4.2. Bileşik Yarıiletken İnce Filmlerin Sentez Metotları
4.2.4. Elektrokimyasal atomik tabaka epitaksi
A relação do médico legista, com as situações concretas do ato pericial passa muitas vezes por cenário análogo ao descrito acima por Granger. O leque de relações perpassa pela solicitação pericial feita pela autoridade policial por encaminhamento do Ministério Público, pelo acompanhamento do advogado e pela emoção advinda das relações de parentesco do examinando, repercussão na mídia, comoção social em casos de desastres, crimes hediondos, sobretudo praticados contra crianças; entre outras. Dependendo do maior ou menor grau de carga emotiva pode-se estar diante de situação onde o conhecimento científico, o saber técnico e arte retórica de produzir o documento médico legal estariam em parte, prejudicados. Acrescente-se a isso a diversa formação científica de cada um, o tempo de exercício profissional e o interesse genuíno de cada um em relação à Medicina Legal. Associa-se ainda a esses fatos, certo perfil caudatário da Medicina Legal em relação ao Direito, aqui se estabelece então, o caldo de cultura ideal para o não exercício científico da Medicina Legal. A Medicina, e por decorrência a Medicina Legal, estaria fora do caráter universal da ciência prescrito por Aristóteles?
Teria a Medicina Legal, então, o perfil “desviante” definido por Granger como fundo de quadro, o de uma ciência do individual? O médico legista atua sobre fatos concretos, desde antes do nascimento do ser humano, até depois da morte do mesmo, perscruta a patologia mental e física, ainda vasculha os efeitos da violência sobre o corpo humano e os efeitos das diversas energias presentes no planeta sobre o mesmo ser humano, e para tanto, empresta conceitos e práticas de outras ciências além da Medicina.
Para Aristóteles, a ciência deve ter o caráter de universal, no sentido lógico do termo. A Medicina Legal em sua complexidade tem um universo maior que o da própria Medicina Clínica, haja vista que além de englobá-la, absorve os conceitos de outras ciências. Daí se deduz que as características atribuídas à Medicina, nem sempre servem para a Medicina Legal.
Nossa pegunta central: seria a Medicina Legal uma ciência do indivíduo quando o médico legista relata um fato concreto, ou uma circunstância específica, ou estaria ele aplicando conhecimentos científicos adquiridos válidos para uma classe? Granger (1960:
188/189) quando trata da Medicina Clínica e da relação do médico com o paciente e sua doença, assim se manifesta:
Le patient est perçu et pensé comme malade, et l’on ne saurait sans paradoxe étendre indéfiniment cette perspective. L’originalité épistémologique la plus féconde de la discipline médicale ne tient-elle pas précisément à la dialectique du “cas”, à la saisie complexe et contradictoire du singulier et du symptomatique, de l’idiosyncrasie et du symptome? Dialectique théoriquement très confuse, mais concrètement efficace, et dont il faut peut- être chercher la prise de conscience la plus lucide non dans les textes hippocratiques, mais dans la théorie aristotélicienne de la connaissance. C’est que l’élément pathologique dans la visée du “cas” ne l’est pas, à vrai dire, essentiel, du moins au sens ou l’entend la science du médecin. Il suffit, pour que s’établisse la dialectique du cas, que le fait examiné, que le second terme du couple clinique, soit visé comme “déviant” par rapport à une construction schématique. Et tel nous paraît être pour la science l’aspect positif de l’individuel.
Ttradução livre: O paciente é percebido e pensado como doente, e, sem cair num paradoxo não se poderia estender indefinidamente esta perspectiva. A originalidade epistemológica mais fecunda da disciplina médica não se refere, precisamente, à dialética do “caso”, à compreensão complexa e contraditória do singular e do sintomático, da idiossincrasia e do sintoma? Dialética teoricamente muito confusa, mas concretamente eficaz, e na qual seja necessário talvez buscar a uma tomada de consciência, a mais lúcida possível, não nos textos hipocráticos, mas na teoria aristotélica do conhecimento. Acontece que o elemento patológico, na visão do “caso”, não é, verdadeiramente, essencial, pelo menos conforme o sentido em que se entende a ciência do médico. É suficiente, para que se estabeleça a dialética do “caso” que o fato examinado, que o segundo termo do par clínico seja visto como “desviante” em relação a uma construção esquemática. E esse nos parece ser para a Ciência, o aspecto positivo do individual.
A aplicação de conhecimentos científicos a cada “caso”, em Medicina Legal, é complexa, justamente porque além de preceitos emanados da Medicina, necessita-se consultar outras ciências. O problema a ser enfrentado, portanto, na prática médico-legal, não seria o da singularidade, mas aquele das representações corpóreas do ser humano atingido por diversas classes de energias vulnerantes, ou de situações clínicas peculiares a todo ser humano. Pois, na maioria das vezes, a resposta corpórea, quer seja no ambiente macroscópico ou microscópico tem uma dinâmica comum a todo ser humano, variando apenas nos detalhes, inerentes à herança genética e ao meio em que se situa o indivíduo.
As respostas metabólicas, cicatriciais e fisiológicas variam quanto à intensidade, à extensão temporal e à sua dinâmica, advindo daí aquilo que, na Ciência, poder-se-ia chamar de singularidades. No entanto, estruturalmente, as respostas se assemelham. Estrutura no sentido piagetiano do termo, que contempla as totalidades, as transformações e as auto-
regulações, sugerindo sistemas fechados que, no entanto, se comunicam e sofrem influências do meio, ou seja, no âmbito de toda organização viva, no âmbito da Biologia.
Para Granger (1960: 189), a figura do “desviante” é rejeitada em toda teoria tradicional do saber, como algo que escapa à ciência. Citando Aristóteles, Granger retoma a doutrina desse filósofo, quando trata da ciência tendo como caráter o universal e necessário e não a significação sofística do acidental:
Aristóte établit à cette effet sa doctrine de l’universel et de l’accident. Dans ce dernier, il n’y a pas de Science, mais dans toute l’épistémologie du Philosophe règne cepandant une sorte de nostalgie de l’individuel. Callias, pour la Science, n’est qu’un homme; mais c’est à lui pourtant que nous avons affaire, et l’un des mouvements profonds de la pensée aristotélicienne conduit à um type suprême de l’être, defini à la fois, comme universel et comme individu singulier par la théologie physique du premier moteur. Conciliation trop évidemment inefficace. La science moderne naissante, qui voudra déchiffrer la nature comme un livre dont les caracteres sont des symboles mathématiques devra radicalement rénoncer à la saisie de l’individuel; plus aristotélecienne en un sens qu’Aristote lui-même, elle será science de l’universel et de l’universel seulement. La théorie des
probabilités réintroduit, d’une certaine manière, le deviant, mais en etant seulement que représentatif d’une classe, et non pas comme individuel.
Tradução livre: Aristóteles estabeleceu assim, sua doutrina do universal e do acidental. Neste último, não há ciência, mas em toda epistemologia do Filósofo, reina, no entanto, uma espécie de nostalgia do individual. Callias, para a Ciência, é apenas um homem; mas é a ele, no entanto, que devemos nos reportar, e um dos movimentos profundos do pensamento aristotélico nos conduz a um tipo supremo de ser, definido, por sua vez, como universal e como indivíduo singular pela teologia física do primeiro motor. Conciliação muito claramente ineficaz. A recente ciência moderna, que desejará decifrar a natureza como um livro cujos caracteres são os símbolos matemáticos deverá renunciar radicalmente à compreensão do individual; mais aristotélica que o próprio Aristóteles, ela será ciência do universal e do universal somente. A teoria das probabilidades reintroduz de certa
forma, o desviante, mas somente enquanto representativo de uma classe, e não como individual.
Na Medicina Legal Doutrinária, no dizer de Genival Veloso de França (2008), “área de ação de alguns”, há necessidade de se estabelecer, qual ou quais elementos têm características individuais e quais têm aquelas dos universais, e nesse caso, concorda-se com Granger (1960: 199), quando diz “Toute pratique s’exerce au contact de l’individuel”. A prática médico-legal é apanágio do individual, contudo, nesta atividade, o legista pode encontrar “fenômeno”, que altere conceitos, ou obrigue revisão de posições doutrinárias. No entanto, quando se abordam as questões de doutrina, estar-se-ia diante do universal,
necessariamente. A dicotomia “universal versus acidental”, do pensar aristotélico, é vivenciada pelo médico legista no seu cotidiano. Complicada, muitas vezes, pelo “talvez” ou pelo “pode ser”, ou seja, pelo condicional, pelo circunstancial, pelos motivos de “força maior” (acidentais), universo este, onde pululam as dúvidas e não as certezas. Certeza esta, entendida como manifestação positiva sem o receio do erro. As certezas não são tão freqüentes como se deseja nos ambientes científicos, antes, as ciências se movem mais nas perguntas do que nas respostas. O entendimento do individual no âmbito da ciência está restrito aos domínios da aplicação de conceitos científicos, justamente, o território de atuação do legista. Ao se pensar sobre a aplicação de conhecimentos científicos, na atuação do médico legista, deve-se ter em conta certo automatismo, presente no agir do referido técnico. Automatismo este advindo da formação profissional de cada um, tendo como base a Medicina Clínica, a Biologia e ciências afins. Tudo isto, alimentado pela práxis definida na semiologia médica, porém em direção à
poiesis, (a práxis é atividade que tem alvo em si mesmo, a poiesis tem por objetivo provocar a
existência de algo diverso da própria atividade), anexando-se ainda os fundamentos da legislação, do Direito. O campo de atuação da prática pericial é o individuo. Portanto, é a mesma visão que Aristóteles tem da Medicina no seu tempo, quando diz na Metafísica (A. 981ª. 15):
Ad agere quidem igitur experientia nihil ab arte differre videtur. Sed expertos magis proficere videmus sine experientia rationem habentibus. Causa autem est quia experientia quidem singularium est cognitio: ars vero universalium. Actus et generationes omnes circa singularia sunt. Non enim medicus sanat hominem nisi secundum accidens: sed Calliam, aut Socratem, aut aliquem sic dictorum, cui esse hominem accidit.
Na tradução de Yebra (1998: 5-6): Pues bien, para la vida práctica, la experiencia no parece ser em nada inferior al arte, sino que incluso tienen más êxito los expertos que los que, sin experiencia, poseen el conocimiento de las cosas singulares, y el arte, de las universales; y todas las acciones y generaciones se refieren a lo singular. No es al hombre, efectivamente, a quien sana el médico, a no ser accidentalmente, sino a Calias o a Sócrates, o a otro de los así llamados, que además, es hombre.
A visão da singularidade, ou melhor, da individualidade do ato médico, referido acima por Aristóteles na clinica médica, deve, a nosso ver, ficar restrita a esta prática e não deve, por extensão, chegar à Medicina Legal.
B) A Medicina Legal entre o acidental, o freqüente aristotélico e o necessário lógico-