1. MESLEK BİLGİLERİ
1.3. Emlak Müşavirliği Kanun Tasarısı
“Se eu fosse um louco, não seria um louco qualquer ou comum, porque eu seria tão esperto, tão inteligente que ao contrário de todos os loucos eu não estaria em um manicômio. E sabe por quê?
Bom... o porquê nem eu sei, porque se eu quero ser alguma coisa, essa coisa tem que estar livre para fazer o que quiser senão qual seria a graça?
O louco (eu) seria assim como um faraó era para o Egito, e soltaria os loucos das casas de manicômio e faria uma cidade. A cidade seria Kiloucura, quilos de loucura em uma cidade só... Todos nessa cidade fariam o que bem quisessem, quem afinal teria coragem para tentar impedir loucos de fazer alguma coisa? Quem seria o louco?
Mas toda cidade tem que ter sua economia, loucos não trabalham, e agora? Eu como faraó da Kiloucura contrataria vários doidivanas não loucos de outra cidade e tudo certo!
Tudo certo nada! No mundo em que vivemos os doidos passariam a perna nos pobres loucos. Pensando bem, já existe essa cidade de loucos e doidos, olhe bem para o país e a cidade em que vivemos. O que você vê? Todos já não temos idéias brilhantes, nem fantasias ludibriantes que nos tire da realidade em que vivemos.
É uma pena, eu...estava gostando de ser o louco faraó. Se uma cidade de loucos é um caos, prefiro estar só; me infiltraria no meio das pessoas, aquelas que se acham normais e inventaria o remédio da cura de todos os tipos de loucura.
As pessoas que se encontram loucas é porque humanos sem coração, ou traumas assim as fizeram. E daria o remédio contra loucura para todo mundo.
Talvez eu estaria inventando a solução para problemas mundiais. Assim a minha loucura acabaria, eu também tomaria o remédio, ficaria muito feliz porque descobriria que era médico e fiquei louco por não encontrar a fórmula de cura de um louco. Eu teria alcançado o meu objetivo.
Mas em todo caso não seria mais um louco. Eu abandono esse médico porque com o emocional já abalado estaria louco mais irreversivelmente, ninguém me daria remédio nenhum, iria para o manicômio sozinho o que não quero porque não existem loucos mais como antigamente...”
T. G. S.
A analogia é uma das características fundamentais do pensamento criativo. Essa habilidade denota a capacidade de brincar com idéias, cores, formas, conceitos a fim de se obter combinações incomuns. Observamos, no segmento abaixo, que a aluna faz uso dessa habilidade, pois, sendo louca, manifesta ter interesse em possuir as características de um faraó, ou seja, possuir o espírito de liderança. Para isso, brinca com as idéias e consegue fazer diferentes associações:
“O louco (eu) seria assim como um faraó era para o Egito” “é uma pena eu já estava gostando de ser o louco faraó” “Eu como faraó da Kiloucura contrataria...”
Encontramos também a analogia, no segmento abaixo, a aluna compara uma cidade de “loucos” com o mundo atual. Para ela, estamos em um mundo de “loucos”, onde já não temos idéias brilhantes e nem fantasias para nos tirar da triste realidade em que vivemos. É interessante observar que a aluna faz uma crítica à população atual, uma vez que esta não valoriza a fantasia.
“Pensando bem, já existe essa cidade de loucos e doidos, olhe bem para o país e a cidade em que vivemos, O que você vê? Todos já não temos idéias ludibriantes, nem fantasias que nos tire da realidade em que vivemos.”
A aluna brinca com o significado da palavra “louco”, ora a utiliza com sentido figurado, ora denotativo. Fazendo uma associação:
“...quem afinal teria coragem para tentar impedir loucos de fazer alguma coisa?
Quem seria o louco?”
A analogia também está presente, no segmento abaixo, pois a aluna compara os remédios que servem para curar doenças com os que servem para resolver problemas:
“e daria o remédio contra loucura para todo mundo.”
“Talvez eu estivesse inventando a solução para problemas mundiais”
Ao se referir aos homens como “humanos sem coração”, notamos que a estudante também faz uso de analogia e deixa implícita uma crítica aos seres humanos, pois estes por serem maus são os responsáveis pela loucura dos outros:
“As pessoas que se encontram loucas é porque humanos sem coração, ou traumas
assim as fizeram.”
Sabemos que a maioria das pessoas confia no experimentado e provado, parece que tem medo do novo. Por outro lado, o indivíduo criativo é mais descrente, duvida de tudo e não tem receio de enfrentar o novo. Sente uma necessidade enorme de ser livre. Kneller (1976) afirma que o ceticismo o liberta das crenças convencionais, ao passo que sua ingenuidade em relação a idéias novas o leva a se arriscar intelectualmente em busca da descoberta criadora. Observamos, no segmento abaixo, que a aluna manifesta um desejo em ser livre, em fugir das regras convencionais. Para criar o humor, utiliza como recurso lingüístico as reticências e uma pergunta retórica.
“Bom... o porquê nem eu sei, porque se eu quero ser alguma coisa, essa coisa tem que estar livre para fazer o que quiser senão qual seria a graça?”
Considerando que o aluno criativo é aquele que possui elevado senso de humor, pois sua espontaneidade oferece-lhe condições de lidar com idéias, organizando-as de forma diferentes e engraçadas, observamos no trecho abaixo essa habilidade, pois o fato apresentado pela estudante de “soltar os loucos do manicômio e construir uma cidade” causa espanto e surpresa no leitor. É esse absurdo que provoca o humor:
“...e soltaria os loucos das casas de manicômio e faria uma cidade..”
Ser lingüisticamente criativo é ter a habilidade de criar vocábulos novos. Encontramos na redação a palavra “Kiloucura”. Esse neologismo foi criado para nomear a cidade, uma vez que esta teria, muitos loucos, por isso quilos de loucura. A criação deste vocábulo é que provoca o humor:
“A cidade seria Kiloucura, quilos de loucura em uma cidade só...”
Ao utilizar a palavra “doidivanas” não como um sinônimo de “louco”, mas como antônimo, a aluna parece tornar o enunciado incoerente e é essa falta de lógica que provoca o humor:
“Eu como faraó da Kiloucura contrataria vários doidivanas não loucos de outra cidade e tudo certo.”
A aluna trabalha com idéias absurdas ao revelar que inventaria um remédio para a loucura e também tomaria o remédio. O efeito do remédio a faria descobrir a causa de sua loucura: um dia fora médico e por não descobrir algo para curar a loucura é que havia ficado louco. Agora com a mente sã, estava feliz por ter alcançado o seu objetivo de inventar o remédio para a loucura. Para conseguir se expressar, a estudante brinca
criativamente com as palavras, utiliza antíteses e constrói uma narrativa não linear. As idéias apresentadas parecem ser contraditórias e é essa construção que leva ao humor:
“Assim a minha loucura acabaria, eu também tomaria o remédio, ficaria muito feliz porque descobriria que era médico e fiquei louco porque não consegui encontrar a fórmula da cura de um louco. Eu teria alcançado o meu objetivo.”
Observamos que a aluna cria um final inesperado, pois no início de sua redação dizia que queria ser um louco diferente, não queria ir para o manicômio. E agora no final de sua redação ele iria sozinho para lá, já que não existiam mais loucos, pois ele havia criado um remédio para os loucos e só ele de tanto pensar seria louco. O enunciado por parecer incoerente e absurdo acaba provocando o humor:
“mas em todo o caso não seria mais um louco. Eu abandono esse médico porque com o emocional abalado estaria louco mais irreversivelmente, ninguém me daria remédio nenhum, iria para o manicômio sozinho (o que não quero) porque não existem loucos mais como antigamente...”
As frases feitas tiram toda a elegância do texto e revelam falta de criatividade. Notamos que a aluna utiliza para finalizar a redação uma frase feita, porém, neste caso, podemos considerar que o uso foi criativo, pois a estudante tem consciência do uso desgastado dessas frases e não se contenta em repetir, mas faz uma modificação para tornar o seu texto ainda mais original. Essa substituição é que leva ao humor:
“não existem loucos mais como antigamente...”
Considerando que a fluência é a habilidade de gerar muitas idéias, observamos que a estudante faz uso dessa habilidade diversas vezes em seu texto. Ao empregar perguntas retóricas, aquelas que envolvem o interlocutor sem exigir resposta, a aluna deixa fluir as suas idéias e também a do leitor:
“...eu não estaria em um manicômio. E sabe por quê?
...essa coisa tem que estar livre para fazer o que quiser, senão qual seria a graça? ..quem afinal teria coragem para tentar fazer alguém impedir loucos de fazer alguma ...bobagem? Quem seria o louco?
... loucos não trabalham, e agora? ...olhe bem para o país. O que você vê?”
É interessante observar que esta redação é de uma aluna que optou por ser um
personagem do sexo masculino. Esse fato nos leva ao questionamento do porquê dessa escolha. Será que sente as pressões da sociedade sobre o sexo feminino? Será que para poder expressar suas idéias, precisou se passar pelo sexo masculino? De certa forma, consideramos que essa escolha tornou seu texto mais original.
Verificamos que a aluna, para atingir seus objetivos e se comunicar com eficácia, utilizou as habilidades consideradas criativas como o humor, a fluência e a analogia diversas vezes em sua redação.
Redação 2 – Se eu fosse um...
“Se eu fosse um pássaro voaria para longe Se eu fosse uma flor seria bela e formosa Se eu fosse um astronauta iria até a lua Se eu fosse um palhaço estaria no circo
Se eu fosse uma escritora teria idéias sensacionais,
Para fazer esta redação, mas como eu não sou, vou ficando por aqui..” J. E..
Como sabemos, uma afirmação veemente é aquela que fazemos com convicção tentando a todos convencer da veracidade daquilo que dizemos. O humor desta redação reside justamente em tentar convencer alguém de um fato óbvio, cuja veracidade é
indiscutível. Todos sabemos que a flor é bela, que pássaros voam para longe, que astronautas almejam ir até a lua, que os palhaços ficam no circo e que escritor tem idéias brilhantes. Observamos que a aluna fez uso dessas expressões óbvias e também de paralelismo para criar um final inesperado: se ela fosse escritora teria idéias originais, mas como ela não era, iria ficar por ali. É esse final inesperado que provoca todo o humor da redação:
“Se eu fosse um palhaço estaria no circo
Se eu fosse uma escritora teria idéias sensacionais
Para fazer esta redação, mas como eu não sou, vou ficando por aqui.”
A fluência é a capacidade de gerar muitas idéias. Encontramos, nesta redação, essa habilidade, uma vez que a aluna apresentou diversas idéias do que gostaria de ser, não se contentou apenas em ser um único ser, mas almejou ser: pássaro, flor, astronauta, palhaço e por fim escritora. Com o final inesperado desta redação, observamos que a aluna encontra logo uma saída para o grande problema da maioria dos alunos: que é a de escrever uma redação. Notamos que deixa implícita a insatisfação que sente em escrever, que possui uma idéia já formada de que só os escritores são capazes de escrever bem. Diante disso, podemos considerar que há uma crítica ao ensino de redação atual, uma vez que os educadores não estão conseguindo fazer com que os alunos sintam prazer em escrever. Cabe aos educadores conscientizarem seus educandos que escrever não é um dom, mas uma arte que exige o desenvolvimento de habilidades e técnicas específicas, da mesma forma como o exigem a pintura, a escultura, a dança, a música e todas as outras artes.
Redação 3 – Se eu fosse um ...
“Se eu fosse um escritor, pera aí, eu sou um escritor, tenho de pensar em algo diferente... Se eu fosse um matemático, pera aí, também sou um desses...
Nossa, como é difícil pensar nisso... Já sei
Se eu fosse um desenho japonês, eu seria Poronoa Zoro, o caça-piratas do mangá One Piece.
Isso sim seria legal, ser forte, rápido, inteligente, conhecido, temido e dormir o dia inteiro durante uma viagem de navio ao redor do mundo.
Exatamente...
Ser forte como Maguila; Rápido como um Guepardo;
Inteligente como...pera aí, eu já sou inteligente; Conhecido como Chapolin Colorado;
Temido como Churck Norris;
E dorminhoco como a Milena, nunca vi ninguém dormir tanto...”
R. W.
Considerando que analogia é o ponto de semelhança entre coisas diferentes, observamos que o aluno faz uso dessa habilidade para melhor expressar suas idéias, uma vez que estabelece conexões entre coisas que nunca foram percebidas como tal. Não utiliza os famosos clichês “forte como um touro”, “rápido como um raio”. Ao fazer associações diferentes, o aluno foge completamente dos estereótipos. Vejamos o seguinte trecho:
“Ser forte como Maguila; Rápido como um Guepardo;
Conhecido como Chapolin Colorado; Temido como Churck Norris;
E dorminhoco como a Milena, nunca vi ninguém dormir tanto...”
O aluno almeja: ter a força de Maguila, lutador de boxe; a rapidez de um animal; conhecido como um personagem da programação infantil; ser temido como um ator de cinema e por fim dorminhoco como uma aluna da sala, a Milena. Como vimos, o estudante utiliza analogias para fazer novas associações.
O estudante utiliza, também, uma mistura da linguagem formal com a coloquial. Encontramos em sua redação a expressão “pera aí” considerada coloquial. Ao fazer uso dessa expressão, notamos o estabelecimento de um diálogo. O “pera aí” implica dialogar com um outro que pode ser ele mesmo, mas que seguramente, é um outro no plano discursivo. A ênfase humorística reside justamente no uso dessa expressão em discurso indireto livre:
“Se eu fosse um matemático, pera aí, eu sou um desses”
“Se eu fosse um escritor, pera aí, eu sou um escritor”, “inteligente como...pera aí, eu sou inteligente.”
Observamos que o aluno cria um final inesperado que provoca também o humor, quando apresenta várias características que gostaria de ter como: forte, temido, conhecido, rápido e, no final, deseja algo simples como ser: dorminhoco como uma aluna da sala. De acordo com Koch (2004: 27), um enunciado só tem valor dentro de um determinado contexto. Portanto, só quem conhece a aluna “Milena” e sabe que ela dorme durante as aulas, é capaz de fazer inferências, por meio de conhecimentos prévios e tornar o enunciado coerente e engraçado.
“Temido como Churck Norris;
E dorminhoco como a Milena, nunca vi ninguém dormir tanto..”
A anáfora, figura de linguagem que consiste em repetir palavra ou expressão, foi usada pelo aluno. Esse recurso revela a habilidade do aluno em fluência e humor:
“Se eu fosse um escritor...
Se eu fosse um matemático... Se eu fosse um desenho japonês...”
O aluno pode ser considerado fluente, pois expõe com clareza muitas idéias. Pensa em ser: escritor, matemático, desenho japonês, artista e também apresenta várias
características de “Poronoa Zoro” como ser: forte, rápido, inteligente, conhecido, temido e dorminhoco:
“Isso sim seria legal, ser forte, rápido, inteligente, conhecido, temido e dormir o dia
inteiro durante uma viagem de navio ao redor do mundo.”
Segundo os autores abordados nesta pesquisa, deixar um problema em aberto favorece a incubação. Esse recurso, além de fazer fluir a imaginação do leitor, proporciona também um certo suspense à redação. O aluno utiliza como recurso lingüístico as reticências para deixar suas idéias em aberto e fazer com que flua a sua imaginação e também a do leitor. Vejamos como utiliza esse recurso para manifestar sua habilidade de fluência:
“tenho de pensar em algo diferente... nossa como é difícil pensar nisso.. Exatamente..
E dorminhoco como a Milena, nunca vi ninguém dormir tanto...”