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O art. 11 da Lei nº 10.098, de 19.12.2000, determina, taxativamente, que os

edifícios públicos ou privados destinados ao uso coletivo50 devem obedecer a

requisitos mínimos de acessibilidade, nos momentos da construção, ampliação ou reforma.

Cumpre, en passant, distinguir esses imóveis. De acordo com o art. 8º, VI e VII, do Decreto nº 5.296, de 02.12.2004, regulamento da precitada lei, aqueles primeiros são administrados por entidades da administração pública, direta e indireta, ou por empresas prestadoras de serviços públicos e se destinam ao público em geral, enquanto que, diferentemente, os segundos são os que se destinam às atividades de natureza comercial, hoteleira, cultural, esportiva, financeira, turística, recreativa, social, religiosa, educacional, industrial e de saúde.

Os aludidos requisitos são respeitantes aos acessos ao interior, itinerários de comunicação horizontal e vertical, vagas nas garagens e estacionamentos e banheiros. Com efeito, pelo menos, um dos acessos ao interior dessas edificações deverá estar livre de barreiras arquitetônicas e de obstáculos que não possam ser

50 Expressão que a lei usa mais de uma vez, demarcando a distinção entre os edifícios que pertencem ao patrimônio

público e se destinam ao uso do povo e os edifícios que, embora não pertencem ao patrimônio público, são, mediante contrato com seus proprietários particulares, destinados pelo Poder Público, ao uso coletivo ou do povo.

suplantados pelas pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. O art. 18, caput, do Decreto nº 5.296, de 02.12.2004, Regulamento da Lei, remete o tratamento da acessibilidade, neste caso, para as normas da ABNT, dentre as quais a NBR 9050, que prevê51 que todas as entradas devem ser acessíveis nas edificações e, em havendo adaptação destas, exige a previsão de, no mínimo, um acesso vinculado mediante rota acessível (trajeto contínuo, desobstruído e sinalizado e utilizável, de forma autônoma, por pessoa com necessidades especiais) à circulação nos imóveis (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004).

A lei estabelece, nos moldes do art. 11, III, que, pelos menos, um dos itinerários de comunicação horizontal e vertical com todas as dependências e serviços do edifício, entre si e com o exterior, deve se ajustar aos requisitos de acessibilidade. Induz a entender esteja se reportando aos corredores e aos elevadores. Como deflui da mencionada NBR52, os corredores devem ter largura e extensão mínimas53, para que seja possível a movimentação de uma pessoa em cadeira de rodas, inclusive os que forem adaptados, que deverão ser dotados de bolsões de retorno que permitam a manobra completa daquela espécie de cadeira54. Consoante ainda a NBR 1399455, os elevadores devem ter largura e altura livres mínimas56; em suas cabinas, dotadas de piso duro, antiderrapante, e corrimão de superfície lisa e não deslizante, ser possível o giro completo de uma cadeira de rodas, bem como ao lado de cada botão de comando, em altura acessível, deve ficar a marcação em Braille, em placas de metal ou plástico rígido, gravadas e fixas; além disso, devem também ser providos de sinais acústico e visual, para a indicação do sentido em que se movimentam, e anúncio verbal automático a cada parada nos pavimentos (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2000).

No que diz respeito a vagas no estacionamento, a lei exsurge, no art. 11, I, a exigência de que sejam reservadas vagas próximas aos acessos de circulação de pedestres, devidamente sinalizadas, para veículos que transportem pessoas com

51 Ver subseções 6.2.1 e 6.2.2 da referida norma 52 Ver 4.3.2.2 alínea a, e 6.9.1.3

53 Essas dimensões são, respectivamente 0,90m x 4,0 m. 54 Esses bolsões deverão permitir a manobra em 180º.

55 Ver as Subseções 5.1.4, 5. 1.7.2, 5.1.8.1, 5.1.8.3. 5.1.9.3, 5.1.11, 5.1.12 e 5.1.15.1. 56 A largura livre mínima deve ser de 800 mm e a altura livre mínima de 2.000 mm.

dificuldade de locomoção permanente. O art. 25 do Regulamento fixa, pelo menos, dois por cento do total das vagas quando essas pessoas forem portadoras de deficiência física ou visual. Estabelece, ainda, que haja, no mínimo, uma vaga em locais próximos à entrada principal do prédio ou ao elevador, de acordo com as especificações recomendadas pela ABNT, principalmente as que, de acordo com a NBR 905057, consistem em espaço adicional para circulação de cadeira de rodas e associação à rampa de acesso à calçada.

Ademais, de acordo com a exigência de requisitos, nos referidos edifícios, deverá haver, no mínimo, um banheiro acessível, com equipamentos e acessórios que proporcionem sua maior utilização possível pelas referidas pessoas. Dispõe o Regulamento, no art. 22, que esse banheiro seguirá os delineamentos de acessibilidade da ABNT, dentre os quais os de que os boxes para bacia sanitária tenham área para rotação que possibilite a movimentação de uma pessoa em cadeira de rodas e que os boxes para chuveiro e ducha tenham as dimensões acessíveis e barras de apoio verticais, horizontais ou em “L”, bem assim que o piso deve ser regular, firme, estável e antiderrapante, segundo a precitada NBR58. Estipula, ainda, o Regulamento, no art. 22, § 1º, que, nos trinta meses a contar de sua publicação, ocorrida em 03.12.2004, em cada pavimento nas edificações de uso público que já existiam deverá ser garantido, pelo menos, um banheiro com entrada independente que possa ser utilizado pelas pessoas com necessidades especiais.

Por outro lado, o art. 12 da Lei de Acessibilidade estabelece que as pessoas em cadeira de rodas terão direito a que lhes sejam disponibilizados espaços reservados e as que se ressentem de deficiência auditiva e visual à reserva de lugares específicos, nos locais onde sejam realizados eventos culturais, tais como espetáculos, conferências, aulas e outros de natureza similar. O Regulamento, no art. 23, caput, e §§ 1º e 2º, aí incluindo teatros, cinemas, auditórios, estádios e ginásios de esporte, manda reservar dois por cento da lotação desses estabelecimentos para pessoas em cadeira de rodas, em locais de boa visibilidade, e igual percentagem para quem sofra de deficiência visual ou tenha mobilidade reduzida, inclusive obesos, em locais de boa

57 Subseção 6.12.1

58 Subseções 6.1.1, 7.3.3.1, 7.3.4.2, 7.3.4.4. Nessa situação, a área para rotação deve ser de 180º e as dimensões de

recepção de mensagens sonoras. A ABNT NBR 9050 prevê que, nos referidos ambientes, deve haver espaço acrescido de faixa mínima em relação à cadeira ao lado, para que uma pessoa em cadeira de rodas fique em posição que lhe permita assistir a um espetáculo, e, se houver desnível entre o palco e a platéia, o que será indicado mediante a sinalização tátil de alerta (cor contrastante) no piso, que essa situação pode ser resolvida mediante a instalação de rampa ou de elevador em lugar discreto e fora do alcance visual da platéia, porém, de acesso imediato59.

Ao lado disso, o art. 24 do Regulamento prevê que os estabelecimentos de ensino de qualquer nível, etapa ou modalidade, devem proporcionar condições de acesso por parte das pessoas com necessidades especiais a todos os segmentos estruturais, principalmente salas de aula, bibliotecas, auditórios, ginásios e instalações desportivas, laboratórios, área de lazer e sanitários. A aludida NBR acrescenta a esses compartimentos livrarias, praças, centros acadêmicos, ambulatórios, bancos, locais de culto, exposições e hospedagem e estabelece que devem estar interligados a uma rota acessível (sem qualquer obstáculo ou barreira), pelo menos, para que ofereçam acesso ao alunado60. Deverão as escolas dispor de, pelo menos, um sanitário para cada sexo, para uso dos alunos, e também, no mínimo, um para cada sexo, para utilização por professores e funcionários61. Nas bibliotecas, entre as estantes de livros deve haver corredores com largura mínima e espaço que permita a manobra de uma cadeira de rodas62.

Nos locais de funcionamento de comércio e serviços63, deve haver espaço para manobra de cadeira de rodas, nos corredores de compras, e, pelo menos, um dos vestiários ou provadores deve estar livre de qualquer obstáculo, ter dimensões internas e entrada com vão livre mínimos, além de “porta que abra para fora”, como estipula a pré-falada NBR64.

59 ABNT NBR 9050, subseções 8.2.1.4.1 e 8.2.1.4.2. Espaço mínimo de 0,80 m x 1,20 m, acrescido de faixa mínima

de 0,30 m de largura.

60 ABNT NBR 9050, em 8.6.2. 61 ABNT NBR 9050, em 8.6.4 e 8.6.5.

62 ABNT NBR 9050, em 8.7.3. Esses corredores devem ter a largura de 0,90 m, no mínimo, e a cada 15 m o espaço

para manobra de uma cadeira de rodas em uma rotação de 180º.

63 Estão sediados em edificações que, embora privadas, se destinam ao uso coletivo.

64 ABNT NBR 9050, subseções 8.8.1.1 e 8.8.1.2. O espaço deve permitir a manobra da referida cadeira em uma

rotação de 180º e os vestiários e provadores, no mínimo, devem medir 1,20 m x 0,90 m e o vão livre de suas portas igual a 0,80 m de largura.

A Lei de Acessibilidade, no art. 25, declara, explicitamente, que suas disposições se aplicam aos edifícios ou imóveis que são de interesse cultural ou de valor histórico-artístico, ressalvando que as modificações que lhes forem necessárias observarão as normas específicas. O art. 30 do Regulamento faz remissão à Instrução Normativa nº 1, de 25.11.2003, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que prevê “soluções em acessibilidade”65, cuja implementação está pautada em diretrizes do Plano Plurianual de Ação em Acessibilidade. Dentre essas soluções estão as seguintes: percurso livre de barreiras desde o passeio até o acesso aos imóveis, pela entrada principal ou a que esta estiver integrada; vagas em estacionamento, lugares específicos em auditórios e locais de reunião, afora outros, devidamente identificados mediante sinalização visual, tátil ou sonora; acesso de pessoas com necessidades especiais a exposições temporárias e locais de visitação, mediante rota acessível, devidamente sinalizada; e ambiente onde o mobiliário, cores e iluminação sejam compatíveis com a melhor visão e entendimento das obras expostas (INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL, 2003).