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3. DOLAYLI VE DOLAYSIZ VERGİLERİN EKONOMİK BÜYÜME

3.1. Vergilerin Ekonomik Büyümeyi Etkileme Kanalları

3.1.2. Dolaysız Vergilerin Ekonomik Büyüme Üzerindeki Etkileri

Os entrevistados acreditam que as dificuldades por eles vivenciadas são decorrentes unicamente da falta de emprego ou de uma ocupação fixa que lhes possibilite uma renda mensal fixa, pois dessa forma teriam tranqüilidade para viver sem sofrimentos, sem depender do Estado, da família e de ninguém. A renda procedente do trabalho contínuo é desejada.

Ter emprego ou uma ocupação fixa traz tranqüilidade,.o que facilita a aquisição de bens de primeira necessidade (alimentação, vestuário, moradia, educação e lazer) para garantir a manutenção de sua família. Salários ou ganhos adquiridos com o trabalho realizado nessas famílias não são, todavia, suficientes para cobrir as despesas reais da família de quatro a cinco pessoas em média. Não se pode atribuir somente à falta de emprego, ou de uma ocupação fixa remunerada, a da situação de exclusão social que vem e que traz desconforto, insegurança, intranqüilidade e sofrimento às famílias.

Viver desempregado, subempregado, sem trabalho fixo, ou ter que trabalhar precariamente em qualquer serviço que apareça ainda que eventualmente, são rotinas comuns na vida das famílias que residem em territórios de exclusão social. São experiências duras e desagradáveis, principalmente para os homens, que são educados para serem os provedores. Sentem-se constrangidos e envergonhados por estarem desempregados. Talvez por isso, as mulheres, tentando proteger a imagem de seus maridos, preferem declarar que eles estão fazendo “bicos” (mesmo que o tenha realizado no mês anterior) do que dizer que está desempregado ou sem fazer nada. Dentre os 19 homens que convivem com suas famílias, oito tinham emprego formal em empresas, seis tinham ocupação fixa como autônomos, e cinco trabalhavam eventualmente. Nenhum desses homens estava trabalhando nas profissões para as quais tinham qualificação, ainda que fosse insuficiente. Ao tocar no tema emprego, os entrevistados afirmavam com veemência, que se tivessem emprego não teriam problemas, portanto, viveriam bem:

“... o desemprego é a pior coisa que acontece na vida de todo o ser humano, porque se a gente trabalha, tem da onde fazer o sustento da família...”(mulher da Família 25).

“[...] um sacrifício maior é a falta de emprego, porque você tem que ficar pedindo sabe, um biquinho para uma vizinha, entendeu? Você ir atrás de emprego, gasta condução, volta cansada e nada...” (mulher da Família 31).

“[...[ Eu só reclamo mesmo do lado financeiro; se o lado financeiro tivesse bem acredito que o resto andaria melhor...” (mulher da Família 6).

[“..].para mim ficar melhor, teria que tá trabalhando, sempre que eu ganho o meu dinheirinho para eu poder estar legal. para um homem da minha idade estar desempregado é horrível! é péssimo! Eu quero construir do bom e do melhor para a minha família. Eu queria poder dar tudo para eles o que eu não tive...” (homem da Família 29).

“[...] a falta de emprego, de opção de serviço, de trabalho, até bico é difícil de você arrumar. Então, eu acho que você sem o serviço, o pouco que seja, seja um salário mínimo, a pessoa já muda de semblante, tô ganhando, nem que seja um mixariazinha...” (homem da

Família 24).

Como pode-se observar, os relatos reiteram o valor de autonomia que o trabalho tem na vida destes homens e mulheres, como também a crença das famílias de que o desemprego é a causa maior das dificuldades, dos desconfortos e dos sofrimentos que elas vivem e experimentam cotidianamente.

Mesmo que o objetivo desta pesquisa não seja o de discutir as causas que provocam a degradação e potencializam as complexidades vividas pelas famílias, é importante ressaltar que há outras causas além do desemprego, imbricadas no processo de produção e reprodução social. Por exemplo, o círculo endêmico da pobreza que expõe gerações e gerações a viver e se reproduzir em situações de precariedades semelhantes, ainda que, para muitas destas pessoas, não tenha faltado emprego ou uma ocupação fixa remunerada.

As experiências de trabalho dessas famílias são vivenciadas em condições desumanas, considerando a presença de insalubridade, precariedade e, para a maioria, tem caráter intermitente. Jovens e adultos das quarenta famílias trabalham no que aparece. Das quarenta mulheres, 36 têm algum tipo de ocupação que lhes rende alguma remuneração, além de serem donas de casa. Mas nenhuma delas trabalha com registro em carteira. Todas contam que no passado já trabalharam com carteira assinada, época em que eram auxiliares de serviços gerais em firmas de limpeza, costureiras em oficinas de costura, montadoras na linha de montagem em fábricas de brinquedos, empregadas domésticas em casas de família. Com a crise ocasionada pela mudança do processo produtivo e a ampliação do desemprego estrutural que afetou todos os setores da economia nacional até mesmo pelas

regras globalizadas, essas mulheres perderam o emprego e a condição de seguradas do regime de previdência social, reduzindo seu acesso a proteção social.

Hoje, essas mesmas mulheres, principalmente aquelas que chefiam suas famílias, continuam trabalhando, só que sem nenhum seguro trabalhista e previdenciário público. Trabalham como faxineiras, diaristas, manicure, cabeleireira, babá, cuidadoras de pessoas idosas, empregadas domésticas, costureiras, vendedoras (cosméticos, perfumes, bijuterias, doces e salgados), bordam, tecem, tricotam, fazem e vendem chocolates e produtos de limpeza. Todos esses trabalhos são realizados de forma eventual e no mercado informal de trabalho. Há ocasião em que as mulheres são obrigadas a cumprir uma jornada de 10, 12 e de até 15 horas diárias de trabalho com baixa remuneração, pois enfrentam os piores trabalhos (na qualidade e na remuneração) já que são diaristas.

Durante o período de realização das entrevistas, conheci situações de trabalho que classifico como de semi-escravidão. A mulher da Família 10 trabalhava numa minioficina de costura fazendo panos para limpeza de avião. Informou-me que ganhava R$0,12 pelo quilo de pano costurado. Quando recebia encomenda, costumava trabalhar 15 horas por dia, em média. Disse-me que esse esforço era necessário para poder garantir a entrega da encomenda no dia certo e conquistar a confiança do “atravessador83 e, com isto, ele lhe garantir a oferta contínua dessa oportunidade de trabalho. Pedi-lhe, na ocasião, autorização para levar um dos panos para casa. Com o consentimento da costureira, levei e pesei o pano e descobri que ele pesava 20 gramas. Fazendo as contas entre a quantidade de panos costurados e o valor pago pelo quilo, descobri que essa mulher ganhava em torno de R$ 5,40 por um dia de trabalho de 15 horas em condições precárias e insalubres. Situação semelhante, encontrei por ocasião de uma visita domiciliar que fiz a outra família. A mulher, que era chefe de família, bordava flores de crochê em blusas de malha. Pelo trabalho realizado em cada blusa recebia R$0,15. Trabalhava em média 10 horas, tempo suficiente para bordar cerca de 10 blusas. No final de um dia de trabalho, conseguia ganhar em torno de R$1,50. Com o endereço da loja onde as blusas bordadas eram entregues, pude descobrir que a blusa era vendida por R$35,00.

Essas e outras experiências de trabalho que vêm sendo vivenciadas por muitos dos entrevistados desde a infância, na adolescência ou agora, na idade adulta, ilustram e denunciam que as pessoas dessas famílias continuam trabalhando em condições de

83

Atravessador está sendo usado para denominar a pessoa que tem conhecimento e poder de negociação junto aos donos de fábricas e das grandes oficinas de costuras, que terceirizam parte de suas produções. Este mantém nos bairros um número grande de pessoas desempregadas que prestam serviços sem qualquer proteção ou regulamentação.

exploração e de desumanidade. Não é somente a quantidade de horas trabalhadas que caracteriza a precariedade e a desumanidade do processo de trabalho executado por essas famílias. Na verdade, além de cumprirem uma jornada de trabalho superior à estabelecida pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), elas não têm registro em carteira, o que significa que não têm direito a férias, FGTS, décimo terceiro salário, e nem a segurança de que contarão com o seguro do regime de previdência social.

Trabalho que expõe pessoas a essas condições está longe de ser atividade que dignifica a pessoa humana. Serve para reiterar o círculo da reprodução das desigualdades sociais e para desmistificar e contrariar o ditado popular: “Deus ajuda a quem cedo madruga”.

Convém ter presente que a macroeconomia tem diversos locus de negociação, pactuação, representação. É o lugar dos donos dos meios de produção ou do capital. A microeconomia, em sua forte capilaridade, não tem locus de referência, regulação, acordo. A economia solidária parte do suposto da organização da constituição do sujeito coletivo. Não existe uma regulação do processo produtivo terceirizado. O vôo internacional ou nacional “precarizado” contém trabalho terceirizado em bases indignas.

Benzer Belgeler