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2. İNSAN TİCARETİYLE MÜCADELEYE DAİR YÜRÜRLÜKTEKİ HUKUKİ

2.1. İnsan Ticaretinin Engellenmesi, Mücadele ve Mağdurlarının Korunması

2.1.2. Direktif Hükümleri ve Temel Kazanımlar

A teoria neoclássica tradicional desenvolveu-se sob alguns pilares fundamentais dentre os quais se destaca o fato de ela considerar a firma como a instância na qual uma ou várias transformações tecnológicas ocorrem para gerar um bem ou serviço. Em outras palavras, a firma na noção tradicional do pensamento neoclássico pode ser vista como uma função de produção, ou como uma relação mecânica entre um vetor de insumos e um de produtos.

Recentemente foram verificados importantes avanços no estudo da estrutura da firma e das organizações. Percebeu-se, por exemplo, a existência de dois elementos fundamentais de discussão, que seriam a razão para a existência das firmas e a lógica de sua organização interna. O porquê de as firmas existirem foi discutido por vários autores dentre os quais se destacaram Coase e Knight (ZYLBERSZTAJN, 2000). Knight considera o lucro como fator fundamental para a emergência da firma, enquanto Coase inspirou os avanços que sustentam a Nova Economia Institucional, na qual se desenvolve um novo paradigma para o estudo das organizações.

Coase, em trabalho desenvolvido na década de 30, chamou a atenção para alguns aspectos importantes relativos a estes conceitos da teoria neoclássica. Segundo seu pensamento, mais do que uma relação entre insumos e produtos através de determinada tecnologia, a firma é, na verdade, uma relação orgânica entre agentes, que se concretiza através de contratos, sejam eles explícitos ou informais (ZYLBERSZTAJN, 2000).

A proposta de Coase foi ir além do pensamento no qual a firma era tratada como uma função de produção, buscando entender a abrangência e os limites dela. Seus estudos partiram da necessidade de aperfeiçoar as propostas de Adam Smith, segundo as quais a coordenação do sistema econômico se realiza através do mecanismo de preço. Nesse sentido é que seu pensamento direcionou-se para considerar que, no limite, toda atividade de

produção e alocação poderia verificar-se dentro de uma mesma firma. Segundo FARINA et al. (1997), a firma não deveria ser tratada, na visão de Coase, apenas como um espaço para a transformação do produto, mas também como um espaç o para a coordenação das ações dos agentes econômicos, ou seja, como um espaço alternativo ao mercado.

Suas análises foram centradas, portanto, em duas formas de coordenação: o mercado e a firma. Deve-se considerar, entretanto, que ambas concorrem entre si , na medida que podem desempenhar a mesma função de coordenar a atividade econômica. A explicação atribuída por Coase para a permanência de duas formas concorrentes como estas prende-se ao fato de que os custos de utilizar um ou outro mecanismo são distintos. Assim, a escolha entre uma ou outra forma de coordenação dependerá, certamente, da magnitude deles.

Foi exatamente a esses custos, relacionados à forma pela qual se processa uma transação que se convencionou chamar custos de transação, distintos daqueles vinculados à tecnologia empregada, que seriam os custos de produção. Segundo Coase, citado por ZYLBERSZTAJN (2000), esses custos seriam de duas naturezas: aqueles relacionados aos custos de descobrir os preços vigentes no mercado (custos da informação) e os ligados às negociações e ao estabelecimento de contratos.

Embora as análises de Coase tenham criticado alguns fundamentos da teoria neoclássica, é certo que ele não rompeu totalmente com ela, uma vez que, em suas análises considera-se o comportamento maximizador de lucro. Deve-se considerar que ele ampliou a análise tradicional, proporcionando condições para o entendimento da organização moderna, com a inclusão de dois temas freqüentes: a coordenação vertical da produção (limites da firma) e a estrutura da organização interna da firma (ZYLBERSZTAJN, 2000).

As contribuições de Coase para a Nova Economia Institucional consistiram, em síntese, em incorporar à análise econômica elementos antes considerados exógenos a ela, como os direitos de propriedade, a estrutura organizacional da firma e os mecanismos de governança das transações. Na verdade, desde que Coase considerou a firma como um conjunto de contratos regendo transações internas, ele passou a destacar algumas restrições às

transações econômicas, cujos custos não poderiam mais ser considerados como negligenciáveis (FARINA et al., 1997).

A contribuição de Coase para a Nova Economia Institucional é plenamente reconhecida, o que não impede que, conforme SOUZA (2000), se destaque o importante papel de outros renomados economistas como Oliver Williamson, Harold Demsetz, Steven Cheung, John R. Commons e Wesley Mitchell para a fundamentação dessa teoria.

O próprio termo Nova Economia Institucional surgiu de uma designação dada por Williamson com o objetivo de distingui-la das características da antiga economia institucional. Para WILLIAMSON (1985), a Nova Economia Institucional parte do pressuposto de que as organizações são importantes e sujeitas à análise, sendo definidas como um conjunto de contratos atuando como verdadeiros elos entre as cadeias produtivas.

Convém destacar que, no âmbito da literatura da organização industrial, as cadeias produtivas são analisadas sob a ótica da busca do poder de monopólio, o que para WILLIAMSON (1985) coloca essa literatura na vertente denominada “monopoly branch”. Já a análise que se desenvolve sob o escopo da Economia dos Custos de Transação situa-se na vertente da eficiência dos contratos, que enfatiza economias nos custos de transação (FARINA e ZYLBERSZTAJN, 1994).

Na Nova Economia Institucional a vertente cuja preocupação central se situa nas regras do jogo ficou conhecida como o Ambiente Institucional, enquanto que a Economia dos Custos de Transação centrou suas preocupações na forma como se processam as relaç ões, ou melhor, nas formas de disputa do jogo. Conforme SOUZA (2000), o Ambiente Institucional analisa as instituições em um nível macroanalítico e a Economia dos Custos de Transação é utilizada em uma análise microanalítica, embora deva-se destacar que os níveis de análise não são desconexos entre si. O ambiente institucional e o comportamento dos indivíduos estabelecem as condições básicas para determinar o arranjo institucional ou estrutura de governança que, por sua vez, também influencia o ambiente institucional e o comportamento dos indivíduos. Também o ambiente institucional exerce influência no comportamento dos indivíduos

Convém destacar que a contribuição de Coase para o surgimento da Nova Economia Institucional se deu através do embasamento de autores de distintas tendências. Em outras palavras, a Nova Economia Institucional não se desenvolveu de forma unificada, mas, devido ao caráter genérico da proposição inicial de Coase, permitiu o desenvolvimento de linhas de pesquisa independentes entre si, cada uma procurando responder diferentes questões específicas. Segundo FARINA et al. (1997), Williamson denominou duas correntes particularmente importantes, a do Ambiente Institucional e de Instituições de Governança. Ambas tratam de um mesmo objeto através de níveis analíticos distintos, ou seja, a economia com custos de transação, na qual o quadro institucional ocupa uma posição de destaque no resultado econômico.

2.2. A economia dos custos de transação

2.2.1. Conceituação de custos de transação

O pensamento de Coase tornou claro, como já mencionado anteriormente, que o funcionamento do sistema econômico está atrelado a transações, que por sua vez acarretam custos de duas espécies, ou seja, aqueles relacionados à informação e os relacionados ao estabelecimento de contratos.

Dentre as várias definições para os custos de transações, pode-se dizer, conforme Furubotn e Richter (1991), citados por FARINA et al. (1997), que eles são custos que são necessários para se colocar o mecanismo econômico e social em funcionamento. Na verdade, eles emergem à medida que este funcionamento possa ser comprometido, devido ao não cumprimento das atividades. Nesse contexto, destacou-se a questão da coordenação no mercado, mas que atualmente foi expandida, uma vez que os custos de transação são definidos não só pelo uso do mercado, mas pelo uso de qualquer outra forma organizacional.

Cheung (1990), citado por FARINA et al. (1997), chegou a uma definição bem completa para os custos de transação segundo a qual eles estão relacionados à elaboração e negociação dos contratos, à mensuração e