A Research On Expectations From Psychologicial Counseling And Guidance Services
2. Problem Cümles
5.2. Eğitimcilerin Rehberlik Servisinden Beklentilerine ĠliĢkin Bulgular ve Yorumlar
Nesta tese, buscou-se aprofundar sobre a questão da vulnerabilidade à infecção pelo HIV, por via sexual, por parte de mulheres e homens que se declaram heterossexuais procurando-se compreender como as tendências de heterossexualização e feminização da epidemia se interrelacionam com a problemática de gênero.
A busca de maior conhecimento sobre os graus de vulnerabilidade dos indivíduos à infecção pelo HIV por via sexual, partiu da definição de que o grau de vulnerabilidade de um indivíduo decorre da relação entre o seu padrão de exposição ao risco de infecção e a sua capacidade para enfrentá-lo. A capacidade de enfrentamento está definida tanto pelas condições de defesa e reação das quais o indivíduo dispõe como pela utilização que faz delas, que pode, ou não, conduzi-lo a uma adaptação positiva ao cenário de risco definida, fundamentalmente, pela adoção de comportamentos preventivos.
À essa definição de vulnerabilidade, somam-se dois pressupostos: 1) todos os indivíduos soronegativos possuem algum grau de vulnerabilidade à infecção pelo HIV; 2) o grau de vulnerabilidade é afetado (diminuído ou aumentado) por condições de natureza cognitiva, comportamental e social. As relações gênero, particulamente, o poder de negociação da prática sexual com os parceiros, estão incluídos na dimensão social.
De acordo com a definição de gênero que se adotou, entende-se que esse conceito é socialmente construído, relacional e permeado pelas relações de poder. Definido dessa maneira, o conceito tem clara interface com a vulnerabilidade ao HIV, refletindo-se na forma como as concepções sociais sobre a vivência da sexualidade feminina e masculina, e a efetiva aderência de mulheres e homens a essas concepções, afetam o padrão de exposição ao risco de infecção e a capacidade de enfrentamento dos indivíduos.
Nesta tese, buscou-se explorar a maneira pela qual o exercício da sexualidade e das relações de gênero influencia o grau de vulnerabilidade de mulheres e homens heterossexuais à infecção pelo HIV pela via sexual. A vivência da sexualidade, contudo,
não reflete, apenas, dimensões de gênero mas, também, a interseção dessa categoria com elementos tais como a classe social, a raça ou a geração dos indivíduos. Nesta tese foram incluídas todas essas dimensões, buscando dar conta da variabilidade do fenômeno.
Na prática, essa tentativa foi operacionalizada fazendo uso de uma base de dados que oferece informações sobre indivíduos de ambos os sexos, residentes nas áreas urbanas brasileiras, que têm entre 16 e 65 anos de idade e que mantêm comportamento heterossexual. Um conjunto de vinte e quatro variáveis foi selecionado para represerntar as dimensões “padrão de exposição ao risco” e “capacidade de resposta”.
Com o método GoM, os indivíduos foram aninhados em perfis que indicassem o seu grau de vulnerabilidade à infecção pelo HIV por via sexual. A maior vantagem desse método é possibilitar a identificação da aderência todos os elementos do conjunto estudado a cada um dos perfis que se estabelecem. Sendo assim, um indivíduo não tem de pertencer necessariamente a um ou outro grupo, podendo sim, pertencer a dois ou mais grupos simultaneamente.
O potencial que esse método oferece é particularmente pertinente ao estudo de processos de vulnerabilidade/empoderamento pois essas não são dimensões às quais um indivíduo ou grupo tem pertencimento exclusivo.
Os três perfis de referência delineados foram nomeados de maneira a reletir as duas dimensões principais em torno das quais este estudo entende o conceito de vulnerabilidade. Um total de 35,6% dos entrevistados aderiu totalmente a um dos seguintes perfis delineados: I) “não expostos com baixa capacidade de resposta” (12,4%); II) “expostos com baixa capacidade de resposta” (12,6%); III) “muito expostos com alta capacidade de resposta” (10,6%).
Os perfis de referência, contudo, estão regidos pela noção de pertencimento exclusivo à uma dimensão o que, como já se ressaltou, não é adequado para se entender processos de vulnerabilidade. Nesse sentido, partiu-se para a redefinição dos perfis de maneira que eles não reflitam apenas os casos extremos abrangendo, também a simultaneidade de
situações. Para tal, utilizou-se expressões booleanas para classificar os indivíduos segundo a intensidade de seu pertencimento aos três perfis de referência gerados.
Sendo assim, definiu-se que a predominância de um perfil de referência seria marcada pelo pertencimento a um dos perfis extremos em, pelo menos, 75%. Os três perfis predominantes mantiveram a denominação dos perfis do qual têm predomínio e integraram 62,87% dos entrevistados.
Os demais indivíduos da amostra, se distribuíram entre cinco perfis mistos, também gerados por expressões booleanas, nos quais há uma ligeira predominância de um dos perfis de referência, e um perfil “sem predomínio”, no qual os indivíduos estão equidistantes de qualquer um dos perfis de referência. Esses perfis mistos foram nomeados seguindo as mesmas estratégias segundo as quais se denominou os perfis de referência.
Tendo em vista o número de indivíduos que agregaram e/ou o interesse que a suas características despertaram, quatro perfis foram selecionados para uma comparação mais profunda entre eles e a amostra total. São eles: “não expostos com baixa capacidade de resposta”, “expostos com baixa capacidade de resposta”, “muito expostos com baixa capacidade de resposta”, “jovens consideravelmente expostas com baixa capacidade de resposta”.
Com base nos resultados dessa comparação, indentificou-se 3 padrões principais de vulnerabilidade à infecção pelo HIV por via sexual:
1) “Não expostos circunstanciais”:
Esse grupo corresponde aos jovens de 16 a 19 anos do perfil de “não expostos com baixa capacidade de resposta”. A respeito desses jovens, preocupa o fato de eles ainda não terem tido o seu primeiro intercurso e exibirem baixa capacidade de resposta à exposição. A não exposição desses jovens ao risco de infecção pelo HIV lhes confere baixo grau de vulnerabilidade. Porém pela associação de elementos que definem a baixa capacidade de enfrentar uma eventual exposição (entre outros, o baixo nível socioeconômico e de informações sobre a epidemia, o alto grau de estigmatização que
expressam etc.) parece ser plausível assumir que, uma vez expostos, esses jovens farão parte de um grupo altamente vulnerável.
Conforme se ressaltou ao longo do quinto capítulo desta tese, a situação das meninas que compõem esse perfil preocupa particularmente por duas razões principais: a) as razões de sexo calculadas para o total de casos de aids notificados são persistentemente mais baixas para o grupo de 16 a 19 anos, indicando que o processo de feminização da AIDS é mais intenso para esse grupo; b) a vulnerabilidade à infecção pelo HIV pela via sexual se sobrepõe à vulnerabilidade à fecundidade precoce, que é um dos principais problemas que afeta as jovens adolescentes do país.
O despreparo da maioria das jovens desse grupo etário e desse nível socioeconômico para enfrentar essa dupla vulnerabilidade é explicado, em grande medida, pelo fato de essas jovens estarem vivenciando o início de sua vida sexual em um momento de transição dos padrões de gênero. Por um lado, o exercício mais livre da sexualidade as expõe, antes e com maior intensidade, aos riscos de uma gravidez indesejada e de uma infecção por DSTs, inclusive a aids. Por outro lado, os valores da “moralidade dupla” parecem persistir nesse grupo, conforme sugere a literatura a respeito. Nesse sentido, a maior liberdade sexual, não necessariamente implica em um exercício responsável e consciente da sexualidade.
Enfatiza-se a importância de colocar os adolescentes no foco das campanhas de prevenção da AIDS e de integrar essas campanhas àquelas voltadas para a contracepção.
2) “Muito expostos com alta capacidade de resposta”:
Esse perfil pode ser considerado como o de mais baixo grau de vulnerabilidade à infecção pelo HIV por via sexual. O grupo foi considerado de maior exposição em função de sua aderência a práticas tais como o sexo anal e o número mais elevado de parceiros sexuais. Contudo, o aumento no grau de vulnerabilidade que esses comportamentos provocam é atenuado por fatores tais como o maior uso de preservativo por parte desses indivíduos, o mais baixo grau de estigmatização da AIDS que eles expressam e o mais alto nível de informação do qual dispõem.
Pensando no modelo de vulnerabilidade que se operacionalizou neste trabalho, dentre os perfis que se analisou com maior profundidade, o de indivíduos “muito expostos com alta capacidade de resposta” é o único que evidencia a adaptação positiva ao cenário de risco. A constatação decorre da observação de sua maior adesão à sorotestagem, à mudança de comportamentos em função da AIDS e à prática da negociação sexual.
Se, no caso dos “não expostos circunstanciais”, a maior vulnerabilidade foi influenciada pela desvantagem socieconômica do grupo, entre os “muito expostos com alta capacidade de resposta” níveis socioeconômicos mais altos contribuem para a sua vulnerabilidade mais baixa.
Há que se enfatizar, contudo, que esse perfil é predominantemente composto por homens de coortes que iniciaram a sua vida sexual após a existênicia da AIDS (ou concomitantemente ao seu início). Esse fator pode ser determinante para que, nesse perfil haja maior aderência à prática preventiva em geral e, de maneira particular, à adoção do preservativo cuja decisão final é, por definição, masculina.
Sobre as mulheres que integram esse perfil, cabe ressaltar que elas são indiscutivelmente menos vulneráveis do que as mulheres “expostas com baixa capacidade de resposta”, com as quais foram comparadas. Porém, na comparação interna do perfil entre elas e os homens, há alguma diferença apontando a maior vulnerabilidade das mulheres em relação aos homens. Isso pode indicar a existência de contrastes internos aos grupos delineados marcadas pelo gênero.
3) “Expostos com baixa capacidade de resposta”:
Fundamentalmente composto por mulheres e indivíduos de baixo nível socioeconômico, os “expostos com baixa capacidade de resposta” se configuram como o grupo mais vulnerável da amostra estudada. Por tal razão procedeu-se ao aprofundamento sobre esse perfil utilizando, para tal, um estudo de base qualitativa.
A análise dos resultados encontrados pela utilização de ambas as abordagens, apontam que, nesse grupo, a adaptação ao cenário de risco se dá pela convivência com ele sem evidência de mudanças de comportamento em função da AIDS.
Em geral, a não efetivação de mudanças de comportamento justifica-se pelo fato de as mulheres e homens desse perfil não se perceberem em risco de infecção. Ter um parceiro fixo, conhecê-lo e confiar nele são as “estratégias de prevenção” mais adotadas por esse grupo, como ficou evidente pelos dados qualitativos utilizados.
Embora a vulnerabilidade desse grupo seja comum às mulheres e homens, os homens parecem aderir com mais intensidade ao argumento da confiança anteriormente mencionado.
Em síntese, o estudo realizado foi eficiente na classificação dos indivíduos heterossexuais segundo o seu grau de vulnerabilidade à infecção pelo HIV por via sexual. Além disso, o estudo contribuiu para o desenvolvimento do conceito de vulnerabilidade, ressaltando o rico potencial que a dimensão de gênero oferece como categoria explicativa das diferenças encontradas.