos, mas sim virtù, mais definida como um compartilhamento de patriotismo e coragem, que tanto criava quanto justificava o governo.69

67 Cf. MAFFEI, D. La donaxione di Constantino nei giuristi medievali. Milão: Giuffre, 1964. 68 CREVELD, Martin Van, op. cit., p. 94.

O segundo acontecimento representativo da queda do sistema feudal foi a derrocada dos grandes impérios, cujos chefes (imperadores) ainda mantinham, à época feudal, posição titular da hierarquia feudal. Por serem representantes de Deus na terra, seus direitos eram imutáveis e seu poder de mando válido em toda a cristandade. Exemplo de sua imponência era a competência exclusiva de nomear reis, o “rei dos reis” nas palavras do imperador Maximiliano, no século XV.

Com a Reforma, os governantes protestantes afirmaram, perante o imperador, a sua independência, não aceitando o seu comando e esse foi um passo para a repartição do império, o que ocorreu definitivamente com a Paz de Vestefália, em 1648, que culminou no término do conflito entre protestantes e católicos, gerado pela Guerra dos Trinta Anos, provocado pela intolerância dos Habsburgo, em sua última tentativa em restaurar o poder imperial na Alemanha e também na Europa. 70

Esse ato foi em vão, o que resultou na segmentação do império e no triunfo da monarquia sobre a Igreja e o imperador – transição entre aquele governo de conteúdo pessoal, na figura do senhor feudal e sua relação com a propriedade (Grundherrschaft), para uma soberania territorial (Landeshoheit) de substância marcadamente política por meio da Landesherrchaft.71

Quando se traçou uma linha nítida entre os territórios que pertenciam ao Império e os que não pertenciam, o imperador perdeu todas as pretensões que ainda pudesse ter sobre os outros governantes. O oeste e o centro da Europa foram divididos entre potentados soberanos seculares – embora seu número, engrossado pelos príncipes alemães que receberam “domínio territorial” ou Landhoheit, tenha passado de quinze. Os que estavam dentro do Império receberam praticamente todos os privilégios da soberania, inclusive o direito de manter suas próprias forças armadas e, o que pelo menos em teoria lhes havia sido negado até então, era o direito de fazer alianças entre si e com potências estrangeiras, “contanto que não se voltassem contra o imperador.”72

Não obstante à divisão da Europa em potentados soberanos, confirmados logo depois como Estados, outro fator que contribui para a transição da Idade Média para a

70 A dinastia Habsburgo ocupou o trono imperial alemão desde 1438, e se manteve unida em razão,

fundamentalmente, do ódio à França, aos protestantes e, naturalmente, aos turcos. “Casando entre si constantemente, tiveram laços íntimos durante um século e meio, até que a Guerra da Sucessão Espanhola (1702-13) por fim pôs um príncipe Bourbon francês no trono de Madri. Contudo, uma vez que o Império se viu privado dos recursos financeiros e militares espanhóis, morreram todos os sonhos acalentados por Viena no tocante ao restabelecimento da monarquia universal.” (CREVELD, Martin Van, op. cit., p. 117).

71 BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, Gianfranco. Dicionário de Política. 2 ed.

Brasília: Ed. UnB, 1986, p.426.

formação dos Estados Modernos foi a investida da monarquia contra o particularismo feudal. Romperam-se os laços de fidelidade entre os senhores feudais e seus vassalos no momento em que a nobreza, proprietária desses latifúndios e castelos, passou a apoiar a unificação do poder nas mãos do rei, em troca de privilégios que iam desde condição jurídica especial – julgamento por tribunais compostos de membros da própria classe – até tratamento tributário e administrativo diferenciado, como dispensa de certas formas de tributação e monopólio dos cargos mais cobiçados na Administração, nas forças armadas e também nos tribunais. Na dimensão econômica, esse apoio rendeu aos nobres a ampliação de seus domínios patrimoniais.

A nobreza, de concorrente da coroa, transformou-se em sua principal associada. “Em vez de usar armaduras e levar seus próprios estandartes quando lutavam pela causa real, os nobres, pouco depois de 1648, passaram a usar uniformes e, assim, tornaram-se literalmente ‘homens do rei’.”73

Jorge MIRANDA, por fim, sintetiza outros acontecimentos que aceleraram a ruptura do sistema feudal para uma nova era baseada na unificação territorial em função da nação e de seus elementos socioculturais, políticos e econômicos: cruzadas e rompimento das barreiras do Mediterrâneo; melhoramento dos meios de comunicação e alargamento das áreas de segurança; tendências literárias e artísticas inovadoras que conduziram, em um segundo momento, ao Renascimento; as cidades e as manifestações burguesas; desenvolvimento de uma economia balizada no capitalismo mercantil.74

O assentimento em se buscar interesses comuns, por meio da unificação territorial em torno de uma comunidade, formada por laços culturais, religiosos e políticos, também contribui para o desfazimento de sistema anterior caracterizado pela segmentação. As nações européias transformaram a geografia da Europa, com a concretização do Estado em torno de um elemento pessoal, o povo. Nesse contexto, outros elementos se acentuam, como a procura da origem, o fortalecimento da língua, as mesmas crenças, como também a própria idéia de sujeição ao rei. Isso se tornou em um verdadeiro sentimento nacional, que em alguns Estados, já existia desde os séculos XIV a XV.

A recepção do Direito romano também teve papel importantíssimo nesse período de transição entre a Idade Média e a formação dos Estados Modernos.

73 Ibid., p. 146.

O Direito romano, estudado e divulgado pelos legistas preparados nas Universidades, irá pôr em causa as concepções jurídico-políticas de origem germânica [...] O renascimento do Direito romano, a partir de fins do século XI e, sobretudo, do século XIII, é um dos mais importantes eventos da história cultural européia. Direito do Sacro Império, os reges vão também favorecer a sua recepção na medida em que se afirmam nos seus reinos iguais ao imperator e constroem o seu poder à semelhança do Imperador e as categorias jurídicas romanas vão largamente informar todas as novas construções políticas.75

Como se percebe, o elemento central de toda essa diferenciação entre o pretenso Estado Feudal e aquele que se constrói a partir dos séculos XVI e XVII, consiste indubitavelmente na progressiva centralização do poder em uma instância ampla que compreende o âmbito completo das relações políticas. Fundado sobre o princípio da territorialidade da obrigação política, bem como da progressiva aquisição da impessoalidade do comando político, por meio da evolução do conceito de officium, tem-se uma nova forma de organização política, o chamado Estado Moderno.76