3. YÖNTEM
3.3. Veri Toplama Araçları
3.3.1. Nicel Veri Toplama Araçları
3.3.1.4. Eleştirel Düşünme Becerileri Ölçeği (EDBÖ):
Quanto às palavras em –ão, algumas variáveis foram selecionados a fim de que pudéssemos encontrar justificativas para a escolha dos falantes pelos plurais em –ãos, –ães ou –ões. Esses fatores foram:
1. Forma de plural aplicada (variável dependente); 2. Número de sílabas;
3. Tonicidade;
4. Estrutura morfológica; 5. Plural etimológico; 6. Segmento precedente; 7. Número de plurais possíveis; 8. Freqüência de ocorrência; 9. Palavra.
Comentaremos cada um desses fatores separadamente.
1. Forma de plural aplicada
Esta é a variável dependente adotada em nossa análise e tem como objetivo apresentar percentuais sobre os morfemas de plurais adotados pelos informantes. Sendo assim, os critérios eram:
a) Plural em –ões adotado: “cartão”/“cartões”62 b) Plural em –ãos adotado: “cristão”/“cristãos” c) Plural em –ães adotado: “cão”/“cães” d) Ausência de plural: “aviãoØ”
e) Outra marca de plural: “religião”/“religiõe”
Esta variável representa o tipo de plural que o falante pronunciou nos experimentos, independentemente de essa forma ser considerada “certa” ou “errada” pelas gramáticas normativas do PB. Para elucidarmos melhor esse ponto, vamos utilizar a palavra “escrivão” como exemplo. De acordo com a gramática normativa, seu plural etimológico seria “escrivães”, no entanto alguns falantes, em nossos experimentos, adotaram a forma “escrivões”. Então, nesse caso, se, no experimento, o falante pronunciou o plural “escrivões”, o código para “plural em –ões adotado” foi utilizado, mesmo que esse não seja o plural recomendado pelas gramáticas e dicionários do PB. Se não fizéssemos a codificação dessa maneira, não haveria como contabilizar a quantidade de vezes que cada um dos tipos de plural foi adotado pelos informantes consultados.
Codificamos, também, outros dois casos: 1) Situações em que o informante, apesar de estar lendo uma frase em que, pelo contexto, a palavra deveria ser pluralizada, optou por mantê-la em sua forma singular; 2) Situações em que o informante utilizou uma forma de plural diferente dos três morfemas (–ões, –ãos e –ães) e da marca zero. Casos como
62 Na apresentação da codificação para os dados, exemplificamos apenas uma possibilidade de plural a ser adotada pelos falantes. No entanto, nos experimentos, o informante poderia adotar outras formas de plural, como “cartãos” e “cartães” para “cartão”. Nesses casos, a codificação seria em função dessas formas de plural pronunciadas pelo falante. As possibilidades de plural listadas no corpo do texto são somente exemplos com o objetivo de demonstrar como as palavras foram codificadas. Tais exemplos não significam que as formas apresentadas são as únicas possíveis para os plurais em questão.
esse são bastante raros (Cf. SCHERRE, 1988), mas adotamos esse código para captar as peculiaridades dessa flexão de plural.
Quanto à nossa hipótese para essa variável, supúnhamos que, por causa da alta freqüência do morfema –ões para pluralizar as palavras terminadas em –ão no singular, essa forma (–ões) seria a mais comumente adotada pelos falantes.
2. Número de sílabas
Com este critério, investigávamos se o tamanho da palavra teria algum efeito no tipo de plural adotado pelo falante. As opções eram:
a) Palavras monossílabas: “mão”, “pão”
b) Palavras com mais de uma sílaba: “caminhão”, “exposição”, “órgão”
No grupo de plurais em –ão, todos os itens monossílabos são pluralizados através dos morfemas –ãos e –ães. Em função disso, adotamos a variável número de sílabas a fim de verificar se, nas formas de plurais adotadas nos experimentos, os falantes preservariam essa informação sobre a pluralização dos itens monossílabos. Em consonância com o Modelo de Redes e a Teoria dos Exemplares, supomos que as palavras inteiras são estocadas no léxico mental e que generalizações morfológicas emergem a partir de similaridades entre essas palavras. Com base nesses pressupostos, nossa expectativa era de que os falantes preservassem mais os plurais etimológicos em palavras de uma sílaba, já que uma generalização importante sobre esse grupo é que todos os itens são pluralizados através dos morfemas –ãos e –ães. Portanto, esperávamos que houvesse menos variações de plurais na classe dos monossílabos.
3. Tonicidade
Através da tonicidade, investigávamos se o fato de o plural ocorrer em sílaba átona ou tônica faria com que a palavra fosse mais ou menos suscetível a generalizações. As possibilidades de codificação eram:
a) Palavras oxítonas (com plural na sílaba tônica): “alemão”, “mão”63, “televisão”
b) Palavras paroxítonas (com plural na sílaba átona): “bênção”, “órgão”
Quanto a esse fator, é importante lembrar que todas as palavras paroxítonas terminadas em –ão formam plural em –ãos, como “acórdão”/“acórdãos”, “bênção”/“bênçãos”64) e “órfão”/“órfãos”. Sendo assim, nossa hipótese era de que o plural etimológico em –ãos seria preservado nessa classe de palavras paroxítonas, visto que todos os itens desse grupo formam plural em –ãos.
4. Estrutura morfológica
Outra informação importante avaliada nos experimentos foi a interferência do sufixo na generalização de plurais. As possibilidades consideradas foram:
a) Sufixo: “cartão”, “exposição” b) Não-sufixo: “avião”, “pão”65
Como supomos que o léxico mental é organizado considerando, entre outros fatores, conexões morfológicas entre as palavras armazenadas, era importante analisar se haveria alguma correlação possível entre adoção de um tipo específico de plural e estrutura morfológica. A maioria dos sufixos terminados em –ão no PB forma plural em –ões, conforme vimos no Capítulo 2, “Grupo de Plurais”; então, nossa expectativa era de que os falantes preservariam essa informação quando pluralizassem tais itens.
5. Plural etimológico
O fator plural etimológico era importante a fim de verificarmos a direção que as variações de plural seguiam, ou seja, para percebermos se os plurais infreqüentes (em –ãos e –ães) estavam sendo alvo de generalizações em direção à forma –ões, conforme
63 Os monossílabos, como “mão”, “pão”, “grão”, foram incluídos na classe dos tônicos.
64 Conforme afirmamos anteriormente, a etimologia de “bênção” é benedictio, onis (plural em –ões), no entanto, por ser paroxítona, a única forma de plural considerada correta pela gramática normativa do PB é “bênçãos”. 65 Os monossílabos foram incluídos na classe não-sufixo.
prevíamos, ou se o contrário (plurais em –ões migrando para a classe dos –ãos e –ães) também ocorreria. É importante esclarecer que o plural etimológico aqui se refere à forma plural latina, portanto havia uma única possibilidade para cada palavra:
a) Plural etimológico em –ãos: “irmão”/“irmãos”, “vulcão”/“vulcãos” b) Plural etimológico em –ães: “cão”/“cães”, “pão”/“pães”
c) Plural etimológico em –ões: “avião”/“aviões”, “caminhão”/”caminhões”
Nossa hipótese, conforme já mencionamos no Capítulo 2, “Grupos de Plurais”, era que, em geral, as palavras pluralizadas em –ãos e –ães sofreriam generalizações para o grupo de –ões, porque esse morfema tem alta freqüência de tipo.
6. Segmento precedente
Com relação a questões fonológicas, analisamos se o segmento que antecedia a terminação –ão de singular interferiria em generalizações de plural. Sendo assim, adotamos a seguinte codificação para os segmentos precedentes:
a) Consoante: “cão”/“cães”, “pavão”/“pavões” b) Vogal: “avião”/“aviões”), “leão”/“leões”
Quanto a esse fator, não tínhamos nenhuma hipótese preliminar a respeito da possível interferência do segmento que precedia o morfema de plural.
7. Número de plurais possíveis
Outro fator importante a ser analisado era a quantidade de plurais que a palavra poderia adotar. Como vimos no Capítulo 3, “Revisão de Literatura”, algumas palavras que apresentavam plural etimológico em –ãos ou –ães desenvolveram um plural
analógico em –ões, por isso certos itens apresentam, atualmente, dois ou até mesmo três plurais distintos66. As possibilidades, portanto, eram:
a) Um plural: “mãos”, “pulmões” b) Dois plurais: “guardiães”/“guardiões”
c) Três plurais: “piãos”/“piães”/“piões”, “vulcãos”/“vulcães”/“vulcões”
Nossa hipótese era que, quando a palavra tinha dois ou três plurais possíveis, a forma –ões seria a preferida, por causa da sua alta freqüência de tipo. No entanto, poderia ser também que, se a palavra apresentasse plural abundante e a forma etimológica tivesse alta freqüência de ocorrência, não houvesse uma margem muito alta de generalizações, porque supomos que a alta freqüência de ocorrência torna os itens léxicos mais autônomos e imunes a mudanças analógicas.
8. Freqüência de ocorrência
Um dos fatores mais importantes sob análise nesta tese era a interferência da freqüência de ocorrência do item lexical. Conforme mencionamos diversas vezes ao longo do texto, a freqüência é apontada pela literatura lingüística como um dos critérios utilizados pelo falante para categorizar e acessar informações lingüísticas. Por causa disso, dividimos as palavras terminadas em –ão em três faixas diferentes de freqüência:
a) Freqüência baixa (de zero a 99 ocorrências): “escorpião”, “limão” b) Freqüência média (de 100 a 500 ocorrências): “leão”, “pão” c) Freqüência alta (mais de 500 ocorrências): “alemão”, “órgão”
Nossa expectativa era de que as palavras mais freqüentes conservariam seus plurais etimológicos e as palavras menos freqüentes favoreceriam as variações de plurais. Em nossos experimentos, a faixa de freqüência adotada foi a da palavra no plural. Conforme afirmamos anteriormente, todas as consultas de freqüência para essa codificação
66 Como vimos na subseção 2.2.2, as gramáticas divergem quanto às palavras que apresentam duas ou três formas diferentes de plural. Por causa disso, consideramos que a palavra possuía dois ou três plurais se pelo menos uma das gramáticas consultadas na subseção 2.2.2 admitisse essa possibilidade.
foram feitas no Corpus NILC/São Carlos, disponível em <www.linguateca.pt/ACDC/>. Maiores detalhes sobre esse corpus já foram mencionados na subseção 5.2.1 deste capítulo.
Ainda quanto à divisão por freqüência, tentamos encaixar palavras com plurais etimológicos diversos em cada uma das faixas, de modo a tornar os dados comparáveis entre si. Algumas vezes, por limitações referentes ao léxico, isso não foi possível.
9. Palavra
Em nossa análise, adotamos um código diferente para cada uma das palavras selecionadas para nossos experimentos. Nosso objetivo era observar se haveria itens léxicos favorecendo cada um dos morfemas de plural para o grupo em –ão. Além disso, analisávamos, também, se, tal como a Difusão Lexical (WANG; CHENG, 1977; HSIEH, 1977; OLIVEIRA, 1997) postula, as palavras submetem-se às variações de forma lexicalmente gradual, havendo, portanto, líderes e retardatários nos processos lingüísticos.
Nossa hipótese para esse fator era que as palavras apresentariam comportamentos divergentes no que diz respeito à migração das classes de plurais. Considerávamos, também, que fatores como a freqüência de ocorrência e a familiaridade do item léxico poderiam determinar a suscetibilidade da palavra às generalizações de plural.
Após apresentarmos e comentarmos todas as variáveis relevantes para a análise das palavras terminadas em –ão, podemos passar para a próxima subseção, na qual mencionaremos as variáveis adotadas para codificar as palavras terminadas em –l e –u.