BÖLÜM 2: ALTERNATİF TURİZM KAVRAMI
3.3 Konya’da Bulunan El Yazmaları Kütüphaneleri
3.3.6 El Yazması Kitaplarda Yer Alan Sanat Türleri
Em que pese não se possa falar em um conceito definitivo de ato administrativo, a dupla influência referida pode ser sentida na definição que vem sendo acolhida pela doutrina administrativista brasileira. Basta citar os conceitos adotados por Celso Antônio Bandeira de
Mello e Odete Medauar. Para o autor, conceitua-se ato administrativo como a “declaração do Estado (ou de quem lhe faça as vezes) no exercício de prerrogativas públicas, manifestada mediante providências jurídicas complementares da lei a título de lhe dar cumprimento, e sujeitas a controle de legitimidade por órgão jurisdicional”235. Para a autora, “é um dos
modos de expressão das decisões tomadas por órgãos ou entidades da Administração Pública, que produz efeitos jurídicos, em especial no sentido de reconhecer, modificar, extinguir direitos ou impor restrições e obrigações, com observância da legalidade”.236
Apesar de o conceito reunir os mesmos pressupostos fundamentais (origem estatal, modificação de situações jurídicas e legalidade), não há uniformidade doutrinária quanto ao tratamento que se dá aos componentes que formam o ato administrativo. Conforme registra
Celso Antônio Bandeira de Mello, não há “concordância total entre os autores sobre a
234 MAYER, Otto. Derecho administrativo alemán. Buenos Aires: Depalma, 1982. t. I, p. 76 e 126: “O ato administrativo é um ato de autoridade que emana da administração e que determina ao súdito o que para ele é de
direito em um caso concreto”.
235 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 11. ed. São Paulo: Malheiros, 1999, p. 271.
identificação e o número dos elementos”237, opinião compartilhada por Maria Sylvia Zanella
de Pietro238 e Odete Medauar239. Enquanto alguns autores240 entendem que o ato é composto de elementos (que dizem respeito à sua existência241) e de requisitos (que são indispensáveis à sua validade), outros242 empregam ambos os termos indistintamente.
Essa construção teórica, que fundamenta a distinção entre os componentes que delimitam a existência do ato (elementos) e os que lhe garantem a conformidade com a ordem jurídica (requisitos), tem sua origem no direito civil. A teria do negócio jurídico admite como elementos o que “compõe sua existência no campo do direito” e como requisitos, no plano da validade, “a qualidade que o negócio deve ter ao entrar no mundo jurídico, consistente em
estar de acordo com as regras jurídicas (‘ser regular’)”243.
Na linha da doutrina que não distingue os componentes do ato, o presente trabalho rompe com essa diferenciação entre requisitos e elementos. Compreende tratar-se de construção teórica distanciada da realidade, que pode servir como um dos fundamentos que sustentam a categoria dos atos inexistentes. E no regime que acolhe a presunção de legalidade da atuação administrativa, as consequências que afetam diretamente o administrado não podem ser desconsideradas. Adota-se como princípio, assim como Carlos Bastide Horbach, que “a independência dos atos administrativos reside no fato de estarem subordinados a um
regime jurídico especial, o regime da cogência e da imperatividade, o regime de direito público”244.Nesses termos, são duas as razões que fundamentam o posicionamento adotado.
Não se pode negar a aproximação do regime do ato jurídico e do ato administrativo, especialmente unidos em suas origens teóricas. Contudo, compreende-se que a diversidade de circunstâncias que podem decorrer da atuação administrativa não é compatível com qualquer tipo de pré-compreensão conceitual teoricamente fechada, cuja opção possa levar a consequências absolutamente diversas. E não é outra a hipótese: definir que os atos
237 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 11. ed. São Paulo: Malheiros, 1999, p. 275.
238 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2001, p. 186.
239 MEDAUAR, Odete. O direito administrativo em evolução. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1992, p. 149. 240 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2001, p. 187. PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcante. Trato de direito privado. Parte Geral. Rio de Janeiro: Borsoi, 1954. t. IV, p. 4; MEDAUAR, Odete. Direito administrativo moderno. 7. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p. 154; AMARAL, Diogo Freitas do. Curso de direito administrativo. Coimbra: Almedina, 2001, p. 249.
241 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 29.
242 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 19. ed. São Paulo: Malheiros, 1994, p. 49; MASAGÃO, Mário. Curso de direito administrativo. 6. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977, p. 144; GASPARINI, Diógenes. Direito administrativo. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 59.
243 AZEVEDO, Antônio Junqueira. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 29.
244 HORBACH, Carlos Bastide. Teoria das nulidades do ato administrativo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 56.
administrativos possuem requisitos de existência pode contribuir para à conclusão de que a ausência de qualquer desses requisitos determinaria sua inexistência. De outro lado, vícios que maculassem seus elementos acarretariam alguma hipótese de invalidade. Esse quadro teórico geral delimita o padrão de possibilidades e suas respectivas consequências, inviabilizando soluções variadas que considerem a complexidade de cada situação. Essa construção limitada acaba por desconectar-se das singularidades de cada conjunto de circunstâncias e não parece compatível com a demanda democrática procedimental e individualizada.
Além disso, não nos parece que a existência dos atos administrativos esteja vinculada aos caracteres necessários para a sua formação, mas, sim, ao momento em que passa a produzir efeitos. Não importa de que maneira e em que formato um ato administrativo – por mais incompleto que seja – alcança o universo de terceiros. No momento em que os efeitos são produzidos e sentidos, interna ou externamente, não se pode negar o fato de que sua existência é real. A percepção do ato e as consequências produzidas por seus efeitos materializam-se nas obrigações que recaem sobre a Administração Pública, destinada a gerenciar a realidade que decorre desses efeitos, especialmente tendo em conta a presunção de legalidade dos atos administrativos. Nada mais real e existente do que consequências com as quais se tenha que lidar.
Sem qualquer distinção, portanto, o trabalho avança considerando que o ato administrativo é composto por cinco elementos: competência, objeto, forma, motivo e finalidade. Nesse elenco, especificamente, a doutrina é bastante convergente245.