2. BÖLÜM: İLK DÖNEM HANEFÎ ESERLERİNDE EŞRİBE BÖLÜMLERİ
3.2. Eşribe Bölümünün Muhteva Tahlili
Outras questões delicadas aconteceram nesta mesma oficina de zoneamento. Essas estiveram, em geral, relacionadas a demandas das comunidades, com base em suas necessidades e à resistência por parte dos pesquisadores do Plano de Manejo, principalmente parcela do grupo da Academia, que viam estas questões sob outra ótica.
Um dos assuntos polêmicos que acompanhei envolvia o acesso a algumas áreas para desenvolvimento de atividades de ecoturismo e educação ambiental. As discussões inicialmente ocorreram no grupo do Parque Estadual do Prelado e posteriormente no grupo da EEJI, devido aos limites e demandas comuns entre essas UCs.
No grupo do Prelado, a primeira questão tensa que gerou muita discordância entre população local e técnicos, referiu-se à única cachoeira que estava dentro do parque. Esta era utilizada para lazer e as pessoas que trabalham com ecoturismo no município tinham intenção de usá-la como um atrativo. O problema em questão é que a cachoeira estava em uma área onde os técnicos do Plano de Manejo, representados naquele grupo por Osvaldo e Júlia que eram da Academia, haviam sugerido ou determinado previamente que deveria ser uma zona intangível (na qual não pode haver interferência humana).
Isso gerou um enorme desconforto e os moradores locais que pretendiam acessar a cachoeira não concordavam com a zona intangível abrangendo a área. Os técnicos por sua vez, não levavam em consideração as necessidades e demandas das pessoas e comentavam entre si “... eles querem entrar na zona intangível!”. Presenciei
Júlia, por diversas vezes, fazendo comentários arrogantes e debochando dos comunitários, mostrando-se indignada com as demandas apresentadas por estes.
A discussão foi muito tensa. Magali, da Academia, por vezes interferiu, sempre sorrindo, enquanto os representantes da população local estavam muito exaltados. Em uma de suas interferências, Magali diz que os pesquisadores sabiam que o uso dessa cachoeira seria perdido, porém esse era um preço a ser pago pela conservação desta área.
Questionei ao Osvaldo da Academia, sobre o que levou os pesquisadores a definir a área como zona intangível. Ele me disse que aquela área abrigava todas as diferentes formações da Mata Atlântica e que isso era único e deveria ser preservado. Em particular, insisti nos questionamentos sobre como se havia chegado a essa conclusão, se tinham ido a campo para fazer observações ou utilizado imagens de satélite. Ele me respondeu que se havia constatado isso a partir de imagens de satélite. Alessandra que trabalhava com ecoturismo em Iguape, perguntou a Osvaldo sobre o efeito de visitas apenas com pequenos grupos nesta área, se mesmo assim prejudicaria tanto ao ambiente. Osvaldo respondeu afirmando que se um único ser humano transitasse pela área, apenas isso já prejudicaria os animais ao longo do tempo, “talvez daqui há 200 anos, mas irá prejudicar” disse ele.
Um morador local que estava quieto dirigiu a palavra a Osvaldo e disse:
“Gostaria que o senhor fosse comigo a essa tal zona intangível que está falando, porque se agente for lá agora, agente vai ver rastro de palmiteiro e de caçadores”.
A discussão foi bastante acalorada e ambos os lados não queriam ceder. De um lado, pesquisadores do plano de manejo, da Academia que não admitiam o uso dessa área. Estes enfatizavam que a área deveria ficar como zona intangível e que esse era um preço que os moradores teriam que pagar para a preservação deste ambiente que era “único”. Do outro lado, estavam os moradores que pretendiam usar a área para levar grupos de visitantes como uma alternativa de geração de renda para aquela região. Esses tentavam garantir o uso de um dos poucos atrativos para o ecoturismo que o parque do Prelado possuía, além da praia. E enquanto isso, ao que tudo indica, caçadores e palmiteiros transitam pela área livremente.
Antes que essa discussão fosse concluída, a possibilidade de uso de outra cachoeira entrou em debate. O uso desta mostrou-se uma alternativa aceita pelos moradores locais, em troca da primeira. Trata-se da Cachoeira do Engenho. Esta, segundo o relato dos participantes, é acessível por Iguape, por alguns quilômetros de trilha e um trecho de rio que se faz de canoa até a cachoeira. No desenho do primeiro mosaico, a trilha estava no parque do Prelado e o trecho de rio e a cachoeira estavam dentro da Estação Ecológica.
Os moradores propuseram que fosse feita uma troca. A cachoeira que estava no parque ficava como zona intangível e se permitiria a entrada na EE para visitar a Cachoeira do Engenho, com grupos controlados, com finalidade de Educação Ambiental.
Como a cachoeira estava nas áreas da EEJI, a moderadora do grupo do Prelado disse que não poderia decidir isso naquele grupo que se restringia a discutir as zonas do Parque do Prelado. Enquanto a discussão acontecia, dirigi-me ao grupo da EEJI. Em particular conversei com o gestor da EEJI, mencionei sobre a discussão que estava ocorrendo no outro grupo e perguntei a opinião dele sobre o assunto. Ele me disse que da forma como eu expusera o caso ele não considerava inviável o uso deste atrativo. Porém salienta que não existem estudos ainda para essas atividades nesta área, e que precisariam ser feitos levantamentos e definidos critérios, mas a princípio não seria impossível.
Voltei ao grupo e relatei a conversa que eu havia tido e foi decidido que no dia seguinte essa proposta seria discutida no grupo da EEJI no momento das propostas de intersecção entre as UCs. No dia seguinte, Jeferson, um dos moradores de Iguape, apresentou a questão discutida no grupo do Prelado sobre a cachoeira do engenho. Mostrou no mapa, onde se localizava a trilha que estava no parque, o trecho de rio e a cachoeira que estavam na EEJI e comentou a demanda dos moradores locais (de conduzirem grupos para visitação com finalidade de EA, com grupos pequenos controlados etc.). Explicou que isso seria como uma troca pela cachoeira do parque que ficaria como zona intangível.
O primeiro a se manifestar foi um dos pesquisadores do plano de manejo, Nellson Motta. Este disse conhecer muito bem o povo do sudeste, que a cachoeira seria
destruída e viraria uma “porquice”. Afirmou que a comunidade não estava preparada para realizar EA, que para isso é preciso ser um pedagogo, ter uma formação acadêmica.
Eu estava logo atrás dele e fiquei muito chocado e incomodado com suas falas. Pedi a palavra e me coloquei como um representante da academia que trabalhava com EA e que discordava totalmente do que o mesmo havia dito. Disse que para se fazer EA não é preciso formação acadêmica e que é interesse da EA ser “enraizada” na sociedade. Comentei sobre programas de formação de educadores do MMA e que existia muito material disponível ao qual qualquer um pode ter acesso. E que, pelo que conheci da comunidade, eles não querem destruir aquela área. Pelo contrário, pretendem realizar atividades ligadas ao ecoturismo e não ao turismo de massas. De qualquer forma é dentro da EEJI e que sendo assim podem ser feitos estudos e existem mecanismos para que isso não gere tanto impacto. Como exemplos citei: controlar a visitação, estabelecer números determinados de visitantes por período, monitoramento contínuo e participativo dos impactos, entre tantas outras medidas cabíveis e possíveis de serem efetivadas numa ESEC.
Após algumas falas, sobre o assunto, as quais reforçaram minhas colocações, Nellson Motta retomou a questão. Ele usou de forma equivocada minhas palavras, dizendo que como o colega (eu) mesmo falou é necessário um curso ou algum tipo de formação. Mas, um tanto contrariado concordou com a visitação à cachoeira, desde que sob uma série de recomendações a serem elaboradas posteriormente e com base em maiores estudos.