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3.3. GELİR İDARESİ BAŞKANLIĞI TAM OTOMASYONU PROJELERİ

3.3.9. E-Devlet Projelerinin Genel Değerlendirmesi

O modelo gerencial de administração pública ocupa a lacuna teórica e empírica da desconstrução do modelo burocrático. A referência empírica do modelo gerencial localiza-se inicialmente na Grã-Bretanha, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, mas atualmente

suas aplicações encontram-se em toda parte. Mesmo os críticos ao modelo gerencial reconhecem que o modelo burocrático weberiano não responde mais às demandas da sociedade contemporânea e que o modelo gerencial estrutura-se captando as principais tendências presentes na opinião pública, entre as quais destacam-se o controle dos gastos públicos e a demanda pela melhor qualidade dos serviços públicos (ABRUCIO, 1997, p.7).

Abrucio (1997, 1998) também sustenta que o modelo gerencial não se constitui em uma doutrina rígida e fechada; ele tem um grande poder de transformação uma vez que incorpora as críticas à sua prática, e assim modifica algumas peças de seu arcabouço. Ele cita Hood (1996)21 para afirmar que as atuais transformações no modelo gerencial apontam para

uma pluralidade de concepções organizacionais que ultrapassam o mero gerencialismo, de modo que não existe um paradigma global capaz de responder, com soluções padronizadas, a todos os problemas enfrentados pela crise do modelo burocrático weberiano (ABRUCIO, 1997, p.08).

As experiências existentes na prática do modelo gerencial baseiam-se no pluralismo organizacional sob bases pós-burocráticas, vinculadas aos padrões históricos (institucionais e culturais) de cada nação. Sendo assim, esse modelo vai se forjando nas experiências, criando padrões diferentes, ao mesmo tempo que possibilita a comparação entre essas experiências e a subtração de seus princípios. Nessa análise, Abrucio (1997, p. 37-39) apresenta como principais tendências desse modelo:

- Incentivo à adoção de parcerias com o setor privado e com as organizações não governamentais;

21

HOOD, C. Beyond ‘progressivism’: a new ‘global paradigm’ in Public Manangement? International Journal

- Ampla introdução de mecanismos de avaliação de desempenho individual e de resultados organizacionais;

- Maior autonomia às agências governamentais e horizontalização da estrutura hierárquica; - Descentralização política;

- Estabelecimento do conceito de planejamento estratégico; - Flexibilização das regras que regem a burocracia pública; - Flexibilização da política de pessoal;

- Profissionalização dos servidores públicos.

As experiências do gerencialismo permitiram que Abrucio (1997, 1998) os analisasse e agregasse, considerando três sub-modelos derivantes desse processo de transformação do modelo gerencial em uma lógica desenvolvimentista. O primeiro é o gerencialismo puro, mais direcionado à redução de custos e ao aumento da eficiência e produtividade da organização. O segundo é o consumerism, que incorpora novos significados, como a ênfase na flexibilidade da gestão – passagem da lógica do planejamento para a lógica da estratégia, e o conceito de consumidor de serviços públicos. E o terceiro é o Public Service Orientation - PSO, que surge da tentativa de introduzir os conceitos de accountability e eqüidade na prestação de serviços públicos.

Para o autor, toda a reflexão realizada sobre PSO leva aos temas do republicanismo e da democracia, por utilizar conceitos como accountability, transparência, participação política, eqüidade e justiça, questões praticamente ausentes no debate sobre o modelo gerencial puro. Essa reflexão desencadeou-se a partir do questionamento sobre a eficácia da descentralização, entendida para além das vantagens da eficácia das políticas públicas, considerando a proximidade entre os cidadãos e os serviços. A proximidade remete a uma dimensão territorial de localização do serviço e a uma dimensão social e política do controle da população sobre a ação descentralizada e próxima. Nessa lógica, o conceito de

cidadão passa a suplantar o conceito de consumidor, como é abordada pelo sub-modelo consumerism.

A proposta do PSO resgata os ideais de participação política dentro de um conceito mais amplo, o de esfera pública, que utiliza a transparência como proteção contra novas formas particularistas de intervenção na arena estatal, como o são o clientelismo e o corporativismo (ABRUCIO, 1997, p. 27). Sendo assim, é a partir do conceito de esfera pública que é estruturado o conjunto de idéias do Public Service Orientation. A esfera pública é compreendida como o lócus da aprendizagem social e política e da transparência, da articulação entre Estado e sociedade civil, além de estar presente também na organização interna da administração pública, sobretudo no momento de elaboração, monitoramento e avaliação das políticas públicas. Para Abrucio (1997, p.27) a esfera pública deve ser o espaço de superação dos limites do planejamento estratégico, que não pode estar confinado à burocracia. Os objetivos políticos definidos pelo planejamento estratégico devem ser discutidos e revelados num processo de debate público, assim como o debate sobre os resultados das ações.

Essa esfera pública pode ser melhor definida como esfera paraestatal, pois trata-se do lugar de encontro da sociedade civil com o Estado, conforme Costa (2002) e Dagnino, E. (2002). E sua ampliação é apontada por Rua (1997) como uma estratégia do modelo de administração pública gerencial de superação da burocracia através da ruptura com a dicotomia da política e administração e com a falsa neutralidade da burocracia. Essa ruptura é evidenciada no princípio da flexibilidade, que implica a tentativa de superar a rigidez burocrática e a orientação primária de maximização custo/benefício e de admitir a interação com o ambiente social. Também conforme Rua (1997), essa estratégia pode ser operacionalizada através:

a) da descentralização e da horizontalização das estruturas, que implicam autonomia de gestão e tendem a romper com o princípio da hierarquia e com a ética da obediência situados na base da neutralidade e despolitização da burocracia;

b) da participação dos agentes sociais, que implicam as noções de gestão participativa e se baseiam nos conceitos de transparência, accountability, participação política, eqüidade e justiça.

Não obstante, trata-se de uma estratégia que se operacionaliza através de ações que inserem um novo ethos na relação entre o Estado e a Sociedade Civil. Accountability, transparência, participação popular e governança tornam-se princípios de uma mudança que consiste basicamente no reconhecimento do cidadão com agente ativo no processo de decisão sobre a agenda do governo e suas ações. Essa concepção passa, necessariamente, pela questão da informação, ou seja, a garantia do cumprimento dos direitos civis, políticos e sociais depende do livre acesso à informação e de sua ampla circulação e distribuição na sociedade; sem ela, torna-se inviável o pleno exercício da cidadania, segundo Cabral (1995, p. 41).