3.2. Usul İncelemeleri
3.2.2. İç Kontrol Sisteminin İncelenmesi
3.2.2.5. Optimum Sipariş Miktarların Belirlenmiş Olup Olmadığı
O Estado constitucional - grande marco na história em função de sua racionalidade e universalidade de suas instituições e funções, recepcionados por vários sistemas políticos espalhados pelo globo – na sua condição juspolítica, não se desprende de certa situação socioeconômica. Sob esse prisma é que se passa a analisar a figura do Estado constitucional, representativo ou de Direito, agora como Estado liberal burguês, qual seja, liberal pela idéia de liberdade no propósito de limitação do poder político e redução de suas funções perante a sociedade civil, e, burguês, em função de sua identificação, principalmente no século XIX, com os valores e interesses da burguesia, a qual conquista o poder político e econômico.
Essa preocupação em estudar o Estado nessa dimensão socioeconômica mostra- se relevante, pois as transformações registradas, especialmente no século XIX, não se restringem ao campo da política. As revoluções liberais, não obstante o realce dado às liberdades jurídicas do indivíduo, como a liberdade contratual, a priorização da propriedade privada e também aos desvios de determinados princípios democráticos – restrição do direito de voto àqueles detentores de patrimônio ou rendimentos (sufrágio
127 Como exemplos, as Revoluções Francesa, Industrial e Americana (com a independência das treze
censitário) -, também são mecanismos de mudanças sociais, já que derrubam velhos hábitos, atingem as classes sociais, sua estratificação e seus valores (alguns se perdem, outros são adquiridos), bem como reestruturam os meios de influência ou de comunicação.
Os regimes liberais, em suas dimensões política, jurídica e socioeconômica são implantados ao longo do século XIX (a primeira metade) por diversas formas, seja por processo de imitação, ou por meios revolucionário ou cedência régia. São muitos os locais, que após o sobressalto do princípio das nacionalidades, com a unificação de diversos novos Estados, como Itália, Alemanha, independência da Grécia e demais países balcânicos, e outros da América Latina, em que se encontram as idéias advindas do liberalismo.
O Estado continuou a existir em sua dimensão histórica; no plano institucional bem pouco mudou na passagem do antigo para o novo regime; pelo contrário, os traços essenciais do Estado moderno foram ulteriormente aperfeiçoados e reforçados, em correspondência com o progressivo caráter técnico assumido pelo Governo e pela administração, a qual se tinha reduzido toda a sua carga de neutralidade, que desde o início havia caracterizado a experiência estatal como monopólio político [...] A passagem da esfera da legitimidade para a esfera da legalidade assinalou, dessa forma, uma fase ulterior do Estado moderno, a do Estado de direito, fundado sobre a liberdade política (não apenas privada) e sobre a igualdade de participação (e não apenas pré-estatal) dos cidadãos (não mais súditos) frente ao poder, mas gerenciado pela burguesia como classes dominantes, com os instrumentos científicos fornecidos pelo direito e pela economia na idade triunfal da Revolução Industrial.128
Sem deixar de relevar as críticas, o liberalismo foi decisivo para mudanças importantes na conjuntura global, como a adoção das liberdades individuais como verdadeira proteção da esfera de atuação do indivíduo e, no campo econômico, o afastamento da intervenção do Estado na atividade econômica, deixada nas mãos da burguesia, classe dominante, que detinha nesse momento todas as condições de livremente conduzir a economia, sem ingerência direta do poder público.
A partir dessa concepção, defende-se, então, a teoria em que a economia está sujeita às leis naturais que a levam a uma situação, fatalmente, de equilíbrio entre os integrantes do mercado, com resultados frutíferos para toda a sociedade, que será rica se os seus integrantes também o forem. O “trabalho de cada indivíduo contribui para o seu
próprio enriquecimento, e o proveito da sociedade está na razão direta do bem individual. O governante não deve interferir, de forma alguma, nesse processo natural de desenvolvimento do mercado.”129
Para Alberto VENÂNCIO FILHO, citando Alexandre PARODI, a concepção liberal do Estado nasceu de uma dupla influência:
De um lado, o individualismo filosófico e político do século XVIII e da Revolução Francesa, que considera como um dos objetivos essenciais do regime estatal a proteção de certos direitos individuais contra os abusos de autoridade, de outro lado, o liberalismo econômico dos fisiocratas e de Adam Smith, segundo o qual a intervenção da coletividade não deveria falsear o jogo das leis econômicas, benfazejas por si, pois que esta coletividade era imprópria para exercer funções de ordem econômica.130
Por oportuno, o próprio Adam SMITH, maior expressão do liberalismo econômico à época (1776), já ressaltava, em sua óptica, os fins fundamentais da comunidade política. O primeiro relacionado ao dever de proteger a sociedade da violência e da invasão; o segundo, voltava-se para o dever de proteger cada membro da sociedade da injustiça e da opressão de outro membro. Por derradeiro, tinha o dever de construir e manter obras públicas, bem como instituições públicas quando não fossem do interesse de qualquer indivíduo ou de um pequeno número deles.131- 132
Deve-se, portanto, ao liberalismo o verdadeiro desenvolvimento da civilização, por meio do enorme impulso proporcionado à produção de bens e serviços, e, também, da revolução produzida na tecnologia sem precedentes na história. Foi um surto econômico que se concretizou à base das leis de mercado e com o certo afastamento do Estado na atividade econômica, submetido ao manto do poder político exercido pela burguesia.
129 FONSECA, João Bosco Leopoldino da. Direito econômico. 5 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2004, p.
255.
130 PARODI apud VENÂNCIO FILHO, Alberto. A intervenção do Estado no domínio econômico. Rio de
Janeiro: FGV, 1968, p. 7.
131 BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de direito econômico. São Paulo: Celso Bastos Ed., 2003, p. 80. 132 O referido economista comenta sobre o liberalismo: “Portanto, sem qualquer intervenção da lei, os
interesses privados e as paixões dos homens levam-nos, naturalmente, a dividirem e a distribuírem o capital de qualquer sociedade entre os diferentes empregos com ele realizados, tanto quanto possível, na proporção mais vantajosa para o interesse de toda a sociedade. As várias regulamentações do sistema mercantil vêm, necessariamente, perturbar mais ou menos esta distribuição natural e muito vantajosa do capital.” (Cf. SMITH, Adam. A riqueza das nações. Lisboa: Gulbenkian, 1983, p. 199, Livro IX, cap. VII).
Por outro lado, essa expansão da atividade econômica ocorrida nos século XIX também gerou complicações, como o surgimento de grandes empresas fabris (concentração econômica) e, conseqüentemente, diversos problemas sociais, como desemprego, exploração excessiva do trabalho, pobreza e concentração populacional. Alberto VENÂNCIO FILHO mostra o principal motivo que levou o Estado liberal a desmontar perante a eclosão de uma política intervencionista e de relevância social, de mudança do status quo:
[...] durante todo o transcorrer do século XIX, importantes transformações econômicas e sociais vão profundamente alterar o quadro em que se inserira esse pensamento político jurídico. As implicações cada vez mais intensas das descobertas científicas e de suas implicações, que se processam com maior celeridade, a partir da Revolução Industrial, o aparecimento das gigantescas empresas fabris, trazendo, em conseqüência, a formação de grandes aglomerados urbanos, representam mudanças profundas na vida social e política dos países, acarretando alterações acentuadas nas relações sociais, o que exigirá que paulatinamente, sem nenhuma posição doutrinária preestabelecida, o Estado vá, cada vez mais, abarcando maior número de atribuições, intervindo mais assiduamente na vida econômica e social, para compor os conflitos de interesses de grupos e de indivíduos.133