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2. KURAMSAL BİLGİLER VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.7. Dinleme Becerisinin Diğer Becerilerle İlişkisi

2.7.5. Dinleme-Konuşma İlişkisi

A história da formação do Município de Ribeirão das Neves é curiosa e desde o início aponta para a ausência de coesão territorial e fraca integração regional. As primeiras referências sobre Ribeirão das Neves são do início do século XVIII. A localidade onde é hoje o município denominava-se Matas de Bento Pires. Em 1745, o Mestre de Campo Jacinto Vieira da Costa recebeu o primeiro Título de Sesmaria, que lhe concedia o direito de cultivar as terras das Matas de Bento Pires e conseqüentemente, povoá-las.

Como era costume na época, o Mestre de Campo construiu um engenho e ergueu uma capela, que foi dedicada a Nossa Senhora das Neves, dando origem ao nome da Fazenda das Neves. Em 1752 legitimaram-se outros Títulos de Sesmaria e Neves cresceu.

Em 1827, uma lei provincial, reforçada por decreto de setembro de 1830, transformou Neves em um distrito. Em 1846, contudo, Neves perdeu a condição de distrito, através do pedido do então vereador Padre José Maria de Andrade, diante das precárias condições da capela, que não mais atendia a demanda da população, em crescimento. Foi criado o Distrito de Venda Nova, ao qual Neves foi anexado.

Em 1873, o então Povoado de Neves foi anexado ao Distrito de Pindahybas, (atual Vera Cruz de Minas, Município de Pedro Leopoldo). Em 1911 uma lei emancipou Contagem a município e o então Distrito de Pindahybas, o Distrito

de Campanha (atual Distrito de Justinópolis) e o Povoado de Neves foram anexados à Contagem.

Em 1923, o Povoado de Neves foi elevado a distrito do Município de Contagem. Em 1927, o Estado de Minas Gerais adquiriu algumas fazendas, entre elas parte da Fazenda de Neves, para a construção de uma Penitenciária Agrícola. Em 1938, através de um decreto-lei, o então Governador Benedito Valadares suprimiu o Município de Contagem20, integrando-o ao Município de Betim e todos os povoados e distritos de Contagem foram também anexados à Betim.

No ano de 1938, a Penitenciária Agrícola de Neves (PAN) foi inaugurada, um marco determinante na estruturação do território de Neves. Em 1943, o nome do distrito foi alterado de Neves para Ribeirão das Neves, sendo anexado a Pedro Leopoldo, que foi emancipado a município neste mesmo ano. Finalmente, em 1953, deu-se a criação do Município de Ribeirão das Neves, através da Lei 1.039 de 12 de dezembro, e o Distrito de Justinópolis, outrora Campanha, e o Povoado de Areias, foram anexados ao novo município.

A PAN21, cuja construção teve início em 1927, sendo inaugurada somente em

1938, foi considerada um modelo nacional de modernização do sistema penitenciário, da recuperação, reeducação e reinserção social dos detentos através do trabalho. A decisão de implantar a primeira penitenciária agrícola do Estado em local distante do centro da capital partiu do próprio governo estadual. Nem a população do então Distrito de Neves e nem as autoridades municipais (de Contagem, ao qual o distrito pertenceu à época da construção), tiveram alguma participação na implementação do projeto carcerário. “É até possível que nenhum deles tivesse nem sequer conhecimento do projeto.” (SOUZA, 2008, p.267).

20 Esse período caracterizado pela perda da autonomia de Contagem é conhecido como

“cativeiro da Babilônia”. Somente em 1948 Contagem recuperou a sua autonomia municipal. 21 Atualmente, a antiga PAN chama-se Centro de Recuperação José Maria Alkimim. A penitenciária recebeu este nome em homenagem ao seu primeiro diretor. Localiza-se na Praça

Até os anos 1960, parte considerável da população urbana do centro municipal vivia de empregos oferecidos pela PAN. Além disso, a produção de hortifrutigranjeiros aliada à exploração de areia e argila nos córregos praticamente formavam a base econômica do município. O setor industrial mais significativo no município era a indústria cerâmica.

Nos primeiros anos da década de 1960, ocorreu a transferência da Cadeia Pública da Comarca de Belo Horizonte para o Município de Ribeirão das Neves, dando origem à Casa de Detenção Antônio Dutra Ladeira. Em 1982, o município recebeu outra unidade prisional, a atual Penitenciária Feminina José Abranches Gonçalves. Ambos localizaram-se na rodovia LMG-806, no trecho da estrada entre o Distrito Sede e o Distrito de Justinópolis.

Em 2006, mais uma unidade prisional foi construída no Município de Ribeirão das Neves, a Penitenciária Inspetor Jorge Martinho Drumond, com capacidade para 820 presos e também localizada na rodovia LMG-806. Sabe-se que mobilizações populares rejeitaram com veemência a instalação de mais esta unidade prisional. Entretanto, as manifestações nas ruas e participações da sociedade civil municipal em audiências públicas e reuniões com autoridades municipais e estaduais, além de um abaixo-assinado com 40 mil assinaturas da população nevense, encaminhado ao governo do Estado, não impediram a construção do presídio, que atualmente funciona com sua capacidade lotada. Nem mesmo os projetos arquitetônico e complementares da Penitenciária Inspetor Jorge Martinho Drumond foram sequer analisados e aprovados pelo poder público municipal, de acordo com informação de um técnico da Secretaria de Planejamento da Prefeitura Municipal.

A intenção do governo do Estado, em transformar o município em um “espaço carcerário”, uma “cidade-presídio”, era clara e a falta de atenção para com a ordem local repete-se, desde a construção da PAN, até os dias atuais. Ora, diante de uma incipiente e frágil base econômica, carente de atividades

da Esplanada do Distito Sede do Município de Ribeirão das Neves e constitui-se na penitenciária mais antiga do Estado, com 71 anos, desde sua inauguração.

relevantes e consequentemente, com uma posição bastante restrita no contexto da estrutura econômica metropolitana, Ribeirão das Neves, ao receber a primeira penitenciária agrícola do Estado, passou a ter uma função metropolitana22, evidenciando-se, inclusive, como modelo nacional, abrindo

assim suas portas para que outras instituições penais se instalassem posteriormente no município, de acordo com os ditames estaduais.

Contudo, ressalta-se que a transformação do município em “espaço carcerário”, não foi acompanhada por investimentos relevantes em infraestrutura, saneamento, saúde, educação, habitação e geração de empregos. Foi nesse contexto que Ribeirão das Neves tornou-se palco privilegiado dos processos de loteamento do solo urbano, direcionados ao atendimento da demanda por habitação de uma população de baixo poder socioeconômico, conforme veremos adiante.

Atualmente são quatro as instituições que compõem o complexo penitenciário do município. Acredita-se que Ribeirão das Neves foi criado a partir da PAN, para manter-se distante do centro urbano, afastado do poder político, mas articulado e comandado de fora pelo governo do Estado, que era (e ainda é) o grande organizador do espaço urbano municipal.

22 “Ao sediar a Penitenciária Agrícola [...] Neves não só deu o primeiro passo para ser considerada ‘cidade-presídio’, como também para inserir-se no processo de metropolização, tornar-se periferia de Belo Horizonte e cidade-dormitório [...] pois apresenta forte dependência em relação ao núcleo central da RMBH, no que tange às concentrações de atividades e de emprego.” ( SOUSA, 2008, p.267,268).

Figura 1 – Ribeirão das Neves na Região Metropolitana de Belo Horizonte