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3.3. ORTAK GİRİŞİMLER ve MUAFİYET

3.3.1. Ekonomik veya Teknolojik Gelişime

Construído com base na ideia original do “incidente de coletivização” previsto pelo anteprojeto do novo Código de Processo Civil, o artigo 988 do projeto do novo Código de Processo Civil67 prevê a possibilidade de instauração de um incidente a partir da constatação de controvérsia com potencial multiplicador cujo julgamento deverá ser adotado no julgamento de demais ações individuais repetitivas que versem sobre a mesma questão de direito material ou processual68.

São requisitos de admissibilidade desse incidente o risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica, decorrente da possibilidade de coexistência de decisões antagônicas sobre uma mesma questão jurídica, e a existência de efetiva ou potencial repetição de processos versando sobre essa matéria. Admitido o incidente, são suspensos todos os processos pendentes de julgamento no estado ou na região até o julgamento do caso paradigma, sendo que a demanda individual poderá ter seu curso retomado se o interessado demonstrar, “mediante argumentação racional e justificativa convincente”, que seu caso trata de “situação fática ou questão jurídica distinta”, nos termos dos incisos II, III e IV do § 5º do artigo 580 do

66 “[...] Efetivamente o sistema processual brasileiro vem buscando soluções para os processos que repetem a mesma lide, que se caracteriza, em verdade, como uma macro-lide, pelos efeitos processuais multitudinários que produz. Enorme avanço da defesa do consumidor realizou-se na dignificação constitucional da defesa do consumidor (CF/1988, arts. 5°, XXXII, e 170, V). Seguiu-se a construção de sede legal às ações coletivas (CDC, art. 81, e seu par. ún., I, II e III). Veio, após, a instrumentalização processual por intermédio da Ação Civil Pública (Lei 7.347/85, art. 1º, II), que realmente abriu o campo de atuação para o Ministério Público e de tantas relevantíssimas entidades de defesa do consumidor, de Direito Público ou Privado. Mas o mais firme e decidido passo recente no sentido de ‘enxugamento’ da multidão de processos em poucos autos pelos quais seja julgada a mesma lide em todos contida veio na recente Lei dos Recursos Repetitivos (Lei 11.672, de 8.5.2008), que alterou o art. 543-C do Código de Processo Civil, para ‘quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito’ – o que é, sem dúvida, o caso presente” (Recurso Especial nº 1.110.549/RS, p. 6-7).

67 Projeto de Lei do Senado nº 166/2010, com redação dada pelo Parecer nº 1.741/2010. Na Câmara dos Deputados o projeto tramitou com a numeração 8046/2010.

68 “Art. 988. É admissível o incidente de resolução de disputas repetitivas, quando, estando presente o risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica, houver efetiva ou potencial repetição de processos que contenham controvérsia sobre a mesma questão de direito material ou processual.”

projeto69. Com o julgamento do incidente, a tese jurídica central comum às ações individuais deverá obrigatoriamente ser adotada em “todos os processos que versem idêntica questão de direito e que tramitem na área de jurisdição do respectivo tribunal” e aos casos futuros, até que esse tribunal a revise (artigo 995 e § 1º).

A sistemática idealizada pelo Incidente de Resolução de Disputas Repetitivas se assemelha com aquela introduzida pela Lei dos Recursos Repetitivos (artigo 543-C do CPC vigente), promovendo-se a uniformização e a agregação de demandas a partir da constatação de questões jurídicas em comum. Ressalte-se que o mesmo procedimento poderá ser adotado para o julgamento de repercussão geral e recursos repetitivos, conforme disciplina do artigo 989, § 2º, do projeto do novo Código de Processo Civil.

De acordo com Leonardo Cunha, essa sistemática fora concebida diante da inadequação das regras processuais de cunho individualista do direito processual civil tradicional e da insuficiência dos mecanismos de tutela coletiva previstos no ordenamento jurídico para lidar com a questão das demandas de massa, cujo tratamento exigiria “regime processual próprio, com dogmática específica, que se destine a dar-lhes solução prioritária, racional e uniforme”70. A seu ver, o processo coletivo não teria alcance para abranger todas as situações repetitivas, pois (i) não haveria quantidade suficiente de associações legitimadas para postular em juízo todas as “situações massificadas” que se apresentam rotineiramente; (ii) há casos em que as ações coletivas são inadmissíveis per se, como em ações que envolvam “tributos, contribuições previdenciárias, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço

69 “Art. 508. Para dar efetividade ao disposto no art. 507 e aos princípios da legalidade, da segurança jurídica, da duração razoável do processo, da proteção da confiança e da isonomia, as disposições seguintes devem ser observadas […]

II - os juízes e os tribunais seguirão a súmula vinculante, as decisões proferidas em assunção de competência, em incidente de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos;

III – os juízes e os tribunais seguirão os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional, do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional e dos tribunais aos quais estiverem vinculados, nesta ordem;

IV – não havendo enunciado de súmula da jurisprudência dominante, os juízes e tribunais seguirão os precedentes do plenário do tribunal, ou órgão especial, onde houver, e a dos órgãos fracionários superiores, nesta ordem;

§ 5º. O precedente dotado do efeito previsto nos incisos II, III e IV do caput deste artigo pode não ser seguido, quando o órgão jurisdicional distinguir o caso sob julgamento, demonstrando, mediante argumentação racional e justificativa convincente, tratar-se de caso particularizado por situação fática distinta ou questão jurídica não examinada, a impor outra solução jurídica.”

70 CUNHA, Leonardo Carneiro da. Anotações sobre o incidente de resolução de disputas repetitivas previsto no projeto do novo Código de Processo Civil. Revista de Processo, São Paulo, v. 36, n. 193, p. 256-279, mar. 2011. p. 256. Em sentido semelhante, Daniel de Andrade Levy afirma que a reunião de processos repetitivos acarretaria uma “economia temporal para os juízos, que não precisarão conhecer as questões jurídicas coletivizadas”, ao mesmo tempo que afastaria decisões contraditórias, assegurando mais segurança jurídica para o litigante (LEVY, Daniel de Andrade. O incidente de resolução de demandas repetitivas no anteprojeto do novo Código de Processo Civil: exame à luz da group litigation britânica. Revista de

- FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos beneficiários podem ser individualmente determinados” (artigo 1º, parágrafo único, da Lei nº 7.347/1985); e (iii) a formação da coisa julgada secundum eventum litis das ações coletivas fundadas em direitos individuais homogêneos, que se estende in utilibus para a esfera individual das vítimas do evento (artigo 103, inciso III e § 2º, do CDC71), permite que novas ações individuais sejam propostas em caso de improcedência da ação coletiva, do que decorreria o fato de que o atual regime de processo coletivo não impediria a multiplicação de demandas veiculadas a “situações jurídicas homogêneas”.

O parecer da Câmara dos Deputados (relator deputado Sérgio Barradas Carneiro) sobre o projeto do novo Código de Processo Civil corrobora essa visão, ressaltando-se que de fato o incidente está sendo concebido para imprimir uma lógica de coletivização ao tratamento de disputas repetitivas:

Entre esses mecanismos que instigam a uniformização de jurisprudência, está o Incidente de Resolução de Disputas repetitivas, que permite uma única decisão para controvérsia com potencial de gerar relevante multiplicação de processos fundados em idêntica questão de direito e de causar grave insegurança jurídica, decorrente do risco de coexistência de sentenças conflitantes.

Ressalte-se que a admissão do incidente de resolução de disputas repetitivas implica a suspensão dos processos pendentes, em primeiro e segundo graus de jurisdição. Vale destacar que o incidente de resolução de disputas repetitivas moderniza a lei processual vigente, não só para superar os pressupostos individualistas que condicionaram sua elaboração, mas também para dotá-la de institutos novos voltados para decisões de âmbito coletivo.72

No relatório do projeto, enfatiza-se que a busca por mecanismos para julgamento de demandas repetitivas é informada por um diagnóstico de aumento no volume de processos e de “massificação de conflitos”, do que decorreria a necessidade de “criação de instrumentos que visam dar mais racionalidade ao processamento das demandas de massa”73.

71 “Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará coisa julgada: […]

III - erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo único do art. 81. […]

§ 2° Na hipótese prevista no inciso III, em caso de improcedência do pedido, os interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes poderão propor ação de indenização a título individual.” 72 Parecer da Câmara dos Deputados aos Projetos de Lei nº 6025/2005 e nº 8046/2010 e a outros que tratam da

reforma do Código de Processo Civil, p. 50.

73 “O acesso à justiça foi muito facilitado nos últimos anos. O progresso econômico, com a incorporação ao mercado de grande massa de consumidores, antes alheia à economia, repercutiu diretamente no exercício da função jurisdicional, com o aumento exponencial do número de processos em tramitação. A massificação dos conflitos, fenômeno bastante conhecido e estudado, é um dado de fato que não pode ser ignorado na elaboração de um novo CPC. A Comissão de Juristas e o Senado Federal propuseram a criação de instrumentos que visam dar mais racionalidade ao processamento das demandas de massa. Dentre esses instrumentos notabilizou-se o ‘incidente de resolução de demandas repetitivas’, que tem por objetivo a fixação de uma tese jurídica vinculante, que sirva para solução de todas as causas homogêneas. Trata-se de um dos pontos mais polêmicos do projeto: quase todos concordam com a sua existência, mas todos

Conclui-se, pela análise dos mecanismos previstos do ordenamento processual para julgamento de disputas repetitivas e dos instrumentos de coletivização, que coexistem no sistema duas sistemáticas para tratamento da litigiosidade repetitiva, quais sejam, a racionalização de julgamento de demandas e recursos que versem sobre questões ou tese jurídicas análogas e o tratamento coletivizado de demandas fundadas em direitos materiais substantivos com uma origem em comum.

Como o presente trabalho trata de respostas gerenciais à repetição, adotará um conceito mais amplo que compreenda disputas (judicializadas ou não) que versem sobre questões de fato e/ou de direito semelhantes e nas quais uma das partes esteja habitualmente envolvida em casos semelhantes. Entende-se que o grau de similitude entre as demandas a justificar um tratamento padronizado é consequência justamente do fato de que essas demandas decorrem de relações firmadas entre um determinado ator e outros tantos que com este se relacionam dentro de molduras e regras semelhantes.

Benzer Belgeler