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DOĞA DURUMU, DOĞAL HUKUK VE DOĞAL HAKLAR

3. JOHN LOCKE

3.3. DOĞA DURUMU, DOĞAL HUKUK VE DOĞAL HAKLAR

Os entrevistados relataram que em geral os executivos brasileiros sentem alguma dificuldade de adaptação ao serem expatriados, mas se adaptam a qualquer país, e que embora a adaptação em países desenvolvidos seja mais fácil, os expatriados brasileiros têm se adaptado inclusive nos países em que a adaptação é considerada mais complicada. Abaixo, alguns depoimentos sobre esse assunto:

“... As pessoas foram e ficaram bem, mesmo na China, que a gente esperava algum problema, as pessoas se adaptaram bem”.

“É uma característica do brasileiro se adaptar“.

“Quando a pessoa está numa cidade, parece que suporta um pouco melhor, quando a gente tem obras numa região mais isolada, eu noto que bate umas neuras ai. Já é mais difícil, pra Angola, por exemplo, a gente orienta com relação às doenças, mostra fotos do lugar, fotos não bonitas, fotos feias né, porque tem uns que vão para lugares complicados, mas se adaptam“.

“Eles se adaptam, isso é uma característica muito importante do brasileiro, o que não se pode mudar você se adapta“.

“Sim, normalmente sim, a gente não tem casos de... eventualmente pode ter ai algumas dificuldades de adaptações culturais, algumas coisas que no limiar acabam não acontecendo da forma como era entendido, só que eles assumem isso como um desafio e ai, tipo, ele se propõe a ficar pelo tempo x e daí na próxima expatriação isso já é bem mais tranqüilo pra ele, né”.

De acordo com quatro entrevistados, os brasileiros têm uma facilidade maior de adaptação, em comparação aos executivos de outras nacionalidades.

“Em relação aos americanos... , eu tenho poucos, poucos ao longo desses anos, mas a gente percebe que os americanos têm uma dificuldade maior, o problema maior de segurança eu acho, muitos vem de Connecticut que tem casarões, tudo aberto e aqui não é bem assim. Aí vem pra São Paulo e as pessoas ficam com medo, o trânsito tudo isso assusta um pouco. O Francês, por exemplo, eles vêm com pé atrás, mas depois gostam, muitos não querem voltar”.

“Muitos dos estrangeiros que vem para o Brasil têm dificuldades de adaptação, mas não os brasileiros que vão, não”.

Apesar dos entrevistados relatarem que os expatriados costumam se adaptar bem, muitas empresas afirmaram que para o cônjuge a adaptação costuma ser mais difícil, mas nenhum dos entrevistados relatou problemas de adaptação dos filhos. Uma das empresas entrevistadas relatou que orienta o expatriado a dar suporte à esposa durante o período de expatriação, conforme um dos depoimentos abaixo sobre adaptação do cônjuge:

“Não, o que acontece é mais de ter problema com a família, você já deve ter ouvido bastante isso. Porque às vezes a família não fala o idioma e nem é só isso. O que acontece é que o empregado vem para a empresa trabalhar, o ambiente dele já é um ambiente conhecido, agora a família fica sozinha em casa, os filhos vão para a escola, então o que a gente tenta fazer; há lugares em que já tem uma concentração grande de expatriados morando e que as famílias acabam se unindo, formando comunidades, então atualmente não temos muitos problemas. O que pode acontecer é que o filho está em idade de cursar faculdade e quer fazer faculdade no país deles. Então o que acontece é que o líder, o empregado fica e a família volta para o país de origem, mas mais por uma questão escolar... se a pessoa vai para uma capital, como São Paulo, há escolas internacionais muito boas, lugares ótimos para morarem, então não há muitos problemas, mas hoje temos uma concentração também em outras de interior, ai nós encontramos maiores problemas, porque não há uma escola internacional adequada. Então quando a gente vai mandar o expatriado, a gente reforça para eles que eles não vão ter determinados recursos”.

“Problemas de adaptação com o expatriado não tem, é mais com a família. A gente sempre conversa com o expatriado que ele tem que conversar com a sua esposa, alguns chegam bem preparados, eu sei que eu tenho que sair daqui até no máximo seis, sete horas da noite pra chegar em casa e dar atenção a minha esposa também, porque ela vai passar o dia inteiro sozinha, muitas vezes sem fazer nada, se tem filho acaba se ocupando, mas as esposas que chegam sem filhos aí é mais complicado ainda, porque chega e não está contente, aí já começam as lamentações, enfim, acaba enchendo o marido e com mais os problemas do trabalho, aí ele acaba, se você não tiver uma estrutura boa pra conviver fora do teu país aí você acaba pedindo pra voltar”.

“Não tivemos nenhum problema com os cônjuges... Mas eu conheço algumas histórias que o expatriado realmente teve que voltar por conta do cônjuge, que o que acontece, o problema é agravado quando a pessoa não fala a língua, e se ela quiser ir ao mercado, ela vai ter problemas, então o cara fica na fábrica com um milhão de problemas, e quando ele chega em casa, encontra mais três milhões de problemas, porque eu tentei fazer isso e não consegui, eu não entendo a televisão, então eu falo com o cachorro na rua e nem ele me entende”.

“A gente sempre procura perguntar se a família está bem, se a esposa está bem, porque a gente sabe que nesse processo de expatriação é muito complicado, se a esposa não estiver bem ela pode chegar em casa, encher a cabeça dele e acaba com o sucesso de uma expatriação mesmo”.

Embora os entrevistados tenham afirmado que conhecem os problemas de adaptação enfrentados pelos cônjuges, as empresas não costumam realizar um acompanhamento da família de forma próxima. Na maioria das empresas o acompanhamento da família é realizado por meio do expatriado. Os entrevistados relataram também que muitas vezes, quando a família tem dificuldades de adaptação, os expatriados não relatam os problemas á área de recursos humanos, por medo de que isso possa parecer um fracasso. Alguns dos relatos a esse respeito foram:

“Nós até acompanhamos, mas a [...] não tem como política de dedicação exclusiva, muito próxima da família não. É mais por meio do funcionário. É nós não temos nesses últimos oito anos da empresa, em que teve uma expatriação mais forte, muitos problemas não”.

“Os expatriados são muito flexíveis, tanto na ida, quanto na volta. Se eles têm problemas não falam, muitos escondem. Teve uma família que ela não se adaptou, ele se separou, a mulher voltou para o Brasil e ele não contou nada. Só soubemos depois que ele já estava de volta”.

“Às vezes eles têm problemas com a adaptação do cônjuge sim, porque não fala a língua do país, fica em casa o dia inteiro sozinho, não tem amigos, sente falta da família, mas eles não trazem pra empresa. Às vezes a gente fica sabendo por terceiros”.

Apenas uma empresa brasileira relatou haver um contato direto do responsável pela área de expatriados com a família do executivo para acompanhar a adaptação desses durante a expatriação. Essa empresa, que possui um acompanhamento bastante próximo da família possui quinze expatriados atualmente, o que viabiliza esse tipo de acompanhamento. O relato sobre esse assunto foi:

“... Tem isso, então por isso que essas viagens que eu faço são importantes, porque ai eu vou, janto com a esposa e você consegue sentir realmente, olha, tem alguma coisa estranha nesse clima aqui, que vai pegar no futuro, então você tem uma certa abertura, e liberdade de perguntar: tá tudo bem, como você está se sentindo, então você conversa tanto com expatriado quanto com a esposa”.

Um dos entrevistados relatou que como a área de expatriados tem ciência da importância do acompanhamento da adaptação do expatriado e que os expatriados, muitas vezes, não se sentem à vontade para levar os problemas de adaptação à área de recursos humanos, seja a área de recursos humanos do local da expatriação ou do Brasil, a empresa contrata uma consultora externa para acompanhar a adaptação do expatriado. Nesse caso, de acordo com o entrevistado, os expatriados se sentem mais a vontade para falar sobre os seus problemas de adaptação, uma vez que as informações passadas pelos expatriados para a consultora são confidenciais, ou seja, não são repassadas para a área de recursos humanos da empresa. Abaixo, trecho do relato do entrevistado sobre o programa de apoio ao expatriado:

“A gente tem o PAE - Programa de Apoio ao Expatriado, isso também funciona fora do Brasil, tem sempre uma consultora que liga a cada seis meses pra eles pra saber se está tudo bem, se estão precisando de alguma ajuda, isso tudo é confidencial, não é passado pro RH, mas eles fazem esse contato, começou esse ano, esse programa do PAE e está bem legal. Eles estão aceitando bem porque ele já direciona, tem uma reunião antes de saírem daqui do Brasil e já direciona, se precisar de alguma coisa fora do país o telefone é tal, a pessoa é essa, se precisar de alguma coisa pode entrar em contato, e tem o contato aqui no Brasil também, ela fica via MSN também, celular, tem telefone direto, eles já sabem a quem recorrer”.