BÖLÜM 3. GENEL BİLGİLER
2. Fleksör kaslar
3.3. KRONİK MEKANİK BEL AĞRISI 1 Bel ağrılarında Epidemiyoloj
3.3.5. Kronik Mekanik Bel Ağrısının Konservatif Tedavisi 1 İstirahat Tedavis
3.3.5.3. Fizik Tedavi ve Rehabilitasyon Uygulamaları
3.3.5.3.5. Elektroterapi Uygulamaları
Esta investigação se desenvolveu a partir dos pressupostos da pesquisa qualitativa. De modo geral, esta consiste na tentativa de acessar dimensões do objeto que são inacessíveis à pesquisa quantitativa. Alguns diferenciam a pesquisa qualitativa da quantitativa apenas em seu aspecto instrumental, outros consideram que tal diferença acarreta implicações teóricas e epistemológicas. É, contudo, na segunda perspectiva apresentada que buscamos nos incluir (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 1).
De acordo com Paton (apud ALVEZ-MAZZOTTI & GEWANDSZNAJDER, 1999, p. 131), a pesquisa qualitativa parte do “[...] pressuposto de que as pessoas agem em função de suas crenças, percepções, sentimentos e valores e seu comportamento tem sempre um sentido, um significado que não se dá a conhecer de modo imediato, precisando ser desvelado”, o que justifica o seu caráter interpretativo.
Por esse caráter interpretativo, González Rey afirma que uma das principais divergências epistemológicas que se fundam entre a pesquisa quantitativa e a qualitativa, consiste no reconhecimento do papel das ideias e da produção teórica no processo de produção do conhecimento. Pressupõe-se “outorgar um lugar diferenciado ao empírico na compreensão da ciência” (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 7).
Por outro lado, implica em reconhecer que as questões epistemológicas implicadas nas ciências particulares relacionam-se estreitamente com questões epistemológicas tratadas pela filosofia. E assim, a epistemologia qualitativa assume, em todas as suas consequências, “o caráter histórico e cultural de seu objeto e do conhecimento como construção humana” (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 25-7).
Nesse processo, considera-se o caráter interativo e subjetivo presente no objeto. Pesquisador e pesquisado não só se implicam subjetivamente no processo da pesquisa, como a relação pesquisador-pesquisado é uma condição para o seu desenvolvimento. O principal cenário da pesquisa consiste justamente nessa relação e nas relações dos sujeitos pesquisados entre si (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 28).
Ressalta-se, também, que a pesquisa qualitativa considera a singularidade como nível legítimo da produção do conhecimento. Não se exige que os sujeitos pesquisados possuam o mesmo comportamento, assim como na pesquisa quantitativa. Pelo contrário, “a singularidade se constitui como realidade diferenciada na história da constituição subjetiva do indivíduo”. A
informação expressa em um sujeito pode ser tão significativa que não necessariamente precise se repetir em outros sujeitos (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 35).
Contudo, é importante considerar que os processos de produção dessas singularidades são interdependentes da realidade social vivida pelo indivíduo. Nesse sentido, a pesquisa qualitativa adota uma perspectiva dialética, assim como desenvolvida pela Ergologia.
De acordo com Duraffourg, na Ergologia pressupõe-se o trabalho da dialética do singular e do geral no âmbito da própria atividade. O singular se expressa ao olharmos para a vivência dos trabalhadores e reconhecermos que existem variabilidades no âmbito da atividade. Já o geral se expressa ao considerarmos que toda subjetividade se exprime no quadro de escolhas sociopolíticas. Os processos globais não deixam de ser considerados, pelo contrário, eles podem ser interpretados nos postos de trabalho. Na atividade concreta do trabalho, esses processos podem ser apreciados: é o que Schwartz chama de o ponto de vista
da atividade (SCHWARTZ; DURRIVE, 2010, p. 56-8).
Trata-se, assim, de um movimento de consideração do objeto e do contexto, que requer colocar o objeto (a atividade) em relação aos elementos mais gerais que advém do contexto e procurar identificar o que o determina, o influencia, o faz evoluir (SCHWARTZ; DURRIVE, 2010, p. 62).
Por esse motivo, essa proposta também se define como um estudo de caso, que busca investigar as singularidades dos sujeitos estudados, sem a pretensão de ‘generalizar’ os resultados para uma amostra maior de sujeitos. Para González Rey, o estudo de caso, ao invés de associar o estudo à noção de quantidade, propõe o olhar para a “condição qualitativa de singularidade, [...] expressão diferenciada e única de uma qualidade em processo de estudo” (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 157).
Os estudos de casos geralmente são desenvolvidos com o intuito de se estudar fenômenos sociais complexos contemporâneos. Nele se preservam as “características holísticas e significativas da vida real” (YIN, 2005, p. 20), ou seja, o estudo de caso é utilizado quando se deseja trabalhar com condições contextuais, dada a pertinência do contexto para o fenômeno em estudo. Trata-se de um conhecimento que advém da experiência, e por isso, mais concreto.
No estudo de caso, os sujeitos são considerados como parte de uma tensão permanente que se instaura entre a subjetividade individual e o social. Com isso, o valor de tal produção teórica está na qualidade da construção em relação ao objeto de estudo e em relação à teoria que se utiliza (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 158).
Para alguns autores, a tendência de um estudo de caso é esclarecer uma decisão ou conjunto de decisões e seus motivos. Outros elementos a serem considerados nesse tipo de estudo são indivíduos, organizações, processos, instituições, eventos, entre outros. Em geral, baseiam-se em questões do tipo ‘como’ e ‘por que’ quando se tratam de fenômenos contemporâneos inseridos em seus contextos. Esses estudos, em geral, são exploratórios e descritivos e, por esse motivo, os instrumentos de pesquisa utilizados geralmente são a observação participante e a entrevista (YIN, 2005, p. 31).
Dessa forma, o estudo de caso se justifica pelos pressupostos epistemológicos desta pesquisa e pelas características do objeto. O objeto de análise – práticas de saúde de trabalhadores/as Sem Terra – consiste em um fenômeno bem delimitado e, ao mesmo tempo, pouco explorado, que só adquire sentido quando estudado em relação ao próprio MST. Por outro lado, a unidade de análise – experiências de saúde no MST da região do Vale do Rio Doce – carrega a especificidade de ser uma região caracterizada por sua expressão no âmbito das práticas de saúde, tanto em períodos anteriores, como atualmente.
2.2 CONHECENDO OS SUJEITOS DA PESQUISA: O MOVIMENTO DOS