BÖLÜM 2: TÜRKİYE DİYANET İŞLERİ BAŞKANLIĞI VE YURT DIŞI DİN
2.1. Diyanet İşleri Başkanlığı Ve Yurt Dışı Din Hizmetleri
Dentre os objetivos da educação ambiental, que foram citados pela Carta de Belgrado, está a necessidade de se criar conhecimentos referente ao meio ambiente (REIGOTA, 1994), revelando a possibilidade de sua contribuição, já que a informação e o conhecimento participam como apoiadores na promoção de uma educação ambiental plena ao sistematizar dados e informações (através da coleta, organização, processamento, sistematização, armazenamento e divulgação de dados e informações) e ao gerar conhecimento de valor para a organização. Portanto, é necessário saber gerir de forma eficaz a informação e o conhecimento trabalhado e utilizado pela educação ambiental, o que nem sempre ocorre.
Além da necessidade do conhecimento para a educação ambiental estar declarada na Carta de Belgrado, muitos autores confirmam a sua importância e da informação para a educação ambiental.
De acordo com Jacobi (2003, p.198), a educação ambiental é “um aprendizado social baseado no diálogo e na interação, um processo de recriação e reinterpretação de informações, conceitos e significados, que podem se originar do aprendizado em sala de aula ou da experiência pessoal do aluno”.
O autor ainda esclarece que ela envolve informações, conceitos, significados, aprendizado social, diálogo, interação, recriação e reinterpretação de informações. Ou seja, envolve também conhecimentos, pois estes, como já discutido na seção anterior do trabalho, são informações, conceitos, significados, experiências, crenças e valores, que são adquiridos através do dialogo, da interação social, levando a interpretações de diversas informações, conforme o contexto (JACOBI, 2003).
Portanto, a educação ambiental deve ser um processo de permanente aprendizagem que valoriza as diversas formas de conhecimento e forma cidadãos com consciência local e planetária. Assim, pode-se concluir que o conhecimento está estritamente relacionado à ela (JACOBI, 2003; PÁDUA e TABANEZ 7 (1998) apud JACOBI, 2003).
Ela propicia o aumento de conhecimentos, a mudança de valores e o aperfeiçoamento de habilidades e, junto do conhecimento, afeta o comportamento através de atitudes e intenções comportamentais. Assim, conhecimentos ambientais têm alta correlação com as atitudes das pessoas no que diz respeito ao meio ambiente em que vivem, por exemplo, a vontade de fazer sacrifícios ou o comportamento ambientalmente responsável (AJZEN e FISHBEIN8 (1980) apud KUHLEMEIER, VAN DEN BERGH; LAGERWEIJ, 1999; PÁDUA e TABANEZ9 (1998) apud JACOBI, 2003).
7 PÁDUA, S.; TABANEZ, M. (Org.). (1998). Educação ambiental: caminhos trilhados no Brasil. São Paulo: Ipê.
8 AJZEN, I.; FISHBEIN, M. (1980). Understanding attitudes and predicting social behavior. Englewood Cliffs: Prentice Hall.
9 PÁDUA, S.; TABANEZ, M. (Org.). (1998). Educação ambiental: caminhos trilhados no Brasil. São Paulo: Ipê.
É a partir do da informação, do conhecimento e da percepção ambiental que as pessoas mudam seu comportamento e suas atitudes (AJZEN e FISHBEIN10 (1980) apud KUHLEMEIER, VAN DEN BERGH; LAGERWEIJ, 1999; BRANDALISE et al., 2009; HUNGERFORD; VOLK11 (1990) apud POOLEY e O’CONNOR, 2000). A informação e o conhecimento, assim como a hipermídia são motores propulsores para a sensibilização e a identificação dos problemas ambientais e para a reflexão sobre a urgência da mudança dos atuais padrões de uso dos bens ambientais (RODRIGUES; COLESANTI, 2008).
Assim, uma das necessidades da educação ambiental, conhecida e destacada pelos autores da área, é a importância da informação e do conhecimento nas questões ambientais. Caracterizada como um dos problemas a serem resolvidos pela educação ambiental, a necessidade de se trabalhar a informação e o conhecimento pertinente ao meio ambiente e à ecologia, é um tema pouco abordado pelos estudiosos da área (JACOBI, 2003), pois “a informação constitui um instrumento fundamental na busca de padrões mais sustentáveis de desenvolvimento” (ALBAGLI, 1995a, p. 8).
Loures (2004) acrescenta a questão da democracia e da participação. O autor argumenta que o princípio da participação popular, enquanto cerne do Direito Ambiental pertencente ao sistema democrático adotado pela Carta Constitucional brasileira de 1988 apresenta o direito e o dever da participação da sociedade civil nas questões referentes aos bens e valores ambientais. Esse direito de participação popular é indissociável do direito à informação ambiental, um pressuposto lógico para a participação da sociedade e instrumento da implementação. Como acrescenta Loures (2004, p.193-194), “o direito à informação é um dos instrumentos de efetivação do princípio da participação permitindo a atuação consciente e eficaz da sociedade”, e esse direito pode ser concedido através da educação ambiental.
10 AJZEN, I.; FISHBEIN, M. (1980). Understanding attitudes and predicting social behavior. Englewood Cliffs: Prentice Hall.
11 HUNGERFORD, H.R.; VOLK, T.L. (1990). Changing learner behavior through environmental education.
Dionysio e Santos (2007) argumentam sobre o gerenciamento da informação, que é um assunto de grande relevância tanto do ponto de vista acadêmico como do ponto de vista prático no mundo dos negócios. A relevância da informação e do conhecimento também existe nos campos que tratam das questões ambientais, como na gestão ambiental - em que a informação e o conhecimento são essenciais para se manter os Sistemas de Gestão Ambiental das organizações e para apoiar a tomada de decisão que envolve informações, conhecimentos e experiências - e na educação ambiental para disseminar informações e conhecimentos possibilitando a sensibilização e a construção de novos conhecimentos que possibilitem a preservação ambiental.
Os autores ainda acrescentam que as organizações necessitam gerenciar a informação de forma tão peculiar quanto qualquer outro recurso empresarial como os bens materiais e as pessoas. Dada a quantidade e diversidade da informação na organização, torna-se difícil gerenciá-la de maneira que os gestores a utilizem para a tomada de decisões (DIONYSIO; SANTOS, 2007), algo que também ocorre com o conhecimento. Por isso é preciso gerenciar ambos. Dessa forma, as organizações que zelam pela melhoria contínua do seu desempenho ambiental se deparam com muitas informações ambientais (DIONYSIO; SANTOS, 2007), bem como possuem diversos e diferentes conhecimentos ambientais, o que revela a necessidade de gerenciar uma e outro.
Dionysio e Santos (2007) acrescentam a importância da realidade vivenciada no dia-a- dia como fundamental para a educação ambiental, pois é nessa vivência e nas experiências que está o conhecimento tácito.
Periotto e Zaine (2000) acrescentam ainda que, muito mais do que especialistas ambientais, a área da educação ambiental exige: 1) uma área de trabalho em equipes multi, inter e pluridisciplinares; 2) diálogo; 3) trocas de idéias; 4) troca de ações. Essa afirmação demonstra a necessidade de equipes multidisciplinares, algo que a Teoria da Criação do
Conhecimento de Nonaka descreve como importante para criar novos conhecimentos. A teoria coloca como item de extrema importância o diálogo, a troca de idéias e ações em três das quatro fases do SECI. Primeiramente, na externalização, o conhecimento tácito é explicitado aos outros integrantes do grupo através de atividades como o diálogo; na combinação, a troca de idéias possibilita a sistematização do conhecimento explícito; e na interação, a troca de ações leva à transformação do conhecimento explícito em tácito.
Uma questão importante a ser tratada é a dificuldade da mudança de hábito. Vários autores relacionam o conhecimento ambiental à atitude ambiental e ao comportamento pró- ambiental - atitudes positivas para com a preservação do meio ambiente - , ou seja, o comportamento consciente (KOLLMUSS e AGYEMAN, 2002).
Burgees, Harrison e Filius (1998, p.1447) relacionam o conhecimento ambiental às atitudes e ao comportamento ambiental da seguinte forma (figura 8):
Figura 8 - Modelo de comportamento pró-ambiental Fonte: Burgees, Harrison e Filius (1998, p.1447)
De acordo com os autores, Kollmuss e Agyeman (2002), a informação não é suficiente para modificar o comportamento e as atitudes das pessoas. A sua mudança envolve muitas variáveis como conhecimento, crença de possibilidade de mudança, compromisso verbal, sentimento de responsabilidade individual, atitudes e valores, dentre outros. Os autores acrescentam ainda que as experiências vividas pelas próprias pessoas têm maior influência sobre o comportamento das pessoas que as experiências informadas, ou seja, o conhecimento tem maior influência que somente a informação.
conhecimento
Assim, Kollmuss e Agyeman (2002) concluem que o conhecimento ambiental, por si só, não é suficiente, mas necessário para modificar as atitudes, os hábitos e o comportamento das pessoas, pois é através do conhecimento que elas têm do ambiente em que vivem, de seus problemas e necessidades, que a conscientização e a mudança de hábitos ocorrem.
Além de informar e levar conhecimento às pessoas, a educação ambiental deve fazer com que as pessoas vivam experiências, possibilitando a mudança de atitude e comportamento. Algumas experiências demonstram essa tentativa. Por exemplo, a iniciativa de Froehlich, Biassusi e Neuenfeldt (2005) ao escreverem sobre o “Projeto de Educação Ambiental” 12, que eles definem como uma ferramenta de interação entre essas diversas partes envolvidas na construção do conhecimento e na preservação do meio ambiente e apresentam, como objetivo, integrar as partes envolvidas através de atividades que busquem aliar dois tipos de conhecimento: o popular ao científico; sensibilizar os envolvidos e a comunidade para a construção social do conhecimento e para uma proposta de ações que melhorem a qualidade de vida juntamente com a preservação ambiental.
Cunha e Oliveira (2009) também confirmam a importância da construção do conhecimento na educação ambiental em seu “Programa de Construção do Conhecimento na Educação Ambiental”, pois ela valoriza o conhecimento integrado com a realidade onde vivemos, utilizando-se de diferentes formas de conhecer, decorrentes dos diferentes comportamentos dos seres humanos com o meio. Através do processo de construção do conhecimento, aprende-se mais se comparado a um processo no qual somente se recebe conhecimento “pronto”; no processo de construção e criação do conhecimento aprende-se a pensar, intuir, imaginar, debater. As autoras sugerem um espaço no qual possam surgir as idéias para a construção de novos conhecimentos ambientais, através da experiência
12 Uma parceria das escolas municipais de Cerro Grande do Sul no Rio Grande do Sul, da equipe local da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural – Associação Sulista de Crédito e Assistência Rural (EMATER/RS-ASCAR), de lideranças comunitárias e da Secretaria Municipal de Educação e Cultura e Agricultura.
individual ou grupal e da troca de diferentes experiências, de diferentes conhecimentos, de diferentes informações, diferentes maneiras de agir e de pensar.
Outro ponto importante a ser tratado pela educação ambiental diz respeito ao acesso à informação ambiental. Na revisão de diversos autores feita por Layrargues (2000), pode-se perceber que a renúncia ambiental por parte das camadas sociais mais baixas da população pode ser explicada pelo baixo acesso a informações, dentre outros; por isso elas estão mais sujeitas aos riscos ambientais.
Layrargues (2000) conclui que a falta de informação e conhecimento desvaloriza as questões ambientais e leva à resistência e ao desinteresse por elas. Tal argumento justifica a necessidade da informação e do conhecimento serem trabalhados de maneira que auxiliem a educação ambiental, comprovando a relação da gestão do conhecimento com ela.
Todos esses argumentos apresentados pelos diversos autores revelam a importância e a necessidade da informação e do conhecimento na educação ambiental, o que, conseqüentemente, implica o uso da gestão do conhecimento para trabalhá-los, evidenciando a relevância e a necessidade do presente trabalho.