3. JOHN LOCKE
3.4. DOĞA DURUMUNDAN SİYÂSÎ DURUMA GEÇİŞ
Apesar de 15 dos 20 entrevistados das empresas da amostra reconhecer a importância de haver um treinamento para o repatriado no retorno, apenas duas dessas empresas, uma brasileira e outra multinacional, relataram possuir esse treinamento. A empresa brasileira possui um treinamento voltado à reflexão do expatriado sobre o significado da experiência internacional que ele vivenciou e sobre como essa experiência interfere na sua vida. O entrevistado da empresa multinacional afirmou que o treinamento é realizado apenas para executivos que ficaram mais de três anos no exterior e que no retorno eles recebem o mesmo treinamento oferecido aos expatriados que vêm trabalhar no Brasil, ou seja, recebem informações sobre a cultura brasileira, língua, costumes, etc. atuação da empresa no Brasil, políticas da empresa e sobre a nova área de trabalho. Outros entrevistados relataram haver na empresa uma orientação aos repatriados sobre as mudanças ocorridas em relação a plano de saúde, vale refeição, plano de previdência, etc. Apenas o entrevistado da empresa multinacional que possui um programa de treinamento no retorno declarou haver uma integração do repatriado à área em que este vai trabalhar.
Abaixo o depoimento dos entrevistados das empresas que oferecem o treinamento no retorno. O primeiro trecho foi relatado pelo entrevistado da empresa brasileira e o segundo pelo da empresa multinacional:
“A gente oferece um treinamento cultural para ele quando volta, independente do período que ficou. Mas aí não é tão voltado para a atividade profissional, é mais uma readaptação cultural no país, uma reflexão de tudo que ele passou, o que ele aprendeu, o que ele tirou de interessante, esse tipo de coisas. Esse treinamento é dado por uma consultoria externa que a gente contrata. Mas, em termos de treinamento para a atividade profissional não. Estamos estudando fazer um programa específico de integração para os
repatriados, por que o que acontece, todo mundo que entra na [...] tem todo um programa de integração, de novos colaboradores, e estamos tentando montar um programa de integração para os repatriados, pra eles avisarem mesmo quais foram as mudanças, o que mudou no tempo que estava lá, mas isso a gente está bem no início”.
“A gente sempre faz uma reunião, que é chamada de reunião de chegada, com brasileiros também, a gente cuida dessa parte fiscal dele também, porque se ele ficou muito tempo lá fora, ele acaba esquecendo também algumas coisas do Brasil e a gente procura estar sempre dando esse apoio, mas mais voltado pro negócio, e quando ele chega na área, a área dá um treinamento pra ele, pra ele poder se readaptar. E na área de RH a gente dá todo apoio necessário pra ele na chegada. Nós tivemos três casos de brasileiros que estavam no Japão e vieram pra cá, um estava há 9 anos, quando o tempo é muito longo a gente acaba voltando ele nessa reunião de chegada, recebendo ele como se ele fosse um expatriado. Depende da quantidade de tempo que ele ficou fora, ele tem que se readaptar, nesses casos um com oito, nove anos fora do Brasil, um 5 e outro 4, então é muito tempo fora do Brasil. E nós tivemos que recebê-los mesmo, como expatriados, dando todo esse apoio, porque é uma língua completamente diferente, são costumes diferentes, nós tivemos que, era um brasileiro descendente de japoneses, então estava muito bem e teve que voltar pra cá, então ele, os filhos também, tiveram que se readaptar, essa parte foi bem complicada, quando o brasileiro fica muito tempo lá fora fica um pouco mais complicado ele voltar aqui pro Brasil. Mas só nesses casos a gente costuma recebê-los como expatriado, como se fosse uma pessoa nova chegando ao Brasil, e aí tem até todo o treinamento intercultural, se eles quiserem, porque muitos não querem. Busca de imóveis, a gente dá todo o apoio pra ele”.
Alguns dos depoimentos dos outros entrevistados, que apesar de não possuírem um treinamento na repatriação, reconhecem a importância deste, foram:
“Não, isso infelizmente não existe. Eu ate entendo que é uma prática bem interessante, para repatriação principalmente para os postos que é uma expatriação mais longa, eles até precisariam, mas hoje não existe nada nesse sentido para os nossos funcionários”.
“Não, treinamento, orientação, quando ele chega, ele faz uma reintegração, só que sinceramente ela poderia ser melhor do que é feita hoje. Há integração dos nossos novos colaboradores que normalmente a gente não convida o expatriado porque acha que muito é repetido do que ele já sabe. Eu já fui expatriada, quando eu voltei, por exemplo, eu percebi isso, muita coisa mudou e eu não sabia, porque eu não tive reintegração”.
“Não temos, mas acho que valeria a pena relembrar alguma coisa ou possíveis choques quando eles retornam ao Brasil... Seria importante mostrar como que funciona aqui, apesar dela já saber como funciona, ela lembra que no Brasil era assim, mas ela tem esse choque no retorno”.
“Nós não damos, aquele curso que damos pros brasileiros e estrangeiros nós não damos pros brasileiros quando voltam, dizem, e a gente percebe que é muito mais difícil readaptar do que se adaptar quando vão pra expatriação, mas eles têm que se virar sozinho nesse ponto”.
“O que nos sentimos falta... Eu participei de um fórum sobre expatriados que teve e que durou 4 dias e o que eles disseram lá é que da mesma forma que você tem a preocupação com o empregado saindo, você tem que ter a preocupação com o empregado no retorno. A pessoa às vezes ficou 5 anos fora, tem expatriado que ficou dez anos fora. A gente não tem esse programa do retorno”.